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Brasil e México avançam na cooperação em saúde

Em agenda internacional na Cidade do México, uma comitiva brasileira visitou (22/9) a empresa mexicana Birmex, como parte de uma cooperação bilateral firmada entre os dois países para ampliar a produção de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). A visita foi liderada pelo ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha. A parceria entre as agências reguladoras do Brasil e México, e o intercâmbio de experiências sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro também estiveram entre os temas tratados durante a visita da comitiva brasileira ao México, iniciada na segunda-feira (21). 

A Fiocruz e a Birmex estabeleceram, em agosto de 2025, um Memorando de Entendimento (MdE) que prevê o desenvolvimento de pesquisas e trocas de conhecimentos e tecnologias, ampliando a autonomia dos dois países de fabricar seus próprios imunizantes. 

Selecionada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) / Organização Mundial da Saúde (OMS), a Fiocruz se tornou um centro de referência na América Latina para o desenvolvimento e produção de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O desenvolvimento de uma plataforma de mRNA na Fundação resultou em uma vacina candidata contra a Covid-19, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) para iniciar estudos clínicos como dose de reforço. O imunizante foi o primeiro com tecnologia mRNA totalmente desenvolvido no país. Já estão em andamento estudos para produção de outras vacinas, para leishmaniose e turberculose, na plataforma mRNA da Fiocruz, cuja planta piloto é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação.

O RNA mensageiro é uma tecnologia que orienta as células do organismo a produzir uma proteína capaz de estimular a defesa contra uma doença. A mesma tecnologia pode ser adaptada para diferentes vacinas, o que amplia as possibilidades de desenvolvimento de novos imunizantes.

Acordo bilateral

A cooperação bilateral faz parte das seis áreas prioritárias definidas no memorando de saúde firmado entre Brasil e México em abril de 2026, em Brasília. O documento inclui as tecnologias de mRNA entre as prioridades para vacinas e imunobiológicos.

A experiência brasileira com o SUS também está entre os temas da missão. O México avança na construção de um sistema universal de saúde e tem interesse em conhecer a experiência brasileira. Com cerca de 133 milhões de habitantes, o país trabalha para estruturar um sistema que, quando implantado, será o segundo maior sistema público de saúde do mundo, atrás do SUS.

Além disso, foi debatido ainda o aprofundamento do acordo entre a Anvisa e a Comissão Federal para a Proteção contra Riscos Sanitários (Cofepris), que prevê agilizar o registro de medicamentos no México a partir das avaliações realizadas pela agência brasileira.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de “conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão”.

Publicado em 23/09/2026 11:36

Fiocruz recebe autorização para testes clínicos da primeira vacina RNAm brasileira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização para o início dos estudos clínicos da vacina de RNA mensageiro (RNAm) contra Covid-19 da Fiocruz, a primeira produzida com esta tecnologia no país. A vacina foi totalmente desenvolvida na plataforma RNAm da Fiocruz, cuja planta piloto também é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação (BPF). A Fiocruz é o primeiro parceiro do Programa Global de Transferência de Tecnologia de RNAm da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da iniciativa do Fundo de Patentes de Medicamentos (MPP, na sigla em inglês) a ter um produto aprovado para realização de estudos clínicos.

Vacinas.

(foto: Bernardo Portella)

“A consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma base para o desenvolvimento de novos produtos voltados a diferentes desafios do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Antes do envio para aprovação do estudo pela Anvisa, a vacina do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) passou pelo estágio pré-clínico, que mostrou eficácia na proteção contra a doença. Também foram realizados estudos toxicológicos e de escalonamento. O recrutamento dos participantes para a Fase 1 do estudo clínico está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027. Até lá, o estudo ainda deverá ser aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa.

O estudo clínico, que acaba de receber aval pela Anvisa, vai avaliar o uso do imunizante de Bio-Manguinhos/Fiocruz como dose de reforço, como consta atualmente no calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI). A atuação ativa da Anvisa foi fundamental para o alcance deste marco, que se insere dentro de um contexto de uma série de avanços na regulamentação da pesquisa clínica no Brasil. “Ter um estudo clínico desse porte, com tecnologia inovadora e feito por uma instituição pública, é uma demonstração concreta do compromisso do Brasil com a proteção à saúde e com o desenvolvimento da ciência”, ressalta o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle. Agora na primeira fase, são testadas a segurança e a imunogenicidade do reforço vacinal. O acompanhamento dos participantes acontece durante um ano.

“A plataforma de RNA mensageiro representa a capacidade do Brasil de gerar conhecimento, desenvolver tecnologias estratégicas e responder com maior rapidez aos desafios da saúde pública. Nosso compromisso é transformar ciência em acesso, fortalecendo o SUS e nos preparando para os desafios do futuro”, afirma a diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Rosane Cuber.

Plataforma.

(foto: André Rocha)

Plataforma RNAm da Fiocruz

A escolha da Covid-19 como primeiro alvo para o desenvolvimento de produtos na plataforma de RNAm de Bio-Manguinhos/Fiocruz se deu por ser um imunizante largamente utilizado durante a pandemia. Nesse sentido, os pesquisadores já sabiam que a tecnologia funcionava para a doença. “O potencial é enorme. Teremos a primeira vacina para Covid-19, mas já estamos com estudos em andamento para outras, contra leishmaniose e tuberculose, por exemplo, e sabemos que é possível produzir terapias voltadas a doenças como o câncer”, explica a líder do projeto RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Patrícia Neves.

Desde 2021, Bio-Manguinhos/Fiocruz é reconhecido pela OMS como centro de referência em vacinas de RNAm na América Latina. No último ano, a instituição fez o depósito de pedido da patente de sua plataforma RNAm. A vantagem desta tecnologia é ser facilmente adaptável, uma mesma base é utilizada e o que se modifica são as instruções a serem enviadas ao sistema imunológico, seja para vacinas ou terapias. Segundo Neves, “isso possibilita o desenvolvimento e a produção nacional de produtos de saúde inovadores em menor tempo e a custos reduzidos e, consequentemente, amplia o acesso da população brasileira a imunizantes de última geração”.

Infográfico.

O projeto de RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz integra o Programa para Ampliação e Modernizaçao de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS) e conta com um aporte R$ 77 milhões do Ministério da Saúde (MS). Os recursos têm sido investidos para a consolidação da plataforma, desenvolvimento do portfolio de produtos de interesse do SUS, apoio à realização do estudo clínico da vacina e construção de capacidades produtivas e inovadoras em países do Sul Global. Também contou com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Organização Pan-Americanda da Saúde (Opas), parcerias estratégicas para tornar a plataforma um ativo de saúde global. Na AFN Mais notícias AFN segue orientações sobre conteúdos digitais disponíveis no período eleitoral

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Publicado em 02/09/2026 09:00

Pesquisa busca novo tratamento para esquistossomose

Uma pesquisa liderada pela Fiocruz, destacada na capa da revista científica internacional ACS Infectious Diseases, aponta caminhos para desenvolver novos fármacos ativos contra o verme Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. Popularmente conhecida como “xistose”, “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”, a infecção é considerada uma doença negligenciada e está ligada à falta de saneamento.

A análise de imagens de microscopia do verme ‘Schistosoma mansoni’ foi um dos métodos utilizados para avaliar efeitos de compostos sobre suas formas juvenis (foto: Rudson Amorim, IOC/Fiocruz)

No Brasil, cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas com transmissão da doença, segundo o Ministério da Saúde. No mundo, a população sob risco chega a 700 milhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo liderado pelo  Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) investiga a atividade de moléculas derivadas do praziquantel, remédio atualmente indicado no tratamento da esquistossomose.

Em uso há cerca de 40 anos, o praziquantel é eficaz, mas o tamanho grande do tablete e o sabor amargo dificultam sua administração, especialmente para crianças. Além disso, em condições experimentais, cientistas já observaram vermes que desenvolveram resistência ao fármaco, embora casos desse tipo nunca tenham sido identificados a partir de trabalhos de campo de forma a serem considerados um problema de saúde pública.

“É importante buscar alternativas ao praziquantel. Nosso objetivo é chegar a medicamentos que possam ser otimizados do ponto de vista farmacológico, facilitando a administração e garantindo uma opção na eventualidade de resistência”, afirma o chefe do Laboratório de Bioquímica Experimental e Computacional de Fármacos do IOC/Fiocruz e primeiro autor do estudo, Floriano Paes.

Através de ensaios em laboratório e análises computacionais, os cientistas identificaram três moléculas com atividade contra o verme da esquistossomose, em níveis semelhantes ao medicamento de referência. Além disso, a pesquisa revelou uma característica inesperada, relacionada ao mecanismo de ação dos compostos, que pode orientar a criação de novos fármacos. 

“Dados de diversos trabalhos indicavam que o praziquantel se liga quase perfeitamente a uma proteína do parasito, que atua como um receptor. Porém, nós observamos que este receptor tem plasticidade, ou seja, ele consegue abrir espaço para ligação com moléculas um pouco diferentes. Isso abre possibilidade de explorar novos caminhos para desenhar compostos que superem deficiências do praziquantel”, explica Floriano.

A pesquisa foi realizada em parceria com Faculdade de Medicina de Wisconsin, nos Estados Unidos; Universidade Aberystwyth, no Reino Unido; e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Desenho racional de fármacos

As oito moléculas testadas no estudo possuem estrutura química semelhante ao praziquantel com pequenas modificações realizadas pelos cientistas.  Nos experimentos, três compostos se destacaram por apresentarem atividade contra os diferentes estágios do ciclo de vida do S. mansoni presentes no ser humano: vermes adultos, formas juvenis e larvas (que são chamadas de esquistossômulos).

Análise.

As oito moléculas testadas no estudo possuem estrutura química semelhante ao praziquantel com pequenas modificações realizadas pelos cientistas (foto: Rudson Amorim, IOC/Fiocruz)

Os testes também demonstraram que estas substâncias atuam de forma semelhante ao medicamento de referência, por meio da ligação à proteína do verme conhecida pela sigla TRPM. Segundo os pesquisadores, as substâncias não se mostraram mais potentes que o praziquantel contra vermes adultos, mas características observadas as tornam interessantes para otimização estrutural.

“Com base nos resultados, podemos propor modificações mais racionais na estrutura desses compostos para atuar na forma como eles se ligam ao receptor, aumentando a afinidade”, declara Floriano, acrescentando que a pesquisa também deve seguir com ensaios experimentais in vivo.

“No modelo de infecção em roedores, queremos investigar como essas moléculas se comportam no organismo em comparação ao praziquantel e verificar se é possível melhorar aspectos farmacológicos”, diz o pesquisador.

Publicado em 11/06/2026 10:26 Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Sarampo: infectologista alerta para vacinação em viagens para a Copa

Países-sede do Mundial respondem por 70% dos casos nas Américas

O aumento do número de casos de sarampo registrado nos Estados Unidos, México e Canadá – que sediarão jogos da Copa do Mundo 2026 – acende o alerta para a necessidade de vacinação dos turistas brasileiros que viajarão a esses países. Juntos, os três respondem por 70% dos casos nas Américas.

A observação foi feita nesta terça-feira (9) à Agência Brasil pela infectologista Natalie Del Vecchio, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz).

“O sarampo é uma doença altamente contagiosa”, disse. Isso significa que uma pessoa com o vírus consegue transmiti-lo para muitas outras simultaneamente. “E a gente tem visto a baixa cobertura vacinal nesses países e também no Brasil”, observou Natalie Del Vecchio.

Expansão

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a expansão dos casos, quando o Canadá registrou 5.062 ocorrências, o que levou à perda da certificação de país livre da doença. Em 2026, foram confirmados 124 casos no território canadense.

O México elevou o número de sete casos, notificados em 2024, para 6.152 registros em 2025. Somente em janeiro deste ano, foram 1.190 casos, de acordo com informações preliminares. Nos Estados Unidos, por sua vez, ocorreram 2.144 casos em 2025 e 721 em janeiro de 2026.

Segundo a infectologista do IFF/Fiocruz, o perigo é maior para os brasileiros que viajam para esses países sem estarem com o esquema vacinal contra sarampo completo. A vacinação pode evitar a eventual reintrodução do vírus no Brasil.

Natalie lembrou que, em novembro de 2024, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a recertificação de país livre do sarampo. O documento foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à então ministra da Saúde, Nísia Trindade. Em 2016, o Brasil já havia alcançado essa posição de nação livre da circulação endêmica do sarampo mas, em 2018, as baixas coberturas vacinais permitiram a reintrodução do vírus no país.

Risco

“A baixa cobertura vacinal é um risco para o nosso país de reintrodução do vírus no Brasil”, afirmou a infectologista. Em 2025, foram notificados 38 casos no país, todos importados de nações vizinhas. Em janeiro de 2026, foram registrados dois casos de sarampo, de uma mulher de 22 anos. no Rio de Janeiro, e de um bebê de 6 meses, em São Paulo. Os dois não tinham registro de vacinação.

Natalie Del Vecchio recomenda que mesmo as pessoas que não vão viajar para os países-sede da Copa do Mundo devem procurar completar o calendário vacinal. Para aquelas acima de 1 ano de idade até 30 anos, são necessárias duas doses da vacina contra sarampo e, de 30 a 60 anos, uma dose.

“Se a pessoa já tem o calendário dela completo, não precisa tomar uma dose extra da vacina. Se o calendário não estiver completo, os viajantes que se destinam aos países-sede da Copa devem completar o esquema vacinal. Essas pessoas viajarão com tranquilidade, exatamente para não estarem adquirindo o vírus do sarampo, nem trazendo para o nosso país. Para, exatamente, evitar um novo surto e novos casos do sarampo no Brasil”, afirmou a infectologista.

Reforço

O Ministério da Saúde lançou campanha nacional orientando brasileiros que viajarão aos Estados Unidos, México e Canadá para a Copa do Mundo a reforçar a vacinação contra o sarampo. Para crianças de 6 a 11 meses, a recomendação é que tomem a dose zero pelo menos 15 dias antes da viagem. Na faixa de 12 meses a 29 anos, é necessário ter duas doses.

Os adultos de 30 a 59 anos devem ter recebido pelo menos uma dose ao longo da vida. Outra recomendação é que a aplicação da vacina Tríplice Viral (que também protege contra caxumba e rubéola) deve ocorrer pelo menos 15 dias antes da viagem. As doses estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

Gravidade

O sarampo é uma doença grave que pode deixar sequelas por toda a vida e até causar a morte. As principais complicações variam de acordo com as fases da vida do paciente. Para crianças, pode causar pneumonia, infecções de ouvido, encefalite aguda (inflamação no encéfalo – parte do sistema nervoso dentro do crânio) e morte. Em adultos, causa pneumonia. E, em gestantes, pode resultar em parto prematuro e bebê com baixo peso.

Altamente contagiosa, a doença se espalha pela tosse, fala ou respiração. Uma pessoa infectada pode contaminar outras antes mesmo de saber que está doente. Os sintomas mais comuns são febre alta, tosse persistente, coriza, irritação nos olhos, e manchas vermelhas que começam no rosto e depois no corpo. Os sintomas costumam aparecer entre sete e 14 dias após o contato com o vírus

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil Publicado em 09/06/2026 – 14:02 Rio de Janeiro

Exames descartam ebola em imigrante da República Democrática do Congo

Homem de 37 anos testou positivo para meningite meningocócica

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo informou na manhã desta segunda-feira (1º) que o homem de 37 anos internado no Emílio Ribas, na capital paulista, não está contaminado com ebola. Exames feitos no paciente não detectaram material genético do vírus na amostra coletada.

O paciente é imigrante da República Democrática do Congo, esteve recentemente por no país de origem e apresentou sintomas compatíveis com a doença. Exames já haviam detectado quadro de meningite meningocócica.

Ao chegar ao Emílio Ribas, o homem estava em estado grave, com diarreia, desorientação e piorando rapidamente, o que exigiu intubação. O paciente está internado em isolamento na unidade de referência, seguindo os protocolos de biossegurança previstos para esse tipo de ocorrência.

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Casos suspeitos

Representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria Estadual da Saúde e do Emílio Ribas estão analisando caso. O Ministério informou que foi notificado, neste sábado (30), sobre dois casos suspeitos de ebola, um em São Paulo e o outro no Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, o caso é de um viajante que veio de Uganda, estava hospedado no bairro de Vila Isabel, e apresentou quadro de calafrios, tosse e diarreia. Os exames foram feitos no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e confirmaram resultado positivo para malária.

Ele está sob cuidados do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), unidade de referência para doenças infecciosas, aguardando resultado definitivo sobre a infecção por ebola. 

Risco

De acordo com o Ministério da Saúde, o risco de transmissão do ebola no Brasil e na América do Sul é considerado baixo. “O país dispõe de protocolos de vigilância, assistência e resposta para a identificação, investigação e manejo oportuno de casos suspeitos”, diz a pasta em nota..

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, no dia 17 de julho de 2019, Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) por ebola na República Democrática do Congo, medida prevista no Regulamento Sanitário Internacional. Neste momento, a OMS considera o risco elevado apenas no país afetado e nos que fazem fronteira.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no surto atual de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda, são 18 mortes confirmadas em 134 casos confirmados, com uma taxa de 13% de mortalidade. Esse número está bem abaixo da média histórica.

Outras 223 mortes e 906 casos estão em investigação. Há 15 dias, a OMS declarou surto de ebola nos dois países.

Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

https://youtube.com/watch?v=GiSWJT69PQI%3Fsi%3D5QQbJ9UbjydEEWyr%26start%3D444

Doença

A Doença pelo Vírus Ebola (DVE) é grave, com taxa de letalidade que pode chegar até os 90%. Afeta os seres humanos e os primatas não-humanos, como macacos, gorilas e chimpanzés.

Alguns dos sintomas da ebola envolvem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal, indica a secretaria.

A transmissão acontece por meio de contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, especialmente nas fases mais avançadas da doença. O infectado só transmite o vírus na fase aguda, com apresentação de sintomas severos.

Democrática do Congo

Homem de 37 anos testou positivo para meningite meningocócica Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil Publicado em 01/06/2026 – 13:05 São Paulo

Fiocruz forma profissionais latino-americanos na área de diagnósticos

O encerramento do curso Desenvolvimento e Produção de Kits Diagnósticos: da Pesquisa à Aplicação na América Latina reuniu cerca de 40 participantes de 18 países latino-americanos na Fiocruz, para uma programação presencial, nos dias 26 e 27 de maio. O programa, que teve início em 2 de março, buscou aproximar profissionais latino-americanos para fortalecer a cooperação Sul-Sul em prol da saúde pública e na preparação para crises sanitárias.

Alunos integraram uma dinâmica de trabalho em grupo voltada para promover o intercâmbio de experiências e identificar oportunidades de fortalecimento das capacidades regionais na pesquisa (Foto: André Rocha)

A iniciativa foi organizada pela Fiocruz, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid) e a Fundação Estatal Saúde, Infância e Bem-Estar Social (CSAI), do Ministério da Saúde da Espanha. “É tradição na Fiocruz compartilhar conhecimento, a capacidade de formação de profissionais da Fundação vai além do nosso território”, explicou a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Priscila Ferraz, durante uma cerimônia que abriu os trabalhos.

A vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais, Lourdes Oliveira, destacou a importância geopolítica da iniciativa: “No mundo atual enfrentamos problemas complexos que ultrapassam as fronteiras. É fundamental ampliar a capacidade de produção e inovação local”. A formação foi pensada de maneira a possibilitar outras temáticas no futuro, como lembrou a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz. “Temos um modelo inovador de internacionalização na educação na Fiocruz, procuramos criar processos formativos que respondam às necessidades de saúde global e este curso é um exemplo disso”.

Ao abordar a importância da cooperação internacional, o cônsul-geral da Espanha no Rio de Janeiro, Fernando Fernández-Arias Minuesa, afirmou que iniciativas como o curso contribuem para ampliar a preparação dos países diante de futuras crises sanitárias. Já para a diretora da CSAI, Irene Bernal, o ponto de destaque do projeto foi “o fortalecimento da produção local e, desta maneira, da América Latina”.

Dois dias de troca de experiências

O programa teve a coordenação técnica da pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Marilda Siqueira, e do vice-diretor de Reativos para Diagnóstico do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Antonio Gomes Ferreira, que destacou que a produção de produtos de saúde deve ser uma prioridade para os países envolvidos na iniciativa. “Estamos totalmente abertos para estabelecer cooperações em prol da saúde pública no Brasil e na América Latina”, afirmou Ferreira.

No primeiro dia foram realizadas visitas técnicas às unidades de produção de Bio-Manguinhos, à Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Fiocruz (Unadig) e ao Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Os alunos também puderam conhecer o Castelo Mourisco, símbolo da Fiocruz, além de participar de palestras. “Fico grata pelo aprendizado, queremos implementar algumas tecnologias que conhecemos no curso na Colômbia. Acho importante esse fortalecimento da aliança latino-americana”, disse Alexandra Garcia, do Instituto Nacional de Saúde da Colômbia, uma das participantes da formação.

No último dia do evento, os alunos integraram uma dinâmica de trabalho em grupo voltada para promover o intercâmbio de experiências e identificar oportunidades de fortalecimento das capacidades regionais na pesquisa, desenvolvimento e produção de kits diagnósticos com impacto na saúde pública. Com base nos conteúdos teóricos apresentados ao longo do curso, os participantes foram divididos em grupos para debater três eixos centrais.

O primeiro era denominado Fortalezas e Medidas Estratégicas, voltado para o mapeamento das capacidades instaladas e experiências de sucesso na América Latina e Caribe. O debate abordou a infraestrutura local, o talento humano especializado, marcos regulatórios de qualidade e a necessária articulação entre saúde, ciência, indústria e academia. O segundo eixo abordava os Desafios e Barreiras Críticas, dedicado a analisar os principais gargalos para a inovação e o escalonamento produtivo na região, com ênfase na dependência de insumos importados, sustentabilidade econômica, transferência de tecnologia e acesso a financiamento. 

O terceiro foi referente à Cooperação Regional e Alianças Internacionais, focado na construção de mecanismos práticos de colaboração, como a criação de redes regionais de investigação, compras conjuntas, plataformas compartilhadas de validação e o fortalecimento da cooperação Sul-Sul e triangular. Ao final das discussões, cada equipe apresentou suas conclusões e recomendações em uma sessão plenária, consolidando propostas integradas para responder às demandas sanitárias do continente.

Se depender dos alunos, o curso foi apenas o início de muito trabalho, como afirmou Marcelo Rodriguez, da Argentina, um dos mais participativos durante as aulas, de acordo com os organizadores do curso. “Foi uma honra poder participar. A integração na área de diagnósticos, e de uma forma geral para nós, profissionais, é fundamental para o ampliar o acesso à saúde em nossos países”, disse Rodriguez.

Publicado em 28/05/2026 Bio-Manguinhos/Fiocruz

Vacina contra cepa do ebola na Àfrica pode demorar até 9 meses

Informação foi divulgada pela OMS

Uma vacina capaz de combater a cepa de ebola que atinge a África pode demorar de seis a nove meses para ficar pronta para ser aplicada na população. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (20) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), durante coletiva de imprensa em Genebra.

De acordo com o consultor e líder da área de pesquisa e desenvolvimento da entidade, Vasee Moorthy, o processo de seleção de imunizantes candidatos está sendo acelerado diante dos surtos da doença registrados na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, mas levará meses para ser concluído.

Segundo Moorthy, há uma vacina sendo desenvolvida para combater especificamente a cepa Bundibugyo, responsável pelos surtos na África, mas não há doses do imunizante disponíveis para ensaios clínicos neste momento. “Esta deve ser a vacina priorizada como a mais promissora contra a cepa Bundibugyo”.

“A informação que temos é que isso provavelmente levará de seis a nove meses”, destacou.

Uma outra vacina candidata para combater a doença, segundo o consultor, também está em desenvolvimento, cujas doses para ensaios clínicos podem estar disponíveis em cerca de dois ou três meses. “Há muita incerteza. Vai depender dos resultados de testes em animais para que ela possa ser considerada uma vacina promissora”.

Números

A OMS contabiliza quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas por ebola em surtos registrados na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda.

Oficialmente, 51 casos foram confirmados em duas províncias ao norte da RDC, embora a própria OMS admita ter ciência de que a escala do surto na região é muito maior do que os números apontam.

Em Uganda, dois casos foram confirmados na capital Kampala, ambos em pessoas que haviam passado pela República Democrática do Congo. Um dos pacientes morreu pela doença e o outro, um norte-americano, foi transferido para a Alemanha.

Entenda

No início do mês, autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) emitiram alerta sobre um surto de alta mortalidade causado por uma doença até então desconhecida no município de Mongbwalu, na província de Ituri. O cenário incluía até mesmo mortes entre profissionais de saúde.

Cerca de dez dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, capital da RDC, analisou 13 amostras de sangue colhidas no distrito de Rwampara. A avaliação laboratorial confirmou a presença do vírus Bundibugyo em oito das 13 amostras colhidas.

Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país.

Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda, país vizinho, confirmou surto de ebola, também do vírus Bundibugyo, após identificar um caso importado: um congolês que morreu na capital, Kampala.

No dia seguinte, o diretor-geral da OMS, após consultar ambos os Estados-Membros onde os surtos foram identificados, determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo tanto na RDC quanto em Uganda constitui emergência em saúde pública de importância internacional.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 20/05/2026 – 14:47 Brasília

OMS: continente africano tem 139 mortes suspeitas em surtos de ebola

Países da região somam 600 casos; número deve aumentar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) contabiliza quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas por ebola em surtos registrados na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda.

Oficialmente, 51 casos foram confirmados em duas províncias ao norte da RDC, embora a própria OMS admita ter ciência de que a escala do surto na região é muito maior do que os números apontam.

Em Uganda, dois casos foram confirmados na capital Kampala, ambos em pessoas que haviam passado pela República Democrática do Congo. Um dos pacientes morreu pela doença e o outro, um norte-americano, foi transferido para a Alemanha.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (20), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que vários fatores preocupam a entidade e podem fazer com que o número de casos e mortes por ebola aumentem na região.

“Além dos casos confirmados, há quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas. Esperamos que esses números continuem aumentando, considerando o tempo em que o vírus circulou antes que o surto fosse detectado.”

Tedros destacou que já há casos reportados da doença em diversas áreas urbanas, sobretudo da RDC, além de casos entre profissionais de saúde. Outro fator a ser levado em consideração, segundo ele, é o movimento significativo de pessoas na região.

“A província de Ituri [na RDC] não é segura. Os conflitos se intensificaram desde o final de 2025, com uma escalada significativa ao longo dos últimos dois meses, com quase 100 mil pessoas se deslocando.”

Por fim, o diretor-geral ressaltou que ambos os surtos são causados pelo vírus Bundibugyo, que causa um tipo de ebola para o qual ainda não há vacina ou tratamento aprovados.

“A OMS tem uma equipe no terreno apoiando as autoridades nacionais na resposta à crise. Deslocamos pessoal, suprimentos, equipamentos e recursos financeiros”, concluiu.

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Entenda

No início do mês, autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) emitiram alerta sobre um surto de alta mortalidade causado por uma doença até então desconhecida no município de Mongbwalu, na província de Ituri. O cenário incluía até mesmo mortes entre profissionais de saúde.

Cerca de dez dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, capital da RDC, analisou 13 amostras de sangue colhidas no distrito de Rwampara. A avaliação laboratorial confirmou a presença do vírus Bundibugyo em oito das 13 amostras colhidas.

>> Clique aqui e veja a linha do tempo dos surtos de ebola em países da África

Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país.

Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda, país vizinho, confirmou surto de ebola, também do vírus Bundibugyo, após identificar um caso importado: um congolês que morreu na capital, Kampala.

No dia seguinte, o diretor-geral da OMS, após consultar ambos os Estados-Membros onde os surtos foram identificados, determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo tanto na RDC quanto em Uganda constitui emergência em saúde pública de importância internacional.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 20/05/2026 – 11:42 Brasília

Ebola: veja cronologia da doença e entenda causa de surtos na África

Disseminação do vírus acende alerta da Organização Mundial da Saúde

No início do mês, autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) emitiram alerta sobre um surto de alta mortalidade causado por uma doença até então desconhecida no município de Mongbwalu, na província de Ituri. O cenário incluía até mesmo mortes entre profissionais de saúde.

Cerca de 10 dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, capital da RDC, analisou 13 amostras de sangue colhidas no distrito de Rwampara. A avaliação laboratorial confirmou a presença do vírus Bundibugyo, um tipo de ebola, em oito do total de amostras colhidas.

Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país. Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda, país vizinho, confirmou surto de Bundibugyo, após identificar um caso importado: um congolês que morreu na capital, Kampala.

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No dia seguinte, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, após consultar ambos os Estados-Membros onde os surtos foram identificados, determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo tanto na RDC quanto em Uganda constitui emergência em saúde pública de importância internacional.

A OMS explica que o engajamento da comunidade é fundamental para o controle bem-sucedido de qualquer surto.

“[Isso] depende [também] da utilização de uma série de intervenções, como assistência clínica, vigilância e rastreamento de contatos, serviços laboratoriais, prevenção e controle de infecções em unidades de saúde, sepultamentos seguros.”

As medidas de enfrentamento incluem o envio de equipes de resposta rápida, o fornecimento de suprimentos médicos, o reforço da vigilância, da confirmação laboratorial, das avaliações de prevenção e do controle de infecções, a criação de centros de tratamento seguros e o engajamento da comunidade.

A doença

O ebola é classificado pela própria OMS como grave, frequentemente fatal, que afeta humanos e outros primatas.

O vírus é transmitido aos humanos por animais selvagens, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos, e passa de pessoa para pessoa por meio do contato direto com secreções, sangue, órgãos ou outros fluidos corporais de pacientes infectados.

O contágio também ocorre por meio do contato com superfícies e materiais, como roupas de cama e vestuário, contaminados com fluidos.

A taxa média de letalidade da doença é de cerca de 50%. Em surtos anteriores, segundo a OMS, as taxas de letalidade chegaram a 90%.

Surtos

A OMS classifica o surto de ebola registrado entre 2014 e 2016 na África Ocidental como o maior e mais complexo desde a descoberta do vírus, em 1976. 

À época, houve mais casos e mortes do que em todos os outros surtos combinados. A doença também se espalhou entre países, começando na Guiné e atravessando fronteiras terrestres para Serra Leoa e Libéria.

Sintomas

O período de incubação do ebola – intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus e o início dos sintomas – varia de dois a 21 dias. Segundo a OMS, a pessoa infectada não transmite a doença até desenvolver sintomas.

As alterações físicas incluem febre, fadiga, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Em seguida, aparecem vômitos, diarreia, dor abdominal, erupções cutâneas e sintomas de comprometimento das funções renais e hepáticas. Em casos menos frequentes, podem ocorrer sangramentos internos e externos. 

A própria OMS avalia que pode ser difícil distinguir clinicamente o ebola de outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide e meningite. Por esse motivo, diversos testes diagnósticos foram desenvolvidos para confirmar a presença do vírus.

Tratamento e prevenção

O tratamento intensivo precoce, incluindo a reidratação com fluidos orais ou intravenosos, e o tratamento de sintomas específicos, segundo a OMS, melhoram a sobrevida do paciente.

Especificamente para a doença causada pelo vírus Ebola (DEV), a OMS recomenda o tratamento com os anticorpos monoclonais. Já para outras doenças causadas pelo ebola, como é o caso do vírus Bundibugyo, não existem terapias aprovadas.

Duas vacinas foram aprovadas para DEV: a Ervebo e a Zabdeno e Mvabea. A vacina Ervebo é recomendada pela entidade como parte da resposta a surtos identificados.

Para orientar a população, a OMS preparou uma lista com as principais perguntas e respostas sobre o ebola.

O que é o ebola?

É uma enfermidade rara, porém grave, causada por um vírus pertencente ao gênero Orthoebolavirus, da família Filoviridae. As taxas de mortalidade variaram de 25% a 90%.

Seis espécies de Orthoebolavirus foram identificadas até o momento, sendo três conhecidas por causarem grandes surtos: Ebola, Sudão e Bundibugyo.

O reservatório animal dos vírus é desconhecido, mas as evidências atuais sugerem que morcegos frugívoros (Pteropodidae) podem ser hospedeiros.

Quais os sintomas típicos da doença?

Os sintomas podem surgir repentinamente e incluem:

  • febre;
  • fadiga;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça e dor de garganta.

Esses sintomas podem ser seguidos por:

  • vômito;
  • diarreia;
  • feridas na pele;
  • sangramento interno e externo.

Quanto tempo para manifestação dos sintomas?

O intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas varia de dois a 21 dias. As pessoas só se tornam contagiosas após desenvolverem sintomas.
Pode ser difícil distinguir clinicamente o ebola de outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide, dengue ou doença do vírus de Marburg.
Mesmo quando as pessoas desenvolvem sintomas semelhantes aos do ebola, somente um exame laboratorial pode confirmar se a causa é o vírus.

Como o ebola se espalha?

O vírus se espalha mais comumente de pessoa para pessoa por meio da exposição ao sangue ou a outros fluidos corporais (principalmente fezes, vômito, suor e saliva) de uma pessoa infectada, viva ou morta.

Isso ocorre quando o vírus entra no corpo através de pele lesionada ou de membranas mucosas, como olhos, nariz ou boca, geralmente quando alguém está cuidando de um paciente ou tocando o corpo de alguém que morreu da doença.

A transmissão também ocorre pelo contato ou manuseio de objetos contaminados com fluidos corporais de uma pessoa doente ou de alguém que morreu de ebola.

Em casos raros, a transmissão de um homem recuperado para sua parceira sexual foi documentada. Isso acontece porque o vírus pode persistir por algum tempo no sêmen de alguns homens recuperados da doença.

Quais medidas para se proteger durante episódios de surto?

  • evitar contato físico com indivíduos suspeitos ou confirmados com ebola;
  • não manusear corpos de pessoas que apresentaram sintomas de ebola e morreram sem as devidas precauções;
  • lavar as mãos regularmente, seguindo as melhores práticas recomendadas pelas autoridades locais para a lavagem das mãos.

O que as pessoas devem fazer para conter infecção por animais?

  • evitar comer animais mortos ou tocá-los sem medidas de proteção, especialmente durante um surto de ebola;
  • lavar bem as mãos antes e depois de tocar em qualquer animal ou produto de origem animal;
  • cozinhar bem os produtos de origem animal (sangue e carne) antes do consumo.

Quem corre maior risco?

  1. profissionais de saúde e assistência social em contato próximo com pacientes;
  2. cuidadores, familiares ou outras pessoas em contato físico direto com pessoas infectadas;
  3. pessoas em luto que têm contato físico direto com os corpos durante funerais ou rituais de sepultamento.

Quais providências tomar, após contato físico com infectados?

Se uma pessoa teve contato físico direto com alguém infectado ou com suspeita de ebola, pode estar sob risco de desenvolver a doença. A orientação é entrar em contato com seu médico ou com o posto de saúde local para entender sobre os próximos passos.

Uma vez que a pessoa é identificada como “contato”, sua saúde será monitorada por 21 dias após a exposição. Autoridades locais ou profissionais de saúde irão orientá-la sobre comportamentos recomendados e incentivá-la a:

  1. aceitar visitas diárias da equipe de rastreamento de contatos para monitorar a saúde;
  2. permitir que a temperatura seja aferida;
  3. responder a todas as perguntas com a maior precisão possível e tirara todas as dúvidas;
  4. relatar sintomas (se houver) assim que os desenvolver;
  5. evitar viagens, a menos que a viagem tenha sido discutida com a autoridade de saúde local;
  6. tomar a vacina, se disponível.

Existe tratamento para o ebola?

Existem dois tratamentos aprovados para adultos e crianças com a doença do vírus ebola: o Ansuvimab e o Inmazeb. Com base nesses fármacos, novos tratamentos potenciais, segundo a OMS, estão sendo avaliados para outros ortoebolavírus, mas ainda não foram totalmente testados.

É possível tratar a doença em casa?

A OMS não recomenda que famílias ou comunidades cuidem de pessoas com ebola em casa. Pessoas com sintomas devem procurar atendimento em um centro de saúde. O tratamento precoce em um centro de referência é essencial e pode aumentar as chances de recuperação.

Se uma pessoa morrer em casa com suspeita de ebola, a comunidade e os familiares devem evitar manusear ou preparar o corpo para o enterro. A orientação é entrar em contato imediatamente com as autoridades de saúde locais para realizar um sepultamento seguro e digno, de acordo com os desejos da família.

O que fazer se precisar viajar?

A OMS não recomenda, até o momento, restrições comerciais ou de circulação, como confinamentos ou quarentenas, em áreas afetadas pelo ebola.

No entanto, viagens de pessoas que tiveram contato próximo com casos de ebola devem ser minimizadas ou adiadas sempre que possível, para evitar a propagação do vírus.

Se a viagem de uma pessoa que teve contato com o vírus for necessária, ela deve ser discutida e supervisionada pelas autoridades de saúde pública para que seja garantido o acompanhamento adequado na área de destino.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 19/05/2026 – 14:30 Brasília

Três é demais: médicos alertam para dor de cabeça recorrente

Cerca de 40% da população mundial sofre com cefaleia regularmente

Neste Dia Nacional de Combate à Cefaleia (dor de cabeça), médicos chamam a atenção para a sétima dor mais incapacitante do mundo e fazem um alerta àquelas pessoas que costumam ter três ou mais episódios de dor de cabeça por mês, durante pelo menos três meses, para que procurem um especialista.

Embora muitas vezes a cefaleia esteja associada a fatores comuns, como estresse, desidratação ou uma noite mal dormida, ela também pode ter origem em condições mais graves, como sinusite, enxaqueca crônica ou até mesmo aneurisma.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os transtornos de dor de cabeça estão entre as condições neurológicas mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas e impactando diretamente na qualidade de vida de quem sofre com o problema.

Ainda de acordo com a OMS as cefaleias estão entre as três principais condições neurológicas para a faixa etária dos 5 anos aos 80 anos. A organização estima que cerca de 40% da população mundial (3,1 bilhões de pessoas) sofra com dor de cabeça regularmente. Por isso, quando os episódios se tornam frequentes ou prolongados é fundamental redobrar a atenção. 

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A enxaqueca, especificamente, é considerada a segunda maior causa de incapacidade no mundo e afeta aproximadamente 15% da população global, sendo que mulheres são significativamente mais afetadas devido a fatores hormonais. No Brasil, mais de 30 milhões de brasileiros sofrem de enxaqueca crônica.

“Pode se tratar de enxaqueca crônica, caracterizada por crises que ocorrem 15 dias ou mais por mês, frequentemente acompanhadas de náuseas e sensibilidade à luz e ao som. A dor de cabeça é um sintoma comum no dia a dia, mas quando deixa de ser episódica e passa a ser constante, precisa ser investigada”, explica o neurocirurgião Orlando Maia.

Ele ressalta que a maioria das cefaleias tem origem benigna, como nos casos de tensão. Ainda assim, existe uma linha clara entre o que é habitual e o que exige investigação. Segundo ele, dores de cabeça constantes podem ser um quadro primário, mas podem estar relacionadas a outras condições.

“Podem ser condições neurológicas, infecções ou alterações estruturais que demandam avaliação especializada. Essa diferença nem sempre é percebida. Em muitos casos, a dor persistente é tratada apenas com analgésicos, ignorada ou incorporada à rotina, o que pode atrasar diagnósticos importantes”, alerta.

Alerta

Os sinais de alerta são dores frequentes e até diárias, mudança no padrão habitual da dor, início súbito e muito intenso, intensidade fora do comum, associação com alterações visuais, na fala ou na força, episódios acompanhados de confusão mental, perda de consciência ou desequilíbrio.

“Esses sinais não devem ser normalizados, pois indicam a necessidade de investigação. A maioria das dores de cabeça não está relacionada ao AVC, por exemplo, mas o problema surge quando o sintoma foge do padrão habitual”, afirma o neurologista.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), alguns hábitos e comportamentos podem contribuir para o desenvolvimento das dores de cabeça: má alimentação, jejum prolongado, excesso de gordura e álcool e, atualmente, principalmente o estresse.

“A enxaqueca tem uma relação muito grande com o estilo de vida, com o sedentarismo, tabagismo, obesidade, alimentação inadequada, transtornos do humor (depressão e ansiedade) e alterações orofaciais, que são as disfunções temporomandibulares. Por isso, geralmente o tratamento dos pacientes é realizado de maneira multidisciplinar, ou seja, com a atuação não apenas do neurologista, mas também do odontólogo, nutricionista, psicólogo, enfermeira e fisioterapeuta”, explica a SBC.

Automedicação

A entidade aponta como um dos principais erros para tratar essas dores, a automedicação, já que no Brasil o acesso a analgésicos e anti-inflamatórios é muito fácil, permitindo que a população se automedique.

“Quando a frequência da cefaleia é baixa, dois ou menos episódios por mês, isto não acarreta maiores problemas. Porém, quando as dores de cabeça aparecem em uma frequência superior, o paciente possui indicação de tratamento preventivo e a automedicação pode até piorar tanto a frequência quanto a intensidade dos seus sintomas”, diz a SBC.

A SBC informa ainda que cerca de 90% de quem sofre com a cefaleia tem algum prejuízo no trabalho, estudos, atividade de lazer e vida sexual.

“Por isso entre as diversas formas de tratamento existentes como medicamentos, fitoterápicos, neuroestimuladores periféricos, bloqueios anestésicos, acupuntura, toxina botulínica, entre outros, é preciso estudar cada caso para personalizar o tratamento, fazendo um planejamento terapêutico a cada consulta”.

Maio bordô

O Maio Bordô foi instituído pela Sociedade Brasileira de Cefaleia como o mês de conscientização sobre o assunto e esta terça-feira (19) marca o Dia Nacional de Combate à Cefaleia.

Flávia Albuquerque – repórter da Agência Brasil Publicado em 19/05/2026 – 13:53 São Paulo