Arquivo da tag: influenza

InfoGripe: número de casos de influenza A segue aumentando no Norte, Sudeste e Nordeste

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (26/3), sinaliza, a médio e longo prazos, aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Este cenário tem sido impulsionado pelo incremento das hospitalizações por influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR). A análise mostra que todas as unidades da Federação (UF) apresentam sinal de crescimento do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 11, período de 15 a 21 de março.

Entre as UF, 22 estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas): Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. O estudo destaca que o rinovírus tem impulsionado o aumento dos casos de SRAG em grande parte desses estados, especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.

Em nível nacional, o cenário atual sugere que a situação aponta sinal de aumento nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Em 2026 já foram notificados 24.281 casos de SRAG, sendo 9.443 (38,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 9.951 (41%) negativos e cerca de 3.085 (12,7%) aguardando resultado laboratorial.

A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, chama atenção que é essencial que as pessoas de maior risco, como idosos, imunocomprometidos e crianças, tomem a vacina da influenza assim que ela chegar aos postos de saúde, para frear o crescimento acelerado das hospitalizações pelo vírus em diversos estados do país. Para quem mora em regiões com alta de SRAG, Portella também recomenda o uso de máscara em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas, especialmente para os grupos de risco. “Além disso, em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é fazer isolamento dentro de casa, mas se não for possível, recomendamos sair usando uma boa máscara, como PFF2 ou N95, para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”, recomenda.

Estados e capitais

Quanto aos casos de SRAG associados ao vírus influenza A, a atualização mostra indícios de interrupção do crescimento no Pará, Ceará e Pernambuco. No entanto, continuam aumentando na maioria dos estados do Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia) e em alguns do Norte (Amapá, Rondônia) e Sudeste (Rio de Janeiro, Espírito Santo) e no Mato Grosso.

Em relação ao VSR, o vírus segue contribuindo para o crescimento de SRAG em crianças menores de 2 anos no Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia), Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe), além do Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal). Por outro lado, o metapneumovírus tem impulsionado o aumento de SRAG em crianças pequenas no Distrito Federal e em Minas Gerais.

Observa-se que 22 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 11: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), Teresina (PI) e Vitória (ES).

Prevalência de casos e óbitos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 45% de rinovírus, 27,8% de influenza A, 14,6% de vírus sincicial respiratório, 9,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19) e 1,4% de influenza B. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 35,9% de influenza A 29,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19), 27,2% de rinovírus, 5,8% de vírus sincicial respiratório e 2,9% de influenza B.

Dados epidemiológicos

Os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento de SRAG em crianças e adolescentes tem sido impulsionado principalmente pelo rinovírus, enquanto entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. O VSR também tem contribuído para o aumento de casos de SRAG em crianças pequenas.

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo a Covid-19 e a influenza A como principais causas. Além disso, a incidência de Covid-19 também é maior em crianças pequenas e idosos, enquanto a de influenza A se concentra principalmente nas crianças de até 4 anos e nos idosos.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Vacinação contra a gripe começa no DF

Unidade da federação recebeu as 80 mil primeiras doses

A  campanha de vacinação contra a gripe começa nesta quarta-feira (25) no Distrito Federal.

A Secretaria de Saúde do DF informa que as 80 mil primeiras doses já foram recebidas e estão em fase de distribuição.

A lista dos locais onde haverá aplicação está disponível no site da SES-DF.

Serão vacinadas pessoas de grupos prioritários: gestantes, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos a partir dos 60 anos e pacientes com deficiências ou doenças crônicas, além de profissionais de áreas específicas (veja lista completa abaixo).

A estimativa é que esse público reúna quase 1,2 milhão de pessoas. A meta é vacinar 90% dessa população.

A vacina da gripe deve ser atualizada anualmente para proteger das principais formas do vírus influenza em circulação.

Este ano, a vacina é trivalente e protege contra as variantes Influenza A/Missouri/11/2025 (H1N1) pdm09, Influenza A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2) e Influenza B/Austria/1359417/2021 (B/linhagem Victoria).

Outras localidades

Na cidade do Rio de Janeiro, a vacinação começou nessa terça-feira (24).

São Paulo e Paraíba organizam Dia D para o próximo sábado (28).

Estudo identifica variações do vírus influenza em 2025 e confirma eficácia da vacina

Um estudo liderado pela Fiocruz analisou a circulação dos vírus influenza no Brasil ao longo da temporada de 2025 e confirmou que as vacinas utilizadas no período foram eficazes contra as principais cepas em circulação no país. Causador da gripe, o vírus influenza se caracteriza pela diversidade de tipos e subtipos e por uma alta taxa de variação genética, o que exige atualização periódica das vacinas e vigilância contínua.

Monitoramento da circulação dos vírus influenza orienta a atualização das vacinas e as estratégias de prevenção no país (Foto: Roberto Dziura Jr/Agência Estadual de Notícias do Paraná)

Com base em dados da rede nacional de Vigilância Laboratorial do Vírus Influenza, coletados entre agosto de 2024 e agosto de 2025, a análise apontou o predomínio do influenza A(H1N1)pdm09 no território brasileiro, além da circulação simultânea de outras linhagens do vírus, como o influenza B (Victoria) e o subtipo A(H3N2).

Também foram identificados casos isolados de cepas contendo mutação que pode afetar a resposta ao Oseltamivir, principal antiviral usado no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os autores, os achados foram pontuais e não indicam disseminação, mas reforçam a importância do monitoramento genômico e antigênico constante, que permite acompanhar como o vírus muda ao longo do tempo e avaliar possíveis impactos sobre vacinas e tratamentos.

De acordo com a virologista Paola Resende, do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC, a análise reforçou a importância e a eficácia da vacinação, mesmo diante das variações genéticas observadas entre 2024 e 2025. “Do ponto de vista laboratorial, tanto as análises genéticas quanto os testes antigênicos mostraram que as vacinais conseguiram inibir os vírus em circulação no Brasil, confirmando a eficácia da vacina naquele período”, explicou.

A pesquisadora alertou, contudo, para a baixa adesão à vacinação, especialmente entre os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades. Segundo ela, ampliar a cobertura vacinal é fundamental para fortalecer a proteção coletiva e reduzir o risco de casos graves e hospitalizações.

Esforço em rede

Após as mudanças provocadas pela pandemia de Covid-19 na dinâmica de circulação de vírus respiratórios, a gripe vem retomando gradualmente seu padrão sazonal no Brasil, o que reforça a importância do monitoramento do influenza. Nesse cenário, os resultados foram apresentados no artigo Panorama molecular e antigênico dos vírus influenza em circulação no Brasil durante a temporada de 2025, divulgado em formato de preprint em janeiro de 2026.

As análises se basearam em mais de 106 mil amostras coletadas em diferentes regiões do Brasil entre agosto de 2024 e agosto de 2025, provenientes tanto de casos de síndrome gripal quanto de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O trabalho combinou sequenciamento genético dos vírus — para identificar subtipos, linhagens e mutações — com testes antigênicos — que avaliam se os vírus em circulação continuam sendo reconhecidos pelos anticorpos induzidos pelas cepas da vacina.

Em relação às amostras analisadas, cerca de 12,8% testaram positivo para influenza. Do total de casos confirmados, o influenza A(H1N1)pdm09 foi responsável pela maior parcela das infecções, concentrando aproximadamente 40% dos registros, seguido pelo influenza B da linhagem Victoria, com cerca de 30%. O subtipo A(H3N2) apresentou circulação mais limitada, em torno de 7% dos casos. Nos registros de síndrome respiratória aguda grave associados à influenza, o A(H1N1)pdm09 também se destacou como o principal agente, estando presente na maioria dos casos hospitalizados e em quase metade dos óbitos confirmados por influenza no período analisado.

As análises genômicas indicaram a circulação simultânea de diferentes subgrupos dos vírus influenza A e B em distintas regiões do país. Segundo a virologista Paola Resende, esse comportamento reflete a dinâmica natural do vírus, que pode variar ao longo do tempo e se manifestar de forma diferente entre as regiões, influenciado por fatores como clima e deslocamento de pessoas.

“A circulação do vírus influenza não segue um padrão fixo. Depois que ele entra no país, a disseminação depende de fatores como fluxo de pessoas, clima e características regionais, o que pode gerar picos em momentos diferentes ao longo do ano”, resumiu.

Apesar dessa diversidade genética, os subtipos analisados permaneceram compatíveis com as cepas utilizadas nas vacinas. Assim, a vacinação segue como uma estratégia eficaz de proteção contra a gripe. Os pesquisadores também investigaram marcadores genéticos associados à resistência a antivirais, como o Oseltamivir, principal medicamento utilizado no tratamento da influenza no SUS. Segundo os autores, os achados foram raros, não se espalharam e não indicam perda de eficácia do antiviral, mas reforçam a importância da vigilância permanente.

O estudo é resultado do trabalho da rede nacional de Vigilância Laboratorial do Vírus Influenza, que atua de forma integrada ao sistema global de monitoramento da gripe coordenado pela OMS. Ao todo, a iniciativa contou com a participação de 46 instituições e 116 coautores.

No Brasil, esse esforço em rede envolve diretamente três Centros Nacionais de Influenza (NICs) — o Instituto Evandro Chagas (IEC), o Instituto Adolfo Lutz (IAL) e o próprio Instituto Oswaldo Cruz —, que recebem amostras encaminhadas pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs) e realizam análises laboratoriais complementares.

O trabalho conta ainda com a atuação integrada das vigilâncias epidemiológicas municipais, estaduais e nacional, fortalecendo a capacidade do país de detectar, monitorar e responder à circulação dos vírus influenza. Além de acompanhar a circulação dos vírus no país e no mundo, a rede subsidia as reuniões internacionais responsáveis pela definição e atualização das cepas que compõem a vacina contra a gripe. Grande parte dos dados gerados pelo estudo, inclusive, foi submetida à OMS na forma de relatório técnico em setembro de 2025, contribuindo para a definição da composição da vacina contra a influenza do Hemisfério Sul para a temporada de 2026.

“Existe uma rede global que trabalha de forma incansável no monitoramento dos vírus influenza, e esse trabalho subsidia as reuniões internacionais que decidem a atualização das cepas que compõem a vacina contra a gripe”, destacou.

Preparação para riscos emergentes

Além de orientar a composição de vacinas e antivirais, a vigilância da influenza cumpre um papel estratégico na detecção precoce de riscos emergentes, incluindo o surgimento de vírus com potencial pandêmico. Durante a temporada analisada, foi registrado um caso raro de influenza A(H3N2)v no Paraná, associado à exposição a suínos. Embora a investigação não tenha identificado transmissão sustentada entre humanos, o episódio evidenciou a importância de manter sistemas capazes de detectar rapidamente vírus que cruzam a barreira entre espécies.

“O influenza tem potencial epidêmico e pandêmico. Por isso, é fundamental manter um monitoramento sensível e constante, capaz de identificar rapidamente tanto mutações associadas à resistência a antivirais quanto eventos de origem zoonótica, antes que eles se espalhem”, afirmou Paola Resende.

Segundo os autores, a circulação de vírus influenza em humanos e animais cria oportunidades para rearranjos genéticos que podem dar origem a novas variantes. Nesse contexto, o acompanhamento genômico e epidemiológico não apenas subsidia ações imediatas de saúde pública, como também fortalece a capacidade do país de responder a cenários epidêmicos e pandêmicos futuros, em articulação com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde.

Publicado em 26/01/2026 14:42 Yuri Neri (IOC/Fiocruz)

InfoGripe: Acre e Amazonas têm aumento de hospitalizações por influenza A

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (22/1), sinaliza que os estados do Acre e do Amazonas continuam com incidência de Síndrome Respiratório Aguda (SRAG) em nível de risco e com sinal de crescimento na tendência de longo prazo. O aumento acelerado de casos de SRAG nesses estados vem sendo impulsionado principalmente pela influenza A, que tem levado ao crescimento do número de hospitalizações tanto em crianças pequenas, quanto em jovens, adultos e idosos.

No cenário nacional há sinalização de queda de casos de SRAG nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). A análise é referente à Semana epidemiológica 2, período de 11 a 17 de janeiro. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência no país entre os casos positivos foi de 20,5% de influenza A, 2,6% de influenza B, 8,5% de vírus sincicial respiratório, 33,2% de rinovírus e 19,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 29,4% de influenza A, 3,2% de influenza B, 4,8% de vírus sincicial respiratório, 19% de rinovírus e 32,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19). A análise é referente à Semana Epidemiológica 2, período de 11 a 17 de janeiro.

A pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do InfoGripe, Tatiana Portella, recomenda que a população do Amazonas e Acre adote medidas de proteção, tais como o uso de máscaras em postos de saúde, e em locais fechados com maior aglomeração de pessoas. “É fundamental que as pessoas do grupo prioritário, a exemplo das crianças, idosos, indígenas e pessoas que apresentam comorbidade tome a vacina o quanto antes, que já começou na Região Norte”, reforçou Portella.

Estados e capitais

No Ceará, em Pernambuco e em Sergipe, as hospitalizações por influenza A seguem apresentando sinal de interrupção do crescimento ou início de queda. Na Paraíba também se observa um leve sinal de aumento das hospitalizações por VSR, porém ainda sem refletir crescimento de casos de SRAG nas crianças pequenas. Apenas 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 2: Manaus (AM), Cuiabá (MT) e São Luís (MA).

Incidência e mortalidade

Em nível nacional, observa-se uma tendência de estabilidade ou leve queda dos casos de SRAG em todas as faixas etárias. Os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a redução ou estabilidade do número de novos casos de SRAG nas diferentes faixas etárias se deve à baixa atividade de diversos vírus respiratórios. A exceção é a Influenza A, que, apesar da baixa circulação na maioria dos estados, tem impulsionado o aumento de SRAG no AC e AM.

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos. A incidência de SRAG por SARS-CoV-2 e influenza A é maior entre crianças pequenas e idosos, enquanto a mortalidade tem maior impacto entre os idosos. Em relação aos demais vírus com circulação relevante no país, o impacto nos casos de SRAG tem se concentrado entre as crianças pequenas e está associado principalmente ao rinovírus e ao metapneumovírus.

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 1.765 casos de SRAG, 399 (22,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 611 (34,6%) negativos e ao menos 615 (34,8%) aguardando resultado. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Publicado em 22/01/2026 11:50 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

InfoGripe: casos de influenza A aumentam no Sudeste e avançam para a Bahia

Divulgada nesta quinta-feira (6/11), a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz chama atenção para a manutenção do aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza A em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O número de casos graves pelo vírus começa a apresentar início de aumento também na Bahia.

O atual cenário alerta que a Covid-19 segue em tendência de crescimento em alguns estados. As notificações dos casos graves do vírus continuam aumentando no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, porém ainda em níveis baixos de incidência. No Espírito Santo, os casos de SRAG nos idosos associados à Covid-19 estão estáveis, mas ainda em níveis moderados de incidência.

A análise é referente à Semana epidemiológica 44, de 26 de outubro a 1º de novembro.  O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, ressalta que em relação às crianças pequenas o estudo verificou em Sergipe uma alta atípica, para esta época do ano, de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças pequenas. 

O Boletim sublinha que três estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco e alto risco, com tendência de crescimento: Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins. No Mato Grosso do Sul e na Paraíba o aumento de SRAG tem se concentrado nas crianças pequenas e tem sido impulsionado em grande parte pelo rinovírus.

Em Tocantins o número de casos de SRAG tem aumentado principalmente na faixa etária a partir dos 50 anos. Ainda não há dados laboratoriais suficientes no estado para determinar o vírus responsável pelo crescimento. Contudo, é possível que esse aumento esteja sendo impulsionado pela influenza A, devido à faixa etária mais afetada, e a proximidade do estado com Goiás e o Distrito Federal, que apresentaram uma alta recente de casos graves pelo vírus.

“Continuamos recomendando ações de etiqueta respiratória, como cobrir a boca com o braço ao tossir ou espirrar, fazer isolamento dentro de casa ou usar uma boa máscara em locais públicos em casos de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado. E, por último e não menos importante, manter a vacinação contra a influenza e a Covid-19 sempre em dia, especialmente para a população que apresenta maior risco de desenvolver quadros graves ou ir a óbito por esses vírus, como crianças pequenas, idosos e pessoas com alguma comorbidade. E pessoas que possuem maior exposição ao vírus como profissionais da área da saúde”, afirma a pesquisadora. 

Estados e capitais

Em nível nacional, os casos de SRAG apresentam sinal de estabilidade nas tendências de longo e de curto prazo. Três das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 44: Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins. No Espírito Santo, os casos de SRAG entre os idosos associados à Covid-19 estão estáveis, mas continuam em um patamar considerado moderado para o estado. Sobre o VSR, apenas Sergipe apresenta uma alta recente de casos graves do vírus em crianças pequenas.

O estudo verificou que 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 44: Florianópolis (SC), João Pessoa (PB) e Palmas (TO).

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico 2025 já foram notificados 204.086 casos de SRAG, sendo 107.393 (52,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 74.297 (36,4%) negativos e ao menos 9.174 (4,5%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,2% de influenza A, 1,2% de influenza B, 40,1% de vírus sincicial respiratório, 28,2% de rinovírus e 8,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 24,8% de influenza A, 1,3% de influenza B, 6,4% de vírus sincicial respiratório, 37,8% de rinovírus, e 14,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Óbitos  

Referente aos óbitos de SRAG em 2025, já foram registrados 12.151 óbitos de SRAG, sendo 6.216 (51,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 4.804 (39,5%) negativos e ao menos 194 (1,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 49,4% de influenza A, 1,8% de influenza B, 11,6% de vírus sincicial respiratório, 14,4% de rinovírus e 23,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas a prevalência entre os óbitos positivos foi de 24,7% de influenza A, 2% de influenza B, 3,5% de vírus sincicial respiratório, 28,8% de rinovírus e 39,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Publicado em 06/11/2025 12:08 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)