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InfoGripe alerta para a manutenção da alta de casos de SRAG no paísInfoGripe alerta para a manutenção da alta de casos de SRAG no país

Divulgada nesta quinta-feira (25/6), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz reforça o alerta para a manutenção da alta do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. Todas as unidades da Federação, com exceção de Rondônia, Piauí e Pernambuco, apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Oito delas também sinalizam crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 24: Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Santa Catarina. Esta alta de SRAG segue associada, principalmente, à maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também às influenzas A e B. Referente à Semana Epidemiológica 24, a atualização abrange o período de 14 a 20 de junho.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, observa que, em relação à Covid-19, o número de casos de SRAG apresenta aumento em alguns estados, como Amazonas, Pará e Ceará, mas que, no entanto, esse crescimento ainda é lento e que os casos semanais permanecem em níveis baixos. Diante deste cenário, Portella chama a atenção para a importância de a população elegível manter a vacinação contra o vírus em dia.

“Lembrando que idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses para ficarem adequadamente protegidos. A vacinação é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave, como influenza, Covid-19 e vírus sincicial respiratório. Por isso, é fundamental que as pessoas dos grupos de risco e elegíveis estejam com a vacinação em dia”, ressaltou.

Além disso, recomendou a pesquisadora, é importante manter medidas de prevenção, como lavar sempre as mãos e utilizar máscara em postos de saúde e em locais fechados ou com maior aglomeração de pessoas. Caso apresente sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é permanecer em isolamento. Se isso não for possível, a recomendação é sair de casa usando uma boa máscara, para reduzir o risco de transmissão do vírus para outras pessoas.
 


Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado em toda a região Sul (PR, SC e RS), boa parte do Sudeste (RJ, MG e SP) e em alguns estados do Norte (AP, PA e RR), Nordeste (AL, CE, MA) e no Mato Grosso do Sul. Nos estados do Acre, Pará, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo os casos de SRAG por VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda.

As hospitalizações por influenza A seguem aumentando no Acre e em Roraima e, embora apresentem tendência de estabilização ou queda, permanecem em níveis elevados em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já os casos graves por Influenza B continuam aumentando em boa parte do Centro-Sul (GO, DF, MS, MG, SP, RJ, PR, RS e SC), além do Ceará e do Maranhão. Os casos de SRAG por Covid-19 seguem com sinal de crescimento em alguns estados do Norte (AM, CE e PA), mas o número semanal de casos ainda permanece baixo. As notificações de SRAG por Covid-19 permanecem com indícios de aumento em alguns estados da Região Norte (Amazonas e Pará), além do Ceará. No entanto, o número semanal de casos ainda permanece baixo.

Oito das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a semana epidemiológica 24: Boa Vista (Roraima), Curitiba (Paraná), Florianópolis (Santa Catarina), Macapá (Amapá), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), São Luís (Maranhão) e Vitória (Espírito Santo).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 16,4% para influenza A, 7,9% para influenza B, 53,1% para vírus sincicial respiratório, 23,9% para rinovírus e 2% Covid-19 (Sars-CoV-2). Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus, considerando apenas os casos positivos e o mesmo período, foi de 38,3% para influenza A, 12,6% para influenza B, 20,9% para vírus sincicial respiratório, 21,6% para rinovírus e 7,5% para Covid-19 (Sars-CoV-2).

Em nível nacional, a análise verificou sinal de manutenção do crescimento dos casos de SRAG entre os idosos e desaceleração desse crescimento entre crianças menores de dois anos e pessoas de 15 a 49 anos. Entre crianças e adolescentes de dois a 14 anos, os casos estão em queda.

O cenário atual, em nível nacional, aponta estabilização ou oscilação nas tendências de longo e de curto prazo. No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 97.813 casos de SRAG, sendo 49.511 (50,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 34.270 (35%) com resultado negativo e 7.771 (7,9%) ainda aguardando resultado laboratorial.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A ocorrência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas e está associada, principalmente, ao vírus sincicial respiratório. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto em crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada na população com 65 anos ou mais. As ocorrências de SRAG por Covid-19 continuam baixas em todas as faixas etárias.

Divulgada nesta quinta-feira (25/6), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz reforça o alerta para a manutenção da alta do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. Todas as unidades da Federação, com exceção de Rondônia, Piauí e Pernambuco, apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Oito delas também sinalizam crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 24: Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Santa Catarina. Esta alta de SRAG segue associada, principalmente, à maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também às influenzas A e B. Referente à Semana Epidemiológica 24, a atualização abrange o período de 14 a 20 de junho.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, observa que, em relação à Covid-19, o número de casos de SRAG apresenta aumento em alguns estados, como Amazonas, Pará e Ceará, mas que, no entanto, esse crescimento ainda é lento e que os casos semanais permanecem em níveis baixos. Diante deste cenário, Portella chama a atenção para a importância de a população elegível manter a vacinação contra o vírus em dia.

“Lembrando que idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses para ficarem adequadamente protegidos. A vacinação é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave, como influenza, Covid-19 e vírus sincicial respiratório. Por isso, é fundamental que as pessoas dos grupos de risco e elegíveis estejam com a vacinação em dia”, ressaltou.

Além disso, recomendou a pesquisadora, é importante manter medidas de prevenção, como lavar sempre as mãos e utilizar máscara em postos de saúde e em locais fechados ou com maior aglomeração de pessoas. Caso apresente sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é permanecer em isolamento. Se isso não for possível, a recomendação é sair de casa usando uma boa máscara, para reduzir o risco de transmissão do vírus para outras pessoas.
 


Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado em toda a região Sul (PR, SC e RS), boa parte do Sudeste (RJ, MG e SP) e em alguns estados do Norte (AP, PA e RR), Nordeste (AL, CE, MA) e no Mato Grosso do Sul. Nos estados do Acre, Pará, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo os casos de SRAG por VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda.

As hospitalizações por influenza A seguem aumentando no Acre e em Roraima e, embora apresentem tendência de estabilização ou queda, permanecem em níveis elevados em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já os casos graves por Influenza B continuam aumentando em boa parte do Centro-Sul (GO, DF, MS, MG, SP, RJ, PR, RS e SC), além do Ceará e do Maranhão. Os casos de SRAG por Covid-19 seguem com sinal de crescimento em alguns estados do Norte (AM, CE e PA), mas o número semanal de casos ainda permanece baixo. As notificações de SRAG por Covid-19 permanecem com indícios de aumento em alguns estados da Região Norte (Amazonas e Pará), além do Ceará. No entanto, o número semanal de casos ainda permanece baixo.

Oito das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a semana epidemiológica 24: Boa Vista (Roraima), Curitiba (Paraná), Florianópolis (Santa Catarina), Macapá (Amapá), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), São Luís (Maranhão) e Vitória (Espírito Santo).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 16,4% para influenza A, 7,9% para influenza B, 53,1% para vírus sincicial respiratório, 23,9% para rinovírus e 2% Covid-19 (Sars-CoV-2). Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus, considerando apenas os casos positivos e o mesmo período, foi de 38,3% para influenza A, 12,6% para influenza B, 20,9% para vírus sincicial respiratório, 21,6% para rinovírus e 7,5% para Covid-19 (Sars-CoV-2).

Em nível nacional, a análise verificou sinal de manutenção do crescimento dos casos de SRAG entre os idosos e desaceleração desse crescimento entre crianças menores de dois anos e pessoas de 15 a 49 anos. Entre crianças e adolescentes de dois a 14 anos, os casos estão em queda.

O cenário atual, em nível nacional, aponta estabilização ou oscilação nas tendências de longo e de curto prazo. No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 97.813 casos de SRAG, sendo 49.511 (50,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 34.270 (35%) com resultado negativo e 7.771 (7,9%) ainda aguardando resultado laboratorial.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A ocorrência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas e está associada, principalmente, ao vírus sincicial respiratório. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto em crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada na população com 65 anos ou mais. As ocorrências de SRAG por Covid-19 continuam baixas em todas as faixas etárias.

Publicado em 25/06/2026 10:52 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

Especialistas alertam para o impacto da crise climática na epidemiologia da hantavirose

O surto recente de hantavirose em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina foi o mote do Encontros do Conhecimento, promovido pela Fiocruz. Com o tema Hantavírus – panorama atual, vigilância e preparação para ameaças emergentes, o evento discutiu possibilidade de tratamentos, desenvolvimento de vacinas e epidemiologia do hantavírus.

As mudanças climáticas foram o ponto de destaque durante o encontro. A chefe do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Renata Oliveira, relembrou que no início dos anos 90 foi um El Niño que levou à primeira emergência sanitária causada por hantavírus nos EUA. “O evento climático causou muita chuva em uma região do país e houve aumento na população de roedores, que são os vetores do hantavírus”, explicou a pesquisadora.

Até então, o vírus era conhecido por causar febre hemorrágica com síndrome renal em países da Europa, Ásia e África. O surto nos EUA, localizado em uma região entre os estados do Arizona, Colorado e Novo México, levou à descoberta de uma nova doença causada pelo organismo, a síndrome pulmonar por hantavírus, de alta letalidade. Oliveira alertou para o El Niño já confirmado para este ano por especialistas, que vêm chamando a atenção para uma possível incidência extrema do fenômeno climático.

A médica infectologista do Departamento de Assuntos Médicos, Estudos Clínicos e Vigilância Pós-Registro (Deame) do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) Clarisse Vianna, destacou a emergência climática mundial como fator que pode levar à expansão da incidência das doenças causadas pelo vírus no mundo. Tanto o aumento das temperaturas, quanto os eventos extremos – secas e chuvas – favorecem situações em que os roedores buscam novas regiões em busca de comida e, assim, há maior proximidade entre os animais e as pessoas.

“As mudanças climáticas não criam novos hantavírus, mas podem aumentar a abundância dos reservatórios, expandir sua distribuição geográfica e elevar o risco de transmissão para humanos”, afirmou a infectologista, que ressaltou o fato de que a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o vírus no rol de priorização de patógenos com alto risco para novas pandemias. “A família do hantavírus está no radar da OMS desde a Covid-19 e o surto no navio acendeu um alerta. Hoje não temos contramedidas, vacinas ou tratamentos específicos, embora haja algumas iniciativas em estudo”.

Vigilância é a prioridade atual

A dificuldade de desenvolver imunizantes vem da baixa incidência da doença. No Brasil, os casos são, em sua grande maioria, restritos a áreas rurais, com transmissão roedor-pessoa. No final de 2025, a Anvisa concedeu o registro a um teste rápido de hantavirose desenvolvido em parceria entre Bio-Manguinhos, IOC e UFRJ, capaz de detectar a doença em até 20 minutos, com apenas uma gota de sangue. A iniciativa facilita o diagnóstico precoce, fundamental para que os pacientes recebam assistência adequada, além de ampliar a vigilância, especialmente em áreas remotas. “O teste validado no Brasil é importante para o contexto latino-americano. Um surto local bem investigado leva a mais conhecimento sobre esta família de vírus, que é global”, disse Renata Oliveira.

As enfermidades causadas pela família do hantavírus são consideradas graves, a síndrome pulmonar, incidente nas Américas, tem alta letalidade. O diagnóstico tardio é um dos principais problemas, já que os pacientes, de início, apresentam sintomas comuns a muitas viroses, como febre, tosse seca e dor de cabeça. A transmissão entre pessoas é considerada rara, a principal forma é pelo contato com urina, saliva e fezes de roedores silvestres infectados, especialmente pela inalação de partículas presentes no ambiente contaminado.

Publicado em 18/06/2026 15:37 Daniela Rangel (Bio-Manguinhos/Fiocruz)

InfoGripe: cresce número de hospitalizações por VSR e gripe

É essencial se vacinar contra o influenza para evitar casos graves

O número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) aumentou no Brasil e, em algumas regiões do país, também houve mais internações por gripe causada pelos vírus influenza A e B. Os dados estão no Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (11).

A análise é referente à Semana Epidemiológica 22, período de 31 de maio a 6 de junho, período em que a queda das temperaturas pode impulsionar a disseminação dos vírus respiratórios em locais fechados e aglomerados.

O estudo verificou que 11 das 27 unidades federativas apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com indícios de crescimento também na tendência de longo prazo, que considera as últimas seis semanas. São elas: Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

O InfoGripe destaca também que as demais 16 unidades da Federação apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo. Mas 12 delas ainda registram incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro.

Cuidados

Em 2026, já foram registrados 3.591 óbitos de SRAG. Para a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, é importante que a população tome alguns cuidados, como lavar sempre as mãos, usar máscaras dentro unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar.

Segundo ela, também é importante fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado, para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, a recomendação é que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara como a N95 ou PFF2

“E o mais importante: é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”, diz Tatiana.

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a alta de SRAG em crianças de até 4 anos de idade tem sido impulsionada principalmente pelo VSR, enquanto o rinovírus tem predominado entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos.

Nas últimas semanas, também tem sido observado um predomínio de casos de SRAG associados à influenza A entre jovens, adultos e idosos. A influenza B vem apresentando aumento, especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos.

Agência Brasil Publicado em 11/06/2026 – 13:53 Rio de Janeiro

InfoGripe: cresce número de hospitalizações por VSR e influenza A e B

Divulgada nesta quinta-feira (11/6), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz sinaliza para um cenário de aumento do número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também pela influenza A e influenza B. A análise é referente à Semana Epidemiológica 22, período de 31 de maio a 6 de junho.

A análise verificou que 11 das 27 unidades federativas apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com indícios de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas): Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

O InfoGripe destaca também que as demais 16 unidades da Federação apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo. Mas 12 delas ainda registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco – Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro.

“É importante que a população tome alguns cuidados, como lavar sempre as mãos, usar máscaras dentro unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar. Também é importante fazer isolamento em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, recomendamos que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara como a N95 ou PFF2. E o mais importante, é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”, orienta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado na maioria dos estados das regiões Nordeste (AL, BA, CE, MA, PI, RN e SE), Sudeste (MG, RJ e SP) e Sul (PR, SC e RS) e em alguns estados do Norte (AP e RR). Mesmo com sinal de interrupção do crescimento ou queda, o número de casos de SRAG associados ao VSR continua alto em toda a Região Centro-Oeste, além dos estados do Acre, Pará, Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco.

As hospitalizações por influenza A continuam aumentando em toda a Região Sul, além de Roraima e Rio Grande do Norte. Já os casos graves por influenza B estão aumentando especialmente em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

A atualização mostra que 10 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo até a Semana 22: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC) e Salvador (BA).

Segundo a análise, nove capitais também registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Joao Pessoa (PB), Manaus (AM), Palmas (TO), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e São Paulo (SP).

O aumento de SRAG na maioria dessas capitais ocorre especialmente nas crianças menores de 2 anos ou crianças e adolescentes até 14 anos. Em Curitiba e Rio Branco também há aumento dos casos de SRAG entre os idosos.

Dados epidemiológicos

Em relação aos casos positivos do ano corrente, verificou-se que 24,4% de influenza A, 3,1% de influenza B, 33,1% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 5,7% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 20,7% de influenza A, 5,7% de influenza B, 49,6% de vírus sincicial respiratório, 24,5% de rinovírus e 2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 20,7% de influenza A, 5,7% de influenza B, 49,6% de vírus sincicial respiratório, 24,5% de rinovírus e 2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 82.544 casos de SRAG, sendo 40.259 (48,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 29.404 (35,6%) negativos, e ao menos 7.319 (8,9%) aguardando resultado laboratorial. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 46,5% de influenza A, 9,9% de influenza B, 17% de vírus sincicial respiratório, 18,4% de rinovírus e 6,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a alta de SRAG em crianças de até 4 anos de idade tem sido impulsionada principalmente pelo VSR, enquanto o rinovírus tem predominado entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Nas últimas semanas, também tem sido observado um predomínio de casos de SRAG associados à influenza A entre jovens, adultos e idosos. A influenza B vem apresentando aumento, especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos.

Em 2026 já foram registrados 3.591 óbitos de SRAG, sendo 1.641 (45,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.575 (43,9%) negativos e ao menos 76 (2,1%) aguardando resultado laboratorial.

Dentre os óbitos positivos do ano corrente observou-se 41,9% de influenza A, 4,9% de influenza B, 9,1% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 21% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas a prevalência entre os óbitos positivos foi de 46,5% de influenza A, 9,9% de influenza B, 17% de vírus sincicial respiratório, 18,4% de rinovírus e 6,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Publicado em 11/06/2026 10:33 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

Voluntários brasileiros morrem no Congo devido a surto de Ebola

Dez países africanos estão sob risco da doença

A Cruz Vermelha brasileira lamentou a morte de três voluntários brasileiros na República Democrática do Congo (RDC). Em nota, divulgada no sábado (23), a entidade informou que eles foram vítimas de infecção por ebola.

“Eles perderam suas vidas para o vírus ebola enquanto lutavam bravamente na linha de frente do combate à doença”, diz o texto da entidade.

A Cruz Vermelha lamentou as mortes destacando o legado deixado por eles. “Expressamos nossos mais profundos sentimentos e sincero respeito aos familiares, amigos e a toda a equipe congolesa. O legado de coragem, humanidade e sacrifício desses voluntários jamais será esquecido.

Surto de ebola

A RDC passa atualmente por um surto de Ebola, segundo anunciou na sexta-feira (23) a Organização Mundial da Saúde (OMS). O país tem um “risco muito alto” de contaminação pelo vírus.

Isso significa que a doença está se espalhando rapidamente. Segundo a última contagem da OMS, 82 pessoas foram contaminadas oficialmente no país e há sete mortes, mas os números podem ser maiores. Há cerca de 750 casos não confirmados e 177 mortes suspeitas, também segundo a OMS.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC Africa) informou na sexta-feira (22) que dez países africanos estão sob risco de um surto de ebola. São eles:

  •     Sudão do Sul
  •     Ruanda
  •     Quênia
  •     Zâmbia
  •     República Centro-Africana
  •     Tanzânia
  •     Etiópia
  •     Angola
  •     Congo
  •     Burundi

Agência Brasil Publicado em 25/05/2026 – 09:22 São Paulo

Ebola: veja cronologia da doença e entenda causa de surtos na África

Disseminação do vírus acende alerta da Organização Mundial da Saúde

No início do mês, autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) emitiram alerta sobre um surto de alta mortalidade causado por uma doença até então desconhecida no município de Mongbwalu, na província de Ituri. O cenário incluía até mesmo mortes entre profissionais de saúde.

Cerca de 10 dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, capital da RDC, analisou 13 amostras de sangue colhidas no distrito de Rwampara. A avaliação laboratorial confirmou a presença do vírus Bundibugyo, um tipo de ebola, em oito do total de amostras colhidas.

Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país. Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda, país vizinho, confirmou surto de Bundibugyo, após identificar um caso importado: um congolês que morreu na capital, Kampala.

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No dia seguinte, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, após consultar ambos os Estados-Membros onde os surtos foram identificados, determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo tanto na RDC quanto em Uganda constitui emergência em saúde pública de importância internacional.

A OMS explica que o engajamento da comunidade é fundamental para o controle bem-sucedido de qualquer surto.

“[Isso] depende [também] da utilização de uma série de intervenções, como assistência clínica, vigilância e rastreamento de contatos, serviços laboratoriais, prevenção e controle de infecções em unidades de saúde, sepultamentos seguros.”

As medidas de enfrentamento incluem o envio de equipes de resposta rápida, o fornecimento de suprimentos médicos, o reforço da vigilância, da confirmação laboratorial, das avaliações de prevenção e do controle de infecções, a criação de centros de tratamento seguros e o engajamento da comunidade.

A doença

O ebola é classificado pela própria OMS como grave, frequentemente fatal, que afeta humanos e outros primatas.

O vírus é transmitido aos humanos por animais selvagens, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos, e passa de pessoa para pessoa por meio do contato direto com secreções, sangue, órgãos ou outros fluidos corporais de pacientes infectados.

O contágio também ocorre por meio do contato com superfícies e materiais, como roupas de cama e vestuário, contaminados com fluidos.

A taxa média de letalidade da doença é de cerca de 50%. Em surtos anteriores, segundo a OMS, as taxas de letalidade chegaram a 90%.

Surtos

A OMS classifica o surto de ebola registrado entre 2014 e 2016 na África Ocidental como o maior e mais complexo desde a descoberta do vírus, em 1976. 

À época, houve mais casos e mortes do que em todos os outros surtos combinados. A doença também se espalhou entre países, começando na Guiné e atravessando fronteiras terrestres para Serra Leoa e Libéria.

Sintomas

O período de incubação do ebola – intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus e o início dos sintomas – varia de dois a 21 dias. Segundo a OMS, a pessoa infectada não transmite a doença até desenvolver sintomas.

As alterações físicas incluem febre, fadiga, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Em seguida, aparecem vômitos, diarreia, dor abdominal, erupções cutâneas e sintomas de comprometimento das funções renais e hepáticas. Em casos menos frequentes, podem ocorrer sangramentos internos e externos. 

A própria OMS avalia que pode ser difícil distinguir clinicamente o ebola de outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide e meningite. Por esse motivo, diversos testes diagnósticos foram desenvolvidos para confirmar a presença do vírus.

Tratamento e prevenção

O tratamento intensivo precoce, incluindo a reidratação com fluidos orais ou intravenosos, e o tratamento de sintomas específicos, segundo a OMS, melhoram a sobrevida do paciente.

Especificamente para a doença causada pelo vírus Ebola (DEV), a OMS recomenda o tratamento com os anticorpos monoclonais. Já para outras doenças causadas pelo ebola, como é o caso do vírus Bundibugyo, não existem terapias aprovadas.

Duas vacinas foram aprovadas para DEV: a Ervebo e a Zabdeno e Mvabea. A vacina Ervebo é recomendada pela entidade como parte da resposta a surtos identificados.

Para orientar a população, a OMS preparou uma lista com as principais perguntas e respostas sobre o ebola.

O que é o ebola?

É uma enfermidade rara, porém grave, causada por um vírus pertencente ao gênero Orthoebolavirus, da família Filoviridae. As taxas de mortalidade variaram de 25% a 90%.

Seis espécies de Orthoebolavirus foram identificadas até o momento, sendo três conhecidas por causarem grandes surtos: Ebola, Sudão e Bundibugyo.

O reservatório animal dos vírus é desconhecido, mas as evidências atuais sugerem que morcegos frugívoros (Pteropodidae) podem ser hospedeiros.

Quais os sintomas típicos da doença?

Os sintomas podem surgir repentinamente e incluem:

  • febre;
  • fadiga;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça e dor de garganta.

Esses sintomas podem ser seguidos por:

  • vômito;
  • diarreia;
  • feridas na pele;
  • sangramento interno e externo.

Quanto tempo para manifestação dos sintomas?

O intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas varia de dois a 21 dias. As pessoas só se tornam contagiosas após desenvolverem sintomas.
Pode ser difícil distinguir clinicamente o ebola de outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide, dengue ou doença do vírus de Marburg.
Mesmo quando as pessoas desenvolvem sintomas semelhantes aos do ebola, somente um exame laboratorial pode confirmar se a causa é o vírus.

Como o ebola se espalha?

O vírus se espalha mais comumente de pessoa para pessoa por meio da exposição ao sangue ou a outros fluidos corporais (principalmente fezes, vômito, suor e saliva) de uma pessoa infectada, viva ou morta.

Isso ocorre quando o vírus entra no corpo através de pele lesionada ou de membranas mucosas, como olhos, nariz ou boca, geralmente quando alguém está cuidando de um paciente ou tocando o corpo de alguém que morreu da doença.

A transmissão também ocorre pelo contato ou manuseio de objetos contaminados com fluidos corporais de uma pessoa doente ou de alguém que morreu de ebola.

Em casos raros, a transmissão de um homem recuperado para sua parceira sexual foi documentada. Isso acontece porque o vírus pode persistir por algum tempo no sêmen de alguns homens recuperados da doença.

Quais medidas para se proteger durante episódios de surto?

  • evitar contato físico com indivíduos suspeitos ou confirmados com ebola;
  • não manusear corpos de pessoas que apresentaram sintomas de ebola e morreram sem as devidas precauções;
  • lavar as mãos regularmente, seguindo as melhores práticas recomendadas pelas autoridades locais para a lavagem das mãos.

O que as pessoas devem fazer para conter infecção por animais?

  • evitar comer animais mortos ou tocá-los sem medidas de proteção, especialmente durante um surto de ebola;
  • lavar bem as mãos antes e depois de tocar em qualquer animal ou produto de origem animal;
  • cozinhar bem os produtos de origem animal (sangue e carne) antes do consumo.

Quem corre maior risco?

  1. profissionais de saúde e assistência social em contato próximo com pacientes;
  2. cuidadores, familiares ou outras pessoas em contato físico direto com pessoas infectadas;
  3. pessoas em luto que têm contato físico direto com os corpos durante funerais ou rituais de sepultamento.

Quais providências tomar, após contato físico com infectados?

Se uma pessoa teve contato físico direto com alguém infectado ou com suspeita de ebola, pode estar sob risco de desenvolver a doença. A orientação é entrar em contato com seu médico ou com o posto de saúde local para entender sobre os próximos passos.

Uma vez que a pessoa é identificada como “contato”, sua saúde será monitorada por 21 dias após a exposição. Autoridades locais ou profissionais de saúde irão orientá-la sobre comportamentos recomendados e incentivá-la a:

  1. aceitar visitas diárias da equipe de rastreamento de contatos para monitorar a saúde;
  2. permitir que a temperatura seja aferida;
  3. responder a todas as perguntas com a maior precisão possível e tirara todas as dúvidas;
  4. relatar sintomas (se houver) assim que os desenvolver;
  5. evitar viagens, a menos que a viagem tenha sido discutida com a autoridade de saúde local;
  6. tomar a vacina, se disponível.

Existe tratamento para o ebola?

Existem dois tratamentos aprovados para adultos e crianças com a doença do vírus ebola: o Ansuvimab e o Inmazeb. Com base nesses fármacos, novos tratamentos potenciais, segundo a OMS, estão sendo avaliados para outros ortoebolavírus, mas ainda não foram totalmente testados.

É possível tratar a doença em casa?

A OMS não recomenda que famílias ou comunidades cuidem de pessoas com ebola em casa. Pessoas com sintomas devem procurar atendimento em um centro de saúde. O tratamento precoce em um centro de referência é essencial e pode aumentar as chances de recuperação.

Se uma pessoa morrer em casa com suspeita de ebola, a comunidade e os familiares devem evitar manusear ou preparar o corpo para o enterro. A orientação é entrar em contato imediatamente com as autoridades de saúde locais para realizar um sepultamento seguro e digno, de acordo com os desejos da família.

O que fazer se precisar viajar?

A OMS não recomenda, até o momento, restrições comerciais ou de circulação, como confinamentos ou quarentenas, em áreas afetadas pelo ebola.

No entanto, viagens de pessoas que tiveram contato próximo com casos de ebola devem ser minimizadas ou adiadas sempre que possível, para evitar a propagação do vírus.

Se a viagem de uma pessoa que teve contato com o vírus for necessária, ela deve ser discutida e supervisionada pelas autoridades de saúde pública para que seja garantido o acompanhamento adequado na área de destino.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 19/05/2026 – 14:30 Brasília

Casos de vírus sincicial respiratório acendem alerta; entenda

Pelo menos 12 estados e o DF apresentam tendência de aumento

Boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado este mês sinaliza situação de alerta, de alto risco ou de risco para casos graves de síndromes gripais em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal. Desse total, pelo menos 13 unidades federativas apresentam tendência de aumento nas notificações ao longo das próximas semanas.

Os dados mostram que entre 29 de março e 4 de abril a prevalência entre casos positivos foi de 40,8% para rinovírus, causador da maioria dos resfriados comuns; de 30,7% para Influenza A; e de 19,9% para o vírus sincicial respiratório (VSR), conhecido por causar infecções em vias respiratórias e pulmões de recém-nascidos, mas que também preocupa idosos.

De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus sincicial respiratório é um vírus comum que causa infecções em pessoas de todas as idades, com maior impacto em bebês, idosos e pessoas com condições de saúde que comprometem o sistema imunológico.

No Brasil e em outros países, esse vírus circula de forma mais intensa em determinadas épocas do ano, podendo causar desde sintomas leves até quadros respiratórios graves que requerem atendimento hospitalar, como a síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

“O VSR é altamente contagioso e infecta o trato respiratório. É uma das principais causas de bronquiolite viral aguda em crianças menores de 2 anos e pode ser responsável por um número expressivo de internações”, alertou a pasta.

No início da semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso da vacina Arexvy, produzida pela Glaxosmithkline Brasil Ltda, para adultos a partir dos 18 anos. O imunizante, disponível na rede privada, é indicado para prevenir a doença do trato respiratório inferior, causada pelo vírus.

Registrada em 2023, a Arexvy foi a primeira vacina para prevenção da doença no país, mas o registro inicial previa a aplicação apenas em adultos com 60 anos ou mais.

“O vírus sincicial respiratório é importante agente etiológico de infecções respiratórias ao longo de toda a vida, podendo causar doenças do trato respiratório inferior, com impacto clínico relevante em adultos, especialmente na presença de comorbidades, além de representar risco aumentado de hospitalização e complicações respiratórias em faixas etárias mais avançadas”, avaliou a Anvisa.

“A ampliação da indicação para adultos a partir de 18 anos foi sustentada por estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa, que demonstraram não serem inferiores à resposta imune em adultos mais jovens, em comparação à população com mais de 60 anos”, completou.

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Transmissão

O vírus sincicial respiratório é transmitido sobretudo por meio de gotículas respiratórias e pelo contato direto com secreções de pessoa infectada – por exemplo, ao tocar superfícies ou objetos contaminados e depois tocar olhos, nariz ou boca. A transmissão do vírus pode ocorrer:

– quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou conversa;

– por contato próximo com pessoas infectadas;

– pelo toque em mãos ou superfícies contaminadas.

Sintomas

Os sintomas causados pelo vírus sincicial respiratório geralmente se assemelham aos de um resfriado comum, mas podem evoluir para quadros respiratórios graves em grupos com maior risco, especialmente em crianças abaixo de 2 anos. Os sinais e sintomas mais comuns são:

– coriza (nariz escorrendo);

– tosse;

– espirros;

– febre;

– congestão nasal;

– chiado no peito.

Já os sinais e sintomas em casos mais graves incluem:

– respiração rápida ou com dificuldade;

– perda do apetite ou dificuldade para se alimentar;

– cianose (pele, lábios ou pontas dos dedos arroxeados ou azulados);

– alteração do estado mental (irritabilidade ou sonolência).

“Em bebês, o VSR pode causar bronquiolite viral aguda, caracterizada pela inflamação dos branquíolos, que são pequenas vias áreas dos pulmões”, destacou o ministério.

Grupos com maior risco

Alguns grupos, segundo a pasta, apresentam maior risco de desenvolver formas graves quando infectados pelo vírus sincicial respiratório. São eles:

– crianças menores de 2 anos, especialmente menores de 6 meses;

– bebês prematuros;

– crianças com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas;

– crianças com condições neurológicas, síndrome de Down ou com anomalias de vias aéreas;

– idosos;

– pessoas com condições que comprometem o sistema imunológico.

Diagnóstico

O diagnóstico do vírus sincicial respiratório, na maioria dos casos, é clínico, baseado na avaliação da história clínica e dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente.

Em alguns casos, como em pacientes hospitalizados com quadros mais graves, podem ser realizados testes para identificação do vírus em amostras respiratórias por exame de biologia molecular (RT- PCR em tempo real).

Tratamento

O ministério reforça que não existe medicamento específico para o tratamento do vírus sincicial respiratório. O manejo clínico é de suporte e depende da gravidade do quadro.

O tratamento pode incluir:

– hidratação adequada;

– controle da febre;

– lavagem nasal;

– internação hospitalar e uso de oxigênio suplementar em casos mais graves.

Prevenção

A pasta ressalta que algumas medidas simples ajudam a prevenir a infecção e a disseminação do vírus sincicial respiratório, incluindo:

– lavar as mãos com frequência com água e sabão;

– evitar contato próximo com pessoas gripadas ou resfriadas;

– limpar e desinfetar objetos e superfícies de uso comum;

– evitar aglomerações, especialmente para bebês e idosos;

– manter ambientes bem ventilados.

“Para proteger bebês, é importante manter a vacinação e as consultas de rotina em dia, manter o aleitamento materno sempre que possível e evitar a exposição à fumaça de cigarro.”

Vacinação em gestantes

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra o VSR para gestantes, com o objetivo de proteger o bebê nos primeiros meses de vida. O imunizante é aplicado em dose única a partir da 28ª semana de gestação.

Após a vacinação, a gestante produz anticorpos que são transferidos para o bebê por meio da placenta, conferindo proteção passiva ao recém-nascido. A estratégia, segundo o ministério, reduz o risco de formas graves da doença e de internações hospitalares por VSR nos primeiros seis meses de vida.

Imunização de bebês

Bebês, sobretudo prematuros e com comorbidades, podem receber ainda, pelo SUS, anticorpos prontos contra o vírus sincicial respiratório, chamados de anticorpos monoclonais, que ajudam a proteger contra formas graves da infecção.

O palivizumabe é aplicado em forma de injeção, uma vez por mês, durante a época do ano em que o vírus circula mais, seguindo critérios definidos pelo ministério. Atualmente, o palivizumabe está passando por processo de substituição por um novo medicamento, chamado nirsevimabe.

O nirsevimabe é um medicamento criado para proteger os bebês contra o VSR por um período mais longo, sendo necessária apenas uma dose para garantir proteção durante toda a época de maior circulação do vírus. A principal vantagem é que a proteção dura mais tempo, evitando a necessidade de várias aplicações.

“No SUS, o nirsevimabe será oferecido para bebês prematuros e crianças com algumas condições de saúde específicas, que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença causada pelo VSR, nascidos a partir de fevereiro de 2026”, informou a pasta.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 16/04/2026 – 10:02
Brasília




Vacinação contra a gripe começa no DF

Unidade da federação recebeu as 80 mil primeiras doses

A  campanha de vacinação contra a gripe começa nesta quarta-feira (25) no Distrito Federal.

A Secretaria de Saúde do DF informa que as 80 mil primeiras doses já foram recebidas e estão em fase de distribuição.

A lista dos locais onde haverá aplicação está disponível no site da SES-DF.

Serão vacinadas pessoas de grupos prioritários: gestantes, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos a partir dos 60 anos e pacientes com deficiências ou doenças crônicas, além de profissionais de áreas específicas (veja lista completa abaixo).

A estimativa é que esse público reúna quase 1,2 milhão de pessoas. A meta é vacinar 90% dessa população.

A vacina da gripe deve ser atualizada anualmente para proteger das principais formas do vírus influenza em circulação.

Este ano, a vacina é trivalente e protege contra as variantes Influenza A/Missouri/11/2025 (H1N1) pdm09, Influenza A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2) e Influenza B/Austria/1359417/2021 (B/linhagem Victoria).

Outras localidades

Na cidade do Rio de Janeiro, a vacinação começou nessa terça-feira (24).

São Paulo e Paraíba organizam Dia D para o próximo sábado (28).

Estudo identifica variações do vírus influenza em 2025 e confirma eficácia da vacina

Um estudo liderado pela Fiocruz analisou a circulação dos vírus influenza no Brasil ao longo da temporada de 2025 e confirmou que as vacinas utilizadas no período foram eficazes contra as principais cepas em circulação no país. Causador da gripe, o vírus influenza se caracteriza pela diversidade de tipos e subtipos e por uma alta taxa de variação genética, o que exige atualização periódica das vacinas e vigilância contínua.

Monitoramento da circulação dos vírus influenza orienta a atualização das vacinas e as estratégias de prevenção no país (Foto: Roberto Dziura Jr/Agência Estadual de Notícias do Paraná)

Com base em dados da rede nacional de Vigilância Laboratorial do Vírus Influenza, coletados entre agosto de 2024 e agosto de 2025, a análise apontou o predomínio do influenza A(H1N1)pdm09 no território brasileiro, além da circulação simultânea de outras linhagens do vírus, como o influenza B (Victoria) e o subtipo A(H3N2).

Também foram identificados casos isolados de cepas contendo mutação que pode afetar a resposta ao Oseltamivir, principal antiviral usado no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os autores, os achados foram pontuais e não indicam disseminação, mas reforçam a importância do monitoramento genômico e antigênico constante, que permite acompanhar como o vírus muda ao longo do tempo e avaliar possíveis impactos sobre vacinas e tratamentos.

De acordo com a virologista Paola Resende, do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC, a análise reforçou a importância e a eficácia da vacinação, mesmo diante das variações genéticas observadas entre 2024 e 2025. “Do ponto de vista laboratorial, tanto as análises genéticas quanto os testes antigênicos mostraram que as vacinais conseguiram inibir os vírus em circulação no Brasil, confirmando a eficácia da vacina naquele período”, explicou.

A pesquisadora alertou, contudo, para a baixa adesão à vacinação, especialmente entre os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades. Segundo ela, ampliar a cobertura vacinal é fundamental para fortalecer a proteção coletiva e reduzir o risco de casos graves e hospitalizações.

Esforço em rede

Após as mudanças provocadas pela pandemia de Covid-19 na dinâmica de circulação de vírus respiratórios, a gripe vem retomando gradualmente seu padrão sazonal no Brasil, o que reforça a importância do monitoramento do influenza. Nesse cenário, os resultados foram apresentados no artigo Panorama molecular e antigênico dos vírus influenza em circulação no Brasil durante a temporada de 2025, divulgado em formato de preprint em janeiro de 2026.

As análises se basearam em mais de 106 mil amostras coletadas em diferentes regiões do Brasil entre agosto de 2024 e agosto de 2025, provenientes tanto de casos de síndrome gripal quanto de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O trabalho combinou sequenciamento genético dos vírus — para identificar subtipos, linhagens e mutações — com testes antigênicos — que avaliam se os vírus em circulação continuam sendo reconhecidos pelos anticorpos induzidos pelas cepas da vacina.

Em relação às amostras analisadas, cerca de 12,8% testaram positivo para influenza. Do total de casos confirmados, o influenza A(H1N1)pdm09 foi responsável pela maior parcela das infecções, concentrando aproximadamente 40% dos registros, seguido pelo influenza B da linhagem Victoria, com cerca de 30%. O subtipo A(H3N2) apresentou circulação mais limitada, em torno de 7% dos casos. Nos registros de síndrome respiratória aguda grave associados à influenza, o A(H1N1)pdm09 também se destacou como o principal agente, estando presente na maioria dos casos hospitalizados e em quase metade dos óbitos confirmados por influenza no período analisado.

As análises genômicas indicaram a circulação simultânea de diferentes subgrupos dos vírus influenza A e B em distintas regiões do país. Segundo a virologista Paola Resende, esse comportamento reflete a dinâmica natural do vírus, que pode variar ao longo do tempo e se manifestar de forma diferente entre as regiões, influenciado por fatores como clima e deslocamento de pessoas.

“A circulação do vírus influenza não segue um padrão fixo. Depois que ele entra no país, a disseminação depende de fatores como fluxo de pessoas, clima e características regionais, o que pode gerar picos em momentos diferentes ao longo do ano”, resumiu.

Apesar dessa diversidade genética, os subtipos analisados permaneceram compatíveis com as cepas utilizadas nas vacinas. Assim, a vacinação segue como uma estratégia eficaz de proteção contra a gripe. Os pesquisadores também investigaram marcadores genéticos associados à resistência a antivirais, como o Oseltamivir, principal medicamento utilizado no tratamento da influenza no SUS. Segundo os autores, os achados foram raros, não se espalharam e não indicam perda de eficácia do antiviral, mas reforçam a importância da vigilância permanente.

O estudo é resultado do trabalho da rede nacional de Vigilância Laboratorial do Vírus Influenza, que atua de forma integrada ao sistema global de monitoramento da gripe coordenado pela OMS. Ao todo, a iniciativa contou com a participação de 46 instituições e 116 coautores.

No Brasil, esse esforço em rede envolve diretamente três Centros Nacionais de Influenza (NICs) — o Instituto Evandro Chagas (IEC), o Instituto Adolfo Lutz (IAL) e o próprio Instituto Oswaldo Cruz —, que recebem amostras encaminhadas pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs) e realizam análises laboratoriais complementares.

O trabalho conta ainda com a atuação integrada das vigilâncias epidemiológicas municipais, estaduais e nacional, fortalecendo a capacidade do país de detectar, monitorar e responder à circulação dos vírus influenza. Além de acompanhar a circulação dos vírus no país e no mundo, a rede subsidia as reuniões internacionais responsáveis pela definição e atualização das cepas que compõem a vacina contra a gripe. Grande parte dos dados gerados pelo estudo, inclusive, foi submetida à OMS na forma de relatório técnico em setembro de 2025, contribuindo para a definição da composição da vacina contra a influenza do Hemisfério Sul para a temporada de 2026.

“Existe uma rede global que trabalha de forma incansável no monitoramento dos vírus influenza, e esse trabalho subsidia as reuniões internacionais que decidem a atualização das cepas que compõem a vacina contra a gripe”, destacou.

Preparação para riscos emergentes

Além de orientar a composição de vacinas e antivirais, a vigilância da influenza cumpre um papel estratégico na detecção precoce de riscos emergentes, incluindo o surgimento de vírus com potencial pandêmico. Durante a temporada analisada, foi registrado um caso raro de influenza A(H3N2)v no Paraná, associado à exposição a suínos. Embora a investigação não tenha identificado transmissão sustentada entre humanos, o episódio evidenciou a importância de manter sistemas capazes de detectar rapidamente vírus que cruzam a barreira entre espécies.

“O influenza tem potencial epidêmico e pandêmico. Por isso, é fundamental manter um monitoramento sensível e constante, capaz de identificar rapidamente tanto mutações associadas à resistência a antivirais quanto eventos de origem zoonótica, antes que eles se espalhem”, afirmou Paola Resende.

Segundo os autores, a circulação de vírus influenza em humanos e animais cria oportunidades para rearranjos genéticos que podem dar origem a novas variantes. Nesse contexto, o acompanhamento genômico e epidemiológico não apenas subsidia ações imediatas de saúde pública, como também fortalece a capacidade do país de responder a cenários epidêmicos e pandêmicos futuros, em articulação com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde.

Publicado em 26/01/2026 14:42 Yuri Neri (IOC/Fiocruz)

InfoGripe: Acre e Amazonas têm aumento de hospitalizações por influenza A

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (22/1), sinaliza que os estados do Acre e do Amazonas continuam com incidência de Síndrome Respiratório Aguda (SRAG) em nível de risco e com sinal de crescimento na tendência de longo prazo. O aumento acelerado de casos de SRAG nesses estados vem sendo impulsionado principalmente pela influenza A, que tem levado ao crescimento do número de hospitalizações tanto em crianças pequenas, quanto em jovens, adultos e idosos.

No cenário nacional há sinalização de queda de casos de SRAG nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). A análise é referente à Semana epidemiológica 2, período de 11 a 17 de janeiro. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência no país entre os casos positivos foi de 20,5% de influenza A, 2,6% de influenza B, 8,5% de vírus sincicial respiratório, 33,2% de rinovírus e 19,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 29,4% de influenza A, 3,2% de influenza B, 4,8% de vírus sincicial respiratório, 19% de rinovírus e 32,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19). A análise é referente à Semana Epidemiológica 2, período de 11 a 17 de janeiro.

A pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do InfoGripe, Tatiana Portella, recomenda que a população do Amazonas e Acre adote medidas de proteção, tais como o uso de máscaras em postos de saúde, e em locais fechados com maior aglomeração de pessoas. “É fundamental que as pessoas do grupo prioritário, a exemplo das crianças, idosos, indígenas e pessoas que apresentam comorbidade tome a vacina o quanto antes, que já começou na Região Norte”, reforçou Portella.

Estados e capitais

No Ceará, em Pernambuco e em Sergipe, as hospitalizações por influenza A seguem apresentando sinal de interrupção do crescimento ou início de queda. Na Paraíba também se observa um leve sinal de aumento das hospitalizações por VSR, porém ainda sem refletir crescimento de casos de SRAG nas crianças pequenas. Apenas 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 2: Manaus (AM), Cuiabá (MT) e São Luís (MA).

Incidência e mortalidade

Em nível nacional, observa-se uma tendência de estabilidade ou leve queda dos casos de SRAG em todas as faixas etárias. Os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a redução ou estabilidade do número de novos casos de SRAG nas diferentes faixas etárias se deve à baixa atividade de diversos vírus respiratórios. A exceção é a Influenza A, que, apesar da baixa circulação na maioria dos estados, tem impulsionado o aumento de SRAG no AC e AM.

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos. A incidência de SRAG por SARS-CoV-2 e influenza A é maior entre crianças pequenas e idosos, enquanto a mortalidade tem maior impacto entre os idosos. Em relação aos demais vírus com circulação relevante no país, o impacto nos casos de SRAG tem se concentrado entre as crianças pequenas e está associado principalmente ao rinovírus e ao metapneumovírus.

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 1.765 casos de SRAG, 399 (22,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 611 (34,6%) negativos e ao menos 615 (34,8%) aguardando resultado. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Publicado em 22/01/2026 11:50 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)