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Comissão de gestão do SUS se reúne pela primeira vez na Fiocruz

A Fiocruz reafirmou seu protagonismo na saúde pública ao sediar, de forma inédita, a Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) na última quinta-feira (29/1). Considerado um espaço importante para gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), este encontro itinerante é o principal fórum de negociação e decisão conjunta entre as três esferas de governo (federal, estadual e municipal) para a gestão do Sistema no país. A abertura do calendário das reuniões ordinárias da CIT em 2026, que ocorreu na Tenda da Ciência Virginia Schall, contou com a participação de representantes do Ministério da Saúde (MS), da Fiocruz e dos Conselhos Nacionais de Secretários de Saúde (Conass) e de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O encerramento do evento foi marcado pelo registro fotográfico dos representantes em frente ao Castelo Mourisco da Fiocruz, símbolo da ciência brasileira (Foto: Gutemberg Brito)

O presidente em exercício da Fiocruz, Valcler Rangel, reforçou a importância de promover o encontro na instituição pela primeira vez e enfatizou o compromisso de trabalhar cada vez mais com a ideia de intersetorialidade. “Além de um enorme simbolismo, receber essa reunião tem uma concretude muito grande. Acompanhar as pautas discutidas neste espaço é fundamental para ver quanto ainda temos para caminhar, mas também o quanto já foi feito pelo SUS”, disse. “Com pesquisa, formação, fornecimento de vacinas, assistência, inovação e vigilância em saúde, nossa instituição consegue perceber o quanto pode colaborar com esses municípios, estados e o próprio Ministério”, completou.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, ratificou a ideia ao afirmar que “o encontro foi muito simbólico porque a CIT é um espaço de aprovação das nossas políticas de saúde e a Fiocruz é a nossa alma e coração da saúde pública brasileira”.

Representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), Cristian Morales Fuhrimann também compôs a bancada do evento. “A gente se orgulha muito da Opas ser a organização internacional mais antiga do mundo, mas a Fiocruz estava antes da Opas apoiando os povos das Américas e do planeta todo. Por isso, é realmente uma honra estar aqui e acompanhar vocês nesse encontro”, disse.

O evento consolidou pactuações estratégicas para o fortalecimento do SUS (Foto: Gutemberg Brito)

A reunião destacou temas estruturantes relacionados a tópicos como cobertura vacinal, incentivos para fixação dos profissionais do Programa Mais Médicos, agenda estratégica do Hospital Inteligente e escopo do painel de monitoramento da radioterapia. O evento consolidou pactuações estratégicas para o fortalecimento do SUS: a alteração do incentivo financeiro aos programas de residência que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS); além de regras de registros de informações de produção de Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) e de Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias (LRPD), no âmbito da Política Nacional de Saúde Bucal – Brasil Sorridente e outras providências. Também foram pactuadas portarias que dispõem sobre o repasse aos estados para estratégia de vacinação de 2026; a lista de medicamentos para pactuação referente a portaria da assistência farmacêutica em oncologia; e a implementação da Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental no âmbito do SUS. O encerramento do evento foi marcado pelo registro fotográfico dos representantes em frente ao Castelo Mourisco da Fiocruz, símbolo da ciência brasileira.

Publicado em 30/01/2026 11:44 Lidiane Nóbrega (Agência Fiocruz de Notícias)

InfoGripe: Acre e Amazonas têm aumento de hospitalizações por influenza A

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (22/1), sinaliza que os estados do Acre e do Amazonas continuam com incidência de Síndrome Respiratório Aguda (SRAG) em nível de risco e com sinal de crescimento na tendência de longo prazo. O aumento acelerado de casos de SRAG nesses estados vem sendo impulsionado principalmente pela influenza A, que tem levado ao crescimento do número de hospitalizações tanto em crianças pequenas, quanto em jovens, adultos e idosos.

No cenário nacional há sinalização de queda de casos de SRAG nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). A análise é referente à Semana epidemiológica 2, período de 11 a 17 de janeiro. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência no país entre os casos positivos foi de 20,5% de influenza A, 2,6% de influenza B, 8,5% de vírus sincicial respiratório, 33,2% de rinovírus e 19,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 29,4% de influenza A, 3,2% de influenza B, 4,8% de vírus sincicial respiratório, 19% de rinovírus e 32,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19). A análise é referente à Semana Epidemiológica 2, período de 11 a 17 de janeiro.

A pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do InfoGripe, Tatiana Portella, recomenda que a população do Amazonas e Acre adote medidas de proteção, tais como o uso de máscaras em postos de saúde, e em locais fechados com maior aglomeração de pessoas. “É fundamental que as pessoas do grupo prioritário, a exemplo das crianças, idosos, indígenas e pessoas que apresentam comorbidade tome a vacina o quanto antes, que já começou na Região Norte”, reforçou Portella.

Estados e capitais

No Ceará, em Pernambuco e em Sergipe, as hospitalizações por influenza A seguem apresentando sinal de interrupção do crescimento ou início de queda. Na Paraíba também se observa um leve sinal de aumento das hospitalizações por VSR, porém ainda sem refletir crescimento de casos de SRAG nas crianças pequenas. Apenas 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 2: Manaus (AM), Cuiabá (MT) e São Luís (MA).

Incidência e mortalidade

Em nível nacional, observa-se uma tendência de estabilidade ou leve queda dos casos de SRAG em todas as faixas etárias. Os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a redução ou estabilidade do número de novos casos de SRAG nas diferentes faixas etárias se deve à baixa atividade de diversos vírus respiratórios. A exceção é a Influenza A, que, apesar da baixa circulação na maioria dos estados, tem impulsionado o aumento de SRAG no AC e AM.

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos. A incidência de SRAG por SARS-CoV-2 e influenza A é maior entre crianças pequenas e idosos, enquanto a mortalidade tem maior impacto entre os idosos. Em relação aos demais vírus com circulação relevante no país, o impacto nos casos de SRAG tem se concentrado entre as crianças pequenas e está associado principalmente ao rinovírus e ao metapneumovírus.

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 1.765 casos de SRAG, 399 (22,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 611 (34,6%) negativos e ao menos 615 (34,8%) aguardando resultado. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

Publicado em 22/01/2026 11:50 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)