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Colaboração científica investiga altas taxas de cesariana e riscos à saúde de mães e bebês

Uma colaboração científica entre a Fiocruz e a Universidade Stanford, na Califórnia, avança para investigar desafios que afetam a saúde de mulheres e recém-nascidos no Brasil e nos Estados Unidos. As duas instituições vão unir esforços para analisar fatores como as elevadas taxas de cesariana, a morbidade materna grave, as desigualdades em saúde e os efeitos dessas condições para mães e bebês.

A parceria foi ampliada durante a visita à universidade americana das pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Maria do Carmo Leal, coordenadora do estudo Nascer no Brasil, e Ana Paula Esteves-Pereira, epidemiologista e gestora de dados da segunda edição da pesquisa. “O principal objetivo é promover o intercâmbio de experiências em pesquisa no campo da saúde materna e perinatal e conhecer a experiência bem-sucedida da Califórnia na redução de cesarianas. Entre os resultados esperados estão a troca de conhecimento e o desenvolvimento de investigações conjuntas, além da mobilidade de estudantes entre as duas instituições”, destaca Maria do Carmo. Ela conta que o interesse da universidade americana na colaboração científica surgiu devido à alta frequência de cesarianas no Brasil, o que torna o país um importante campo para o estudo dos efeitos do procedimento em populações obstétricas.

A colaboração científica prevê a análise de dados preliminares da pesquisa Nascer no Brasil 2 e de estudos desenvolvidos pela Stanford. Além do intercâmbio científico e da produção conjunta de conhecimento, a parceria inclui o fortalecimento de redes internacionais voltadas à melhoria da qualidade do cuidado. Também serão realizadas análises comparativas entre Brasil e Estados Unidos, além da elaboração de um plano de cooperação para futuras iniciativas internacionais, incluindo propostas de pesquisa e publicações conjuntas. Segundo Maria do Carmo, ao unir diferentes experiências e contextos, a parceria reafirma o compromisso das instituições com a produção de evidências capazes de subsidiar políticas públicas, reduzir iniquidades e promover resultados mais eficazes para mães e bebês no Brasil e no mundo.

A reunião na Universidade Stanford teve como tema central a cesariana anteparto (cesárea eletiva agendada e realizada antes do início do trabalho de parto), especialmente entre mulheres de baixo risco, e suas repercussões para a morbidade materna grave e os desfechos neonatais. Durante o encontro, também foram analisadas as desigualdades raciais e sociais relacionadas à saúde materna nos dois países, além das diferenças entre os sistemas público e privado de atendimento.

Maria do Carmo destaca que o Brasil tem uma das maiores taxas de cesariana do mundo, muitas delas realizadas antes do início do trabalho de parto. Segundo a pesquisadora, esse cenário também reflete desigualdades sociais e diferenças entre os modelos de atendimento público e privado, além de práticas já consolidadas na assistência ao parto. Por outro lado, os Estados Unidos, que enfrentavam altas taxas de cesariana em determinados contextos, além de fortes desigualdades nos casos de complicações graves relacionadas à saúde materna, conseguiram, principalmente na Califórnia, reduzir esses índices para abaixo de 25%, por meio de políticas públicas.

No Brasil, o excesso de cesarianas agendadas em gestações de baixo risco aumenta os riscos para mães e bebês, com mais chances de complicações graves, partos antecipados, problemas respiratórios nos recém-nascidos e internações em UTIs neonatais”, conforme mostrado pela Nascer no Brasil”, alerta Maria do Carmo.

A pesquisadora também chama atenção para a hemorragia pós-parto, considerada hoje uma das principais preocupações no Brasil: “Estudos mostram que mulheres submetidas à cesariana têm um risco de morte após o parto cerca de três vezes maior do que aquelas que tiveram parto vaginal, principalmente por hemorragias e complicações relacionadas à anestesia”.

Como próximo passo da colaboração científica, Maria do Carmo cita o fortalecimento da parceria com as futuras visitas à Ensp/Fiocruz da enfermeira e PhD em Saúde Pública Marina Magalhães e de Suzan Carmichael, professora de Pediatria, Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina de Stanford. “Posteriormente, eu e Ana Paula iremos novamente à universidade americana. Para que nossa visita fosse concretizada, no período em que estivemos em Stanford desenhamos uma proposta de financiamento e um projeto-semente para o apoio financeiro dessa nova etapa. Ao longo deste ano, estruturaremos um projeto de pesquisa conjunto para o financiamento de uma investigação de maior porte, duração e resultados”, complementa a pesquisadora.

A colaboração científica entre a Ensp/Fiocruz e a Universidade Stanford teve início em 2024, com a realização de reuniões virtuais para discussão de interesses de pesquisa em comum. Em 2025, a professora Suzan Carmichael e a enfermeira Marina Magalhães realizaram visitas à Escola para dar continuidade às discussões. Os encontros resultaram na ida das pesquisadoras Maria do Carmo Leal e Ana Paula Esteves-Pereira à universidade americana para aprofundar a parceria.

Publicado em 09/06/2026 14:16 Danielle Monteiro (Informe Ensp)

Os efeitos no corpo de passar muitas horas sentado e como combatê-los

Durante décadas, uma das mensagens de saúde pública mais difundidas foi a de que fumar mata. Mas outro hábito cotidiano, muito menos dramático e muito mais aceito socialmente, também pode estar prejudicando nossa saúde: ficar sentado por longos períodos.

Muitas pessoas passam até dez horas por dia sentadas diante da mesa de trabalho, em reuniões ou em frente a telas.

Pode parecer inofensivo — e até inevitável —, mas há cada vez mais evidências sugerindo que passar tempo demais sentado está associado a graves riscos à saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e morte prematura.

Frequentemente, recomenda-se que as pessoas protejam sua saúde praticando mais exercícios e melhorando a alimentação. Esse conselho é importante, mas deixa de lado algo fundamental.

Mesmo quem cumpre as metas recomendadas de atividade física pode enfrentar riscos à saúde se passar a maior parte do dia sentado.

Uma mulher de vestido vermelho está sentada em um escritório com cadeiras brancas, trabalhando em seu laptop

Isso acontece porque sedentarismo e inatividade física não são a mesma coisa.

A inatividade física significa não praticar exercícios moderados ou intensos em quantidade suficiente. As diretrizes de saúde pública recomendam pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, como caminhada em ritmo acelerado ou ciclismo, ou 75 minutos de atividade intensa, como corrida.

Já o sedentarismo se refere a longos períodos sentado ou deitado, com gasto energético muito baixo — seja diante de uma mesa de trabalho, da televisão ou durante um longo trajeto até o trabalho.

8 Maio de 2026

Samina Akltar

Cartilha orienta médicos e instituições sobre uso de IA na medicina

Norma do CFM estabelece prazo de 180 dias para adequação

A Associação Médica Brasileira (AMB) lançou este mês uma cartilha com o objetivo de orientar médicos e instituições de saúde sobre a aplicação da inteligência artificial (IA) na prática clínica, com base na Resolução nº 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM).

O material aborda os principais pontos da primeira legislação brasileira dedicada exclusivamente ao uso da IA no exercício da medicina, publicada em fevereiro de 2026. A norma do CFM estabelece prazo de 180 dias para adequação, com entrada em vigor prevista para agosto.

Em nota, a AMB avalia que um dos pilares da resolução, destacado na cartilha, é o entendimento de que a IA deve ser utilizada exclusivamente como ferramenta de apoio.

“A decisão clínica permanece sob responsabilidade do médico, que mantém autonomia técnica e ética em todas as etapas do cuidado ao paciente”, diz.

“A publicação reforça que, embora a tecnologia amplie a capacidade diagnóstica e operacional, o julgamento humano é insubstituível e deve prevalecer em qualquer circunstância”, destacou o comunicado.

Direitos, deveres e limites

A cartilha detalha direitos dos médicos, como o uso livre de IA como suporte à decisão, além da possibilidade de recusar sistemas sem validação científica ou que apresentem riscos éticos.

O documento também estabelece deveres classificados pela AMB como fundamentais, incluindo a necessidade de capacitação contínua, o uso crítico das ferramentas e o registro obrigatório em prontuário sempre que a IA for utilizada.

“Entre as proibições expressas estão a delegação de diagnósticos à IA, o uso de sistemas sem segurança de dados e a omissão da informação ao paciente quando a tecnologia tiver papel relevante no atendimento.”

Classificação de risco

Outro destaque da cartilha é a classificação dos sistemas de IA por níveis de risco — baixo, médio, alto e inaceitável —, com exigências proporcionais de governança para cada categoria.

“Sistemas de maior impacto clínico demandam estruturas mais robustas de controle, monitoramento e validação”, avaliou a associação.

Segurança jurídica e proteção de dados

A cartilha orienta que o registro do uso da IA em prontuário é condição essencial para garantir proteção jurídica ao médico e recomenda a adoção de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) específico para o uso da tecnologia, assegurando transparência ao paciente.

“A adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também é tratada como obrigatória, uma vez que informações de saúde são consideradas dados sensíveis”, ressaltou a AMB.

Passo a passo

Com linguagem acessível, a cartilha apresenta um passo a passo para a conformidade com a resolução do CFM, incluindo inventário de sistemas, classificação de risco, validação científica, criação de protocolos internos e capacitação das equipes.

O material traz um checklist institucional e um glossário com os principais conceitos relacionados à inteligência artificial na saúde, como IA generativa, modelos de linguagem e vieses algorítmicos. 

“Para a AMB, a iniciativa busca apoiar os médicos brasileiros na incorporação segura e ética da inteligência artificial, promovendo inovação sem abrir mão da qualidade assistencial e da autonomia profissional.”

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 28/04/2026 – 10:09 Brasília

OCDE: geração atual vive mais, mas com múltiplas doenças crônicas

Informações estão em relatório publicado nesta quarta-feira

Doenças não transmissíveis (DNTs) estão remodelando sociedades. Doenças cardíacas, câncer, diabetes e doenças pulmonares crônicas afetam atualmente milhões de pessoas a mais do que na geração anterior e a tendência é que esse cenário continue a piorar.

As informações integram relatório publicado nesta quarta-feira (15) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento alerta que, na atual geração, mais pessoas vivem mais tempo, mas frequentemente o fazem com múltiplas doenças crônicas.

“As DNTs encurtam vidas, afetam a qualidade de vida das pessoas e reduzem sua capacidade de trabalho. Isso aumenta os gastos com saúde e reduz a produtividade dos trabalhadores e o retorno econômico”, destacou o documento.

“No entanto, muitos desses impactos são evitáveis, por meio de ações sobre os fatores de risco à saúde, diagnóstico precoce de doenças e tratamento aprimorado”, completou a OCDE.

A análise mostra que a prevenção de doenças traz benefícios sociais e econômicos muito maiores do que o tratamento tardio e que países que conseguem reduzir as taxas de condições que figuram como principais riscos à saúde, como obesidade e tabagismo, podem não apenas salvar vidas, mas aliviar a pressão sobre os orçamentos da saúde.

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Números

O relatório ressalta que, apesar de décadas de esforços, as DNTs continuam a aumentar. Entre 1990 e 2023, a prevalência de câncer e de doença pulmonar obstrutiva crônica aumentou 36% e 49%, respectivamente, enquanto a prevalência de doenças cardiovasculares aumentou mais de 27%.

Os dados mostram ainda que, em 2023, uma em cada dez pessoas que viviam em países-membros da OCDE tinha diabetes e uma em cada oito vivia com doença cardiovascular.

Para a OCDE, existem três razões principais para o aumento contínuo da prevalência de DCNTs no mundo:

– Embora tenha havido progresso na redução de certos fatores de risco, como poluição do ar, tabagismo, consumo nocivo de álcool e inatividade física, esse progresso foi prejudicado pelo aumento acentuado da obesidade.

– A melhoria nas taxas de sobrevivência, um inegável sucesso em saúde pública, significa que mais pessoas vivem por períodos mais longos com doenças crônicas, aumentando a demanda por cuidados e a complexidade dos serviços.

– O envelhecimento populacional significa que mais pessoas estão atingindo as faixas etárias em que as DCNTs são mais comuns.

“Mesmo que a prevalência dos fatores de risco, as taxas de sobrevivência e o tamanho da população permaneçam constantes, o número de novos casos de DCNT deverá crescer 31% na OCDE entre 2026 e 2050, apenas devido ao envelhecimento populacional”, alertou relatório.

“Prevê-se que a prevalência de multimorbidade [combinação de doenças crônicas ou agudas] aumente 75% na OCDE (70% na União Europeia) e que a despesa anual per capita com saúde relacionada com doenças não transmissíveis cresça mais de 50% na OCDE”, concluiu a organização.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 15/04/2026 – 13:19 Brasília

Fiocruz recebe delegação para estruturação de Escola Nacional de Saúde Pública de Moçambique

A Fiocruz recebeu, na última semana, uma delegação do Instituto Nacional de Saúde (INS) de Moçambique para reuniões de trabalho voltadas à estruturação da Escola Nacional de Saúde Pública do país – uma colaboração firmada no ano passado durante visita oficial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Moçambique. Entre os dias 23 e 27 de fevereiro, docentes e pesquisadores da Fundação, especialmente envolvidos com a área da Educação, participaram de uma grande agenda estratégica pautada nessa cooperação estruturante que prevê ainda a possibilidade futura da construção de uma Escola voltada à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Delegação do Instituto Nacional de Saúde de Moçambique visita a Fiocruz no Rio de Janeiro (foto: Peter Ilicciev)

“A cooperação com Moçambique é um dos exemplos mais bem-sucedidos de cooperação estruturante do Brasil no campo da saúde, sendo a Fiocruz como protagonista. baseada em uma parceria de longa data voltada ao fortalecimento do sistema de saúde do país, ampliando sua capacidade de resposta às emergências em saúde e a tantos outros desafios, como os efeitos das mudanças climáticas e o impacto das doenças crônicas”, destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “A Fiocruz fortalece essa cooperação com importantes cooperações no campo da educação, já materializada na estruturação da Escola de Saúde Publica de Moçambique, projeto inspirador para se pensar numa escola de saúde pública de língua portuguesa. É nosso compromisso trabalharmos juntos por um Sul Global fortalecido, caminhando numa relação de trocas e solidariedade para o maior acesso da população à promoção da saúde”.

A visita de profissionais moçambicanos envolveu cerca de 30 participantes na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro. A programação contou com a equipe da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic), da Coordenação-Geral de Educação (CGE/Vpeic), da Vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRI), e de unidades de referência na formação em saúde, como a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), além de outros atores institucionais com potencial de contribuição nessa articulação.

A missão promoveu debates sobre estrutura curricular, marcos regulatórios, desenho institucional, estratégias de internacionalização e mecanismos de avaliação da qualidade acadêmica para a plena implantação da Escola Nacional de Saúde Pública de Moçambique.

A cooperação firmada com o INS de Moçambique visa apoiar o país parceiro na criação e consolidação de capacidades próprias, fortalecendo seu sistema nacional de saúde a partir da qualificação de sua força de trabalho. Os profissionais da Fiocruz atuarão na construção das bases acadêmicas, pedagógicas e institucionais necessárias para desenhar, implementar e sustentar propostas formativas em quatro campos prioritários: Economia da Saúde; Clima, Ambiente e Saúde; Saúde Digital; e Planejamento e Gestão em Saúde.

Diretor do INS de Moçambique, Eduardo Samo Gudo afirmou que a missão ao Brasil foi bastante produtiva, lembrando que esse trabalho conjunto é um compromisso firmado pelas instituições com apoio político dos ministros de Saúde e dos chefes de Estado de ambos os países durante a visita do presidente Lula, em novembro de 2025, a Moçambique.

Segundo ele, a Escola é uma prioridade para o sistema da saúde moçambicano, que tem uma demanda importante de especialistas num momento em que o país enfrenta crescente número e agravamento de emergências em saúde pública, surtos epidemiológicos, eventos climáticos, doenças crônicas, além de rápido crescimento demográfico.

“O contexto socioeconômico e demográfico demanda novas competências dos profissionais de saúde e, por isso, a Escola é fundamental. A Fiocruz tem muita experiência, a partir da sua Escola de Saúde Pública e a Escola Politécnica de Saúde, e é esse conhecimento que aproveitamos nesta missão. Voltamos para Moçambique para dar continuidade a essas discussões e certos do apoio e da dedicação que recebemos dos profissionais da Fiocruz. Foi uma demonstração do compromisso que a instituição tem com a formação de profissionais de saúde”, afirmou Gudo.

Marly.

A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Marques da Cruz, realiza apresentação para os profissionais visitantes (foto: Peter Ilicciev)

A agenda no Brasil incluiu também discussões sobre a implementação da Escola de Saúde Pública da CPLP, que seria vinculada ao próprio INS e voltada aos países africanos de língua portuguesa, com sede em Moçambique. Essa discussão foi aprofundada entre o chefe de Gabinete da Presidência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, e o diretor-geral do INS, Eduardo Samo Gudo, em reunião que articulou a composição de um grupo de trabalho para estruturar tecnicamente a proposta junto aos parceiros.

Durante o período na Fiocruz, a comitiva compartilhou expectativas e necessidades locais e conheceu detalhadamente programas de pós-graduação, suas linhas de pesquisa e estruturas curriculares, debateram modelos pedagógicos, estratégias de implementação e analisaram experiências já consolidadas pela Fundação, incluindo sua interface histórica com o Ministério da Saúde brasileiro. Além da Ensp e a EPSJV, outras iniciativas e coordenações da Fundação foram apresentadas como potenciais parceiros para essa grande construção, como o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), a Coordenação de Informação e Comunicação (Cinco/Vpeic), o Campus Virtual Fiocruz e o Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco).    

Ao final da visita, foram definidas linhas de trabalho concretas para apoio técnico e acadêmico da Fiocruz ao país africano, consolidando uma agenda de cooperação internacional orientada ao fortalecimento sustentável do sistema de saúde moçambicano por meio da implementação de uma escola nacional robusta, estratégica e alinhada à formação qualificada de recursos humanos e às prioridades sanitárias de Moçambique.

Publicado em 04/03/2026 09:28 Isabela Schincariol (Vpeic/Fiocruz) e Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)

E-book traça diagnóstico da Atenção Primária à Saúde no SUS

Com participação da Fiocruz, o Ministério da Saúde (MS) lançou o e-book Panorama da APS no SUS: Censo Nacional das UBS 2024, que apresenta um retrato atualizado sobre a Atenção Primária à Saúde, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). A publicação destaca avanços, desafios e perspectivas para o fortalecimento da APS no Brasil.

Elaborado pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (MS) e pela Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), da qual a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) faz parte, o e-book reúne, em sete capítulos temáticos, um panorama abrangente e detalhado dos resultados do Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (Censo das UBS 2024). O livro examina desde as condições estruturais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os diferentes modelos de atenção, até a composição das equipes multiprofissionais e os processos de formação, qualificação e educação permanente.

O conteúdo também aborda a disponibilidade de equipamentos e de recursos de saúde digital, o escopo das práticas e ações ofertadas, a atenção à saúde bucal, as iniciativas de promoção da saúde e vigilância, além das ações comunitárias e de equidade. A obra analisa ainda a coordenação do cuidado e a integração da Atenção Primária com as redes regionais de atenção à saúde.

Segundo os autores do e-book, “o panorama da APS brasileira é uma expressão do amadurecimento do SUS e um marco na trajetória de construção de um sistema público de saúde orientado pelas necessidades da população e sustentado pelo conhecimento científico de excelência”.

Nesse contexto, eles definem o Censo Nacional das UBS 2024 como mais um marco na avaliação da APS no Brasil, destacando seu caráter inovador e colaborativo, o qual fortalece a institucionalização da avaliação da APS, promove a integração entre academia e gestão pública, além de reafirmar o compromisso coletivo com a qualidade, o acesso universal e o cuidado integral.

Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (Censo das UBS 2024)

O Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (Censo das UBS 2024) visa traçar um diagnóstico nacional abrangente sobre a estrutura e o funcionamento das UBS, abordando desde as condições de infraestrutura e os processos de trabalho das equipes até a incorporação de tecnologias digitais, telessaúde, o escopo de ações e serviços ofertados e os mecanismos de coordenação do cuidado e integração à rede de atenção à saúde.

Realizado entre junho e setembro de 2024, o censo revela que, apesar do progresso, a Atenção Primária à Saúde carece de avanços na infraestrutura, além de ampliação na oferta de cuidados e na cobertura de ações preventivas e de promoção da saúde e da equidade. A iniciativa é da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/ MS), com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). O estudo teve parceria da Rede de Pesquisas em APS da Abrasco.

O censo contou com a participação de 100% dos estabelecimentos de Atenção Primária à Saúde ativos no SUS em todo o país. Os dados contribuem para o planejamento de investimentos, a qualificação dos serviços e o monitoramento de resultados no Sistema Único de Saúde. O levantamento pode ainda orientar o planejamento de gestores das três esferas governamentais

Publicado em 02/03/2026 11:35 Danielle Monteiro (Informe Ensp

Saúde envia equipes do SUS para áreas atingidas pela chuva em Minas

Médicos, enfermeiros e psicólogos levam medicamentos e insumos

O Ministério da Saúde enviou equipes do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Departamento de Emergências em Saúde Pública aos municípios mineiros de Ubá e Matias Barbosa, com o objetivo de ajudar nas respostas emergenciais aos problemas causados pelas chuvas na região.

Os profissionais especializados encaminhados aos municípios da Zona da Mata mineira – médicos, enfermeiros, psicólogos e especialistas em logística – estavam em Juiz de Fora, cidade também muito afetada pelas chuvas.

Além de levar vacinas, medicamentos, insumos estratégicos de primeiros socorros e água potável para a população atingida, as equipes ajudarão em ações de acolhimento com atendimento psicossocial; cuidados em saúde mental; e reorganização da rede assistencial local.

“Nas cidades atingidas pelas chuvas nesta terça-feira (24), eles estão redirecionando os atendimentos para unidades de saúde não afetadas e remanejando profissionais para garantir cobertura mínima nos locais de maior demanda e, assim, a continuidade dos serviços essenciais”, informou o ministério.

Serviços e recursos

O ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, ressaltou que a pasta está atenta às necessidades das famílias atingidas pela tragédia nos municípios da Zona da Mata mineira.

“Não faltarão recursos financeiros, equipes, estrutura, suporte técnico e assistência em saúde [para a ajuda às famílias]”, garantiu o ministro.

Massuda e seu colega do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, viajaram a Minas Gerais para monitorar as medidas emergenciais.

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Mais ajuda

Em nota, o Ministério da Saúde informou também que enviará, aos municípios atingidos, carretas de saúde do programa Agora Tem Especialistas, para auxiliar no atendimento enquanto as unidades de saúde afetadas pelas chuvas estão sendo recuperadas ou reconstruídas.

“O número de profissionais da Força Nacional do SUS em campo será reforçado de acordo com a evolução do cenário e as necessidades dos municípios da região, garantindo que nenhuma cidade fique sem o apoio necessário”, detalhou o ministério.

Também estão sendo enviados para as áreas mais críticas caminhões-pipa do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiágua), de forma a garantir abastecimento emergencial nas regiões onde o fornecimento está comprometido.

Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil Publicado em 26/02/2026 – 13:02 Brasília

Governo intensifica ações de combate a coqueluche na TI Yanomami

Oito casos e três óbitos da doença foram confirmados na região

O Ministério da Saúde reuniu uma equipe emergencial para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima. A iniciativa divulgada na última quarta-feira (18) é uma resposta do Governo Federal ao aumento das infecções por coqueluche entre crianças da região, que já soma oito casos e três óbitos. 

A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana e contagiosa, cujos primeiros sintomas são crises de tosse seca. A equipe enviada pelo Ministério da Saúde chegou à região na última segunda (16) e foi acompanhada por especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, com experiência na contenção de possíveis surtos ou aumento de casos de doenças infecciosas.

O grupo vai atuar em conjunto com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que já estava em Surucucu realizando coletas de material e trabalhos de prevenção com aldeias adjacentes. Ao todo, 50 profissionais vão reforçar a prevenção de novos casos e a assistência local.

As crianças infectadas estão em tratamento em hospitais de Boa Vista, capital do estado. Duas já foram liberadas para suas respectivas aldeias, e todos os casos suspeitos seguem em investigação e acompanhamento. 

Vacinação

A vacinação é o principal meio de prevenção contra a coqueluche, e, no Brasil, a vacina é disponibilizada através do SUS para crianças de até 7 anos e gestantes, em Unidades Básicas de Saúde. 

De acordo com o Dsei Yanomami, o esquema vacinal completo das crianças com menos de 1 ano de idade quase dobrou entre 2022 e 2025, passando de 29,8% para 57,8%. Entre os menores de 5 anos, esse índice passou de cerca de 52% para 73% no mesmo período. 

Desafios

Em 2023, o Governo Federal decretou estado de emergência na Terra Indígena Yanomami, por causa do alto índice de desnutrição, malária e mortes por causas diversas.

A partir disso, foram instituídas ações para combater a crise sanitária, resultante do garimpo ilegal. A iniciativa envolveu os ministérios da Saúde, Defesa e Povos Indígenas, para estruturar os serviços de saúde pública e segurança. 

Foram tomadas medidas como fechamento de garimpos ilegais e destinação de recursos para controle do espaço aéreo, além ações para despoluição dos rios, tratamentos de água potável e construção de unidades especializadas de saúde.

Em 2023, o Dsei contava com 690 profissionais. Desde então, mais 1.165 profissionais foram contratados ─ um crescimento de 169%.

Segundo dados de 2025 do Ministério da Saúde, desde a decretação do estado de emergência, a mortalidade na região caiu 27,6%. Lideranças indígenas reforçam, entretanto, que ainda existem muitos desafios a serem ultrapassados.

Com uma população de mais de 30 mil pessoas e cerca de 376 comunidades, a TI Yanomami é o maior território indígena do país.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Tâmara Freire.

Alice Rodrigues* Publicado em 19/02/2026 – 12:59 Rio de Janeiro

Começa vacinação de 1,2 milhão de profissionais de saúde contra dengue

Foram distribuídas aos estados as primeiras 650 mil doses

Começou nesta semana a vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da atenção primária, com a previsão de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, as primeiras 650 mil doses já foram enviadas aos estados e o restante está previsto para as próximas dias.  

A estratégia utiliza a vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, de dose única, tetraviral e 100% nacional. Para a pasta, esse imunizante representa avanço importante para a autonomia do país. 

“O início da vacinação pelos profissionais da atenção primária é um passo estratégico para proteger quem atua próximo à população – médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde das unidades básicas de Saúde”, diz o ministério.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a vacinação está começando por toda a equipe multiprofissional cadastrada no SUS.

“São aquelas pessoas que batem na porta, visitam a casa das pessoas, observam se tem criadouro do mosquito da dengue, fazem o acompanhamento, a mobilização. Também são aqueles profissionais que estão na primeira porta de entrada quando há casos de dengue”, destacou.

A ampliação para outros públicos – pessoas de 15 a 59 anos, começando pelos mais velhos – está prevista para o segundo semestre deste ano, o que depende do aumento da capacidade produtiva do Instituto Butantan. Com investimento de R$ 368 milhões, o Ministério da Saúde fechou a compra de 3,9 milhões de doses.

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A pasta adotou também estratégia de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue. Para isso, está em curso, desde janeiro, a vacinação em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.  

“A vacinação da população em geral começa com o aumento da produção de doses, a partir de uma parceria estratégica entre o Brasil e a China, com a transferência da tecnologia nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines. Com essa cooperação, a produção da vacina nacional poderá aumentar em até 30 vezes”, destaca o ministério

A vacina do Butantan apresentou 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos, além de 89% de proteção contra formas graves e com sinais de alarme. 

Público-alvo 

Profissionais de saúde assistenciais e de prevenção: 

Médicos 

Enfermeiros 

Técnicos de enfermagem 

Odontólogos 

Equipes multiprofissionais (eMulti) 

Agentes comunitários de saúde (ACS) 

Agentes de combate às endemias (ACE) 
 

Trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde: 

Recepcionistas 

Seguranças 

Profissionais da limpeza 

Motoristas de ambulância 

Cozinheiros 

Outros trabalhadores atuantes nas unidades básicas de saúde (UBS) 
 

Cenário epidemiológico   

Em 2025, os casos de dengue no Brasil caíram 74% em relação a 2024. Apesar da redução expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o território nacional.  

“Ao longo do ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença, frente a 6,5 milhões no ano anterior. O número de óbitos também apresentou queda significativa: 1,7 mil mortes em 2025, o que representa redução de 72% em comparação a 2024, quando foram contabilizadas 6,3 mil mortes”, completa a pasta.

Agência Brasil Publicado em 11/02/2026 – 12:01 Rio de Janeiro

Reino Unido alerta para pancreatite associada a canetas emagrecedoras

Doença é efeito colateral conhecido, mas pouco frequente, diz agência

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido emitiu alerta para o risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

Em nota, a agência destacou que a pancreatite aguda é um efeito colateral conhecido, porém pouco frequente, do uso desse tipo de medicamento.

“Em alguns casos extremamente raros, as complicações da pancreatite aguda podem ser particularmente graves”.

De acordo com o comunicado, médicos e pacientes devem estar atentos aos sintomas iniciais de pancreatite aguda para que o quadro não evolua para forma grave, incluindo dor abdominal intensa e persistente que pode irradiar para as costas e ser acompanhada de náuseas e vômitos.

A diretora de Segurança da MHRA, Alison Cave, destacou que, para a grande maioria dos pacientes que recebem prescrição médica para utilizar medicamentos agonistas GLP-1, eles se mostram seguros e eficazes, “proporcionando benefícios significativos para a saúde”.

“O risco de desenvolver esses efeitos colaterais graves é muito pequeno, mas é importante que pacientes e profissionais de saúde estejam cientes e atentos aos sintomas associados”, completou Alison.


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Entenda

Os medicamentos agonistas GLP-1 são prescritos para o tratamento de diabetes tipo 2 e, no caso de produtos específicos, para o controle de peso e a redução do risco cardiovascular em indivíduos com doença estabelecida e alto índice de massa corpórea (IMC).

Pesquisa recente publicada pela University College London estima que 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia usaram as chamadas canetas emagrecedoras, incluindo a semaglutida (Wegovy e Ozempic) e a tirzepatida (Mounjaro), entre o início de 2024 e o início de 2025, com o objetivo de perda de peso.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 02/02/2026 – 10:45 Brasília