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Fiocruz recebe autorização para testes clínicos da primeira vacina RNAm brasileira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização para o início dos estudos clínicos da vacina de RNA mensageiro (RNAm) contra Covid-19 da Fiocruz, a primeira produzida com esta tecnologia no país. A vacina foi totalmente desenvolvida na plataforma RNAm da Fiocruz, cuja planta piloto também é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação (BPF). A Fiocruz é o primeiro parceiro do Programa Global de Transferência de Tecnologia de RNAm da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da iniciativa do Fundo de Patentes de Medicamentos (MPP, na sigla em inglês) a ter um produto aprovado para realização de estudos clínicos.

Vacinas.

(foto: Bernardo Portella)

“A consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma base para o desenvolvimento de novos produtos voltados a diferentes desafios do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Antes do envio para aprovação do estudo pela Anvisa, a vacina do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) passou pelo estágio pré-clínico, que mostrou eficácia na proteção contra a doença. Também foram realizados estudos toxicológicos e de escalonamento. O recrutamento dos participantes para a Fase 1 do estudo clínico está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027. Até lá, o estudo ainda deverá ser aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa.

O estudo clínico, que acaba de receber aval pela Anvisa, vai avaliar o uso do imunizante de Bio-Manguinhos/Fiocruz como dose de reforço, como consta atualmente no calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI). A atuação ativa da Anvisa foi fundamental para o alcance deste marco, que se insere dentro de um contexto de uma série de avanços na regulamentação da pesquisa clínica no Brasil. “Ter um estudo clínico desse porte, com tecnologia inovadora e feito por uma instituição pública, é uma demonstração concreta do compromisso do Brasil com a proteção à saúde e com o desenvolvimento da ciência”, ressalta o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle. Agora na primeira fase, são testadas a segurança e a imunogenicidade do reforço vacinal. O acompanhamento dos participantes acontece durante um ano.

“A plataforma de RNA mensageiro representa a capacidade do Brasil de gerar conhecimento, desenvolver tecnologias estratégicas e responder com maior rapidez aos desafios da saúde pública. Nosso compromisso é transformar ciência em acesso, fortalecendo o SUS e nos preparando para os desafios do futuro”, afirma a diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Rosane Cuber.

Plataforma.

(foto: André Rocha)

Plataforma RNAm da Fiocruz

A escolha da Covid-19 como primeiro alvo para o desenvolvimento de produtos na plataforma de RNAm de Bio-Manguinhos/Fiocruz se deu por ser um imunizante largamente utilizado durante a pandemia. Nesse sentido, os pesquisadores já sabiam que a tecnologia funcionava para a doença. “O potencial é enorme. Teremos a primeira vacina para Covid-19, mas já estamos com estudos em andamento para outras, contra leishmaniose e tuberculose, por exemplo, e sabemos que é possível produzir terapias voltadas a doenças como o câncer”, explica a líder do projeto RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Patrícia Neves.

Desde 2021, Bio-Manguinhos/Fiocruz é reconhecido pela OMS como centro de referência em vacinas de RNAm na América Latina. No último ano, a instituição fez o depósito de pedido da patente de sua plataforma RNAm. A vantagem desta tecnologia é ser facilmente adaptável, uma mesma base é utilizada e o que se modifica são as instruções a serem enviadas ao sistema imunológico, seja para vacinas ou terapias. Segundo Neves, “isso possibilita o desenvolvimento e a produção nacional de produtos de saúde inovadores em menor tempo e a custos reduzidos e, consequentemente, amplia o acesso da população brasileira a imunizantes de última geração”.

Infográfico.

O projeto de RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz integra o Programa para Ampliação e Modernizaçao de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS) e conta com um aporte R$ 77 milhões do Ministério da Saúde (MS). Os recursos têm sido investidos para a consolidação da plataforma, desenvolvimento do portfolio de produtos de interesse do SUS, apoio à realização do estudo clínico da vacina e construção de capacidades produtivas e inovadoras em países do Sul Global. Também contou com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Organização Pan-Americanda da Saúde (Opas), parcerias estratégicas para tornar a plataforma um ativo de saúde global. Na AFN Mais notícias AFN segue orientações sobre conteúdos digitais disponíveis no período eleitoral

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Publicado em 02/09/2026 09:00

Pesquisadores divulgam nota técnica sobre cigarros eletrônicos e desinformação

Pesquisadores da Fiocruz produziram uma nota técnica com dados sobre a circulação de vídeos desinformativos sobre os cigarros eletrônicos no YouTube. Os conteúdos produzidos em canais brasileiros negam evidências científicas sobre os riscos da nicotina e desacreditam autoridades sanitárias. De acordo com os pesquisadores, o formato opinativo dos vídeos é uma estratégia para burlar as leis que proíbem a publicidade do tabaco na internet brasileira desde 2000.

Estudo indica a urgência de ajuste à legislação brasileira, que proíbe a publicidade do tabaco na internet desde 2000 e a venda de vape desde 2009 (Foto: Freepik)

Os cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde 2009. Eles causam dependência e provocam a doença denominada evali, causadora de lesões no pulmão. Pessoas entre 15 e 24 anos somam cerca de 70% dos usuários desses dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil.

O vape desafia três décadas de conquistas de políticas públicas contra o tabaco, por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). A nota técnica, produzida pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), indica que, entre 2023 e 2024, houve um aumento no número de fumantes no Brasil, passando de 9,3% para 11,6% de adultos fumantes no país. O enfrentamento das doenças causadas pelo tabagismo representa um custo anual de R$ 153 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Os cinco canais identificados na nota acumularam mais de 6 milhões de visualizações e somam 400 mil pessoas inscritas. Os conteúdos são recomendados pelo YouTube em buscas sobre os cigarros eletrônicos. Eles ensinam como usar o produto, avaliam os modelos, oferecem cupons de desconto e links para adquirir o vape, além de trazer entrevistas com especialistas defensores do cigarro eletrônico.

A nota identificou que o YouTube apresenta uma autorregulação frágil, ao desconsiderar leis como o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Anti Fumo e o Eca Digital. A plataforma não menciona, em sua seção de publicidade, a proibição legal de propaganda de tabaco e cigarros eletrônicos no Brasil; e a sinalização de conteúdo restrito a maiores de 18 anos foi aplicada de forma esporádica.

O estudo técnico defende uma articulação intersetorial entre Estado e sociedade civil para propor soluções para ampliar a segurança dos brasileiros no YouTube, diante do avanço da desinformação sobre tabaco e da promoção dos cigarros eletrônicos.

Recomendações

Celebrar um acordo de cooperação com o YouTube, destinado a oferecer maior segurança aos cidadãos brasileiros no que se refere à proibição da publicidade do tabaco nos canais brasileiros. Nesse contexto, sugere-se uma parceria entre atores da comunicação pública, influenciadores digitais e o YouTube para promover, gratuitamente, conteúdos informativos sobre o risco dos cigarros eletrônicos.

Sugere-se, com base no Decreto n.º 12.975/2026, que os provedores de aplicações de internet tenham transparência sobre estratégias usadas para a avaliação de riscos, moderação, recomendação e monetização sobre os temas relativos ao tabaco nas plataformas. Tais medidas são relevantes no contexto do ECA Digital, pois atuam como medidas preventivas para evitar a iniciação de jovens e adolescentes no uso de dispositivos eletrônicos para fumar.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de “conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão”

Publicado em 26/08/2026 15:30

NOVO PAC SAÚDE

Corumbá (MS) e região terão nova maternidade entregue pelo Ministério da Saúde

Nova unidade ampliará a assistência materno-infantil na região, fortalecendo o atendimento de média e alta complexidade para gestantes, puérperas e recém-nascidos

O atendimento às gestantes de Corumbá (MS) e região será ampliado por meio dos investimentos de R$ 153 milhões do Novo PAC Saúde, na construção de uma nova maternidade com 150 leitos. Nesta terça-feira (23), o Ministério da Saúde assinou a Ordem de Serviço para o início das obras da unidade, que fortalecerá a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e beneficiará cerca de 143 mil habitantes.

A maternidade oferecerá atendimento de média e alta complexidade, prestando assistência à mulher, à gestante, à puérpera e ao recém-nascido. A estrutura contará com internação hospitalar, atendimento ambulatorial e serviços de urgência e emergência ginecológica e obstétrica, com funcionamento 24 horas por dia. Planejada para oferecer suporte especializado, inclusive aos partos de maior risco, a unidade contribuirá para a redução da mortalidade materna e infantil por meio de uma assistência qualificada que abrange desde a gestação até o pós-parto.

Os serviços estarão alinhados ao Programa Agora Tem Especialistas, iniciativa voltada à ampliação do acesso a atendimentos e procedimentos de média e alta complexidade. A maternidade também será integrada ao Programa SUS Digital, que promove a transformação digital do SUS, contribuindo para a geração de informações estratégicas que aprimoram a qualidade do atendimento à população.

A assistência às gestantes da região também será fortalecida com a implantação de um Centro de Parto Normal (CPN), já previsto no pacote de investimentos do Novo PAC Saúde. Além disso, Corumbá receberá uma Unidade Básica de Saúde (UBS), seis combos de equipamentos para UBS, uma sala de cirurgia geral, uma Unidade Odontológica Móvel (UOM), três veículos para o SAMU 192, um micro-ônibus, dois conjuntos de equipamentos para a Hemorrede e oito kits de equipamentos para teleconsulta. 

Mais investimentos no Mato Grosso do Sul

A nova maternidade integra o conjunto de 36 unidades selecionadas pelo Novo PAC Saúde para fortalecer a rede de atenção materno-infantil em todo o país. A escolha dos projetos considerou critérios como índices de mortalidade materna, existência de vazios assistenciais, vulnerabilidade socioeconômica, alcance populacional e distribuição regional dos investimentos. A iniciativa busca ampliar o acesso a serviços especializados e qualificar o atendimento a gestantes, puérperas e recém-nascidos nas regiões com maior necessidade de assistência. 

No Mato Grosso do Sul, foram selecionados 522 novos empreendimentos no Novo PAC Saúde, totalizando mais de R$ 681 bilhões investidos em áreas estruturantes do SUS. Entre as ações previstas estão: a aquisição de ambulâncias, vans, micro-ônibus e Unidades Odontológicas Móveis; a renovação da frota do SAMU 192; a estruturação de salas de cirurgia, Unidades Básicas de Saúde, Unidades Básicas de Saúde Indígena, Centros de Atenção Psicossocial, Centros Especializados em Reabilitação, Centro de Parto Normal, Hemorrede Pública Nacional e Laboratórios Centrais; a aquisição de equipamentos para ressonância magnética, tomografia e radioterapia; equipamentos para teleconsulta; além da construção de policlínicas, maternidades e hospitais. 

Novo PAC Saúde pelo Brasil

O Ministério da Saúde está investindo R$ 34,8 bilhões por meio do Novo PAC Saúde em obras, equipamentos e veículos para promover um salto de qualidade e expansão do SUS. Trata-se do maior programa de investimentos em infraestrutura da história do SUS, com recursos destinados à implantação de 2.605 Unidades Básicas de Saúde (UBS), 336 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 100 policlínicas, 4.643 ambulâncias do SAMU, 922 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs), além de diversos outros tipos de obras e equipamentos. 

Jaciara França
Ministério da Saúde Categoria Saúde e Vigilância Sanitária

InfoGripe: número de casos de SRAG volta a aumentar entre jovens, adultos e idosos

Divulgado nesta quinta-feira (18/6), o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz destaca que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que já apresentava crescimento em todo o país nas últimas semanas, voltou a aumentar na população de jovens, adultos e idosos. Este cenário é impulsionado pelo aumento das hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) nas crianças pequenas e das hospitalizações pelos vírus da influenza A e B na população de jovens, adultos e idosos.

Em nível nacional, observa-se desaceleração do crescimento do número de casos de SRAG nas crianças até 4 anos e queda dos casos graves nas crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Referente à Semana Epidemiológica 23, a atualização abrange o período de 7 a 13 de junho.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforça que o importante é que a vacina contra a influenza protege contra os vírus da influenza A e B. Por isso, afirma Portella, é fundamental que as pessoas dos grupos de maior risco, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, estejam vacinadas. A cientista enfatiza ainda que também é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana de gestação, se vacinem contra o vírus sincicial respiratório para proteger seus bebês contra o vírus.

Além disso, diante do leve aumento da Covid-19 em alguns estados, Portella orienta que é importante que a população de risco, como idosos e imunocomprometidos, esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra a Covid-19. “No mais, recomendamos alguns cuidados adicionais, como usar máscaras em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas e dentro de unidades de saúde; fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado; ou, quando o isolamento não for possível, sair de casa usando uma boa máscara para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”.

Estados e capitais

A análise mostra que 14 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 23: Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Além disso, 9 unidades também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Os casos de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) continuam aumentando na maioria dos estados das regiões Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e em alguns estados do Norte (Amapá e Roraima) e Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo). Em toda a Região Centro-Oeste, além dos estados do Acre, Pará, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo e Minas Gerais, os casos de SRAG por VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda.

Na atualização observa-se que 11 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 23: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Vitória (ES).

Além disso, 12 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (SE), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (NA), Rio De Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

A tendência de queda dos casos de SRAG na capital de São Paulo é puxada pela diminuição dos casos de SRAG nas crianças pequenas, associados ao VSR. Contudo, os casos de SRAG nos jovens, adultos e idosos continuam aumentando na capital paulista, provavelmente relacionado ao aumento das hospitalizações por influenza.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de influenza B, 51,4% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de influenza B, 16,9% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 89.725 casos de SRAG, sendo 44.485 (49,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 31.637 (35,3%) negativos e ao menos 7.740 (8,6%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes, por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,6% de influenza A, 3,5% de influenza B, 35% de vírus sincicial respiratório, 31,8% de rinovírus e 5,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de influenza B, 51,4% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A. 
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Referente aos óbitos de SRAG em 2026, foram registrados 3.842 óbitos de SRAG, sendo 1.772 (46,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.679 (43,7%) negativos e ao menos 82 (2,1%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 41,7% de influenza A, 5,8% de influenza B, 9,6% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 20,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas 4 últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos positivos foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de influenza B, 16,9% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Publicado em 18/06/2026 10:36 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

Agora Tem Especialistas lança em Manguinhos carreta de saúde da mulher

Pacientes terão consultas e exames gratuitos

O Programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, lançou nesta segunda-feira (15) mais uma carreta voltada a serviços especializados de saúde da mulher. Desta vez, pacientes de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, poderão ter o diagnóstico precoce de câncer de mama e do colo do útero.

A unidade móvel de saúde ofertará consultas ginecológicas especializadas, mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, além de biópsias, para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) agendadas e encaminhadas pela Secretaria de Saúde local.  

Totalmente estruturada com insumos, equipamentos e equipes multiprofissionais, a carreta ficará posicionada no campus de Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ela vai funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

A secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, disse que a ideia é evitar deslocamentos longos para as mulheres de Manguinhos para ter acesso ao cuidado.

“A mulher que tem alguma indicação após passar por uma unidade básica de saúde de pode fazer um exame mais complexo na carreta e, se tiver necessidade, já faz a própria biópsia. É um cuidado especializado e próximo de onde as pessoas residem”.

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Segundo o Ministério da Saúde, além da carreta de Manguinhos, o estado do Rio também recebeu mais três unidades recentemente, sendo duas de saúde da mulher, em Petrópolis e Magé, e uma de oftalmologia em Campo Grande, com foco no diagnóstico de doenças oculares e cirurgias de catarata.

No Rio, as carretas da saúde da mulher já passaram por Japeri, Mesquita, São João do Meriti, Nova Friburgo, Itaguaí, Queimados, Morro do Alemão, Sepetiba, Maricá, Realengo, Urucânia e Volta Redonda. As de exames de imagem passaram por Paracambi, Niterói, Três Rios, Barra do Piraí e Complexo da Penha. E a de oftalmologia passou por Teresópolis e Rio das Ostras.

Carretas pelo Brasil

Unidades móveis de saúde da mulher também chegaram em Brumado (BA), Valença (BA), Abreu e Lima (PE), Cabo de Santo Agostinho (PE), Propriá (SE) e Sapucaia do Sul (RS).

Já pacientes do SUS de Calçoene (AP), Ceilândia (DF), João Pinheiro (MG), Mariana (MG), Aurora do Pará (PA), Dianópolis (TO) e Aquidauana (MS) começam a ser atendidos nas carretas de exames de imagem, que realizam procedimentos fundamentais para o apoio ao diagnóstico e definição de tratamentos. Pato Branco (PR) recebeu uma das carretas de oftalmologia.

O programa Agora Tem Especialistas atua em diversas frentes para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado no SUS, além das carretas. Entre as ações estão mutirões aos fins de semana, reativação de espaços ociosos em hospitais públicos, ampliação do horário de funcionamento de policlínicas, contratação de médicos especialistas e ampliação do atendimento a pacientes do SUS em hospitais privados e filantrópicos credenciados.

De acordo com o ministério, as iniciativas do Agora Tem Especialistas contribuíram para a rede pública. Em 2025, o país alcançou a marca de 14,9 milhões de cirurgias eletivas — crescimento de 42% em relação a 2022 —, além de registrar 1,3 milhão de exames especializados e 14 milhões de internações realizadas pelo SUS.

Desde que começaram a rodar o país, principalmente em locais de difícil acesso, com vazios assistenciais, além de cidades-polo, as carretas de saúde da mulher, oftalmológicas e de exames de imagem têm ampliado a oferta de serviços de saúde especializados, reduzindo assim o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. As unidades móveis já passaram por mais de 2,9 mil municípios, atendendo pacientes do SUS em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. 

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Publicado em 15/06/2026 – 13:12 Rio de Janeiro

Mutirões do SUS farão 13 mil atendimentos em terras indígenas em junho

Serão ofertados exames, consultas e cirurgias oftalmológicas

O Programa Agora Tem Especialistas fará, neste mês de junho, mais de 13 mil atendimentos entre consultas, exames e cirurgias em territórios indígenas dos estados do Ceará, Pernambuco, Amapá e Pará. Os procedimentos serão executadas pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Para a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai), Lucinha Tremembé, ampliar o acesso dos povos indígenas à atenção especializada é um compromisso do SUS com a equidade.

“O que estamos fazendo é aproximar o Sistema Único de Saúde (SUS) desses territórios, reduzindo desigualdades e ampliando a capacidade de resposta da rede de saúde indígena.”

A programação inclui consultas, exames diagnósticos, procedimentos especializados e cirurgias oftalmológicas em áreas como pediatria, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, clínica médica, dermatologia e cirurgia geral.

As ações contam com a parceria de instituições com experiência em territórios indígenas e regiões remotas, como o projeto Aldeia em Foco, a Associação Médicos da Floresta, o Hospital Einstein Israelita e a Organização não governamental Zoé.

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Desde o início da estratégia, em agosto de 2025, já foram realizados 14 mutirões em diferentes regiões do país. Para o diretor-presidente da AgSUS, André Longo, a iniciativa amplia o acesso dos povos indígenas à atenção especializada.

“Essa estratégia reduz barreiras de acesso, diminui o tempo de espera por atendimento e fortalece a integralidade do cuidado, respeitando as especificidades culturais e as realidades de cada povo indígena.”

Mutirões nos territórios indígenas

No território Xukuru do Ororubá, atendido pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Pernambuco, o mutirão de oftalmologia ocorrerá até 20 de junho, com atendimento a mais de 30 aldeias. Nos dias 1º e 2 de julho, serão feitas cirurgias de catarata e pterígio em pacientes já cadastrados.

A ação contemplará os polos-base Anacé, Potyrô Tapeba, Aquiraz e Maracanaú, no Ceará.

No Amapá e norte do Pará, a Casa de Saúde Indígena (Casai) de Macapá concentrará atendimentos especializados em ginecologia e obstetrícia, pediatria, cardiologia, anestesiologia e ultrassonografia. No território indígena Tumucumaque, os polos-base Bona e Missão Tiriyó receberão equipes de oftalmologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, clínica médica e odontologia.

A Terra Indígena Zo’é, em Tocantins, receberá atendimento especializado em 20 e 21 de junho. Serão ofertadas consultas, exames de imagem e cirurgias, com o apoio de um profissional fluente na língua Zo’é para garantir a mediação cultural e facilitar a comunicação com a comunidade.

Agência Brasil Publicado em 15/06/2026 – 13:04 Brasília

SUS inclui nova terapia para pacientes adultos com leucemia mieloide

Tratamento servirá a casos agudos em que não cabe quimioterapia

O Ministério da Saúde passará a inserir, no Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento combinado de venetoclax com azacitidina para pacientes adultos com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada.

A combinação dos medicamentos é indicada a pacientes que, por condições clínicas, não são elegíveis ao tratamento padrão com quimioterapia intensiva, sendo mais uma alternativa de terapia para esse público.

De acordo com Portaria nº 30/2026, publicada nesta segunda-feira (15), a nova opção será disponibilizada na rede pública de saúde em 180 dias, conforme prevê norma federal que regula a incorporação de tecnologias no SUS.

A medida segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e está alinhada ao Protocolo Clínico do Ministério da Saúde.

O relatório técnico que embasou a decisão ficará disponível para consulta pública no portal da Conitec

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Leucemia

Segundo o Ministério da Saúde, a leucemia é um tipo de câncer sanguíneo originado na medula óssea, tecido responsável por produzir glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Quando há alguma mutação genética, esses componentes podem se transformar em células cancerígenas.

Na forma aguda, a doença se torna ainda mais fatal se não tratada de forma precoce. O diagnóstico nos primeiros estágios e o encaminhamento especializado são essenciais para bons resultados do tratamento. 

Essa é a forma mais comum da leucemia aguda em adultos e atinge, principalmente, pacientes idosos.

Agência Brasil Publicado em 15/06/2026 – 07:36 Brasília

InfoGripe: cresce número de hospitalizações por VSR e influenza A e B

Divulgada nesta quinta-feira (11/6), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz sinaliza para um cenário de aumento do número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também pela influenza A e influenza B. A análise é referente à Semana Epidemiológica 22, período de 31 de maio a 6 de junho.

A análise verificou que 11 das 27 unidades federativas apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com indícios de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas): Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

O InfoGripe destaca também que as demais 16 unidades da Federação apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo. Mas 12 delas ainda registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco – Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro.

“É importante que a população tome alguns cuidados, como lavar sempre as mãos, usar máscaras dentro unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar. Também é importante fazer isolamento em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, recomendamos que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara como a N95 ou PFF2. E o mais importante, é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”, orienta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado na maioria dos estados das regiões Nordeste (AL, BA, CE, MA, PI, RN e SE), Sudeste (MG, RJ e SP) e Sul (PR, SC e RS) e em alguns estados do Norte (AP e RR). Mesmo com sinal de interrupção do crescimento ou queda, o número de casos de SRAG associados ao VSR continua alto em toda a Região Centro-Oeste, além dos estados do Acre, Pará, Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco.

As hospitalizações por influenza A continuam aumentando em toda a Região Sul, além de Roraima e Rio Grande do Norte. Já os casos graves por influenza B estão aumentando especialmente em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

A atualização mostra que 10 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo até a Semana 22: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC) e Salvador (BA).

Segundo a análise, nove capitais também registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Joao Pessoa (PB), Manaus (AM), Palmas (TO), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e São Paulo (SP).

O aumento de SRAG na maioria dessas capitais ocorre especialmente nas crianças menores de 2 anos ou crianças e adolescentes até 14 anos. Em Curitiba e Rio Branco também há aumento dos casos de SRAG entre os idosos.

Dados epidemiológicos

Em relação aos casos positivos do ano corrente, verificou-se que 24,4% de influenza A, 3,1% de influenza B, 33,1% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 5,7% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 20,7% de influenza A, 5,7% de influenza B, 49,6% de vírus sincicial respiratório, 24,5% de rinovírus e 2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 20,7% de influenza A, 5,7% de influenza B, 49,6% de vírus sincicial respiratório, 24,5% de rinovírus e 2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 82.544 casos de SRAG, sendo 40.259 (48,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 29.404 (35,6%) negativos, e ao menos 7.319 (8,9%) aguardando resultado laboratorial. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 46,5% de influenza A, 9,9% de influenza B, 17% de vírus sincicial respiratório, 18,4% de rinovírus e 6,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a alta de SRAG em crianças de até 4 anos de idade tem sido impulsionada principalmente pelo VSR, enquanto o rinovírus tem predominado entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Nas últimas semanas, também tem sido observado um predomínio de casos de SRAG associados à influenza A entre jovens, adultos e idosos. A influenza B vem apresentando aumento, especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos.

Em 2026 já foram registrados 3.591 óbitos de SRAG, sendo 1.641 (45,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.575 (43,9%) negativos e ao menos 76 (2,1%) aguardando resultado laboratorial.

Dentre os óbitos positivos do ano corrente observou-se 41,9% de influenza A, 4,9% de influenza B, 9,1% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 21% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas a prevalência entre os óbitos positivos foi de 46,5% de influenza A, 9,9% de influenza B, 17% de vírus sincicial respiratório, 18,4% de rinovírus e 6,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Publicado em 11/06/2026 10:33 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

Projeto Mais Médicos Especialistas recebe 50 profissionais no Rio

Meta é reduzir tempo de espera da população a consultas no SUS

O estado do Rio de Janeiro recebeu nesta quarta-feira (10) 50 profissionais do Projeto Mais Médicos Especialistas. A ação integra o Programa Agora Tem Especialistas que visa reduzir o tempo de espera da população a consultas, exames e cirurgias especializadas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Com os 18 médicos que começaram no ano passado, o estado soma 68 profissionais oriundos do Mais Médicos Especialistas. Eles atuarão nos municípios fluminenses reforçando a assistência especializada e a capacidade de atendimento da rede pública de saúde no estado.

A coordenadora-geral de Formação e Inovação para o Provimento Profissional do Ministério da Saúde, Thais Maranhão, explica que o programa buscar aprimorar médicos que já são especialistas para poderem se atualizar, desenvolver outras habilidades. O médico faz um atendimento de 16 horas para a população do SUS e quatro horas de formação da sua área.

“Em primeiro lugar, os gestores veem onde estão os gargalos e as filas, e eles nos apontam os serviços que eles têm mais necessidade. A gente faz um edital de chamamento público para os médicos. Eles participam de um processo de seleção em que eles dizem para onde querem ir. Há um deslocamento de médicos entre estados”, disse Thais.

No Brasil, o Projeto Mais Médicos Especialistas tem 1501 profissionais e a perspectiva é chegar até o final do ano em 2 mil médicos.

O secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião, disse que o Rio ainda vive as sequelas da pandemia de covid-19 em 2020 e 2021, em que milhares de cirurgias deixaram ser feitas por causa ocupação dos hospitais naquela ocasião.

“As filas e o tempo de espera aumentaram. Essa proposta visa reduzir o tempo de espera principalmente na alta complexidade. Especialistas em áreas cruciais como oncologia, cirurgia cardiovascular, radioterapia puderam se apresentar. Hospital Universitário Pedro Ernesto, Hospital Universitário da UFRJ, da UFF, da UniRio têm a possibilidade de ajudar bastante. O gargalo maior é na cidade do Rio e na região metropolitana”, disse o secretário.

A ginecologista Lorena Rodrigues Nascimento, de 30 anos, de Juiz de Fora optou pela cidade de Maricá, no Rio, por ser mais pacata e bonita. Ela começou a atuar em abril em um centro de diagnóstico de atenção secundária onde ela faz o exame de colposcopia que analisa o colo do útero, a vagina e a vulva usando um aparelho com lente de aumento feito após o exame preventivo.

“Eu tive uma experiência muito marcante com um familiar no SUS. Depois desse dia, eu decidi que queria trabalhar no SUS novamente e me sinto muito grata. É uma oportunidade de devolver um pouco da minha formação ao SUS”, afirmou a médica.

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 10/06/2026 – 15:12
Rio de Janeiro




Fiocruz recebe delegação da Alemanha para ampliar cooperação em saúde

A Fiocruz recebeu, nesta segunda-feira (8/6), uma delegação alemã com representantes da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK) e do governo de Berlim, liderada pela senadora de Assuntos Econômicos, Energia e Empresas Públicas e prefeita da cidade, Franziska Giffey. A visita teve como objetivo ampliar a cooperação em saúde nas áreas de pesquisa e inovação, além do desenvolvimento econômico e do fortalecimento de parcerias estratégicas entre Brasil e Alemanha.

Comitiva da Alemanha visita a Fiocruz para ampliar cooperação em saúde (foto: Pedro Linger)

Recebida pelo presidente da Fiocruz, Mário Moreira, a comitiva participou de reunião sobre temas como insumos estratégicos, terapias avançadas, vigilância epidemiológica, mudanças climáticas e seus impactos na saúde pública. Além disso, foram debatidas oportunidades de cooperação científica entre instituições brasileiras e alemãs nos campos da biotecnologia, da saúde global e da bioeconomia. 

Giffey destacou o interesse da delegação em conhecer mais profundamente a experiência brasileira em saúde pública, pesquisa e inovação. “Estamos muito interessados nas pesquisas em infectologia e biotecnologia desenvolvidas pela Fiocruz”, afirmou a prefeita. “Queremos saber como vocês enfrentam desafios em saúde que podem ser os nossos também”. 

Segundo a dirigente alemã, a visita representa uma oportunidade para ampliar a cooperação entre as instituições dos dois países. “Queremos fortalecer nossas relações e cooperações na pesquisa, no desenvolvimento, na infraestrutura e também na área econômica”, acrescentou ela.

SUS e o papel estratégico da Fiocruz na saúde brasileira

O encontro foi conduzido pela vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais da Fiocruz, Maria de Lourdes de Oliveira. Também representaram a Fundação o vice-presidente adjunto de Produção e Inovação em Saúde, Marco Nascimento; o vice-presidente adjunto de Saúde Global e Relações Internacionais, Marcello Pelajo; além dos assessores Ramon Lemos Calaça das Neves e Luana Bermudez. A comitiva também foi composta  por representantes do Consulado-Geral da Alemanha no Rio de Janeiro, da Charité – Universitätsmedizin Berlin, da IHK Berlin, da Berlin Partner e da AHK Rio.

Durante o encontro, vice-presidente Maria de Lourdes de Oliveira apresentou a estrutura da Fiocruz e seu papel estratégico no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando a abrangência e o caráter universal da assistência pública no país. “Nós temos muito orgulho do SUS. É um sistema que funciona de forma fantástica e, mesmo com desafios, garante o direito à saúde para todos que estão em território nacional”, afirmou Oliveira.

Ela também ressaltou os desafios relacionados ao financiamento e à sustentabilidade de um sistema público de saúde de grande escala, além das diferenças de acesso entre os setores público e privado. Oliveira ainda abordou o acesso público à medicamentos e como isso se relaciona com os sistemas de patentes. Para finalizar, enfatizou o papel estratégico da Fiocruz no desenvolvimento social e na soberania sanitária nacional, além de sua atuação em diversas estruturas da saúde global.

Coalizão Global

O vice-presidente adjunto Marco Nascimento destacou a importância da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo, iniciativa liderada pelo Ministério da Saúde do Brasil no âmbito do G20, da qual a Fiocruz atua como Secretaria Executiva. “O Brasil oferece sua experiência para ajudar a construir um cenário global de saúde mais equitativo, baseado na cooperação entre os países e no acesso a vacinas, diagnósticos e tratamentos”, afirmou Nascimento.

A Alemanha integra a Coalizão como membro fundador e também participa de seu comitê consultivo, reforçando o potencial de convergência entre os dois países em agendas voltadas à inovação, produção local de tecnologias em saúde e à redução das desigualdades no acesso a produtos e serviços essenciais.

Publicado em 10/06/2026 14:12 Diego Franco (VPSGRI/Fiocruz)