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MISSÃO INTERNACIONAL

Assembleia Mundial da Saúde: Ministério amplia cooperação internacional para fortalecer produção de tecnologias

Missão internacional passou por Suíça e França. Os encontros bilaterais e mesas-redondas abordaram inovação, produção nacional e transferência de tecnologias

Vacinas, medicamentos, pesquisa clínica e novas tecnologias em saúde estiveram no centro da pauta da missão internacional do Ministério da Saúde (MS) realizada na Suíça e na França, entre os dias 17 e 21 de maio, durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS). A agenda buscou ampliar acordos estratégicos, fortalecer a produção nacional e acelerar o acesso da população brasileira a tratamentos inovadores no Sistema Único de Saúde (SUS).

Representada pelo diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Decis), Igor Ferreira Bueno, a secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), participou de encontros com autoridades internacionais, representantes da indústria farmacêutica, centros de pesquisa e organismos multilaterais ligados à saúde para tratar de temas como à soberania sanitária, transferência de tecnologia, financiamento sustentável e ampliação do acesso equitativo.

De acordo com Igor Ferreira, o ministério busca parcerias internacionais visando ampliar a produção nacional e reduzir a dependência do país de importações. “O diálogo com outras nações durante os painéis realizados na Assembleia fortaleceu nossa capacidade de resposta aos desafios da saúde no Brasil. Essa missão ampliou estratégicas para garantir que tratamentos mais modernos cheguem de forma rápida e justa aos pacientes do SUS, reforçando o nosso compromisso com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde e o desenvolvimento tecnológico”, reforçou o diretor Igor.

Brasil apresenta experiências em produção local e inovação

Em Genebra, a delegação brasileira participou da 79ª Assembleia Mundial da Saúde, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), além de mesas-redondas e encontros bilaterais sobre temas estratégicos para a saúde pública.

Durante as discussões, o Brasil apresentou experiências voltadas ao fortalecimento da produção nacional de medicamentos e tecnologias em saúde, com destaque para as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs). O modelo permite transferência de tecnologia, fortalecimento da indústria nacional e redução da dependência de produtos importados.

O SUS e os avanços de diagnósticos e tratamentos

No painel sobre o diagnóstico por imagem para um cuidado equitativo, o MS apresentou experiências relacionadas a ampliação da capacidade de exames de imagem e terapias de alta complexidade. Entre os programas citados ganharam destaque o Novo PAC Saúde, o “Agora Tem Especialistas” e o Programa de Expansão da Radioterapia no SUS (PERSUS II), que busca ampliar o atendimento oncológico e fortalecer a produção nacional de equipamentos e tecnologias ligadas ao tratamento do câncer.

Já em outro debate sobre a colaboração global e os sistemas de ensaios clínicos, os representantes do ministério falaram sobre a consolidação da pesquisa clínica no Brasil, das ações da pasta para ampliar a capacidade do país para a realização de ensaios clínicos e a integração entre SUS, universidades, setor produtivo e agências reguladoras.

Setor produtivo e cooperação tecnológica

Na etapa em Basileia, na Suíça, a delegação do MS participou de reuniões com as farmacêuticas Roche e Sandoz para discutir cooperação tecnológica, produção de medicamentos biossimilares, ampliação da capacidade produtiva nacional, parcerias e transferência de tecnologia para o fortalecimento da indústria brasileira.

Em Lyon, na França, a programação incluiu tratativas com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e visitas ao centro global de vacinas e RNA mensageiro da Sanofi. As agendas envolveram discussões como inovação em vacinas, prevenção do câncer, imunologia e cooperação científica internacional.

Igor Ferreira destacou que a missão internacional reforçou o compromisso do governo brasileiro com o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e o desenvolvimento científico e tecnológico do país. “As agendas também contribuíram para ampliar o diálogo com parceiros internacionais e fortalecer a capacidade de resposta do SUS diante dos desafios da saúde global”, reforçou o diretor.

Ministério da Saúde Categoria Saúde e Vigilância Sanitária

Publicado em 25/05/2026 13h47

Fiocruz lidera nas Américas estudo global da OMS sobre oxigênio medicinal

Publicado em fevereiro na revista científica The Lancet Global Health, um estudo prospectivo e observacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) analisou os requisitos do uso de oxigênio medicinal e de suporte respiratório em pacientes hospitalizados com Covid-19 em 23 países de baixa e média renda, correlacionando a infraestrutura disponível com a mortalidade hospitalar. A análise revelou que o acesso ao oxigênio é um marcador crítico de iniquidade em saúde.

Nas Américas, o estudo é conduzido por pesquisadoras da Fiocruz. Sob a liderança da coordenadora do Centro Clínico do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Mônica Cruz, e da vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do INI/Fiocruz, Valdiléa Veloso, o INI/Fiocruz consolidou-se como o centro de maior recrutamento em todo o continente.

Dos mais de 53 mil pacientes triados globalmente em 56 centros, a Fiocruz foi responsável pela triagem de 601 pacientes e inclusão de 166 na coorte definitiva. A coleta de dados contou com a atuação estratégica da equipe de Fisioterapia do Centro Hospitalar do INI/Fiocruz, que esteve na linha de frente do suporte respiratório, reforçando a capacidade da Fiocruz em mobilizar recursos humanos e tecnológicos de ponta durante a crise sanitária mundial.

Para Mônica Cruz, os resultados vão além da resposta à pandemia. “Este estudo confirmou que o oxigênio não é apenas um insumo hospitalar, mas um marcador estrutural de iniquidades. Ele determina a resiliência de um sistema de saúde”, afirma. Segundo a pesquisadora, as evidências geradas pela Fiocruz e seus parceiros globais subsidiam a resolução da Assembleia Mundial da Saúde de 2023, fornecendo base científica para que governos identifiquem dispositivos prioritários e estabeleçam agendas de pesquisa para futuras emergências globais.

Oxigênio como marcador de iniquidade

O estudo revela uma realidade alarmante: cerca de 60% da população mundial carece de acesso a oxigênio medicinal de qualidade. A análise global demonstrou que a disponibilidade de oxigênio varia drasticamente entre as regiões, impactando diretamente as taxas de sobrevivência. Na região africana, onde a infraestrutura é mais limitada, a mortalidade hospitalar em 30 dias atingiu 37,6%.

Em contrapartida, os dados das Américas — onde a Fiocruz foi referência — destacaram a alta complexidade do atendimento. A região registrou o uso mais frequente de ventilação mecânica invasiva (26,4%) e apresentou a maior densidade de profissionais de saúde, com uma mediana de 110 trabalhadores para cada 100 leitos.

Publicado em 09/02/2026 10:36 Alexandre Magno (INI/Fiocruz)