Informações estão em relatório publicado nesta quarta-feira
Doenças não transmissíveis (DNTs) estão remodelando sociedades. Doenças cardíacas, câncer, diabetes e doenças pulmonares crônicas afetam atualmente milhões de pessoas a mais do que na geração anterior e a tendência é que esse cenário continue a piorar.
As informações integram relatório publicado nesta quarta-feira (15) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento alerta que, na atual geração, mais pessoas vivem mais tempo, mas frequentemente o fazem com múltiplas doenças crônicas.
“As DNTs encurtam vidas, afetam a qualidade de vida das pessoas e reduzem sua capacidade de trabalho. Isso aumenta os gastos com saúde e reduz a produtividade dos trabalhadores e o retorno econômico”, destacou o documento.
“No entanto, muitos desses impactos são evitáveis, por meio de ações sobre os fatores de risco à saúde, diagnóstico precoce de doenças e tratamento aprimorado”, completou a OCDE.
A análise mostra que a prevenção de doenças traz benefícios sociais e econômicos muito maiores do que o tratamento tardio e que países que conseguem reduzir as taxas de condições que figuram como principais riscos à saúde, como obesidade e tabagismo, podem não apenas salvar vidas, mas aliviar a pressão sobre os orçamentos da saúde.
O relatório ressalta que, apesar de décadas de esforços, as DNTs continuam a aumentar. Entre 1990 e 2023, a prevalência de câncer e de doença pulmonar obstrutiva crônica aumentou 36% e 49%, respectivamente, enquanto a prevalência de doenças cardiovasculares aumentou mais de 27%.
Os dados mostram ainda que, em 2023, uma em cada dez pessoas que viviam em países-membros da OCDE tinha diabetes e uma em cada oito vivia com doença cardiovascular.
Para a OCDE, existem três razões principais para o aumento contínuo da prevalência de DCNTs no mundo:
– Embora tenha havido progresso na redução de certos fatores de risco, como poluição do ar, tabagismo, consumo nocivo de álcool e inatividade física, esse progresso foi prejudicado pelo aumento acentuado da obesidade.
– A melhoria nas taxas de sobrevivência, um inegável sucesso em saúde pública, significa que mais pessoas vivem por períodos mais longos com doenças crônicas, aumentando a demanda por cuidados e a complexidade dos serviços.
– O envelhecimento populacional significa que mais pessoas estão atingindo as faixas etárias em que as DCNTs são mais comuns.
“Mesmo que a prevalência dos fatores de risco, as taxas de sobrevivência e o tamanho da população permaneçam constantes, o número de novos casos de DCNT deverá crescer 31% na OCDE entre 2026 e 2050, apenas devido ao envelhecimento populacional”, alertou relatório.
“Prevê-se que a prevalência de multimorbidade [combinação de doenças crônicas ou agudas] aumente 75% na OCDE (70% na União Europeia) e que a despesa anual per capita com saúde relacionada com doenças não transmissíveis cresça mais de 50% na OCDE”, concluiu a organização.
Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 15/04/2026 – 13:19 Brasília
A Fiocruz recebeu, na última semana, uma delegação do Instituto Nacional de Saúde (INS) de Moçambique para reuniões de trabalho voltadas à estruturação da Escola Nacional de Saúde Pública do país – uma colaboração firmada no ano passado durante visita oficial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Moçambique. Entre os dias 23 e 27 de fevereiro, docentes e pesquisadores da Fundação, especialmente envolvidos com a área da Educação, participaram de uma grande agenda estratégica pautada nessa cooperação estruturante que prevê ainda a possibilidade futura da construção de uma Escola voltada à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Delegação do Instituto Nacional de Saúde de Moçambique visita a Fiocruz no Rio de Janeiro (foto: Peter Ilicciev)
“A cooperação com Moçambique é um dos exemplos mais bem-sucedidos de cooperação estruturante do Brasil no campo da saúde, sendo a Fiocruz como protagonista. baseada em uma parceria de longa data voltada ao fortalecimento do sistema de saúde do país, ampliando sua capacidade de resposta às emergências em saúde e a tantos outros desafios, como os efeitos das mudanças climáticas e o impacto das doenças crônicas”, destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “A Fiocruz fortalece essa cooperação com importantes cooperações no campo da educação, já materializada na estruturação da Escola de Saúde Publica de Moçambique, projeto inspirador para se pensar numa escola de saúde pública de língua portuguesa. É nosso compromisso trabalharmos juntos por um Sul Global fortalecido, caminhando numa relação de trocas e solidariedade para o maior acesso da população à promoção da saúde”.
A visita de profissionais moçambicanos envolveu cerca de 30 participantes na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro. A programação contou com a equipe da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic), da Coordenação-Geral de Educação (CGE/Vpeic), da Vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRI), e de unidades de referência na formação em saúde, como a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), além de outros atores institucionais com potencial de contribuição nessa articulação.
A missão promoveu debates sobre estrutura curricular, marcos regulatórios, desenho institucional, estratégias de internacionalização e mecanismos de avaliação da qualidade acadêmica para a plena implantação da Escola Nacional de Saúde Pública de Moçambique.
A cooperação firmada com o INS de Moçambique visa apoiar o país parceiro na criação e consolidação de capacidades próprias, fortalecendo seu sistema nacional de saúde a partir da qualificação de sua força de trabalho. Os profissionais da Fiocruz atuarão na construção das bases acadêmicas, pedagógicas e institucionais necessárias para desenhar, implementar e sustentar propostas formativas em quatro campos prioritários: Economia da Saúde; Clima, Ambiente e Saúde; Saúde Digital; e Planejamento e Gestão em Saúde.
Diretor do INS de Moçambique, Eduardo Samo Gudo afirmou que a missão ao Brasil foi bastante produtiva, lembrando que esse trabalho conjunto é um compromisso firmado pelas instituições com apoio político dos ministros de Saúde e dos chefes de Estado de ambos os países durante a visita do presidente Lula, em novembro de 2025, a Moçambique.
Segundo ele, a Escola é uma prioridade para o sistema da saúde moçambicano, que tem uma demanda importante de especialistas num momento em que o país enfrenta crescente número e agravamento de emergências em saúde pública, surtos epidemiológicos, eventos climáticos, doenças crônicas, além de rápido crescimento demográfico.
“O contexto socioeconômico e demográfico demanda novas competências dos profissionais de saúde e, por isso, a Escola é fundamental. A Fiocruz tem muita experiência, a partir da sua Escola de Saúde Pública e a Escola Politécnica de Saúde, e é esse conhecimento que aproveitamos nesta missão. Voltamos para Moçambique para dar continuidade a essas discussões e certos do apoio e da dedicação que recebemos dos profissionais da Fiocruz. Foi uma demonstração do compromisso que a instituição tem com a formação de profissionais de saúde”, afirmou Gudo.
A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Marques da Cruz, realiza apresentação para os profissionais visitantes (foto: Peter Ilicciev)
A agenda no Brasil incluiu também discussões sobre a implementação da Escola de Saúde Pública da CPLP, que seria vinculada ao próprio INS e voltada aos países africanos de língua portuguesa, com sede em Moçambique. Essa discussão foi aprofundada entre o chefe de Gabinete da Presidência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, e o diretor-geral do INS, Eduardo Samo Gudo, em reunião que articulou a composição de um grupo de trabalho para estruturar tecnicamente a proposta junto aos parceiros.
Durante o período na Fiocruz, a comitiva compartilhou expectativas e necessidades locais e conheceu detalhadamente programas de pós-graduação, suas linhas de pesquisa e estruturas curriculares, debateram modelos pedagógicos, estratégias de implementação e analisaram experiências já consolidadas pela Fundação, incluindo sua interface histórica com o Ministério da Saúde brasileiro. Além da Ensp e a EPSJV, outras iniciativas e coordenações da Fundação foram apresentadas como potenciais parceiros para essa grande construção, como o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), a Coordenação de Informação e Comunicação (Cinco/Vpeic), o Campus Virtual Fiocruz e o Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco).
Ao final da visita, foram definidas linhas de trabalho concretas para apoio técnico e acadêmico da Fiocruz ao país africano, consolidando uma agenda de cooperação internacional orientada ao fortalecimento sustentável do sistema de saúde moçambicano por meio da implementação de uma escola nacional robusta, estratégica e alinhada à formação qualificada de recursos humanos e às prioridades sanitárias de Moçambique.
Publicado em 04/03/2026 09:28 Isabela Schincariol (Vpeic/Fiocruz) e Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)
Com participação da Fiocruz, o Ministério da Saúde (MS) lançou o e-book Panorama da APS no SUS: Censo Nacional das UBS 2024, que apresenta um retrato atualizado sobre a Atenção Primária à Saúde, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). A publicação destaca avanços, desafios e perspectivas para o fortalecimento da APS no Brasil.
Elaborado pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (MS) e pela Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), da qual a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) faz parte, o e-book reúne, em sete capítulos temáticos, um panorama abrangente e detalhado dos resultados do Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (Censo das UBS 2024). O livro examina desde as condições estruturais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os diferentes modelos de atenção, até a composição das equipes multiprofissionais e os processos de formação, qualificação e educação permanente.
O conteúdo também aborda a disponibilidade de equipamentos e de recursos de saúde digital, o escopo das práticas e ações ofertadas, a atenção à saúde bucal, as iniciativas de promoção da saúde e vigilância, além das ações comunitárias e de equidade. A obra analisa ainda a coordenação do cuidado e a integração da Atenção Primária com as redes regionais de atenção à saúde.
Segundo os autores do e-book, “o panorama da APS brasileira é uma expressão do amadurecimento do SUS e um marco na trajetória de construção de um sistema público de saúde orientado pelas necessidades da população e sustentado pelo conhecimento científico de excelência”.
Nesse contexto, eles definem o Censo Nacional das UBS 2024 como mais um marco na avaliação da APS no Brasil, destacando seu caráter inovador e colaborativo, o qual fortalece a institucionalização da avaliação da APS, promove a integração entre academia e gestão pública, além de reafirmar o compromisso coletivo com a qualidade, o acesso universal e o cuidado integral.
Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (Censo das UBS 2024)
O Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (Censo das UBS 2024) visa traçar um diagnóstico nacional abrangente sobre a estrutura e o funcionamento das UBS, abordando desde as condições de infraestrutura e os processos de trabalho das equipes até a incorporação de tecnologias digitais, telessaúde, o escopo de ações e serviços ofertados e os mecanismos de coordenação do cuidado e integração à rede de atenção à saúde.
Realizado entre junho e setembro de 2024, o censo revela que, apesar do progresso, a Atenção Primária à Saúde carece de avanços na infraestrutura, além de ampliação na oferta de cuidados e na cobertura de ações preventivas e de promoção da saúde e da equidade. A iniciativa é da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/ MS), com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). O estudo teve parceria da Rede de Pesquisas em APS da Abrasco.
O censo contou com a participação de 100% dos estabelecimentos de Atenção Primária à Saúde ativos no SUS em todo o país. Os dados contribuem para o planejamento de investimentos, a qualificação dos serviços e o monitoramento de resultados no Sistema Único de Saúde. O levantamento pode ainda orientar o planejamento de gestores das três esferas governamentais
Publicado em 02/03/2026 11:35 Danielle Monteiro (Informe Ensp
Médicos, enfermeiros e psicólogos levam medicamentos e insumos
O Ministério da Saúde enviou equipes do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Departamento de Emergências em Saúde Pública aos municípios mineiros de Ubá e Matias Barbosa, com o objetivo de ajudar nas respostas emergenciais aos problemas causados pelas chuvas na região.
Os profissionais especializados encaminhados aos municípios da Zona da Mata mineira – médicos, enfermeiros, psicólogos e especialistas em logística – estavam em Juiz de Fora, cidade também muito afetada pelas chuvas.
Além de levar vacinas, medicamentos, insumos estratégicos de primeiros socorros e água potável para a população atingida, as equipes ajudarão em ações de acolhimento com atendimento psicossocial; cuidados em saúde mental; e reorganização da rede assistencial local.
“Nas cidades atingidas pelas chuvas nesta terça-feira (24), eles estão redirecionando os atendimentos para unidades de saúde não afetadas e remanejando profissionais para garantir cobertura mínima nos locais de maior demanda e, assim, a continuidade dos serviços essenciais”, informou o ministério.
Serviços e recursos
O ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, ressaltou que a pasta está atenta às necessidades das famílias atingidas pela tragédia nos municípios da Zona da Mata mineira.
“Não faltarão recursos financeiros, equipes, estrutura, suporte técnico e assistência em saúde [para a ajuda às famílias]”, garantiu o ministro.
Massuda e seu colega do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, viajaram a Minas Gerais para monitorar as medidas emergenciais.
Em nota, o Ministério da Saúde informou também que enviará, aos municípios atingidos, carretas de saúde do programa Agora Tem Especialistas, para auxiliar no atendimento enquanto as unidades de saúde afetadas pelas chuvas estão sendo recuperadas ou reconstruídas.
“O número de profissionais da Força Nacional do SUS em campo será reforçado de acordo com a evolução do cenário e as necessidades dos municípios da região, garantindo que nenhuma cidade fique sem o apoio necessário”, detalhou o ministério.
Também estão sendo enviados para as áreas mais críticas caminhões-pipa do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiágua), de forma a garantir abastecimento emergencial nas regiões onde o fornecimento está comprometido.
Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil Publicado em 26/02/2026 – 13:02 Brasília
Oito casos e três óbitos da doença foram confirmados na região
O Ministério da Saúde reuniu uma equipe emergencial para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima. A iniciativa divulgada na última quarta-feira (18) é uma resposta do Governo Federal ao aumento das infecções por coqueluche entre crianças da região, que já soma oito casos e três óbitos.
A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana e contagiosa, cujos primeiros sintomas são crises de tosse seca. A equipe enviada pelo Ministério da Saúde chegou à região na última segunda (16) e foi acompanhada por especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, com experiência na contenção de possíveis surtos ou aumento de casos de doenças infecciosas.
O grupo vai atuar em conjunto com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que já estava em Surucucu realizando coletas de material e trabalhos de prevenção com aldeias adjacentes. Ao todo, 50 profissionais vão reforçar a prevenção de novos casos e a assistência local.
As crianças infectadas estão em tratamento em hospitais de Boa Vista, capital do estado. Duas já foram liberadas para suas respectivas aldeias, e todos os casos suspeitos seguem em investigação e acompanhamento.
Vacinação
A vacinação é o principal meio de prevenção contra a coqueluche, e, no Brasil, a vacina é disponibilizada através do SUS para crianças de até 7 anos e gestantes, em Unidades Básicas de Saúde.
De acordo com o Dsei Yanomami, o esquema vacinal completo das crianças com menos de 1 ano de idade quase dobrou entre 2022 e 2025, passando de 29,8% para 57,8%. Entre os menores de 5 anos, esse índice passou de cerca de 52% para 73% no mesmo período.
A partir disso, foram instituídas ações para combater a crise sanitária, resultante do garimpo ilegal. A iniciativa envolveu os ministérios da Saúde, Defesa e Povos Indígenas, para estruturar os serviços de saúde pública e segurança.
Foram tomadas medidas como fechamento de garimpos ilegais e destinação de recursos para controle do espaço aéreo, além ações para despoluição dos rios, tratamentos de água potável e construção de unidades especializadas de saúde.
Em 2023, o Dsei contava com 690 profissionais. Desde então, mais 1.165 profissionais foram contratados ─ um crescimento de 169%.
Segundo dados de 2025 do Ministério da Saúde, desde a decretação do estado de emergência, a mortalidade na região caiu 27,6%. Lideranças indígenas reforçam, entretanto, que ainda existem muitos desafios a serem ultrapassados.
Com uma população de mais de 30 mil pessoas e cerca de 376 comunidades, a TI Yanomami é o maior território indígena do país.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Tâmara Freire.
Alice Rodrigues* Publicado em 19/02/2026 – 12:59 Rio de Janeiro
Foram distribuídas aos estados as primeiras 650 mil doses
Começou nesta semana a vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da atenção primária, com a previsão de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, as primeiras 650 mil doses já foram enviadas aos estados e o restante está previsto para as próximas dias.
A estratégia utiliza a vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, de dose única, tetraviral e 100% nacional. Para a pasta, esse imunizante representa avanço importante para a autonomia do país.
“O início da vacinação pelos profissionais da atenção primária é um passo estratégico para proteger quem atua próximo à população – médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde das unidades básicas de Saúde”, diz o ministério.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a vacinação está começando por toda a equipe multiprofissional cadastrada no SUS.
“São aquelas pessoas que batem na porta, visitam a casa das pessoas, observam se tem criadouro do mosquito da dengue, fazem o acompanhamento, a mobilização. Também são aqueles profissionais que estão na primeira porta de entrada quando há casos de dengue”, destacou.
A ampliação para outros públicos – pessoas de 15 a 59 anos, começando pelos mais velhos – está prevista para o segundo semestre deste ano, o que depende do aumento da capacidade produtiva do Instituto Butantan. Com investimento de R$ 368 milhões, o Ministério da Saúde fechou a compra de 3,9 milhões de doses.
A pasta adotou também estratégia de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue. Para isso, está em curso, desde janeiro, a vacinação em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.
“A vacinação da população em geral começa com o aumento da produção de doses, a partir de uma parceria estratégica entre o Brasil e a China, com a transferência da tecnologia nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines. Com essa cooperação, a produção da vacina nacional poderá aumentar em até 30 vezes”, destaca o ministério
A vacina do Butantan apresentou 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos, além de 89% de proteção contra formas graves e com sinais de alarme.
Público-alvo
Profissionais de saúde assistenciais e de prevenção:
Médicos
Enfermeiros
Técnicos de enfermagem
Odontólogos
Equipes multiprofissionais (eMulti)
Agentes comunitários de saúde (ACS)
Agentes de combate às endemias (ACE)
Trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde:
Recepcionistas
Seguranças
Profissionais da limpeza
Motoristas de ambulância
Cozinheiros
Outros trabalhadores atuantes nas unidades básicas de saúde (UBS)
Cenário epidemiológico
Em 2025, os casos de dengue no Brasil caíram 74% em relação a 2024. Apesar da redução expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o território nacional.
“Ao longo do ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença, frente a 6,5 milhões no ano anterior. O número de óbitos também apresentou queda significativa: 1,7 mil mortes em 2025, o que representa redução de 72% em comparação a 2024, quando foram contabilizadas 6,3 mil mortes”, completa a pasta.
Agência Brasil Publicado em 11/02/2026 – 12:01 Rio de Janeiro
Doença é efeito colateral conhecido, mas pouco frequente, diz agência
A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido emitiu alerta para o risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
Em nota, a agência destacou que a pancreatite aguda é um efeito colateral conhecido, porém pouco frequente, do uso desse tipo de medicamento.
“Em alguns casos extremamente raros, as complicações da pancreatite aguda podem ser particularmente graves”.
De acordo com o comunicado, médicos e pacientes devem estar atentos aos sintomas iniciais de pancreatite aguda para que o quadro não evolua para forma grave, incluindo dor abdominal intensa e persistente que pode irradiar para as costas e ser acompanhada de náuseas e vômitos.
A diretora de Segurança da MHRA, Alison Cave, destacou que, para a grande maioria dos pacientes que recebem prescrição médica para utilizar medicamentos agonistas GLP-1, eles se mostram seguros e eficazes, “proporcionando benefícios significativos para a saúde”.
“O risco de desenvolver esses efeitos colaterais graves é muito pequeno, mas é importante que pacientes e profissionais de saúde estejam cientes e atentos aos sintomas associados”, completou Alison.
Os medicamentos agonistas GLP-1 são prescritos para o tratamento de diabetes tipo 2 e, no caso de produtos específicos, para o controle de peso e a redução do risco cardiovascular em indivíduos com doença estabelecida e alto índice de massa corpórea (IMC).
Pesquisa recente publicada pela University College London estima que 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia usaram as chamadas canetas emagrecedoras, incluindo a semaglutida (Wegovy e Ozempic) e a tirzepatida (Mounjaro), entre o início de 2024 e o início de 2025, com o objetivo de perda de peso.
Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 02/02/2026 – 10:45 Brasília
Brasil tem somente 13 mil profissionais em atuação
O Ministério da Saúde vai reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS) com 760 profissionais que estão em formação no curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne. O curso foi iniciado em novembro de 2025 para profissionais com, pelo menos, um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS.
A ação envolve investimentos de R$ 17 milhões e objetiva formar mais especialistas para fortalecer a atenção obstétrica e neonatal no SUS. O Brasil tem somente 13 mil profissionais desse tipo, o que reforça a necessidade de aumentar a oferta para reforçar a atenção obstétrica e neonatal no SUS.
A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 instituições e apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo).
De acordo com o ministério, no Brasil há apenas 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no sistema do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Desse número, 46% (6.247) têm vínculo com algum estabelecimento de saúde registrado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o que confirma a insuficiência de profissionais para atender à demanda nacional.
Em contrapartida, em países cujo modelo de atenção é baseado na enfermagem obstétrica há uma densidade maior de profissionais, variando entre 25 e 68 por 1 mil nascidos vivos, enquanto no Brasil são cinco por 1 mil nascidos vivos, segundo dados da Abenfo de 2023.
O enfermeiro obstétrico é o profissional especializado que cuida da saúde da mulher durante a gravidez, o parto e o pós-parto, em partos naturais ou vaginais, tornando-os mais humanizados e garantindo à gestante mais confiança e tranquilidade. Ele faz exames, auxilia no parto, presta cuidados ao recém-nascido e colabora com os médicos para garantir um atendimento seguro.
Impacto
O conselheiro do Cofen Renné Costa avalia que o impacto da medida é positivo, “porque falta enfermeiro obstétrico no Brasil, principalmente quando a gente compara os números do país com o mundo”.
“Enquanto no Brasil tem em torno de um enfermeiro obstétrico para quatro médicos, no mundo são quatro enfermeiros obstétricos para um médico”, ressaltou.
Renné Costa disse à Agência Brasil que em países desenvolvidos, onde existe uma boa assistência obstétrica e neonatal, “sempre tem um número muito maior de enfermeiros obstétricos do que de médicos”.
Segundo ele, uma das principais características da enfermagem obstétrica é obedecer à fisiologia do parto. Ou seja, deixar que o corpo da mulher, sozinho, produza o parto, baixando o número de intervenções e, com isso, o número de iatrogenias, que são estados de doença, efeitos adversos ou alterações patológicas causadas ou resultantes de um tratamento de saúde.
“Esse é o principal benefício desse profissional [enfermeiro obstétrico] estar na rede, principalmente no SUS, já que o Brasil hoje está entre os primeiros países em número de partos operatórios [cesáreas], indo na contramão do que diz a ciência”, assegurou Costa, acrescentando que o parto operatório “multiplica em 70 o risco de morte dessa mulher”.
Questão cultural
O conselheiro do Cofen analisa o problema como uma questão cultural, porque o parto natural ainda é visto como um parto do SUS, “um parto de pobre”, daquele que não tem opção de escolha.
“O parto operatório é de quem tem plano de saúde, de quem pode pagar pela hora, é o parto que não dói. Essa é a cultura brasileira”, disse.
Ele chama a atenção que nas novelas brasileiras, o parto é um momento de sofrimento, de angústia, de muita dor, que parece fazer do parto natural o mais inseguro possível.
Para Renné Costa, não existe na cultura popular o trabalho de informar que a melhor via de parto é a fisiológica, é o parto natural. O enfermeiro obstétrico defende o parto com um mínimo de intervenção, a não violência obstétrica, que é evitar fazer procedimentos desnecessários, como uso da ocitocina indiscriminado, um hormônio que estimula contrações uterinas no parto, ou da manobra Kristeller, por exemplo, em que o útero da mulher é pressionado para tentar auxiliar a expulsão do bebê, o que pode provocar sérios danos para a mulher e para a criança, como rupturas de costelas e hemorragia. Essa manobra é contraindicada e considerada violência obstétrica pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O conselheiro do Cofen lembra que o corpo da mulher “é muito sábio” e serve para “amadurecer” a criança, para ela chegar no novo ambiente externo.
Valéria com a bebê Maria Catarina (D), o marido (C) e a enfermeira obstétrica Maria Luiza Bezerra – Foto: Valéria Monteiro/arquivo pessoal
Ele ressalta ainda que muitas crianças sofrem com o parto abrupto, que não dá maturidade no sistema neurológico e pulmonar dos bebês, para que eles se preparem para o mundo externo, uma vez que se encontram em um mundo controlado até o nascimento.
No parto operatório, adverte, muitas vezes acontece uma coisa muito comum, que é o parto de uma criança prematura, que ainda não está pronta para nascer.
“Tudo isso são prejuízos do parto operatório indiscriminado, como é feito no Brasil”, disse
O enfermeiro defende que é preciso que o país tenha a cultura de preparar as mulheres para que elas tenham um plano de parto. Significa, segundo ele, que ao começar a fazer o pré-natal, a mulher deve discutir com a equipe multidisciplinar como ela quer que esse parto aconteça.
“Se ela quer um parto operatório, um parto vaginal, em casa, em ambiente hospitalar, qual a equipe que ela quer, quais as pessoas que ela deseja estejam acompanhando-a.
No decorrer da história, segundo Renné Costa, o parto, que era um evento familiar, se tornou um evento hospitalar, onde a mulher é cerceada do direito de ver família, de ter autonomia sobre o próprio corpo.
Ganhos
Na avaliação do conselheiro federal, a rede SUS só tem a ganhar com a presença dos enfermeiros obstétricos. O próprio Renné Costa é fruto de especialização em enfermagem obstétrica. Em 2014, ele fez pós-graduação na área, ainda na Rede Cegonha, anterior à Rede Alyne.
“Essa especialização mudou minha vida profissional, não só como enfermeiro obstetra em que me formei, como mudou também a realidade de um município do interior de Alagoas onde eu trabalhava, o município de Viçosa. Eu me tornei capacitado para assistir essas mulheres”, recorda.
Antes da pós-graduação de Renné Costa, o Hospital Municipal de Viçosa, onde ele trabalhava, fazia em média entre 80 e 90 partos por ano. Depois de sua pós-graduação, a instituição passou a realizar de 500 a 600 partos por ano, “com total segurança”, no próprio município e perto da mulher.
Antes, as parturientes de Viçosa eram obrigadas a se deslocar para a capital, distante 120 quilômetros e, muitas vezes, em ambulâncias sem nenhum profissional acompanhando, com dores de parto, perambulavam de maternidade em maternidade, para ver qual aceitava fazer o seu parto. “Agora, essas mulheres passaram a parir no interior”, diz Renné.
Renné Costa comemora que a formação de novos 760 enfermeiros obstétricos pode ampliar os benefícios às mulheres, embora considere esse número ainda aquém das necessidades do país. “É um número muito insuficiente para o tamanho do Brasil”.
Ele defendeu a presença desse profissional não só na casa de parto, mas na atenção básica, como referência ainda quando a mulher está fazendo o pré-natal, desmistificando o que é o parto normal, o que acontece, que acompanhantes ela pode levar, o ambiente onde quer fazer o parto.
Como o enfermeiro obstétrico é muito mais aberto a essa fisiologia, ou à naturalidade do parto, Renné explica que ele permite que tenha mais acompanhantes, que a família esteja mais próxima, que a parturiente esteja mais perto de casa. “Tudo fica muito mais próximo dela e acredito que até diminui as desigualdades”.
Profissionais
A médica Margareth Portella, coordenadora materno infantil da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), confirmou em entrevista à Agência Brasil que a capital fluminense não tem problemas de recursos humanos especializados.
“Todas as maternidades estão bem contempladas com enfermagem obstétrica”.
Margareth avalia que esses profissionais são fundamentais para tocar os partos fisiológicos, sem intercorrências, que são gestações tranquilas, o que se chamava antigamente de baixo risco e hoje são chamadas de risco habitual.
“Para esse tipo de atendimento, as enfermeiras obstétricas são maravilhosas, são fundamentais para o serviço andar”, defende.
Margareth Portella avaliou que “os enfermeiros obstétricos são um recurso humano fundamental na assistência ao parto de risco habitual, de baixo risco, nas nossas maternidades”.
“Formar esse tipo de profissional é importantíssimo para estruturar uma rede que cubra todas as necessidades, desde o pré-natal, o parto, puerpério. E, obedecendo aos critérios de hierarquia nas maternidades de risco habitual, podem ficar mais enfermeiras fazendo assistência, sem prescindir da figura do médico porque, a qualquer momento, um parto pode se transformar em uma emergência”, salientou a coordenadora materno infantil da Secretaria.
Ela lembra que até os níveis de complexidade bem mais altos de atendimento à gestação de alto risco, com UTI neonatal, UTI materna, é necessário um outro nível de assistência.
Margareth Portella avalia como de grande importância a decisão do Ministério da Saúde de investir na formação de enfermeiros obstétricos. “Só fico preocupada porque não basta ter conhecimento teórico. Parto é o tipo da coisa que tem variáveis que não se controla e, também, intercorrências imprevisíveis. Então, tem que haver todo um sistema de diagnóstico, de intervenção, que seja a tempo de não deixar um desfecho ruim acontecer”.
Ela garante que todos os profissionais que estiverem interessados nessa capacitação especializada terão acesso ao curso ministrado pela Rede Alyne, cuja fase de implantação no estado está sendo capitaneada pela Secretaria de Saúde estadual.
“Fomos nós que fizemos toda a parte de levantamento de dados, planejamento da estrutura da Rede Alyne no estado. O território foi dividido em regiões e, em cada uma delas, a SES conseguiu fazer o melhor atendimento às necessidades de cada área, com participação dos municípios para poder fazer um levantamento, montar uma planilha e entregar em tempo hábil ao ministério”.
Na Baixada Fluminense, Margareth informou que os enfermeiros obstétricos são muito presentes. Citou o caso do Hospital da Mãe de Mesquita, que é uma maternidade estadual, onde mais de 70% dos partos normais, vaginais, são conduzidos por enfermeiras com especialização em obstetrícia.
Dificuldades
No entanto, a realidade do estado do Rio de Janeiro mostra que algumas regiões mais distantes da capital, como a baixada litorânea, a região serrana e o sul Fluminense, já começam a apresentar dificuldades desse recurso humano.
“Não é nem de recurso humano porque, muitas vezes, os profissionais têm o diploma, têm a capacitação, mas não têm a experiência necessária para assumir plantões onde vão ter que trabalhar, na prática, fazendo assistência ao parto. Muitas vezes, eles têm a qualificação, mas falta a parte da prática, porque existem cursos que são feitos até à distância”, disse Margareth Portella.
Segundo a médica, esse tipo de curso “não dá vivência, não dá segurança para essas pessoas fazerem partos do início até o final”.
“É preciso um período de treinamento em serviço, para poderem resolver problemas que vierem a surgir”, avalia.
A SES-RJ informou que está tentando resolver o problema contratando, primeiramente, as enfermeiras obstétricas que são mais experientes e, quando não consegue, fazendo a capacitação na prática em serviços onde elas podem aplicar aquilo que se prepararam para fazer.
A rede municipal de saúde do Rio conta com 13 maternidades e uma Casa de Parto distribuídas por toda a cidade, e a enfermagem obstétrica está presente em todas essas unidades.
Experiência
A empresária Valéria Monteiro, 28 anos, é casada com Lucas Oliveira, e graças ao acompanhamento que recebeu da enfermeira obstétrica Maria Luiza Bezerra, todo o processo correu com tranquilidade e sua terceira filha, Maria Catarina, hoje com cinco meses, nasceu sem problemas, de parto normal. “Foi ótimo. A enfermeira me acompanhou antes do parto, no parto e no pós-parto. Foi o que me deu coragem e força e me fez acreditar que eu teria um parto normal”, disse Valéria à Agência Brasil.
A médica obstetra que atendia Valéria a encorajou a fazer um parto normal, sem cesárea. “E aí a gente quis arriscar”. Na reta final da gestação, a médica obstetra recomendou à empresária uma enfermeira obstétrica, que deu a ela todo embasamento científico para que tivesse um parto normal, fazendo o monitoramento do bebê na barriga e lhe deu as instruções para que conseguisse evoluir no trabalho de parto até o momento de chegada da bebê. “Ela foi a parte teórica. Eu deixei meu corpo agir, mas ela tinha todo o embasamento científico, a teoria, e eu pus em prática”. Maria Catarina tem cinco meses agora.
O temor que ela sentia de voltar a fazer parto vaginal, como foi com a primeira filha, Maria Luisa, é explicado porque a segunda filha, Maria Celina, veio ao mundo de cesárea, no mesmo Hospital Regional de Arapiraca, em Alagoas, onde nasceu Maria Catarina. Foi a primeira experiência de Valéria no SUS. A cesárea foi eletiva, isto é, agendada previamente, porque “a bebê era grande e evoluiu com complicações. Foi um parto um pouco traumático”, contou Valéria, que ficou internada com a bebê durante 20 dias. Maria Celina está, atualmente, com 2 anos e quatro meses. Mas tinha dez meses, quando a mãe engravidou novamente.
A primeira filha, Maria Luísa, hoje com três anos e dez meses, nasceu de parto normal, com enfermeira obstétrica, no Hospital Chama, também em Arapiraca, onde reside a família. Valéria e o marido não pretendem ter mais filhos. “Três filhas já está ótimo”. Ela recomenda a todas as gestantes que tenham parto normal, acompanhadas por enfermeira obstétrica.
Rede Alyne
Lançada pelo governo federal, pelo Ministério da Saúde, no dia 12 de setembro de 2024, a Rede Alyne é um projeto de assistência materno-infantil que reestrutura a antiga Rede Cegonha, de 2011. O objetivo é reduzir a mortalidade materna em 25% e a mortalidade materna de mulheres negras em 50% até 2027.
A iniciativa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, gestante e vítima de negligência médica. O caso levou o Brasil a ser o primeiro país condenado por morte materna pelo Sistema Global de Direitos Humanos em todo o mundo. Com a homenagem prestada à Alyne Pimentel, o governo reafirma seu compromisso com o enfrentamento das desigualdades na saúde e da luta por direitos das mulheres no Brasil, além de melhores condições de cuidado para as gestantes, as puérperas e os bebês.
Durante o lançamento da Rede Alyne, na cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, destacou que o objetivo central do projeto é “reduzir a mortalidade materno infantil, garantir atenção humanizada e de qualidade à gestante, à parturiente, à puérpera, ao recém-nascido”.
Presente à solenidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que a medida era para proteger a mulher e sua família. “É por isso que a gente está fazendo esse programa chamado Rede Alyne. É para que as mulheres quando ficarem grávidas sejam tratadas com decência, sejam tratadas com respeito, não falte médico para fazer o pré-natal, não falte médico ou médica para fazer o tratamento que for necessário fazer”, afirmou à época.
Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil Publicado em 28/01/2026 – 12:10 Rio de Janeiro
A Fiocruz passou a integra, nesta segunda-feira (26/1), a Cátedra Unesco Futuros da Educação para a Saúde e o Bem-Viver, uma iniciativa acadêmica conjunta da Fundação com a NOVA Medical School, da Universidade NOVA de Lisboa, e a Universidade Paris-Est Créteil (Upec). A parceria é estabelecida em cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e é a primeira do programa da organização para o futuro da saúde e com instituições de três países. A missão da Cátedra é fortalecer a pesquisa, o ensino, a formação e o envolvimento comunitário, mobilizando letramento de futuros e governança antecipatória por sociedades saudáveis, equitativas e resilientes.
A missão da Cátedra é fortalecer a pesquisa, o ensino, a formação e o envolvimento comunitário (foto: Divulgação)
A iniciativa foi firmada em uma cerimônia na sede da Unesco, em Paris, com a participação dos representantes das instituições, como o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “É uma cooperação com instituições internacionais pensando o futuro na perspectiva da pesquisa e do ensino, sobretudo, mas pensando também que a Fiocruz é responsável por melhorar o modo de vida das pessoas”, afirmou Mario Moreira.
Com base na Universidade Nova de Lisboa, na capital portuguesa, a Cátedra busca desenvolver e testar novas abordagens para a educação em saúde que preparem profissionais e instituições para lidar com incerteza, complexidade e risco sistémico. A iniciativa pretende também criar modelos de aprendizagem mais inclusivos e transformadores, combinando conhecimento científico com metodologias de antecipação, construção de cenários e participação cidadã.
Através de programas de ensino e formação avançada, a Cátedra irá capacitar educadores e profissionais para integrar pensamento de futuros e colaboração intersetorial na prática, promovendo modelos pedagógicos inovadores. Em paralelo, irá produzir recursos e ferramentas de acesso aberto que facilitem a disseminação de conhecimento, a transferência de metodologias e a replicação de soluções em diferentes contextos.
As três instituições públicas que compõem a Cátedra têm forte vocação científica e compromisso com o serviço à comunidade, articulando capacidades complementares em uma cooperação triangular Europa–América Latina com ambição global.
Em conjunto, as três instituições irão mobilizar redes internacionais, potencializar sinergias com outras Cátedras e iniciativas no âmbito do Programa UNITWIN/Unesco Chairs e desenvolver ações conjuntas de pesquisa, ensino, capacitação e disseminação, com potencial de escala e replicação em múltiplas geografias.
Pela Unesco, participaram da assinatura a diretora-geral adjunta de Educação, Stefania Giannini, e a gestora do Programa de Cátedras UNITWIN/Unesco, Divisão Futuro da Aprendizagem e Inovação, Maya Prince. Pela Universidade NOVA de Lisboa, o diretor, Pedro Povoa. A reitora da Université Paris-Est Créteil, Karine Bergès, também assinou o documento. O acordo entra em vigor na data da assinatura e vai até junho de 2030.
Além da cerimônia sobre a Cátedra, ao longo do dia, o presidente Mario Moreira teve reunião com a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), que contou com a presença de seu diretor-executivo, Luis Pizarro, e a Rede Pasteur, também com a diretora-executiva, Rebecca Grais. Moreira se encontrou ainda com o novo diretor-executivo do Institut Pasteur Paris, Jean-Michel Molina.
Fiocruz passa a integrar duas Cátedras da Unesco
A Fiocruz já integra outra Cátedra Unesco, a Cátedra Oswaldo Cruz de Ciência, Saúde e Cultura, que tem como um de seus objetivos principais discutir os estudos de ciência e saúde para o desenvolvimento de uma cultura científica e a disseminação da percepção da saúde como construção social e cultural.
Tem ainda como meta incentivar a colaboração Norte-Sul-Sul, reunindo instituições de pesquisa da América e da Europa e intensificando a troca de conhecimentos sobre patrimônio e história da ciência e saúde.
Publicado em 27/01/2026 12:14 Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)
A Secretaria-Geral da Presidência da República realiza, nesta terça-feira (27/1), o anúncio oficial do Grupo de Trabalho Técnico da Maré (GTT Maré), iniciativa interministerial voltada ao fortalecimento de políticas públicas no território. A cerimônia será sediada no campus da Fiocruz, no Rio de Janeiro.
O evento contará com a presença do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência da República) e da ministra Anielle Franco (Ministério da Igualdade Racial). O Ministério das Cidades participará por meio da Secretaria Nacional de Periferias (MCID) e o Ministério da Saúde será representado por André Bonifácio, diretor do Departamento de Gestão Interfederativa e Participativa. Dirigentes da Fiocruz, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias da Maré também participarão da cerimônia.
Durante o encontro, será apresentada a atualização do Caderno de Respostas, documento que reúne demandas do território e consolida as ações já iniciadas pelo Governo Federal em diálogo com organizações locais. A iniciativa marca a retomada e o fortalecimento da agenda interministerial dedicada à Maré.
O GTT Maré reúne ministérios, universidades e instituições federais para atuação integrada em áreas como saúde, igualdade racial, direitos sociais, habitação, segurança cidadã e participação social, estruturando ações de médio e longo prazo no território.