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LEISHMANIOSE

Brasil apresenta à OMS as experiências nacionais no enfrentamento das leishmanioses

Em visita técnica ao Brasil, comitiva internacional reúne especialistas, gestores e sociedade civil para conhecer estratégias nacionais de vigilância, diagnóstico, tratamento e prevenção desenvolvidas pelo SUS

Para milhares de pessoas que convivem com a leishmaniose, o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento adequado representa a possibilidade de uma vida com mais qualidade e cuidado. Essa perspectiva esteve entre os temas debatidos nesta segunda-feira (15), durante a primeira visita técnica conjunta da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) dedicada às leishmanioses no Brasil.

Realizado em Brasília, o encontro reúne, entre os dias 15 e 19 de junho, especialistas, gestores, pesquisadores e representantes da sociedade civil para conhecer as estratégias desenvolvidas pelo país no enfrentamento da doença e discutir caminhos para fortalecer as ações de prevenção, vigilância, diagnóstico e assistência às pessoas afetadas.

Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, a visita representa uma oportunidade de compartilhar experiências e fortalecer a cooperação internacional. “Esperamos que a experiência do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil seja útil para a luta global contra as leishmanioses, mas também que esta visita técnica nos ajude a encontrar soluções para desafios que ainda não conseguimos superar”, afirmou.

A secretária ressaltou ainda a importância da participação social na construção das políticas públicas de saúde. Segundo ela, o SUS conta com mecanismos que garantem a contribuição da sociedade civil no planejamento, na implementação e na avaliação das ações de saúde, fortalecendo a resposta às doenças tropicais negligenciadas.

Nessa linha, o presidente da Associação Brasileira de Portadores de Leishmaniose (AbrapLEISH), Alexandre Lago, compartilhou a perspectiva sobre a doença, além de destacar a importância de ampliar o acesso à informação, ao diagnóstico oportuno e ao cuidado em saúde. “O diagnóstico oportuno faz toda a diferença na vida das pessoas. Quanto mais conseguimos ampliar o acesso à informação, aos serviços de saúde e ao cuidado adequado, maiores são as chances de reduzir os impactos da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.

Alinhada ao Plano de Ação Regional contra a Leishmaniose e ao Roteiro da OMS para Doenças Tropicais Negligenciadas 2021-2030, a missão permitirá que representantes da OMS e da OPAS conheçam de perto as estratégias adotadas pelo Brasil para enfrentar a doença. Entre as experiências apresentadas estão a ampliação do acesso ao diagnóstico, a incorporação de novas tecnologias e o fortalecimento da assistência aos pacientes. A programação prevê ainda uma visita técnica a Montes Claros (MG), município que compartilhará experiências bem-sucedidas nas áreas de vigilância entomológica, controle vetorial, assistência e prevenção da leishmaniose. 

A representante da OPAS/OMS, Ana Lucianez, destacou a articulação entre governo, profissionais de saúde, pesquisadores e movimentos sociais como um dos diferenciais observados no Brasil. “É muito gratificante ver como todos trabalham em conjunto. A participação da sociedade civil é fundamental para enfrentar as doenças tropicais negligenciadas e garantir que elas deixem de ser invisibilizadas”, afirmou.

O cientista do Programa de Leishmanioses da OMS, Saurabh Jain, lembrou que o Brasil reúne experiências relevantes para toda a região das Américas. Segundo ele, a visita representa uma oportunidade para conhecer iniciativas que possam contribuir para o fortalecimento das ações de enfrentamento da doença em outros países.

Avanços no enfrentamento da doença

Nas Américas, a leishmaniose permanece como um importante desafio de saúde pública, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social e de difícil acesso aos serviços de saúde. Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde tem ampliado investimentos em vigilância, assistência, prevenção e controle da doença.

Entre as estratégias adotadas estão a descentralização do teste rápido para leishmaniose visceral na Atenção Primária à Saúde, a incorporação de novos medicamentos, a implementação de abordagens inovadoras para o tratamento da leishmaniose tegumentar e o fortalecimento da vigilância epidemiológica e laboratorial.

O país também investe em medidas de prevenção, como o uso de coleiras impregnadas com inseticida em cães de áreas endêmicas, estratégia que contribui para reduzir a transmissão da leishmaniose visceral, além da avaliação de novas tecnologias voltadas à proteção individual da população.  

João Moraes
Ministério da Saúde Categoria Saúde e Vigilância Sanitária

Publicado em 16/06/2026 10h45

InfoGripe: cresce número de hospitalizações por VSR e gripe

É essencial se vacinar contra o influenza para evitar casos graves

O número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) aumentou no Brasil e, em algumas regiões do país, também houve mais internações por gripe causada pelos vírus influenza A e B. Os dados estão no Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (11).

A análise é referente à Semana Epidemiológica 22, período de 31 de maio a 6 de junho, período em que a queda das temperaturas pode impulsionar a disseminação dos vírus respiratórios em locais fechados e aglomerados.

O estudo verificou que 11 das 27 unidades federativas apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com indícios de crescimento também na tendência de longo prazo, que considera as últimas seis semanas. São elas: Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

O InfoGripe destaca também que as demais 16 unidades da Federação apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo. Mas 12 delas ainda registram incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro.

Cuidados

Em 2026, já foram registrados 3.591 óbitos de SRAG. Para a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, é importante que a população tome alguns cuidados, como lavar sempre as mãos, usar máscaras dentro unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar.

Segundo ela, também é importante fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado, para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, a recomendação é que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara como a N95 ou PFF2

“E o mais importante: é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”, diz Tatiana.

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a alta de SRAG em crianças de até 4 anos de idade tem sido impulsionada principalmente pelo VSR, enquanto o rinovírus tem predominado entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos.

Nas últimas semanas, também tem sido observado um predomínio de casos de SRAG associados à influenza A entre jovens, adultos e idosos. A influenza B vem apresentando aumento, especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos.

Agência Brasil Publicado em 11/06/2026 – 13:53 Rio de Janeiro

Pesquisa busca novo tratamento para esquistossomose

Uma pesquisa liderada pela Fiocruz, destacada na capa da revista científica internacional ACS Infectious Diseases, aponta caminhos para desenvolver novos fármacos ativos contra o verme Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. Popularmente conhecida como “xistose”, “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”, a infecção é considerada uma doença negligenciada e está ligada à falta de saneamento.

A análise de imagens de microscopia do verme ‘Schistosoma mansoni’ foi um dos métodos utilizados para avaliar efeitos de compostos sobre suas formas juvenis (foto: Rudson Amorim, IOC/Fiocruz)

No Brasil, cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas com transmissão da doença, segundo o Ministério da Saúde. No mundo, a população sob risco chega a 700 milhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo liderado pelo  Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) investiga a atividade de moléculas derivadas do praziquantel, remédio atualmente indicado no tratamento da esquistossomose.

Em uso há cerca de 40 anos, o praziquantel é eficaz, mas o tamanho grande do tablete e o sabor amargo dificultam sua administração, especialmente para crianças. Além disso, em condições experimentais, cientistas já observaram vermes que desenvolveram resistência ao fármaco, embora casos desse tipo nunca tenham sido identificados a partir de trabalhos de campo de forma a serem considerados um problema de saúde pública.

“É importante buscar alternativas ao praziquantel. Nosso objetivo é chegar a medicamentos que possam ser otimizados do ponto de vista farmacológico, facilitando a administração e garantindo uma opção na eventualidade de resistência”, afirma o chefe do Laboratório de Bioquímica Experimental e Computacional de Fármacos do IOC/Fiocruz e primeiro autor do estudo, Floriano Paes.

Através de ensaios em laboratório e análises computacionais, os cientistas identificaram três moléculas com atividade contra o verme da esquistossomose, em níveis semelhantes ao medicamento de referência. Além disso, a pesquisa revelou uma característica inesperada, relacionada ao mecanismo de ação dos compostos, que pode orientar a criação de novos fármacos. 

“Dados de diversos trabalhos indicavam que o praziquantel se liga quase perfeitamente a uma proteína do parasito, que atua como um receptor. Porém, nós observamos que este receptor tem plasticidade, ou seja, ele consegue abrir espaço para ligação com moléculas um pouco diferentes. Isso abre possibilidade de explorar novos caminhos para desenhar compostos que superem deficiências do praziquantel”, explica Floriano.

A pesquisa foi realizada em parceria com Faculdade de Medicina de Wisconsin, nos Estados Unidos; Universidade Aberystwyth, no Reino Unido; e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Desenho racional de fármacos

As oito moléculas testadas no estudo possuem estrutura química semelhante ao praziquantel com pequenas modificações realizadas pelos cientistas.  Nos experimentos, três compostos se destacaram por apresentarem atividade contra os diferentes estágios do ciclo de vida do S. mansoni presentes no ser humano: vermes adultos, formas juvenis e larvas (que são chamadas de esquistossômulos).

Análise.

As oito moléculas testadas no estudo possuem estrutura química semelhante ao praziquantel com pequenas modificações realizadas pelos cientistas (foto: Rudson Amorim, IOC/Fiocruz)

Os testes também demonstraram que estas substâncias atuam de forma semelhante ao medicamento de referência, por meio da ligação à proteína do verme conhecida pela sigla TRPM. Segundo os pesquisadores, as substâncias não se mostraram mais potentes que o praziquantel contra vermes adultos, mas características observadas as tornam interessantes para otimização estrutural.

“Com base nos resultados, podemos propor modificações mais racionais na estrutura desses compostos para atuar na forma como eles se ligam ao receptor, aumentando a afinidade”, declara Floriano, acrescentando que a pesquisa também deve seguir com ensaios experimentais in vivo.

“No modelo de infecção em roedores, queremos investigar como essas moléculas se comportam no organismo em comparação ao praziquantel e verificar se é possível melhorar aspectos farmacológicos”, diz o pesquisador.

Publicado em 11/06/2026 10:26 Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Sarampo: infectologista alerta para vacinação em viagens para a Copa

Países-sede do Mundial respondem por 70% dos casos nas Américas

O aumento do número de casos de sarampo registrado nos Estados Unidos, México e Canadá – que sediarão jogos da Copa do Mundo 2026 – acende o alerta para a necessidade de vacinação dos turistas brasileiros que viajarão a esses países. Juntos, os três respondem por 70% dos casos nas Américas.

A observação foi feita nesta terça-feira (9) à Agência Brasil pela infectologista Natalie Del Vecchio, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz).

“O sarampo é uma doença altamente contagiosa”, disse. Isso significa que uma pessoa com o vírus consegue transmiti-lo para muitas outras simultaneamente. “E a gente tem visto a baixa cobertura vacinal nesses países e também no Brasil”, observou Natalie Del Vecchio.

Expansão

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a expansão dos casos, quando o Canadá registrou 5.062 ocorrências, o que levou à perda da certificação de país livre da doença. Em 2026, foram confirmados 124 casos no território canadense.

O México elevou o número de sete casos, notificados em 2024, para 6.152 registros em 2025. Somente em janeiro deste ano, foram 1.190 casos, de acordo com informações preliminares. Nos Estados Unidos, por sua vez, ocorreram 2.144 casos em 2025 e 721 em janeiro de 2026.

Segundo a infectologista do IFF/Fiocruz, o perigo é maior para os brasileiros que viajam para esses países sem estarem com o esquema vacinal contra sarampo completo. A vacinação pode evitar a eventual reintrodução do vírus no Brasil.

Natalie lembrou que, em novembro de 2024, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a recertificação de país livre do sarampo. O documento foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à então ministra da Saúde, Nísia Trindade. Em 2016, o Brasil já havia alcançado essa posição de nação livre da circulação endêmica do sarampo mas, em 2018, as baixas coberturas vacinais permitiram a reintrodução do vírus no país.

Risco

“A baixa cobertura vacinal é um risco para o nosso país de reintrodução do vírus no Brasil”, afirmou a infectologista. Em 2025, foram notificados 38 casos no país, todos importados de nações vizinhas. Em janeiro de 2026, foram registrados dois casos de sarampo, de uma mulher de 22 anos. no Rio de Janeiro, e de um bebê de 6 meses, em São Paulo. Os dois não tinham registro de vacinação.

Natalie Del Vecchio recomenda que mesmo as pessoas que não vão viajar para os países-sede da Copa do Mundo devem procurar completar o calendário vacinal. Para aquelas acima de 1 ano de idade até 30 anos, são necessárias duas doses da vacina contra sarampo e, de 30 a 60 anos, uma dose.

“Se a pessoa já tem o calendário dela completo, não precisa tomar uma dose extra da vacina. Se o calendário não estiver completo, os viajantes que se destinam aos países-sede da Copa devem completar o esquema vacinal. Essas pessoas viajarão com tranquilidade, exatamente para não estarem adquirindo o vírus do sarampo, nem trazendo para o nosso país. Para, exatamente, evitar um novo surto e novos casos do sarampo no Brasil”, afirmou a infectologista.

Reforço

O Ministério da Saúde lançou campanha nacional orientando brasileiros que viajarão aos Estados Unidos, México e Canadá para a Copa do Mundo a reforçar a vacinação contra o sarampo. Para crianças de 6 a 11 meses, a recomendação é que tomem a dose zero pelo menos 15 dias antes da viagem. Na faixa de 12 meses a 29 anos, é necessário ter duas doses.

Os adultos de 30 a 59 anos devem ter recebido pelo menos uma dose ao longo da vida. Outra recomendação é que a aplicação da vacina Tríplice Viral (que também protege contra caxumba e rubéola) deve ocorrer pelo menos 15 dias antes da viagem. As doses estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

Gravidade

O sarampo é uma doença grave que pode deixar sequelas por toda a vida e até causar a morte. As principais complicações variam de acordo com as fases da vida do paciente. Para crianças, pode causar pneumonia, infecções de ouvido, encefalite aguda (inflamação no encéfalo – parte do sistema nervoso dentro do crânio) e morte. Em adultos, causa pneumonia. E, em gestantes, pode resultar em parto prematuro e bebê com baixo peso.

Altamente contagiosa, a doença se espalha pela tosse, fala ou respiração. Uma pessoa infectada pode contaminar outras antes mesmo de saber que está doente. Os sintomas mais comuns são febre alta, tosse persistente, coriza, irritação nos olhos, e manchas vermelhas que começam no rosto e depois no corpo. Os sintomas costumam aparecer entre sete e 14 dias após o contato com o vírus

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil Publicado em 09/06/2026 – 14:02 Rio de Janeiro

SUS vai ampliar proteção vacinal contra doença pneumocócica

Guia preliminar com orientações foi divulgado pelo Ministério da Saúde

A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai começar a oferecer um imunizante mais abrangente contra a doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) vai substituir a 10-valente, dobrando os sorotipos prevenidos.

O Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira (27) um guia técnico preliminar com orientações sobre a mudança para profissionais de saúde. Os municípios poderão começar a aplicar a vacina assim que receberem o imunizante.

A doença pneumocócica é uma infecção causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, que pode ocasionar quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, ou graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças. A mortalidade nesses casos é de cerca de 30%. Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão também são mais vulneráveis.

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A vacinação contra a doença, com a VPC10, foi incluída no calendário básico infantil em 2010 e desde então, houve redução de 60% dos casos de doença meningocócica causada por algum dos 10 sorotipos combatidos pela vacina em crianças de até dois anos. Os casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária também caíram 65%.

No entanto, em anos mais recentes os casos vêm crescendo. De 2013 a 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. De 2022 a 2024, a média anual subiu para 211,3 casos.

A Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, explica que esta fato é reflexo de uma mudança epidemiológica decorrente da própria efetividade da vacinação.

“A introdução da vacina 10-valente foi excelente na redução desses dez tipos, o que representou uma queda importante nas doenças graves. Mas o pneumococo tem uma característica que a gente chama de “replacement“: você controlando um tipo, reduzindo a circulação, outro tipo pode começar a ganhar o espaço”

Dados da vigilância do Ministério da Saúde mostram que quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas incluídos na formulação da VPC20.

“Além disso, nos menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite meningocócica são causados pelos outros tipos adicionais da vacina 20-valente. Isso significa que há a possibilidade da gente voltar a reduzir a curva de incidência porque estaremos protegendo exatamente contra os sorotipos que hoje prevalecem”, complementa Flávia. 

As vacinas pneumocócicas conjugadas, que são o caso tanto da VPC10 quanto da VPC20, também evitam que o pneumococo se instale na nasofaringe de pessoas vacinadas. Por isso, além de evitar que elas desenvolvam a doença, a vacina também impede a transmissão, promovendo proteção indireta às pessoas não vacinadas.

O Programa Nacional de Imunizações já oferece outras vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, a VPC13 e a VPP23, mas apenas para públicos específicos, com determinadas condições de saúde que aumentam a vulnerabilidade às formas graves da doença. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20 após o fim dos estoques.

Fazem parte dos grupos de alto risco que devem tomar a vacina: pessoas vivendo com HIV/aids; pacientes oncológicos; transplantados de órgãos sólidos ou medula; imunodeficientes; pessoas com nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas; asmáticos graves; diabéticos; pessoas com síndrome de down e prematuros.

O calendário básico de vacinação prevê que os bebês devem receber duas doses da vacina pneumocócica, aos 2 e aos 4 meses de idades, com mais uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não tenham sido vacinadas na idade correta devem atualizar a carteira o mais breve possível.

Durante o período de transição da VPC10 para a VPC20, as crianças receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose. Crianças que já receberam a primeira dose da vacina 10-valente, serão vacinadas com a 20-valente na segunda dose e no reforço. Uma dose de reforço da VPC20 também será aplicada nas crianças menos de 5 anos que completaram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10.

A vacina só é contraindicada para pessoas com alergia grave a algum componente da fórmula, ou que apresentaram reação alérgica severa em doses anteriores. Recomenda-se também que quem estiver com febre espere melhorar antes de se imunizar

Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil Publicado em 28/05/2026 – 14:25 Rio de Janeiro

Voluntários brasileiros morrem no Congo devido a surto de Ebola

Dez países africanos estão sob risco da doença

A Cruz Vermelha brasileira lamentou a morte de três voluntários brasileiros na República Democrática do Congo (RDC). Em nota, divulgada no sábado (23), a entidade informou que eles foram vítimas de infecção por ebola.

“Eles perderam suas vidas para o vírus ebola enquanto lutavam bravamente na linha de frente do combate à doença”, diz o texto da entidade.

A Cruz Vermelha lamentou as mortes destacando o legado deixado por eles. “Expressamos nossos mais profundos sentimentos e sincero respeito aos familiares, amigos e a toda a equipe congolesa. O legado de coragem, humanidade e sacrifício desses voluntários jamais será esquecido.

Surto de ebola

A RDC passa atualmente por um surto de Ebola, segundo anunciou na sexta-feira (23) a Organização Mundial da Saúde (OMS). O país tem um “risco muito alto” de contaminação pelo vírus.

Isso significa que a doença está se espalhando rapidamente. Segundo a última contagem da OMS, 82 pessoas foram contaminadas oficialmente no país e há sete mortes, mas os números podem ser maiores. Há cerca de 750 casos não confirmados e 177 mortes suspeitas, também segundo a OMS.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC Africa) informou na sexta-feira (22) que dez países africanos estão sob risco de um surto de ebola. São eles:

  •     Sudão do Sul
  •     Ruanda
  •     Quênia
  •     Zâmbia
  •     República Centro-Africana
  •     Tanzânia
  •     Etiópia
  •     Angola
  •     Congo
  •     Burundi

Agência Brasil Publicado em 25/05/2026 – 09:22 São Paulo

Ebola: veja cronologia da doença e entenda causa de surtos na África

Disseminação do vírus acende alerta da Organização Mundial da Saúde

No início do mês, autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) emitiram alerta sobre um surto de alta mortalidade causado por uma doença até então desconhecida no município de Mongbwalu, na província de Ituri. O cenário incluía até mesmo mortes entre profissionais de saúde.

Cerca de 10 dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, capital da RDC, analisou 13 amostras de sangue colhidas no distrito de Rwampara. A avaliação laboratorial confirmou a presença do vírus Bundibugyo, um tipo de ebola, em oito do total de amostras colhidas.

Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país. Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda, país vizinho, confirmou surto de Bundibugyo, após identificar um caso importado: um congolês que morreu na capital, Kampala.

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No dia seguinte, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, após consultar ambos os Estados-Membros onde os surtos foram identificados, determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo tanto na RDC quanto em Uganda constitui emergência em saúde pública de importância internacional.

A OMS explica que o engajamento da comunidade é fundamental para o controle bem-sucedido de qualquer surto.

“[Isso] depende [também] da utilização de uma série de intervenções, como assistência clínica, vigilância e rastreamento de contatos, serviços laboratoriais, prevenção e controle de infecções em unidades de saúde, sepultamentos seguros.”

As medidas de enfrentamento incluem o envio de equipes de resposta rápida, o fornecimento de suprimentos médicos, o reforço da vigilância, da confirmação laboratorial, das avaliações de prevenção e do controle de infecções, a criação de centros de tratamento seguros e o engajamento da comunidade.

A doença

O ebola é classificado pela própria OMS como grave, frequentemente fatal, que afeta humanos e outros primatas.

O vírus é transmitido aos humanos por animais selvagens, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos, e passa de pessoa para pessoa por meio do contato direto com secreções, sangue, órgãos ou outros fluidos corporais de pacientes infectados.

O contágio também ocorre por meio do contato com superfícies e materiais, como roupas de cama e vestuário, contaminados com fluidos.

A taxa média de letalidade da doença é de cerca de 50%. Em surtos anteriores, segundo a OMS, as taxas de letalidade chegaram a 90%.

Surtos

A OMS classifica o surto de ebola registrado entre 2014 e 2016 na África Ocidental como o maior e mais complexo desde a descoberta do vírus, em 1976. 

À época, houve mais casos e mortes do que em todos os outros surtos combinados. A doença também se espalhou entre países, começando na Guiné e atravessando fronteiras terrestres para Serra Leoa e Libéria.

Sintomas

O período de incubação do ebola – intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus e o início dos sintomas – varia de dois a 21 dias. Segundo a OMS, a pessoa infectada não transmite a doença até desenvolver sintomas.

As alterações físicas incluem febre, fadiga, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Em seguida, aparecem vômitos, diarreia, dor abdominal, erupções cutâneas e sintomas de comprometimento das funções renais e hepáticas. Em casos menos frequentes, podem ocorrer sangramentos internos e externos. 

A própria OMS avalia que pode ser difícil distinguir clinicamente o ebola de outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide e meningite. Por esse motivo, diversos testes diagnósticos foram desenvolvidos para confirmar a presença do vírus.

Tratamento e prevenção

O tratamento intensivo precoce, incluindo a reidratação com fluidos orais ou intravenosos, e o tratamento de sintomas específicos, segundo a OMS, melhoram a sobrevida do paciente.

Especificamente para a doença causada pelo vírus Ebola (DEV), a OMS recomenda o tratamento com os anticorpos monoclonais. Já para outras doenças causadas pelo ebola, como é o caso do vírus Bundibugyo, não existem terapias aprovadas.

Duas vacinas foram aprovadas para DEV: a Ervebo e a Zabdeno e Mvabea. A vacina Ervebo é recomendada pela entidade como parte da resposta a surtos identificados.

Para orientar a população, a OMS preparou uma lista com as principais perguntas e respostas sobre o ebola.

O que é o ebola?

É uma enfermidade rara, porém grave, causada por um vírus pertencente ao gênero Orthoebolavirus, da família Filoviridae. As taxas de mortalidade variaram de 25% a 90%.

Seis espécies de Orthoebolavirus foram identificadas até o momento, sendo três conhecidas por causarem grandes surtos: Ebola, Sudão e Bundibugyo.

O reservatório animal dos vírus é desconhecido, mas as evidências atuais sugerem que morcegos frugívoros (Pteropodidae) podem ser hospedeiros.

Quais os sintomas típicos da doença?

Os sintomas podem surgir repentinamente e incluem:

  • febre;
  • fadiga;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça e dor de garganta.

Esses sintomas podem ser seguidos por:

  • vômito;
  • diarreia;
  • feridas na pele;
  • sangramento interno e externo.

Quanto tempo para manifestação dos sintomas?

O intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas varia de dois a 21 dias. As pessoas só se tornam contagiosas após desenvolverem sintomas.
Pode ser difícil distinguir clinicamente o ebola de outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide, dengue ou doença do vírus de Marburg.
Mesmo quando as pessoas desenvolvem sintomas semelhantes aos do ebola, somente um exame laboratorial pode confirmar se a causa é o vírus.

Como o ebola se espalha?

O vírus se espalha mais comumente de pessoa para pessoa por meio da exposição ao sangue ou a outros fluidos corporais (principalmente fezes, vômito, suor e saliva) de uma pessoa infectada, viva ou morta.

Isso ocorre quando o vírus entra no corpo através de pele lesionada ou de membranas mucosas, como olhos, nariz ou boca, geralmente quando alguém está cuidando de um paciente ou tocando o corpo de alguém que morreu da doença.

A transmissão também ocorre pelo contato ou manuseio de objetos contaminados com fluidos corporais de uma pessoa doente ou de alguém que morreu de ebola.

Em casos raros, a transmissão de um homem recuperado para sua parceira sexual foi documentada. Isso acontece porque o vírus pode persistir por algum tempo no sêmen de alguns homens recuperados da doença.

Quais medidas para se proteger durante episódios de surto?

  • evitar contato físico com indivíduos suspeitos ou confirmados com ebola;
  • não manusear corpos de pessoas que apresentaram sintomas de ebola e morreram sem as devidas precauções;
  • lavar as mãos regularmente, seguindo as melhores práticas recomendadas pelas autoridades locais para a lavagem das mãos.

O que as pessoas devem fazer para conter infecção por animais?

  • evitar comer animais mortos ou tocá-los sem medidas de proteção, especialmente durante um surto de ebola;
  • lavar bem as mãos antes e depois de tocar em qualquer animal ou produto de origem animal;
  • cozinhar bem os produtos de origem animal (sangue e carne) antes do consumo.

Quem corre maior risco?

  1. profissionais de saúde e assistência social em contato próximo com pacientes;
  2. cuidadores, familiares ou outras pessoas em contato físico direto com pessoas infectadas;
  3. pessoas em luto que têm contato físico direto com os corpos durante funerais ou rituais de sepultamento.

Quais providências tomar, após contato físico com infectados?

Se uma pessoa teve contato físico direto com alguém infectado ou com suspeita de ebola, pode estar sob risco de desenvolver a doença. A orientação é entrar em contato com seu médico ou com o posto de saúde local para entender sobre os próximos passos.

Uma vez que a pessoa é identificada como “contato”, sua saúde será monitorada por 21 dias após a exposição. Autoridades locais ou profissionais de saúde irão orientá-la sobre comportamentos recomendados e incentivá-la a:

  1. aceitar visitas diárias da equipe de rastreamento de contatos para monitorar a saúde;
  2. permitir que a temperatura seja aferida;
  3. responder a todas as perguntas com a maior precisão possível e tirara todas as dúvidas;
  4. relatar sintomas (se houver) assim que os desenvolver;
  5. evitar viagens, a menos que a viagem tenha sido discutida com a autoridade de saúde local;
  6. tomar a vacina, se disponível.

Existe tratamento para o ebola?

Existem dois tratamentos aprovados para adultos e crianças com a doença do vírus ebola: o Ansuvimab e o Inmazeb. Com base nesses fármacos, novos tratamentos potenciais, segundo a OMS, estão sendo avaliados para outros ortoebolavírus, mas ainda não foram totalmente testados.

É possível tratar a doença em casa?

A OMS não recomenda que famílias ou comunidades cuidem de pessoas com ebola em casa. Pessoas com sintomas devem procurar atendimento em um centro de saúde. O tratamento precoce em um centro de referência é essencial e pode aumentar as chances de recuperação.

Se uma pessoa morrer em casa com suspeita de ebola, a comunidade e os familiares devem evitar manusear ou preparar o corpo para o enterro. A orientação é entrar em contato imediatamente com as autoridades de saúde locais para realizar um sepultamento seguro e digno, de acordo com os desejos da família.

O que fazer se precisar viajar?

A OMS não recomenda, até o momento, restrições comerciais ou de circulação, como confinamentos ou quarentenas, em áreas afetadas pelo ebola.

No entanto, viagens de pessoas que tiveram contato próximo com casos de ebola devem ser minimizadas ou adiadas sempre que possível, para evitar a propagação do vírus.

Se a viagem de uma pessoa que teve contato com o vírus for necessária, ela deve ser discutida e supervisionada pelas autoridades de saúde pública para que seja garantido o acompanhamento adequado na área de destino.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 19/05/2026 – 14:30 Brasília

OMS descarta indícios de “surto maior” de hantavírus

Até o momento, foram relatados 11 casos da doença, incluindo 3 óbitos

Ao comentar os casos de hantavírus registrados em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta terça-feira (12) que não há indícios de um surto maior da doença.

“Neste momento, não há indícios de que estejamos presenciando o início de um surto maior. Mas, é claro, a situação pode mudar. E, considerando o longo período de incubação do vírus, é possível que vejamos mais casos nas próximas semanas”, avaliou Tedros, durante coletiva de imprensa.

Segundo o diretor, até o momento, foram relatados 11 casos de hantavírus, incluindo três óbitos. Todos os casos ocorreram entre passageiros ou tripulantes do navio MV Hondius.

Nove dos 11 casos foram confirmados como sendo da cepa Andes, e os outros dois são tratados como prováveis.

“Não houve nenhuma morte desde o dia 2 de maio, quando a OMS foi informada pela primeira vez sobre o surto. Todos os casos suspeitos e confirmados foram isolados e estão sendo acompanhados sob rigorosa supervisão médica, minimizando qualquer risco de transmissão.”

Repatriação

Tedros destacou ainda que os países para os quais os passageiros foram repatriados são responsáveis por monitorar a saúde de cada um deles.

“A OMS está ciente de relatos de um pequeno número de pacientes com sintomas compatíveis com o vírus Andes e estamos acompanhando cada um desses relatos junto aos respectivos países”.

A recomendação da entidade é de que os passageiros do cruzeiro sejam monitorados ativamente em uma instalação de quarentena específica ou mesmo em casa por um período de 42 dias a partir da última exposição, que aconteceu em 10 de maio – ou seja, até 21 de junho.

“Qualquer pessoa que apresentar sintomas deve ser isolada e tratada imediatamente. Nosso trabalho não terminou. A OMS continuará trabalhando em estreita colaboração com especialistas em todos os países afetados”, concluiu o diretor.

OMS descarta indícios de “surto maior” de hantavírus Repórter da Agência Brasil Publicado em 12/05/2026 – 10:27 Brasília

OMS descarta indícios de “surto maior” de hantavírus

Repórter da Agência Brasil Publicado em 12/05/2026 – 10:27 Brasília

Oftalmologistas lançam campanha 24 Horas pelo Glaucoma

Mobilização divulga ações para diagnóstico precoce da doença

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) lançaram, nesta segunda-feira (4), a campanha 24 Horas pelo Glaucoma – 24 Dias de Cuidado, doença silenciosa que lidera causas de cegueira irreversível no mundo. A proposta é, ao longo do mês de maio, mobilizar o país com ações voltadas para o diagnóstico precoce.

A campanha inclui a produção e a distribuição de conteúdos educativos e informativos sobre o glaucoma em diferentes plataformas, com destaque para uma série de podcasts voltada para médicos, gestores e população em geral, que aborda temas como fatores de risco, adesão ao tratamento, uso correto de colírios e combate à desinformação.

Perda visual

Sem sintomas nas fases iniciais, o glaucoma costuma ser identificado apenas quando já há comprometimento da visão. No Brasil, a estimativa é que cerca de 1,7 milhão de pessoas convivam com a doença. Como a perda visual é irreversível, o diagnóstico tardio, segundo o CBO, permanece como um dos principais desafios.

Entre os principais fatores de risco para a doença estão histórico familiar, idade acima de 40 anos e alta miopia. Além disso, pessoas negras e asiáticas têm maior predisposição. O conselho reforça que, via Sistema Único de Saúde (SUS), é possível ter acesso a diagnóstico, acompanhamento e tratamento, incluindo colírios e procedimentos.

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Números

Entre janeiro de 2019 e dezembro de 2025, mais de 12 milhões de exames específicos para o diagnóstico de glaucoma foram feitos via SUS. “Embora o volume de procedimentos tenha aumentado ao longo dos anos, a distribuição desse crescimento entre as regiões do país revela disparidades no acesso a esses serviços”, avaliou o CBO.

O número total de exames saltou de 1.377.397 em 2019 para 2.269.919 em 2025 – um crescimento de 65%. A evolução, entretanto, não foi homogênea: o Sudeste liderou com um aumento de 115%, enquanto o Nordeste registrou o menor crescimento, de apenas 36%

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 04/05/2026 – 15:06 Brasília

Três pessoas morrem em cruzeiro em meio a possível surto de hantavírus

Caso da doença foi confirmada pela Organização Mundial da Saúde

Três pessoas morreram e pelo menos outras três estão doentes em meio a um possível surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico. A informação foi confirmada na noite deste domingo (3) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em nota, a entidade informou que, até o momento, um caso de infecção por hantavírus foi confirmado em laboratório enquanto os outros cinco mantêm status de casos suspeitos. Além das três mortes, uma pessoa segue em terapia intensiva em uma unidade de saúde na África do Sul.

“Investigações detalhadas estão em andamento, incluindo testes laboratoriais adicionais e investigações epidemiológicas. Assistência médica e apoio estão sendo fornecidos aos passageiros e à tripulação. O sequenciamento do vírus também está em andamento”, destacou o comunicado.

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A OMS reforçou que infecções por hantavírus são tipicamente associadas à exposição ambiental, incluindo a exposição à urina ou a fezes de roedores infectados. “Embora rara, a transmissão do hantavírus entre pessoas pode levar a doenças respiratórias graves e requer monitoramento, apoio e resposta cuidadosos aos pacientes”.

“A OMS está facilitando a coordenação entre Estados-membros e os operadores do navio para a evacuação médica de dois passageiros sintomáticos, bem como para a avaliação completa do risco à saúde pública e o apoio aos demais passageiros a bordo”, completou a nota.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Publicado em 04/05/2026 – 09:55 Brasília