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Fiocruz forma profissionais latino-americanos na área de diagnósticos

O encerramento do curso Desenvolvimento e Produção de Kits Diagnósticos: da Pesquisa à Aplicação na América Latina reuniu cerca de 40 participantes de 18 países latino-americanos na Fiocruz, para uma programação presencial, nos dias 26 e 27 de maio. O programa, que teve início em 2 de março, buscou aproximar profissionais latino-americanos para fortalecer a cooperação Sul-Sul em prol da saúde pública e na preparação para crises sanitárias.

Alunos integraram uma dinâmica de trabalho em grupo voltada para promover o intercâmbio de experiências e identificar oportunidades de fortalecimento das capacidades regionais na pesquisa (Foto: André Rocha)

A iniciativa foi organizada pela Fiocruz, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid) e a Fundação Estatal Saúde, Infância e Bem-Estar Social (CSAI), do Ministério da Saúde da Espanha. “É tradição na Fiocruz compartilhar conhecimento, a capacidade de formação de profissionais da Fundação vai além do nosso território”, explicou a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Priscila Ferraz, durante uma cerimônia que abriu os trabalhos.

A vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais, Lourdes Oliveira, destacou a importância geopolítica da iniciativa: “No mundo atual enfrentamos problemas complexos que ultrapassam as fronteiras. É fundamental ampliar a capacidade de produção e inovação local”. A formação foi pensada de maneira a possibilitar outras temáticas no futuro, como lembrou a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz. “Temos um modelo inovador de internacionalização na educação na Fiocruz, procuramos criar processos formativos que respondam às necessidades de saúde global e este curso é um exemplo disso”.

Ao abordar a importância da cooperação internacional, o cônsul-geral da Espanha no Rio de Janeiro, Fernando Fernández-Arias Minuesa, afirmou que iniciativas como o curso contribuem para ampliar a preparação dos países diante de futuras crises sanitárias. Já para a diretora da CSAI, Irene Bernal, o ponto de destaque do projeto foi “o fortalecimento da produção local e, desta maneira, da América Latina”.

Dois dias de troca de experiências

O programa teve a coordenação técnica da pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Marilda Siqueira, e do vice-diretor de Reativos para Diagnóstico do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Antonio Gomes Ferreira, que destacou que a produção de produtos de saúde deve ser uma prioridade para os países envolvidos na iniciativa. “Estamos totalmente abertos para estabelecer cooperações em prol da saúde pública no Brasil e na América Latina”, afirmou Ferreira.

No primeiro dia foram realizadas visitas técnicas às unidades de produção de Bio-Manguinhos, à Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Fiocruz (Unadig) e ao Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Os alunos também puderam conhecer o Castelo Mourisco, símbolo da Fiocruz, além de participar de palestras. “Fico grata pelo aprendizado, queremos implementar algumas tecnologias que conhecemos no curso na Colômbia. Acho importante esse fortalecimento da aliança latino-americana”, disse Alexandra Garcia, do Instituto Nacional de Saúde da Colômbia, uma das participantes da formação.

No último dia do evento, os alunos integraram uma dinâmica de trabalho em grupo voltada para promover o intercâmbio de experiências e identificar oportunidades de fortalecimento das capacidades regionais na pesquisa, desenvolvimento e produção de kits diagnósticos com impacto na saúde pública. Com base nos conteúdos teóricos apresentados ao longo do curso, os participantes foram divididos em grupos para debater três eixos centrais.

O primeiro era denominado Fortalezas e Medidas Estratégicas, voltado para o mapeamento das capacidades instaladas e experiências de sucesso na América Latina e Caribe. O debate abordou a infraestrutura local, o talento humano especializado, marcos regulatórios de qualidade e a necessária articulação entre saúde, ciência, indústria e academia. O segundo eixo abordava os Desafios e Barreiras Críticas, dedicado a analisar os principais gargalos para a inovação e o escalonamento produtivo na região, com ênfase na dependência de insumos importados, sustentabilidade econômica, transferência de tecnologia e acesso a financiamento. 

O terceiro foi referente à Cooperação Regional e Alianças Internacionais, focado na construção de mecanismos práticos de colaboração, como a criação de redes regionais de investigação, compras conjuntas, plataformas compartilhadas de validação e o fortalecimento da cooperação Sul-Sul e triangular. Ao final das discussões, cada equipe apresentou suas conclusões e recomendações em uma sessão plenária, consolidando propostas integradas para responder às demandas sanitárias do continente.

Se depender dos alunos, o curso foi apenas o início de muito trabalho, como afirmou Marcelo Rodriguez, da Argentina, um dos mais participativos durante as aulas, de acordo com os organizadores do curso. “Foi uma honra poder participar. A integração na área de diagnósticos, e de uma forma geral para nós, profissionais, é fundamental para o ampliar o acesso à saúde em nossos países”, disse Rodriguez.

Publicado em 28/05/2026 Bio-Manguinhos/Fiocruz

Mortalidade materna: Brasil ainda perde centenas de mulheres por ano

Índice é de 56,4 a cada 100 mil nascidos vivos

O Brasil ainda perde centenas de mulheres por ano durante a gestação ou em um período de 42 dias após o fim da gravidez. 

A razão de mortalidade materna no país é de 56,4 a cada 100 mil nascidos vivos, segundo os últimos dados disponíveis, de 2024. Isso significa que, apenas neste ano, foram registrados 1.347 óbitos. A meta do país é chegar a 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030. 

Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus), consultados no Observatório da Saúde Pública. A maioria dessas mortes, nove em cada dez, é evitável, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) 

O dia 28 de maio é o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, data que tem como objetivo reforçar a importância de ações sobre a saúde das mulheres em sua integralidade e de reforçar os direitos da gestante e puérpera.  

A chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Isabel Peixoto, reforça que um atendimento de qualidade oferece mais segurança à gestante. 

Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 – A chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola UFRJ, Maria Isabel Peixoto posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 A chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade-Escola UFRJ, Maria Isabel Peixoto, destaca importância do pré-natal bem feito – Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

“A gente sabe que com um pré-natal bem feito, de qualidade, de preferência o mais precoce possível para pegar todas as variáveis, conseguimos, na grande maioria das vezes, entregar uma paciente pronta para um parto monitorizado num local com boa assistência e com um desfecho favorável”, diz.  

A unidade é referência no atendimento principalmente de casos de alto risco. “Aqui na maternidade a gente consegue fazer um trabalho de boa qualidade para perpetuar o conhecimento e dar boa assistência aos pacientes”, reforça.

As quatro principais causas de morte materna no Brasil, entre as obstétricas diretas, são as síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto. As causas obstétricas diretas são responsáveis por 66% das mortes maternas no país. 

A técnica de enfermagem Fernanda Lopes de Almeida, 41 anos, é uma das pacientes da maternidade. Grávida de 18 semanas, ela é acompanhada por causa de um quadro de hipertensão e pelo histórico de diabetes gestacional em gravidez anterior. 

Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 –  A grávida que faz tratamento na Maternidade Escola UFRJ, Fernanda Lopes de Almeida posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Fernanda Lopes de Almeida é acompanhada na Maternidade-Escola UFRJ – Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Na maternidade, foi orientada a mudar os hábitos de alimentação, fez exames e faz acompanhamento constante. “Sou muito bem atendida, me sinto segura”, diz. “Foi difícil essa adaptação [da alimentação] e até a conscientização. Agora, acho que estou curtindo bem melhor a gestação, uma fase mais tranquila”.

Equipe múltipla

Além dos médicos, uma equipe de diferentes profissionais é importante para garantir o atendimento adequado às mulheres, defende o enfermeiro obstétrico Renné Costa, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). 

“A gente precisa acreditar muito na multidisciplinaridade das profissões. Cada uma no seu quadrado, cada uma fazendo o seu papel, mas todo mundo centrado nos objetivos que, nesse caso , são a mãe e o bebê”.

Renné Costa diz que tem assistido e participado de muitas experiências positivas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Como enfermeiro obstétrico, Renné Costa já fez mais de 5 mil partos desde 2009, a maioria no Hospital Municipal de Viçosa, em Alagoas. Com pouco mais de 26 mil habitantes, Viçosa é referência nessa área para mais nove municípios alagoanos.

Rio de Janeiro (RJ), 27/05/2026 –  A mortalidade materna no Brasil está muito diferente do que foi há 20 anos. E a mudança foi para melhor. A análise é do enfermeiro obstétrico Renné Costa, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
Formação de enfermeiros obstétricos contribui para redução da mortandade materna.
Foto: Renné Costa/Arquivo pessoal

Para Renné Costa, formação de enfermeiros contribui para redução da mortandade materna – Foto Renné Costa/Arquivo Pessoal

Quando ele chegou ao Hospital Municipal de Viçosa, eram realizados no local entre 80 e 90 partos por ano. “Depois do meu trabalho lá, a gente passou a fazer 600 partos por ano”. O enfermeiro atribui essa expansão à autonomia dada à enfermagem, ao enfermeiro obstétrico, que pode assistir ao parto de baixo risco amparado pela Lei 7.498 de 1986, a lei do exercício profissional da enfermagem.

Ele defendeu que experiências como essa deveriam ser multiplicadas pelo Brasil. Nos mais de 5 mil partos que realizou, Renné Costa não perdeu nenhuma criança e nenhuma mulher.

Acompanhamento após o parto 

Rio de Janeiro (RJ), 27/05/2026 –  Dra. Inessa Bonomi, A fase pós-parto, chamada puerpério, é uma parte nevrálgica dentro da questão da mortalidade materna, afirmou à Agência Brasil a ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi.
Foto: PlayP/Divulgação
A médica Inessa Bonomi lembra que a fase pós-parto, chamada puerpério, é muito importante na questão da mortalidade materna – Foto PlayP/Divulgação

A ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associaçaões de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), ressalta que o acompanhamento após o parto é também chave para a redução da mortalidade materna. 

“A mulher vai para casa e, muitas vezes, ela acaba sendo menos olhada pelos serviços da rede de saúde e também pela família”, diz. 

O olhar um pouco menos atento para essa mãe pode fazer com que sinais de risco sejam percebidos tardiamente. Essas complicações que surgem no período do puerpério muitas vezes se agravam, se complicam.

A ginecologista e obstetra assegura que os sinais de alerta no pós-parto, no puerpério, não podem ser naturalizados. Entre esses sinais estão sangramento vaginal além do habitual, febre, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça intensa e que não passa com o uso de analgésico, alteração visual (escotomas ou pontinhos de luz que a paciente passa a enxergar), pressão que permanece alta e se mantém com picos hipertensivos.

A recomendação da especialista é que essas pacientes voltem mais precocemente para a consulta puerperal. Nos primeiros sete dias e, no máximo, dez, elas devem retornar ao centro de saúde ou ao consultório do ginecologista e obstetra para que sejam avaliadas e se consiga fazer um acompanhamento das condições clínicas pré-existentes que elas têm.

A Febrasgo ressalta que um ponto que não pode ficar fora do acompanhamento puerperal é a saúde mental. O sofrimento psíquico no pós-parto pode se manifestar de várias formas: com tristeza intensa, ansiedade, insônia, medo de cuidar do bebê, sensação de incapacidade, exaustão extrema e dificuldade de vínculo com o recém-nascido.

Em casos mais graves, podem surgir ideias de autoagressão, risco de violência contra si mesma ou contra o bebê e sintomas psicóticos, situações que exigem atenção imediata. Segundo Inessa Bonomi, olhar para a saúde mental é essencial para prevenir desfechos graves no puerpério.

Rede Alyne 

No âmbito federal, em 2024, o governo federal lançou programa para reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027. Em relação a mulheres pretas, a intenção é reduzir a mortalidade em 50% no mesmo período. Chamado de Rede Alyne, a iniciativa é uma reestruturação da antiga Rede Cegonha, de cuidados a gestantes e bebês na rede pública.

A iniciativa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, por falta de atendimento adequado na rede pública de saúde do município de Belford Roxo (RJ), em 2002. Alyne também era mãe de uma criança de 5 anos. 

Rio de Janeiro (RJ), 12/09/2024 - Alyne Pimentel morreu aos 28 anos, grávida de 6 meses, por negligência médica. Foto: Reprodução/Centro Brasileiro de Estudos da Saúde
Alyne Pimentel morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, por negligência médica – Foto Reprodução/Centro Brasileiro de Estudos da Saúde

A meta da Rede Alyne é beneficiar mulheres com cuidado humanizado e integral, observando as desigualdades étnico-raciais e regionais

Mariana Tokarnia, Alana Gandra e Tâmara Freire  Publicado em 28/05/2026 – 08:13 Rio de Janeiro

OCDE: geração atual vive mais, mas com múltiplas doenças crônicas

Informações estão em relatório publicado nesta quarta-feira

Doenças não transmissíveis (DNTs) estão remodelando sociedades. Doenças cardíacas, câncer, diabetes e doenças pulmonares crônicas afetam atualmente milhões de pessoas a mais do que na geração anterior e a tendência é que esse cenário continue a piorar.

As informações integram relatório publicado nesta quarta-feira (15) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento alerta que, na atual geração, mais pessoas vivem mais tempo, mas frequentemente o fazem com múltiplas doenças crônicas.

“As DNTs encurtam vidas, afetam a qualidade de vida das pessoas e reduzem sua capacidade de trabalho. Isso aumenta os gastos com saúde e reduz a produtividade dos trabalhadores e o retorno econômico”, destacou o documento.

“No entanto, muitos desses impactos são evitáveis, por meio de ações sobre os fatores de risco à saúde, diagnóstico precoce de doenças e tratamento aprimorado”, completou a OCDE.

A análise mostra que a prevenção de doenças traz benefícios sociais e econômicos muito maiores do que o tratamento tardio e que países que conseguem reduzir as taxas de condições que figuram como principais riscos à saúde, como obesidade e tabagismo, podem não apenas salvar vidas, mas aliviar a pressão sobre os orçamentos da saúde.

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Números

O relatório ressalta que, apesar de décadas de esforços, as DNTs continuam a aumentar. Entre 1990 e 2023, a prevalência de câncer e de doença pulmonar obstrutiva crônica aumentou 36% e 49%, respectivamente, enquanto a prevalência de doenças cardiovasculares aumentou mais de 27%.

Os dados mostram ainda que, em 2023, uma em cada dez pessoas que viviam em países-membros da OCDE tinha diabetes e uma em cada oito vivia com doença cardiovascular.

Para a OCDE, existem três razões principais para o aumento contínuo da prevalência de DCNTs no mundo:

– Embora tenha havido progresso na redução de certos fatores de risco, como poluição do ar, tabagismo, consumo nocivo de álcool e inatividade física, esse progresso foi prejudicado pelo aumento acentuado da obesidade.

– A melhoria nas taxas de sobrevivência, um inegável sucesso em saúde pública, significa que mais pessoas vivem por períodos mais longos com doenças crônicas, aumentando a demanda por cuidados e a complexidade dos serviços.

– O envelhecimento populacional significa que mais pessoas estão atingindo as faixas etárias em que as DCNTs são mais comuns.

“Mesmo que a prevalência dos fatores de risco, as taxas de sobrevivência e o tamanho da população permaneçam constantes, o número de novos casos de DCNT deverá crescer 31% na OCDE entre 2026 e 2050, apenas devido ao envelhecimento populacional”, alertou relatório.

“Prevê-se que a prevalência de multimorbidade [combinação de doenças crônicas ou agudas] aumente 75% na OCDE (70% na União Europeia) e que a despesa anual per capita com saúde relacionada com doenças não transmissíveis cresça mais de 50% na OCDE”, concluiu a organização.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 15/04/2026 – 13:19 Brasília

Saúde anuncia R$ 12 milhões para enfrentamento da doença de Chagas

Recurso fortalece 155 municípios em 17 estados

O Ministério da Saúde anunciou R$ 12 milhões para o fortalecimento de ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados brasileiros. Em nota, a pasta informou que o recurso fortalece a capacidade de atuação contínua em 155 municípios considerados prioritários, apoiando ações essenciais como captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos.

No comunicado, o ministério destaca que Anápolis (GO) e Goiânia foram reconhecidos com selo bronze de boas práticas para eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas e que a enfermidade ainda representa um desafio importante para a saúde pública, sobretudo em áreas com maior vulnerabilidade social e com a presença de vetores.

“Estamos direcionando recursos com base em critérios técnicos, o que permite maior efetividade das ações e impacto direto na redução da transmissão. Nosso compromisso é ampliar o diagnóstico, garantir o tratamento oportuno e avançar de forma consistente na eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil”, informou a secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente da pasta, Mariângela Simão.

Seleção

De acordo com o ministério, a seleção de municípios foi baseada em critérios técnicos que consideram a interação dos insetos vetores com o ambiente e a vulnerabilidade social, com prioridade para cidades classificadas como de risco muito alto em índice composto (presença de vetores e condições socioambientais) e localidades com registro recente do vetor.

Também foram considerados municípios com alta prioridade e muito alta prioridade para a forma crônica da doença de Chagas, concentrados principalmente nas Regiões Nordeste e Sudeste.

Pesquisa

A pasta anunciou ainda, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a fase 2 do projeto Selênio como tratamento na cardiopatia crônica da doença de Chagas, que busca avaliar a eficácia e a segurança do mineral como estratégia terapêutica complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica. Serão investidos, ao todo, R$ 8,6 milhões.

A expectativa do governo federal é que a pesquisa gere evidências científicas mais robustas e representativas em diferentes perfis de pacientes.

“Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio — substância com ação antioxidante e anti-inflamatória — para proteção cardiovascular, além de apoiar sua possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, avaliou o ministério.

Números

O cenário epidemiológico da doença de Chagas no Brasil reforça a urgência de medidas de enfrentamento. Em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará.

Já em 2025, dados preliminares indicam 627 casos agudos (97% no Norte) e 8.106 casos crônicos, concentrados em Minas Gerais, na Bahia e em Goiás, evidenciando a persistência da doença em áreas endêmicas.

Entenda

A doença de Chagas é uma infecção causada por um parasita chamado Trypanosoma cruzi e que pode evoluir em duas fases:

– Fase aguda: acontece logo após a infecção. A pessoa pode apresentar sintomas ou não.

– Fase crônica: pode surgir anos depois. Em muitos casos, a pessoa não apresenta sintomas, mas a doença pode causar problemas no coração e no sistema digestivo.

Os triatomíneos são insetos conhecidos como barbeiro, chupão, procotó ou bicudo. Eles passam pelas fases de ovo, ninfa e adultos. Tanto as ninfas quanto os adultos se alimentam de sangue e, quando estão infectados, podem transmitir o parasita da doença de Chagas.

A transmissão pode acontecer de diversas formas:

– Vetorial: quando as fezes do barbeiro infectado entram em contato com feridas na pele ou mucosas após a picada.

– Oral: pela ingestão de alimentos ou bebidas contaminadas com o parasita.

– Vertical (congênita): da mãe infectada para o bebê durante a gravidez ou o parto.

– Transfusão ou transplante: por sangue ou órgãos de doadores infectados.

– Acidental: contato com material contaminado, geralmente em laboratórios ou durante a manipulação de animais silvestres.

Na fase aguda, os sintomas mais comuns são:

– febre por mais de sete dias e dor de cabeça;

– fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas;

– ferida parecida com furúnculo no local da entrada do parasita (em casos de transmissão pelo barbeiro).

Já na fase crônica, logo de início, a pessoa pode não sentir nada. Com o tempo, podem surgir:

– problemas no coração, incluindo insuficiência cardíaca;

– problemas digestivos, como aumento do intestino (megacólon);

– aumento do esôfago (megaesôfago).

A prevenção da doença de Chagas, de acordo com o ministério, está diretamente ligada à forma de transmissão. Uma medida importante é evitar a presença de barbeiros nas casas, com ações feitas pelas equipes de saúde. Também é recomendado:

– Usar telas em portas e janelas ou mosquiteiros.

– Utilizar repelentes e roupas de manga longa, principalmente à noite e em áreas de mata.

Para evitar a transmissão pelos alimentos, a orientação é:

– Lavar bem frutas, verduras e legumes com água potável.

– Observar os alimentos antes de triturar ou bater.

– Manter o local de preparo limpo e protegido.

– Guardar alimentos em recipientes fechados.

– Realizar orientações e treinamentos para quem manipula alimentos.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 15/04/2026 – 10:37 Brasília

Governo intensifica ações de combate a coqueluche na TI Yanomami

Oito casos e três óbitos da doença foram confirmados na região

O Ministério da Saúde reuniu uma equipe emergencial para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima. A iniciativa divulgada na última quarta-feira (18) é uma resposta do Governo Federal ao aumento das infecções por coqueluche entre crianças da região, que já soma oito casos e três óbitos. 

A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana e contagiosa, cujos primeiros sintomas são crises de tosse seca. A equipe enviada pelo Ministério da Saúde chegou à região na última segunda (16) e foi acompanhada por especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, com experiência na contenção de possíveis surtos ou aumento de casos de doenças infecciosas.

O grupo vai atuar em conjunto com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que já estava em Surucucu realizando coletas de material e trabalhos de prevenção com aldeias adjacentes. Ao todo, 50 profissionais vão reforçar a prevenção de novos casos e a assistência local.

As crianças infectadas estão em tratamento em hospitais de Boa Vista, capital do estado. Duas já foram liberadas para suas respectivas aldeias, e todos os casos suspeitos seguem em investigação e acompanhamento. 

Vacinação

A vacinação é o principal meio de prevenção contra a coqueluche, e, no Brasil, a vacina é disponibilizada através do SUS para crianças de até 7 anos e gestantes, em Unidades Básicas de Saúde. 

De acordo com o Dsei Yanomami, o esquema vacinal completo das crianças com menos de 1 ano de idade quase dobrou entre 2022 e 2025, passando de 29,8% para 57,8%. Entre os menores de 5 anos, esse índice passou de cerca de 52% para 73% no mesmo período. 

Desafios

Em 2023, o Governo Federal decretou estado de emergência na Terra Indígena Yanomami, por causa do alto índice de desnutrição, malária e mortes por causas diversas.

A partir disso, foram instituídas ações para combater a crise sanitária, resultante do garimpo ilegal. A iniciativa envolveu os ministérios da Saúde, Defesa e Povos Indígenas, para estruturar os serviços de saúde pública e segurança. 

Foram tomadas medidas como fechamento de garimpos ilegais e destinação de recursos para controle do espaço aéreo, além ações para despoluição dos rios, tratamentos de água potável e construção de unidades especializadas de saúde.

Em 2023, o Dsei contava com 690 profissionais. Desde então, mais 1.165 profissionais foram contratados ─ um crescimento de 169%.

Segundo dados de 2025 do Ministério da Saúde, desde a decretação do estado de emergência, a mortalidade na região caiu 27,6%. Lideranças indígenas reforçam, entretanto, que ainda existem muitos desafios a serem ultrapassados.

Com uma população de mais de 30 mil pessoas e cerca de 376 comunidades, a TI Yanomami é o maior território indígena do país.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Tâmara Freire.

Alice Rodrigues* Publicado em 19/02/2026 – 12:59 Rio de Janeiro

Fiocruz e bioMérieux inauguram Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Diagnósticos

A Fiocruz e a bioMérieux deram um passo estratégico para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), com a ampliação da capacidade nacional de produção de insumos e kits de diagnósticos. A bioMérieux formaliza, nesta segunda-feira (10/11), a cessão de uma planta produtiva localizada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (RJ), que passará a integrar a estrutura da Fiocruz como um novo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Diagnósticos. O espaço será dedicado à produção e à inovação em tecnologias diagnósticas voltadas à saúde pública. A assinatura da cessão ocorre no campus Manguinhos da Fiocruz seguida de visita ao novo campus em Jacarepaguá. 

O Memorando de Entendimento (MdE) entre a bioMérieux e a Fiocruz foi assinado em junho de 2025, prevendo a cessão do espaço por um período inicial de dez anos e estabelecendo as bases para cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Agora, além da cessão do espaço, as duas instituições centenárias inauguram um centro no local dedicado à pesquisa e inovação na área de diagnósticos, dando continuidade à visão do Dr. Alain Mérieux para o projeto. As primeiras operações da Fiocruz no local estão previstas para março de 2026, marcando o início de uma nova fase de crescimento e modernização na área de diagnósticos da instituição. 

“Estes acordos consolidam a histórica parceria entre o Brasil e a França, através do propósito comum da Fiocruz e bioMérieux de valorizar a ciência, a tecnologia e a pesquisa em prol da saúde pública”, afirma o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “Esse é um passo estratégico para ampliar a capacidade nacional de produção e inovação em diagnósticos, gerando benefícios à população ofertando ferramentas diagnósticas precisas, tempestivas, sustentáveis, acompanhando o avanço tecnológico em favor do enfrentamento de emergências sanitárias”.

A cessão da planta foi proposta pela bioMérieux, que decidiu redefinir seu modelo de negócio no país, mas manifestou o desejo de manter o compromisso histórico da família Mérieux com a saúde global e com o sistema público brasileiro. A relação entre a Fiocruz e a família Mérieux remonta aos anos 1970, quando o Dr. Alain Mérieux apoiou o Brasil no enfrentamento da epidemia de meningite, contribuindo para o desenvolvimento da capacidade nacional de produção de vacinas e diagnósticos. Desde então, o diálogo entre as instituições se manteve constante, sempre guiado por um propósito comum: fortalecer a ciência e a tecnologia em prol da saúde pública.

Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Diagnósticos 

Mais do que a incorporação de um novo espaço físico, o campus representa uma expansão da capacidade produtiva do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), com atualização tecnológica, automação de processos, inclusão de novos projetos de desenvolvimento e transferência de tecnologia. A iniciativa permitirá reduzir o tempo de produção, fortalecer a autonomia nacional em diagnósticos e ampliar a resposta do Brasil diante de emergências sanitárias. 

O novo campus abrigará inicialmente a produção da linha de testes rápidos, desde o corte até o processamento final e montagem dos produtos, além de áreas dedicadas ao controle de qualidade, testes de estabilidade de produtos, produção de painéis utilizados em programas de Avaliação Externa da Qualidade. Também está prevista a implantação de novos projetos de desenvolvimento tecnológico e transferência de tecnologia. 

Para a diretora de Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, a incorporação dessa planta produtiva é estratégica para o fortalecimento da instituição. “O novo campus permitirá ampliar nossa capacidade de entrega de diagnósticos de qualidade ao SUS e modernizar processos produtivos. Essa expansão é fundamental para acelerar o desenvolvimento de novos produtos e consolidar Bio-Manguinhos como referência em produção e inovação tecnológica também na área de diagnósticos”, destacou. 

Bio-Manguinhos/Fiocruz

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) é a unidade da Fiocruz responsável pela pesquisa, desenvolvimento e produção de vacinas, kits para diagnóstico, biofármacos e terapias avançadas destinados prioritariamente ao SUS. Referência nacional e internacional em biotecnologia e inovação, Bio-Manguinhos atua para fortalecer a autonomia tecnológica do Brasil e garantir o acesso da população a produtos estratégicos para a saúde pública.

bioMérieux

Líder mundial no campo do diagnóstico in vitro desde 1963, a bioMérieux está presente em 45 países e atende a mais de 160 países com o apoio de uma ampla rede de distribuidores. Em 2024, o faturamento atingiu € 4 bilhões, com mais de 93% das vendas fora da França.

A bioMérieux fornece soluções de diagnóstico (sistemas, reagentes, softwares e serviços) que determinam a origem de doenças e contaminações para melhorar a saúde do paciente e garantir a segurança do consumidor. Seus produtos são utilizados principalmente para o diagnóstico de doenças infecciosas. Também são utilizados para a detecção de microrganismos em alimentos, produtos farmacêuticos e cosméticos. 

Publicado em 10/11/2025 10:44 Bio-Manguinhos/Fiocruz