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Fiocruz integra Cátedra da Unesco para Futuros da Educação para a Saúde e o Bem-Viver

A Fiocruz passou a integra, nesta segunda-feira (26/1), a Cátedra Unesco Futuros da Educação para a Saúde e o Bem-Viver, uma iniciativa acadêmica conjunta da Fundação com a NOVA Medical School, da Universidade NOVA de Lisboa, e a Universidade Paris-Est Créteil (Upec). A parceria é estabelecida em cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e é a primeira do programa da organização para o futuro da saúde e com instituições de três países. A missão da Cátedra é fortalecer a pesquisa, o ensino, a formação e o envolvimento comunitário, mobilizando letramento de futuros e governança antecipatória por sociedades saudáveis, equitativas e resilientes.

A missão da Cátedra é fortalecer a pesquisa, o ensino, a formação e o envolvimento comunitário (foto: Divulgação)

A iniciativa foi firmada em uma cerimônia na sede da Unesco, em Paris, com a participação dos representantes das instituições, como o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “É uma cooperação com instituições internacionais pensando o futuro na perspectiva da pesquisa e do ensino, sobretudo, mas pensando também que a Fiocruz é responsável por melhorar o modo de vida das pessoas”, afirmou Mario Moreira.  

Com base na Universidade Nova de Lisboa, na capital portuguesa, a Cátedra busca desenvolver e testar novas abordagens para a educação em saúde que preparem profissionais e instituições para lidar com incerteza, complexidade e risco sistémico. A iniciativa pretende também criar modelos de aprendizagem mais inclusivos e transformadores, combinando conhecimento científico com metodologias de antecipação, construção de cenários e participação cidadã.

Através de programas de ensino e formação avançada, a Cátedra irá capacitar educadores e profissionais para integrar pensamento de futuros e colaboração intersetorial na prática, promovendo modelos pedagógicos inovadores. Em paralelo, irá produzir recursos e ferramentas de acesso aberto que facilitem a disseminação de conhecimento, a transferência de metodologias e a replicação de soluções em diferentes contextos.

As três instituições públicas que compõem a Cátedra têm forte vocação científica e compromisso com o serviço à comunidade, articulando capacidades complementares em uma cooperação triangular Europa–América Latina com ambição global.

Em conjunto, as três instituições irão mobilizar redes internacionais, potencializar sinergias com outras Cátedras e iniciativas no âmbito do Programa UNITWIN/Unesco Chairs e desenvolver ações conjuntas de pesquisa, ensino, capacitação e disseminação, com potencial de escala e replicação em múltiplas geografias.

Pela Unesco, participaram da assinatura a diretora-geral adjunta de Educação, Stefania Giannini, e a gestora do Programa de Cátedras UNITWIN/Unesco, Divisão Futuro da Aprendizagem e Inovação, Maya Prince. Pela Universidade NOVA de Lisboa, o diretor, Pedro Povoa. A reitora da Université Paris-Est Créteil, Karine Bergès, também assinou o documento. O acordo entra em vigor na data da assinatura e vai até junho de 2030.

Além da cerimônia sobre a Cátedra, ao longo do dia, o presidente Mario Moreira teve reunião com a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), que contou com a presença de seu diretor-executivo, Luis Pizarro, e a Rede Pasteur, também com a diretora-executiva, Rebecca Grais. Moreira se encontrou ainda com o novo diretor-executivo do Institut Pasteur Paris, Jean-Michel Molina.

Fiocruz passa a integrar duas Cátedras da Unesco

A Fiocruz já integra outra Cátedra Unesco, a Cátedra Oswaldo Cruz de Ciência, Saúde e Cultura, que tem como um de seus objetivos principais discutir os estudos de ciência e saúde para o desenvolvimento de uma cultura científica e a disseminação da percepção da saúde como construção social e cultural.

Tem ainda como meta incentivar a colaboração Norte-Sul-Sul, reunindo instituições de pesquisa da América e da Europa e intensificando a troca de conhecimentos sobre patrimônio e história da ciência e saúde.

Publicado em 27/01/2026 12:14 Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)

Cientistas da Fiocruz estão na lista dos que mais influenciam decisões no mundo

Um levantamento publicado na quinta-feira (6/11) pela Agência Bori revelou os 107 cientistas brasileiros que mais influenciam no mundo. Eles estão entre os mais citados em documentos que embasam tomadas de decisão. Os dados são de um relatório inédito fruto de parceria entre a Agência Bori e a Overton, maior plataforma internacional dedicada a mapear a interface entre ciência e políticas públicas. Seis dos 107 pesquisadores são da Fiocruz.

Segundo os organizadores do relatório, o documento mostra que a ciência brasileira exerce influência concreta sobre políticas públicas, mas de maneira desigual entre áreas e perfis de pesquisadores (Arte: reprodução da internet)

A pesquisa identificou cientistas brasileiros mencionados em documentos estratégicos, relatórios técnicos e pareceres usados por governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil — cada um com pelo menos 150 citações. Assim, foram mapeados os 107 cientistas. O levantamento mostra que a produção deles embasou mais de 33,5 mil documentos de políticas públicas desde 2019.

Os cientistas da Fiocruz listados na relação são os infectologistas Beatriz Grinsztejn (381 documentos e 116 artigos), Valdiléa Veloso (227 documentos e 51 artigos) e Júlio Croda (211 documentos e 39 artigos), o virologista Felipe Naveca (205 documentos e 20 artigos), o epidemiologista Albert Ko (167 documentos e 41 artigos) e o médico Marcus Lacerda (218 documentos e 57 artigos). Há baixa presença de mulheres entre os cientistas do Brasil que mais influenciam políticas públicas: dos 107 mapeados, apenas 22 são mulheres, o que corresponde a 22,5% do total.

A maior parte dos pesquisadores tem trabalhos mencionados em documentos de tomadas de decisão sobre ecossistemas e uso da terra: entre os nomes listados, 37 (35%) se destacam por concentrar esforços em temas que fazem do Brasil uma peça-chave no debate ambiental global. Esses trabalhos tratam de desmatamento, conservação, restauração e do papel dos ecossistemas na regulação do clima e na oferta de serviços essenciais à sociedade. Os cientistas foram divididos em nove macrocategorias: Ecossistemas e Uso da Terra, Clima e Atmosfera, Doenças Infecciosas e Vacinas, Doenças não Transmissíveis e Serviços, Alimentação e Nutrição, Economia e Finanças, Políticas Públicas e Governança, Energia e Transição e Educação.

Segundo os organizadores do relatório, o documento mostra que a ciência brasileira exerce influência concreta sobre políticas públicas, mas de maneira desigual entre áreas e perfis de pesquisadores. As nove macrocategorias revelam onde a interface ciência-política está mais consolidada e onde ainda há lacunas relevantes. A baixa participação feminina e a concentração em determinados campos reforçam a necessidade de ampliar a diversidade e democratizar o acesso à formulação de políticas.

Para Ana Paula Morales, cofundadora e diretora da Bori, a incidência do conhecimento científico em tomadas de decisão passa pela comunicação do que é feito na academia. “Quando a evidência é comunicada de forma clara e acessível, molda o entendimento público e capacita a sociedade a exigir decisões embasadas no conhecimento”, disse. “Tornar a ciência visível não é apenas uma questão de reconhecimento — é expandir seu alcance e sua capacidade de transformar o cotidiano”.

Os cinco cientistas brasileiros mais influentes em tomadas de decisão são da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e da USP. Pela ordem, César Victora (Ufpel), Carlos Monteiro (USP), Aluísio Barros (Ufpel), Paulo Saldiva (USP) e Pedro Hallal (Ufpel). Todos atuam em saúde ou na intersecção entre saúde e ambiente e somam mais de 5,5 mil citações em documentos ligados a decisões públicas.

*com informações da Agência Bori

Publicado em 07/11/2025 14:59 Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias)*