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Oftalmologistas lançam campanha 24 Horas pelo Glaucoma

Mobilização divulga ações para diagnóstico precoce da doença

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) lançaram, nesta segunda-feira (4), a campanha 24 Horas pelo Glaucoma – 24 Dias de Cuidado, doença silenciosa que lidera causas de cegueira irreversível no mundo. A proposta é, ao longo do mês de maio, mobilizar o país com ações voltadas para o diagnóstico precoce.

A campanha inclui a produção e a distribuição de conteúdos educativos e informativos sobre o glaucoma em diferentes plataformas, com destaque para uma série de podcasts voltada para médicos, gestores e população em geral, que aborda temas como fatores de risco, adesão ao tratamento, uso correto de colírios e combate à desinformação.

Perda visual

Sem sintomas nas fases iniciais, o glaucoma costuma ser identificado apenas quando já há comprometimento da visão. No Brasil, a estimativa é que cerca de 1,7 milhão de pessoas convivam com a doença. Como a perda visual é irreversível, o diagnóstico tardio, segundo o CBO, permanece como um dos principais desafios.

Entre os principais fatores de risco para a doença estão histórico familiar, idade acima de 40 anos e alta miopia. Além disso, pessoas negras e asiáticas têm maior predisposição. O conselho reforça que, via Sistema Único de Saúde (SUS), é possível ter acesso a diagnóstico, acompanhamento e tratamento, incluindo colírios e procedimentos.

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Números

Entre janeiro de 2019 e dezembro de 2025, mais de 12 milhões de exames específicos para o diagnóstico de glaucoma foram feitos via SUS. “Embora o volume de procedimentos tenha aumentado ao longo dos anos, a distribuição desse crescimento entre as regiões do país revela disparidades no acesso a esses serviços”, avaliou o CBO.

O número total de exames saltou de 1.377.397 em 2019 para 2.269.919 em 2025 – um crescimento de 65%. A evolução, entretanto, não foi homogênea: o Sudeste liderou com um aumento de 115%, enquanto o Nordeste registrou o menor crescimento, de apenas 36%

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 04/05/2026 – 15:06 Brasília

Lula faz cirurgia de catarata; entenda a doença e o procedimento

Procedimento é indicado principalmente com o avanço da idade

O presidente Luís Inácio Lula da Silva passou na manhã desta sexta-feira (30) por uma cirurgia de catarata no olho esquerdo e já teve alta hospitalar. Indicado principalmente com o avanço da idade, o procedimento é feito com anestesia local, rapidamente, sem dor e não há necessidade de internação.

Para o pós cirúrgico, geralmente os oftalmologistas recomendam repouso relativo, ficar mais tranquilo nos primeiros dias, não apertar nem coçar os olhos e não carregar peso. Também são prescritos colírios antibióticos e anti-inflamatórios. 

A presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Maria Auxiliadora Frazão, explica que a catarata é a opacidade do cristalino, uma lente natural do olho. Conforme o tempo passa, a catarata começa a atrapalhar a visão. Com a cirurgia, o cristalino é substituído por uma lente artificial.

Sinais

De acordo com o CBO, a catarata causa uma diminuição progressiva da visão. É comum o paciente perceber a visão turva, nebulosa ou com aspecto de “véu”, e ter sensibilidade à luz, alteração na percepção de cores (visão desbotada ou amarelada) e dificuldade para enxergar à noite. 

Outros sinais incluem halos ao redor de luzes, visão dupla em um único olho e a necessidade frequente de alterar a graduação dos óculos. Muitas vezes a pessoa manifesta dificuldade acentuada para dirigir ou enxergar em ambientes com pouca iluminação. Há situações em que visualiza círculos coloridos ou reflexos intensos em torno de lâmpadas e faróis de carros, especialmente à noite e percebe as cores menos intensas ou com um tom amarelado. 

Outros sinais que fazem acender o alerta é a necessidade de alterar a prescrição de lentes com frequência e enxergar duas imagens de um único objeto, mesmo quando se fecha um dos olhos. 

Procedimento 

“Todas as pessoas terão que operar a catarata um dia, com o tempo — duas vezes, pois temos dois olhos”, diz Maria Auxiliadora Frazão. De acordo com a médica, o ideal é que a cirurgia seja feita em um olho de cada vez, com diferença de algumas semanas entre os dois procedimentos, como fez o presidente Lula, que já passou pela operação no olho direito.

“Assim, avaliamos os resultados, como o organismo responde, se o grau ficou bom e se evoluiu bem. Se sim, seguimos da mesma forma para o outro olho“, detalha a médica.

Riscos e contraindicações

De acordo com o CBO, como toda cirurgia, a de catarata também traz riscos. Complicações como infecções, descolamento de retina, entre outros, podem acontecer. “Por isso, a cirurgia deve ser realizada com planejamento e responsabilidade, sem subestimar um procedimento realizado dentro do olho”, diz Maria Auxiliadora Frazão.

Antes do procedimento, são exigidos exames para avaliar as condições de saúde do paciente. Casos de diabetes descontrolado, alterações de retina e algumas condições pré-existentes podem adiar ou mesmo contraindicar a cirurgia.

Brasil

De acordo com a CBO, a cirurgia de catarata é o procedimento oftalmológico eletivo mais feito no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com dados do Observatório da Saúde Ocular, do CBO, o SUS fez 7,8 milhões de cirurgias de catarata entre janeiro de 2015 e novembro de 2025, com um aumento registrado 120% em 10 anos. Em 2015, foram realizadas 470.246 cirurgias. Já em 2025, até o mês de novembro, o volume foi de 1.034.714

Do total de cirurgias feitas pelo SUS em 2024,  52% dos procedimentos foram em pessoas com idade entre 40 e 69 anos, enquanto 46% ocorreram em pacientes com 70 anos ou mais,

Aline Leal – Repórter da Agência Brasil Publicado em 30/01/2026 – 13:35 Brasília