Portaria está publicada no Diário Oficial da União
O Ministério da Saúde ampliou o uso do medicamento doxiciclina 100 mg no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de agora, o antibiótico passa a ser utilizado também como medida preventiva, em casos de exposição, a infecções sexualmente transmissíveis (IST).
Em portaria publicada no Diário Oficial da União, a pasta define que a doxiciclina 100 mg passa a figurar como profilaxia pós-exposição na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis bacterianas clamídia e sífilis na população.
De acordo com o texto, a ampliação do uso do medicamento foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). As áreas técnicas terão prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta no SUS.
O ministério reforça que a sífilis é uma infecção sexualmente transmissível curável e exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária).
A transmissão ocorre por meio de relação sexual (oral, vaginal ou anal), sobretudo quando há contato com lesões, sem preservativo; e por transmissão vertical (da gestante para o bebê durante a gestação ou no momento do parto).
Já a clamídia é uma infecção sexualmente transmissível que, na maioria das vezes, causa infecção nos órgãos genitais, mas pode afetar também a garganta e os olhos. Segundo a pasta, o quadro pode atingir homens e mulheres com vida sexual ativa.
A clamídia é transmitida por meio do contato sexual (anal, oral ou vaginal) ou pela forma congênita (infecção passada da mãe para o bebê durante a gestação). A infecção não é transmitida por transfusão sanguínea, mas, caso a pessoa infectada deseje doar sangue, deve informar ao profissional de saúde a presença da infecção.
Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 13/03/2026 – 09:56 Brasília
A Fiocruz recebeu, na última semana, uma delegação do Instituto Nacional de Saúde (INS) de Moçambique para reuniões de trabalho voltadas à estruturação da Escola Nacional de Saúde Pública do país – uma colaboração firmada no ano passado durante visita oficial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Moçambique. Entre os dias 23 e 27 de fevereiro, docentes e pesquisadores da Fundação, especialmente envolvidos com a área da Educação, participaram de uma grande agenda estratégica pautada nessa cooperação estruturante que prevê ainda a possibilidade futura da construção de uma Escola voltada à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Delegação do Instituto Nacional de Saúde de Moçambique visita a Fiocruz no Rio de Janeiro (foto: Peter Ilicciev)
“A cooperação com Moçambique é um dos exemplos mais bem-sucedidos de cooperação estruturante do Brasil no campo da saúde, sendo a Fiocruz como protagonista. baseada em uma parceria de longa data voltada ao fortalecimento do sistema de saúde do país, ampliando sua capacidade de resposta às emergências em saúde e a tantos outros desafios, como os efeitos das mudanças climáticas e o impacto das doenças crônicas”, destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “A Fiocruz fortalece essa cooperação com importantes cooperações no campo da educação, já materializada na estruturação da Escola de Saúde Publica de Moçambique, projeto inspirador para se pensar numa escola de saúde pública de língua portuguesa. É nosso compromisso trabalharmos juntos por um Sul Global fortalecido, caminhando numa relação de trocas e solidariedade para o maior acesso da população à promoção da saúde”.
A visita de profissionais moçambicanos envolveu cerca de 30 participantes na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro. A programação contou com a equipe da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic), da Coordenação-Geral de Educação (CGE/Vpeic), da Vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRI), e de unidades de referência na formação em saúde, como a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), além de outros atores institucionais com potencial de contribuição nessa articulação.
A missão promoveu debates sobre estrutura curricular, marcos regulatórios, desenho institucional, estratégias de internacionalização e mecanismos de avaliação da qualidade acadêmica para a plena implantação da Escola Nacional de Saúde Pública de Moçambique.
A cooperação firmada com o INS de Moçambique visa apoiar o país parceiro na criação e consolidação de capacidades próprias, fortalecendo seu sistema nacional de saúde a partir da qualificação de sua força de trabalho. Os profissionais da Fiocruz atuarão na construção das bases acadêmicas, pedagógicas e institucionais necessárias para desenhar, implementar e sustentar propostas formativas em quatro campos prioritários: Economia da Saúde; Clima, Ambiente e Saúde; Saúde Digital; e Planejamento e Gestão em Saúde.
Diretor do INS de Moçambique, Eduardo Samo Gudo afirmou que a missão ao Brasil foi bastante produtiva, lembrando que esse trabalho conjunto é um compromisso firmado pelas instituições com apoio político dos ministros de Saúde e dos chefes de Estado de ambos os países durante a visita do presidente Lula, em novembro de 2025, a Moçambique.
Segundo ele, a Escola é uma prioridade para o sistema da saúde moçambicano, que tem uma demanda importante de especialistas num momento em que o país enfrenta crescente número e agravamento de emergências em saúde pública, surtos epidemiológicos, eventos climáticos, doenças crônicas, além de rápido crescimento demográfico.
“O contexto socioeconômico e demográfico demanda novas competências dos profissionais de saúde e, por isso, a Escola é fundamental. A Fiocruz tem muita experiência, a partir da sua Escola de Saúde Pública e a Escola Politécnica de Saúde, e é esse conhecimento que aproveitamos nesta missão. Voltamos para Moçambique para dar continuidade a essas discussões e certos do apoio e da dedicação que recebemos dos profissionais da Fiocruz. Foi uma demonstração do compromisso que a instituição tem com a formação de profissionais de saúde”, afirmou Gudo.
A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Marques da Cruz, realiza apresentação para os profissionais visitantes (foto: Peter Ilicciev)
A agenda no Brasil incluiu também discussões sobre a implementação da Escola de Saúde Pública da CPLP, que seria vinculada ao próprio INS e voltada aos países africanos de língua portuguesa, com sede em Moçambique. Essa discussão foi aprofundada entre o chefe de Gabinete da Presidência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, e o diretor-geral do INS, Eduardo Samo Gudo, em reunião que articulou a composição de um grupo de trabalho para estruturar tecnicamente a proposta junto aos parceiros.
Durante o período na Fiocruz, a comitiva compartilhou expectativas e necessidades locais e conheceu detalhadamente programas de pós-graduação, suas linhas de pesquisa e estruturas curriculares, debateram modelos pedagógicos, estratégias de implementação e analisaram experiências já consolidadas pela Fundação, incluindo sua interface histórica com o Ministério da Saúde brasileiro. Além da Ensp e a EPSJV, outras iniciativas e coordenações da Fundação foram apresentadas como potenciais parceiros para essa grande construção, como o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), a Coordenação de Informação e Comunicação (Cinco/Vpeic), o Campus Virtual Fiocruz e o Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco).
Ao final da visita, foram definidas linhas de trabalho concretas para apoio técnico e acadêmico da Fiocruz ao país africano, consolidando uma agenda de cooperação internacional orientada ao fortalecimento sustentável do sistema de saúde moçambicano por meio da implementação de uma escola nacional robusta, estratégica e alinhada à formação qualificada de recursos humanos e às prioridades sanitárias de Moçambique.
Publicado em 04/03/2026 09:28 Isabela Schincariol (Vpeic/Fiocruz) e Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)
Publicado em fevereiro na revista científica The Lancet Global Health, um estudo prospectivo e observacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) analisou os requisitos do uso de oxigênio medicinal e de suporte respiratório em pacientes hospitalizados com Covid-19 em 23 países de baixa e média renda, correlacionando a infraestrutura disponível com a mortalidade hospitalar. A análise revelou que o acesso ao oxigênio é um marcador crítico de iniquidade em saúde.
Nas Américas, o estudo é conduzido por pesquisadoras da Fiocruz. Sob a liderança da coordenadora do Centro Clínico do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Mônica Cruz, e da vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do INI/Fiocruz, Valdiléa Veloso, o INI/Fiocruz consolidou-se como o centro de maior recrutamento em todo o continente.
Dos mais de 53 mil pacientes triados globalmente em 56 centros, a Fiocruz foi responsável pela triagem de 601 pacientes e inclusão de 166 na coorte definitiva. A coleta de dados contou com a atuação estratégica da equipe de Fisioterapia do Centro Hospitalar do INI/Fiocruz, que esteve na linha de frente do suporte respiratório, reforçando a capacidade da Fiocruz em mobilizar recursos humanos e tecnológicos de ponta durante a crise sanitária mundial.
Para Mônica Cruz, os resultados vão além da resposta à pandemia. “Este estudo confirmou que o oxigênio não é apenas um insumo hospitalar, mas um marcador estrutural de iniquidades. Ele determina a resiliência de um sistema de saúde”, afirma. Segundo a pesquisadora, as evidências geradas pela Fiocruz e seus parceiros globais subsidiam a resolução da Assembleia Mundial da Saúde de 2023, fornecendo base científica para que governos identifiquem dispositivos prioritários e estabeleçam agendas de pesquisa para futuras emergências globais.
Oxigênio como marcador de iniquidade
O estudo revela uma realidade alarmante: cerca de 60% da população mundial carece de acesso a oxigênio medicinal de qualidade. A análise global demonstrou que a disponibilidade de oxigênio varia drasticamente entre as regiões, impactando diretamente as taxas de sobrevivência. Na região africana, onde a infraestrutura é mais limitada, a mortalidade hospitalar em 30 dias atingiu 37,6%.
Em contrapartida, os dados das Américas — onde a Fiocruz foi referência — destacaram a alta complexidade do atendimento. A região registrou o uso mais frequente de ventilação mecânica invasiva (26,4%) e apresentou a maior densidade de profissionais de saúde, com uma mediana de 110 trabalhadores para cada 100 leitos.
Publicado em 09/02/2026 10:36 Alexandre Magno (INI/Fiocruz)