Arquivo da tag: Trabalhadores do SUS

Vozes da Saúde destaca experiências da Paraíba que fortalecem o SUS nos territórios

A série Vozes da Saúde, produzida pela Plataforma IdeiaSUS Fiocruz em parceria com a VideoSaúde Fiocruz, ganha três novos episódios que evidenciam a força e a criatividade da saúde pública municipal da Paraíba. As produções dão visibilidade a experiências exitosas desenvolvidas nos municípios de Triunfo, Bananeiras e Campina Grande, revelando como o Sistema Único de Saúde (SUS) se concretiza no cotidiano dos territórios a partir do trabalho de gestores e profissionais comprometidos com o cuidado e a vida.

O primeiro episódio tem como protagonista Joandro Ferreira Gomes, gerente da Atenção Primária à Saúde (APS) de Triunfo, e apresenta a experiência das unidades âncoras de saúde no município, estratégia que vem se consolidando como fundamental para a expansão e a organização da Atenção Primária. A iniciativa fortalece o acesso da população aos serviços, amplia a resolutividade do cuidado e contribui para a articulação da rede de atenção, especialmente em contextos de municípios de pequeno porte. O relato destaca como o planejamento territorial e a valorização das equipes de saúde são essenciais para garantir um SUS mais próximo das pessoas.

Experiências que nascem nos territórios

O segundo episódio aborda o trabalho desenvolvido no município de Bananeiras no combate à febre oropouche, uma doença viral emergente que tem exigido respostas rápidas e integradas do sistema de saúde. Transmitida principalmente pelo mosquito Culicoides paraensis — conhecido como maruim ou mosquito-pólvora —, a enfermidade apresenta sintomas semelhantes aos da dengue, como febre alta, dor de cabeça e dores articulares, o que reforça a importância da vigilância epidemiológica e da capacitação das equipes.

A experiência é narrada por José Barbosa de Carvalho Júnior, coordenador da Vigilância em Saúde do SUS municipal, que destaca as ações de monitoramento, prevenção e educação em saúde adotadas pelo município, além da articulação entre vigilância e atenção básica para a identificação precoce de casos e orientação da população.

Encerrando a série de novos episódios, Campina Grande apresenta o projeto Atualiza APS, iniciativa voltada ao fortalecimento da educação permanente em saúde. O episódio é conduzido por Maria Núbia de Oliveira, enfermeira e diretora de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde do município, e mostra como o uso de novas ferramentas e metodologias formativas tem contribuído para qualificar o trabalho das equipes da Atenção Primária.

O projeto aposta na atualização contínua dos profissionais, na troca de saberes e na integração entre gestão, ensino e serviço, reconhecendo a educação permanente como elemento estratégico para a melhoria da qualidade do cuidado e para a valorização dos trabalhadores do SUS.

As três experiências apresentadas na série são resultado da 6ª Mostra Paraíba, aqui tem SUS, promovida em abril do ano passado pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde da Paraíba (Cosems-PB). Ao todo, foram apresentados 90 trabalhos, previamente selecionados entre mais de 240 projetos inscritos. Entre as 26 experiências exitosas premiadas, Triunfo, Bananeiras e Campina Grande conquistaram, respectivamente, o 1º, 2º e 3º lugares, reafirmando o protagonismo dos municípios paraibanos na construção de soluções inovadoras no SUS.

Memória viva de um SUS diverso e potente

Com apoio da Agência Fiocruz de Notícias (AFN) e da Coordenação de Comunicação Social (CCS/Fiocruz), a iniciativa reafirma o compromisso da IdeiaSUS Fiocruz em valorizar o conhecimento produzido nos territórios e fortalecer o SUS como política pública essencial para a vida e a dignidade da população brasileira.

Atualmente com 166 episódios, a série Vozes da Saúde (disponível no YouTube da IdeiaSUS) reúne histórias reais e inspiradoras de trabalhadores, gestores e comunidades, constituindo-se como um importante repositório de memória e aprendizado, que evidencia a diversidade, a potência e a capacidade de reinvenção do SUS.

Publicado em 27/01/2026 11:27 Katia Machado (IdeiaSUS Fiocruz)

Novembro Azul: Fiocruz destaca práticas inspiradoras de cuidado com a saúde do homem

Este mês marca a campanha Novembro Azul, voltada à conscientização sobre a saúde do homem e à importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata — o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estima-se que entre 10% e 16% da população masculina desenvolverá a doença ao longo da vida. Em 2023, o país registrou 17.093 óbitos, o equivalente a cerca de 47 mortes por dia, e a projeção é de 71.730 novos casos por ano no triênio 2023-2025 — números que reforçam a urgência de ampliar o acesso ao cuidado e fortalecer a cultura da prevenção.

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), criada pelo Ministério da Saúde, orienta ações que buscam reduzir a morbidade e a mortalidade dessa população, promovendo condições de vida mais saudáveis e o enfrentamento dos fatores de risco. E eles não são poucos: os homens ainda morrem mais que as mulheres em todas as faixas etárias até os 80 anos, e a expectativa de vida deles é 7,1 anos menor. Entre os principais motivos de morte na faixa de 20 a 59 anos estão causas externas (como violências e acidentes), doenças do aparelho circulatório e as neoplasias, grupo em que o câncer de próstata se destaca.

Estilo de vida e desafios de acesso

Além dos fatores biológicos, o estilo de vida e o comportamento de autocuidado exercem papel decisivo na saúde masculina. Pesquisas apontam que os homens procuram menos os serviços de saúde e realizam menos exames preventivos do que as mulheres. Essa realidade, somada a hábitos de risco, como o consumo excessivo de álcool, alimentação inadequada e sedentarismo, eleva a probabilidade de doenças crônicas e reduz a chance de diagnósticos precoces.

Para enfrentar esses desafios, o SUS tem ampliado estratégias e ações com base na PNAISH voltadas à promoção da saúde do homem, muitas delas mapeadas e compartilhadas pela Plataforma IdeiaSUS Fiocruz, ambiente virtual que reúne mais de 3,5 milpráticas exitosas de todo o país. No mês do Novembro Azul, essas experiências se tornam exemplos concretos de como o cuidado pode ser construído de forma integral, humana e participativa. Ao reunir, valorizar e compartilhar essas iniciativas, a IdeiaSUS contribui para difundir práticas que inspiram novas formas de cuidar da saúde do homem no SUS, reforçando o princípio da integralidade e o papel da prevenção como caminho essencial para uma vida mais longa e saudável.

Experiências do SUS que inspiram o cuidado masculino

Em Porto Seguro (BA), a prática Mobilização social para detecção precoce do câncer de próstata na população indígena do município de Porto Seguro mobilizou a comunidade pataxó, garantindo mais de mil procedimentos em homens com mais de 40 anos, fortalecendo o diagnóstico precoce e o diálogo intercultural em saúde. Em Queimadas (PB), a iniciativa Saúde do homem além das fronteiras: a força da intersetorialidade municipal promoveu uma abordagem ampliada, que vai da sexualidade e paternidade à saúde mental, articulando diferentes setores e reduzindo barreiras no itinerário terapêutico para detecção e tratamento do câncer de próstata.

Outras experiências mostram como a ampliação do acesso pode transformar realidades. Em Santa Cruz (PB), o serviço Saúde do homem: mais acesso e qualidade com atendimentos noturnosfacilita o atendimento de trabalhadores que não conseguem buscar os serviços em horário comercial, enquanto em Esperança (PB), a ação Promovendo a saúde do homem: rompendo os entraves e ampliando a oferta de serviços oferece atendimentos em horários e datas diferenciadas, resgatando o vínculo entre o público masculino e as unidades básicas de saúde.

Em Petrópolis (RJ), a prática Indicadores para monitoramento das ações de promoção e atenção à saúde do homem fortalece a gestão e o planejamento das ações, com a construção de indicadores baseados na PNAISH, contribuindo para o conhecimento e acompanhamento do perfil de saúde masculina local. Para conhecer outras experiências sobre a temática, acesse o banco de práticas da IdeiaSUS Fiocruz.

Publicado em 06/11/2025 14:31 Katia Machado (IdeiaSUS Fiocruz)

Fiocruz lança 2ª edição de curso de letramento racial para trabalhadores do SUS

O racismo permeia práticas, instituições e estrutura a sociedade brasileira, influenciando ainda o modo como se produz, se ensina e se faz saúde. Romper com antigas convenções sociais exige mais do que reconhecer o problema: exige ação. Nesse sentido, a Fiocruz lança a segunda edição do curso online e gratuito Letramento racial para trabalhadores do SUS. A primeira edição contou com quase 23 mil participantes. Junto ao lançamento da edição 2025 do curso ocorreu a aula aberta Racismo e antirracismo no SUS, nesta terça-feira (4/11), e o lançamento do livro Letramento racial para trabalhadores do SUS.

A formação propõe um mergulho crítico nas relações entre racismo e saúde, convidando profissionais e estudantes a repensarem suas práticas e a incorporarem uma postura antirracista no cotidiano do cuidado, da gestão e da formação em saúde. Ser antirracista é um compromisso ético e político, além de ser também um passo necessário para garantir o direito universal à saúde. Nesta segunda edição, o curso amplia e fortalece o debate sobre racismo institucional, equidade racial e práticas transformadoras no SUS, com conteúdos interativos, recursos abertos e acessíveis. Este curso foi o primeiro produto publicado no âmbito do edital Inova Educação – Recursos Educacionais Abertos, promovido pela Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz). O curso é organizado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e o Campus Virtual Fiocruz.

Curso como introdutor e catalisador do debate

O curso é especialmente voltado a profissionais do SUS e estudantes, mas aberto a todas as pessoas interessadas no tema. Segundo a pesquisadora da Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Regimarina Soares Reis, que é coordenadora da formação, a iniciativa é pioneira com essa abordagem em nível nacional. Ela aponta que, em um debate historicamente invisibilizado, certamente, este curso também está abrindo caminhos e estimulando a realização de outras iniciativas locais.

“A primeira oferta constituiu uma etapa estratégica para fortalecer a capacidade de trabalhadores em fazer frente ao racismo estrutural que está entranhado nas instituições de saúde”, comenta Regimarina, destacando ainda que o expressivo número de participantes da primeira edição, provenientes de todas as regiões do país, aponta o tamanho da dimensão da percepção da necessidade de transformação de práticas racistas naturalizadas. A ideia, diz ela, “é que o letramento racial seja um meio, tal como uma ferramenta pedagógica, que apoie a produção de conhecimentos e práticas de saúde orientadas pela equidade sociorracial no SUS. Entender como o racismo é produzido na estrutura da nossa sociedade, os mecanismos a partir dos quais ele opera, e as possibilidades antirracistas permitirá a construção de um posicionamento crítico frente às tensões raciais”.

O jornalista da Fiocruz Leonardo Azevedo, que tem destacada atuação na luta antirracista na instituição — e será homenageado no encontro Trajetórias Negras Fiocruz 2025, em 11 de novembro —, participou da primeira edição do curso e ressalta que, apesar de ser especialmente voltado para os trabalhadores do SUS, a formação “é uma oportunidade para que todas as pessoas possam observar e desconstruir práticas racistas no dia a dia, nas interações pessoais e no trabalho, construindo uma sociedade antirracista e comprometida com equidade racial”. Ele comenta também sobre a riqueza dos materiais, além da facilidade de realizar o curso de forma flexível e autônoma.

Leonardo defende que o letramento racial possibilita entender que o racismo é uma questão estrutural e atual e que todos, não apenas os negros, devem estar comprometidos com a luta antirracista. “É preciso enfrentar o racismo, adotar práticas antirracistas e promover a equidade racial em artes, textos, vídeos, imagens e todas as ferramentas e canais que nós, profissionais de comunicação, atuamos e temos responsabilidade. É fazer uma análise crítica das narrativas, promover a diversidade nas redações, assim como a formação e o diálogo contínuo. É adotar um vocabulário racial, para que a linguagem não perpetue o racismo em nossos materiais. É dar visibilidade a pessoas negras em áreas e assuntos distintos, não apenas em assuntos relacionados ao racismo”, argumenta.

O livro Letramento racial para trabalhadores do SUS foi escrito por Marcos Araújo (UFBA), Daniel Campos (UFRJ), Letícia Batista (EPSJV/Fiocruz) e Regimarina Reis (EPSJV/Fiocruz), com prefácio de Emiliano David (Uerj) e Ingrid D’avilla (EPSJV/Fiocruz). A aula teve a mediação de Sandra Vaz (UFF)

Publicado em 04/11/2025 11:48 Isabela Schincariol (VPEIC)