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Fiocruz participa de encontro da ONU sobre prevenção, preparação e resposta a pandemias

A Fiocruz integrou a comitiva do Ministério da Saúde que participou da Semana de alto Nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU81), de 22 a 29 de setembro, em Nova York. A AGNU é o principal espaço de debate e cooperação multilateral e reúne anualmente líderes mundiais para discutir os principais desafios globais e promover a cooperação internacional em temas prioritários para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das populações.

O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz (de blazer branco) e as assessoras Luana Bermudez e Paula Reges 

Preparação para pandemias, financiamento da saúde, produção local e acesso equitativo a tecnologias em saúde estiveram no centro do debate global durante a Semana de Alto Nível da AGNU81, especialmente em função da Reunião de Alto Nível sobre Prevenção, Preparação e Resposta a Pandemias, em 25 de setembro. A semana contou também com eventos e painéis dedicados a outros temas estratégicos para os sistemas de saúde, incluindo mudanças climáticas, transformação digital, combate à desinformação, saúde da mulher e saúde mental.

O Ministério da Saúde foi representado pelo secretário-executivo, Adriano Massuda, a Assessoria Especial de Assuntos Internacionais e a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. A delegação da Fiocruz incluiu a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Priscila Ferraz, além de Paula Reges e Luana Bermudez, assessoras da Fundação.

A semana de trabalho da delegação da Fundação começou com um evento paralelo de lançamento do relatório final do Painel de Alto Nível sobre a Reforma da Arquitetura e Governança da Saúde Global (HLP-GHAG por suas siglas em inglês), do Accra Reset. O encontro, ao qual esteve presente a vice-presidente Priscila Ferraz, reuniu líderes políticos do Sul e Norte globais, representantes do alto escalão das Nações Unidas, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e dirigentes de instituições globais de saúde, como Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A vice-presidente da Fiocruz, co-chair do Painel de Alto Nível ,liderou os trabalhos do HLP-GHAG sobre soberania em saúde, abrangendo toda a cadeia de valor, da inovação e regulação à produção, aquisição e acesso. O Accra Reset é uma iniciativa liderada por chefes de Estado para reconstruir a cooperação global para o desenvolvimento em torno da soberania, da capacidade de execução e da prosperidade compartilhada, no Sul Global e em outras regiões.

Estratégias globais

Outro compromisso que contou com a participação da vice-presidente foi o encontro Da ambição à ação: o que será necessário para alcançar a meta de 100 dias para a preparação contra pandemias, que integrou a programação da Devex Impact House e reuniu lideranças globais para discutir estratégias voltadas ao fortalecimento das capacidades nacionais e internacionais de resposta a futuras emergências sanitárias, com o objetivo de transformar a ambição da Missão dos 100 Dias em ações concretas para acelerar o desenvolvimento e a disponibilização de vacinas, diagnósticos e tratamentos diante de futuras ameaças pandêmicas. A iniciativa foi promovida pela Devex, em parceria com o Secretariado Internacional para Preparação para Pandemias (IPPS), a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi), a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), o Medicines Patent Pool (MPP), a Unitaid e a Fundação para Novos Diagnósticos Inovadores (Find).

O secretário-executivo do MS, Adriano Massuda, a vice-presidente Priscila Ferraz e a coordenadora-geral da Aisa/MS, Camila Mandel

Com base na experiência do Brasil, Priscila Ferraz ressaltou que uma resposta eficaz a emergências depende de investimentos e capacidades estabelecidos muito antes do início de uma crise: “Em nível estratégico, é essencial construir capacidades sustentáveis de produção e inovação nos âmbitos local e regional”, destacando o papel que a capacidade já existente no setor público brasileiro desempenhou na resposta do país à Covid-19. “Esses investimentos foram fundamentais para a resposta do Brasil durante a pandemia e agora servem de base para a preparação diante de futuras emergências”. Na Fiocruz, essas capacidades incluem a expansão da produção de diagnósticos, a fabricação de vacinas, a pesquisa clínica e o investimento em novas tecnologias, como terapias avançadas e uma plataforma de mRNA 100% brasileira — a primeira da América Latina e do Caribe a entrar em ensaios clínicos.

Priscila Ferraz também destacou a recente designação da Fiocruz pela OMS como centro regional de treinamento em bioprodução para as Américas. A Fundação vai desempenhar um papel no fortalecimento de capacidades ao longo de toda a cadeia de valor, desde a pesquisa e desenvolvimento até o desenvolvimento clínico, a regulação e a ampliação da escala de produção.

Lições da Covid-19

Destacou-se também a participação da assessora Paula Reges no painel Como prevenir futuras emergências de saúde e pandemias?, promovido pelo Instituto de Política Global da Universidade Columbia, pelo ICAP Global Health e pelo Painel Independente para Preparação e Resposta a Pandemias (IPPPR). O encontro debateu as lições aprendidas com a pandemia de Covid-19, as lacunas persistentes na preparação para futuras emergências sanitárias e os caminhos para fortalecer a cooperação multilateral em um contexto marcado pela redução do financiamento global da saúde, pelas desigualdades no acesso a tecnologias e pelos desafios à cooperação internacional.

Durante sua intervenção, Paula Reges ressaltou que a saúde, como direito constitucional no Brasil, exige mais do que a oferta de serviços de saúde ou a aquisição de produtos para o setor. Segundo ela, é fundamental que o país disponha de capacidade científica, tecnológica e produtiva para desenvolver, produzir e disponibilizar as tecnologias de saúde necessárias para atender às necessidades da população.

Paula também participou do painel O desafio da preparação: a dengue como teste de resistência para a segurança da Saúde Global, realizado durante o Fórum de Saúde da Foreign Policy na AGNU. O debate abordou como os países podem avançar de uma abordagem reativa de controle de surtos para modelos mais robustos e sustentáveis de preparação para emergências sanitárias.

Ao compartilhar a experiência brasileira, Reges destacou que a dinâmica da dengue vem se transformando mesmo em um país que convive com a doença há décadas. Ela enfatizou a importância de fortalecer capacidades locais, tanto em recursos humanos quanto no desenvolvimento e na produção de tecnologias em saúde, além de valorizar o conhecimento gerado nos territórios para orientar a formulação de políticas públicas e as decisões de investimento voltadas à preparação e resposta a futuras emergências.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de “conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão”

Publicado em 29/09/2026 15:18

InfoGripe: casos de SRAG estão em queda no país

A mais nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) estão em queda no cenário nacional, com oscilação na tendência de curto prazo e estabilização na tendência de longo prazo. No entanto, seis estados apresentaram, nas últimas duas semanas, incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinais de crescimento: Maranhão, Pará, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rio Grande do Sul. Outros quatro estados também registraram incidência de SRAG em níveis que exigem atenção, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Santa Catarina. 

Divulgada nesta quinta-feira (17/9), a atualização é referente à Semana Epidemiológica (SE) 36, período de 6 a 12 de setembro. No agregado nacional, o aumento de SRAG concentra-se, sobretudo, na faixa etária de 2 a 14 anos e está associado principalmente ao rinovírus. No Rio Grande do Sul, o metapneumovírus também tem contribuído para esse aumento. O Boletim aponta ainda que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o rinovírus e o metapneumovírus se destacam como principais causas de mortalidade em crianças pequenas.

Pesquisadora do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e Boletim InfoGripe, Tatiana Portella chama atenção que, mesmo com a baixa de casos de SRAG na maior parte do país, é importante que a população de risco verifique se está em dia com o calendário de vacinação. “Idosos e imunocomprometidos precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses, enquanto os demais grupos prioritários devem tomar doses de reforço uma vez ao ano. Também é essencial que todas as gestantes tomem a vacina contra o VSR a partir da 28 semana de gestação”, ressalta.

Estados e capitais

Gráficos do InfoGripe.

O Boletim também indica que o período de sazonalidade do VSR já se encerrou ou que os casos graves estão em queda. No entanto, os estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentaram níveis baixos de incidência. 

Em relação à Covid-19, há um leve aumento dos casos graves em São Paulo. Nas demais unidades federativas, os casos de SRAG por Covid-19 estão em um patamar baixo de incidência. 

“Nos estados onde ainda há um aumento de SRAG, é importante que a população também tome alguns cuidados extras, como evitar ter contato próximo com pessoas que estão com sintomas de gripe ou resfriado, lavar as mãos com frequência, e manter uma etiqueta respiratória, como cobrir a boca ou nariz com o braço ou lenço de papel ao tossir ou espirrar”, destaca Portella. “Pessoas que já estão com sintomas de gripe ou resfriado: o ideal é ficar em casa em isolamento, mas, se não for possível, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara”. 

Duas das 27 capitais, Belém (PA) e Florianópolis (SC), apresentaram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento de SRAG até a SE 36.

Dados epidemiológicos

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi 52,4% para rinovírus; 22,2% para VSR; 5,9% para influenza B; 3,9% para influenza A; e 2,8% para Sars-CoV-2 (Covid-19).

Em 2026, já foram notificados 151.165 casos de SRAG, sendo 81.572 (54%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 53.771 (35,6%) negativos e cerca de 7.255 (4,8%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 41,1% para VSR; 31,4% para rinovírus; 17% para influenza A; 5,5% para influenza B; e 3,8% para Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Em 2026, já foram registrados 6.663 óbitos por SRAG, sendo 3.112 (46,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 2.904 (43,6%) negativos e ao menos 112 (1,7%) aguardando resultado laboratorial. Verificou-se que, no ano, 35,4% das mortes foram por influenza A; 22,9% por rinovírus; 16,2% por VSR; 14% por Sars-CoV-2 (Covid-19); e 9,3% por influenza B. 

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças menores de 2 anos, em termos de mortalidade, ocorre o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada. 

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório foi de 28,9% por rinovírus; , 26,8% por VSR; 14,8% por influenza B; 12% por influenza A; e 5,6% por Sars-CoV-2 (Covid-19).

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de “conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão”.

Publicado em 17/09/2026 11:16

InfoGripe alerta para a manutenção da alta de casos de SRAG no paísInfoGripe alerta para a manutenção da alta de casos de SRAG no país

Divulgada nesta quinta-feira (25/6), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz reforça o alerta para a manutenção da alta do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. Todas as unidades da Federação, com exceção de Rondônia, Piauí e Pernambuco, apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Oito delas também sinalizam crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 24: Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Santa Catarina. Esta alta de SRAG segue associada, principalmente, à maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também às influenzas A e B. Referente à Semana Epidemiológica 24, a atualização abrange o período de 14 a 20 de junho.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, observa que, em relação à Covid-19, o número de casos de SRAG apresenta aumento em alguns estados, como Amazonas, Pará e Ceará, mas que, no entanto, esse crescimento ainda é lento e que os casos semanais permanecem em níveis baixos. Diante deste cenário, Portella chama a atenção para a importância de a população elegível manter a vacinação contra o vírus em dia.

“Lembrando que idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses para ficarem adequadamente protegidos. A vacinação é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave, como influenza, Covid-19 e vírus sincicial respiratório. Por isso, é fundamental que as pessoas dos grupos de risco e elegíveis estejam com a vacinação em dia”, ressaltou.

Além disso, recomendou a pesquisadora, é importante manter medidas de prevenção, como lavar sempre as mãos e utilizar máscara em postos de saúde e em locais fechados ou com maior aglomeração de pessoas. Caso apresente sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é permanecer em isolamento. Se isso não for possível, a recomendação é sair de casa usando uma boa máscara, para reduzir o risco de transmissão do vírus para outras pessoas.
 


Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado em toda a região Sul (PR, SC e RS), boa parte do Sudeste (RJ, MG e SP) e em alguns estados do Norte (AP, PA e RR), Nordeste (AL, CE, MA) e no Mato Grosso do Sul. Nos estados do Acre, Pará, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo os casos de SRAG por VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda.

As hospitalizações por influenza A seguem aumentando no Acre e em Roraima e, embora apresentem tendência de estabilização ou queda, permanecem em níveis elevados em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já os casos graves por Influenza B continuam aumentando em boa parte do Centro-Sul (GO, DF, MS, MG, SP, RJ, PR, RS e SC), além do Ceará e do Maranhão. Os casos de SRAG por Covid-19 seguem com sinal de crescimento em alguns estados do Norte (AM, CE e PA), mas o número semanal de casos ainda permanece baixo. As notificações de SRAG por Covid-19 permanecem com indícios de aumento em alguns estados da Região Norte (Amazonas e Pará), além do Ceará. No entanto, o número semanal de casos ainda permanece baixo.

Oito das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a semana epidemiológica 24: Boa Vista (Roraima), Curitiba (Paraná), Florianópolis (Santa Catarina), Macapá (Amapá), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), São Luís (Maranhão) e Vitória (Espírito Santo).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 16,4% para influenza A, 7,9% para influenza B, 53,1% para vírus sincicial respiratório, 23,9% para rinovírus e 2% Covid-19 (Sars-CoV-2). Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus, considerando apenas os casos positivos e o mesmo período, foi de 38,3% para influenza A, 12,6% para influenza B, 20,9% para vírus sincicial respiratório, 21,6% para rinovírus e 7,5% para Covid-19 (Sars-CoV-2).

Em nível nacional, a análise verificou sinal de manutenção do crescimento dos casos de SRAG entre os idosos e desaceleração desse crescimento entre crianças menores de dois anos e pessoas de 15 a 49 anos. Entre crianças e adolescentes de dois a 14 anos, os casos estão em queda.

O cenário atual, em nível nacional, aponta estabilização ou oscilação nas tendências de longo e de curto prazo. No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 97.813 casos de SRAG, sendo 49.511 (50,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 34.270 (35%) com resultado negativo e 7.771 (7,9%) ainda aguardando resultado laboratorial.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A ocorrência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas e está associada, principalmente, ao vírus sincicial respiratório. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto em crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada na população com 65 anos ou mais. As ocorrências de SRAG por Covid-19 continuam baixas em todas as faixas etárias.

Divulgada nesta quinta-feira (25/6), a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz reforça o alerta para a manutenção da alta do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. Todas as unidades da Federação, com exceção de Rondônia, Piauí e Pernambuco, apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Oito delas também sinalizam crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 24: Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Santa Catarina. Esta alta de SRAG segue associada, principalmente, à maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também às influenzas A e B. Referente à Semana Epidemiológica 24, a atualização abrange o período de 14 a 20 de junho.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, observa que, em relação à Covid-19, o número de casos de SRAG apresenta aumento em alguns estados, como Amazonas, Pará e Ceará, mas que, no entanto, esse crescimento ainda é lento e que os casos semanais permanecem em níveis baixos. Diante deste cenário, Portella chama a atenção para a importância de a população elegível manter a vacinação contra o vírus em dia.

“Lembrando que idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses para ficarem adequadamente protegidos. A vacinação é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave, como influenza, Covid-19 e vírus sincicial respiratório. Por isso, é fundamental que as pessoas dos grupos de risco e elegíveis estejam com a vacinação em dia”, ressaltou.

Além disso, recomendou a pesquisadora, é importante manter medidas de prevenção, como lavar sempre as mãos e utilizar máscara em postos de saúde e em locais fechados ou com maior aglomeração de pessoas. Caso apresente sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é permanecer em isolamento. Se isso não for possível, a recomendação é sair de casa usando uma boa máscara, para reduzir o risco de transmissão do vírus para outras pessoas.
 


Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado em toda a região Sul (PR, SC e RS), boa parte do Sudeste (RJ, MG e SP) e em alguns estados do Norte (AP, PA e RR), Nordeste (AL, CE, MA) e no Mato Grosso do Sul. Nos estados do Acre, Pará, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo os casos de SRAG por VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda.

As hospitalizações por influenza A seguem aumentando no Acre e em Roraima e, embora apresentem tendência de estabilização ou queda, permanecem em níveis elevados em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já os casos graves por Influenza B continuam aumentando em boa parte do Centro-Sul (GO, DF, MS, MG, SP, RJ, PR, RS e SC), além do Ceará e do Maranhão. Os casos de SRAG por Covid-19 seguem com sinal de crescimento em alguns estados do Norte (AM, CE e PA), mas o número semanal de casos ainda permanece baixo. As notificações de SRAG por Covid-19 permanecem com indícios de aumento em alguns estados da Região Norte (Amazonas e Pará), além do Ceará. No entanto, o número semanal de casos ainda permanece baixo.

Oito das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a semana epidemiológica 24: Boa Vista (Roraima), Curitiba (Paraná), Florianópolis (Santa Catarina), Macapá (Amapá), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), São Luís (Maranhão) e Vitória (Espírito Santo).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 16,4% para influenza A, 7,9% para influenza B, 53,1% para vírus sincicial respiratório, 23,9% para rinovírus e 2% Covid-19 (Sars-CoV-2). Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus, considerando apenas os casos positivos e o mesmo período, foi de 38,3% para influenza A, 12,6% para influenza B, 20,9% para vírus sincicial respiratório, 21,6% para rinovírus e 7,5% para Covid-19 (Sars-CoV-2).

Em nível nacional, a análise verificou sinal de manutenção do crescimento dos casos de SRAG entre os idosos e desaceleração desse crescimento entre crianças menores de dois anos e pessoas de 15 a 49 anos. Entre crianças e adolescentes de dois a 14 anos, os casos estão em queda.

O cenário atual, em nível nacional, aponta estabilização ou oscilação nas tendências de longo e de curto prazo. No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 97.813 casos de SRAG, sendo 49.511 (50,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 34.270 (35%) com resultado negativo e 7.771 (7,9%) ainda aguardando resultado laboratorial.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A ocorrência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas e está associada, principalmente, ao vírus sincicial respiratório. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto em crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada na população com 65 anos ou mais. As ocorrências de SRAG por Covid-19 continuam baixas em todas as faixas etárias.

Publicado em 25/06/2026 10:52 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

Plano Integrado de Saúde nas Favelas do RJ impacta 1,1 milhão de pessoas

Com 146 projetos executados, 175 favelas alcançadas em 33 municípios do estado do Rio de Janeiro e 1,1 milhão de pessoas impactadas, o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro completa seis anos e se fortalece como uma das mais amplas redes de promoção da saúde territorial do país. Criado durante a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, em 2020, a iniciativa nasceu de uma parceria entre a Fiocruz e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a partir de uma premissa urgente: a defesa da vida nos territórios populares através da articulação, escuta e construção coletiva.

Para 2027, a agenda inclui novos editais, expansão territorial, cursos de formação, um documentário sobre a trajetória do Plano e o lançamento do portfólio das iniciativas apoiadas. Atualmente, o investimento total soma R$ 23,7 milhões, mobilizados via Alerj (R$ 20 milhões), Fiocruz (R$ 3 milhões) e emendas parlamentares federais (R$ 700 mil).

Rede conecta territórios, ciência e poder público

A estrutura do Plano é incomum. Executado pela Fiocruz a partir de decisões conjuntas com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a iniciativa criou um modelo de governança compartilhada que transforma a lógica tradicional de como se faz saúde pública. 

“A Fiocruz se sente muito honrada em fazer parte deste trabalho coletivo. Não haverá saúde plena sem um olhar ampliado que inclua as questões sociais e a superação das desigualdades”, afirma o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Em seis anos, o Plano distribuiu 10 mil toneladas de alimentos em ações de segurança alimentar, realizou quase 450 visitas técnicas presenciais e cerca de 60 reuniões de coordenação. As iniciativas desenvolvidas nas favelas abarcam saúde mental, educação popular, agroecologia, comunicação comunitária, juventudes e tecnologias sociais. 

“É um modelo interinstitucional orientado por princípios de participação social e promoção de saúde coletiva que deve ser ampliado para outros municípios no país”, defende a coordenadora de Relações Institucionais da Presidência da Fiocruz, Zélia Profeta.

Da legislação às favelas

O impacto do Plano se deve, em grande parte, à articulação política e institucional que o sustenta e ao trabalho de quem o opera por dentro: “Mais do que números, o Plano traduz presença, responsabilidade e transformação real na vida das pessoas, reafirmando que a favela produz saúde”, diz representante da Fiotec Brasília, Yonara Silva, responsável pelo monitoramento e prestação de contas dos recursos.

Para o pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Antonio Henrique Neto, a experiência foi também de transformação pessoal: “Pude perceber a potência dos territórios que foi aos poucos me libertando do medo e da angústia. Saúde Comunitária é uma construção de todos — cada vez mais faz parte da minha história de vida”.

A perspectiva é compartilhada pela médica e professora titular da UFRJ, Ligia Bahia: “Saúde nas favelas é um movimento genuíno e potente. Iniciou na pandemia impulsionado por perplexidade e inconformidade com o desprezo perante o adoecimento e as mortes. Segue vibrante, cresceu, adquiriu textura institucional, mas não perdeu um milímetro de compromisso com o direito à saúde e a democracia” define. 

Criado no período crítico de uma pandemia, o Plano prova que foi muito mais do que uma resposta emergencial. “Tornou-se uma experiência coletiva única que nutre encontros e aprendizagens mútuas direcionadas para a reprodução de uma vida saudável nas favelas”, resume a professora da UFRJ, Luciana Correa do Lago. 

“O Plano demonstra que políticas públicas eficazes nascem da escuta ativa e do vínculo comunitário, consolidando um novo paradigma de saúde enraizado na justiça territorial”, acrescenta o coordenador de Promoção da Saúde da Fiocruz, Valber Frutuoso.

O que vem a seguir

A agenda para o segundo semestre de 2026 e o ano de 2027 combina produção de conhecimento, formação e expansão. Está prevista a sistematização das 146 iniciativas apoiadas em um portfólio público, a produção de um documentário sobre a trajetória do Plano e o lançamento de novos editais em 2027. No campo da formação, cursos de atenção básica e comunicação comunitária vão fortalecer capacidades locais. Um segundo diagnóstico externo avaliará o segundo edital de apoio lançado pelo Plano em 2023, e a expansão territorial levará ações a novos municípios do estado. O fio condutor de tudo é o fortalecimento da Rede 146xFavelas, tornando a cooperação entre territórios cada vez mais robusta.

“O desafio agora é consolidar esse patrimônio coletivo, registrar os aprendizados acumulados e ampliar seu alcance”, afirma o coordenador executivo do Plano, Richarlls Martins. “Queremos que o conhecimento construído nos territórios circule, inspire outras experiências e contribua para a formulação de políticas públicas cada vez mais conectadas à realidade da população das favelas”.

Publicado em 10/06/2026 14:24 Leonardo Sodré (Plano Integrado de Saúde nas Favelas RJ

InfoGripe: número de casos de influenza A segue aumentando no Norte, Sudeste e Nordeste

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (26/3), sinaliza, a médio e longo prazos, aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Este cenário tem sido impulsionado pelo incremento das hospitalizações por influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR). A análise mostra que todas as unidades da Federação (UF) apresentam sinal de crescimento do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 11, período de 15 a 21 de março.

Entre as UF, 22 estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas): Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. O estudo destaca que o rinovírus tem impulsionado o aumento dos casos de SRAG em grande parte desses estados, especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.

Em nível nacional, o cenário atual sugere que a situação aponta sinal de aumento nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Em 2026 já foram notificados 24.281 casos de SRAG, sendo 9.443 (38,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 9.951 (41%) negativos e cerca de 3.085 (12,7%) aguardando resultado laboratorial.

A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, chama atenção que é essencial que as pessoas de maior risco, como idosos, imunocomprometidos e crianças, tomem a vacina da influenza assim que ela chegar aos postos de saúde, para frear o crescimento acelerado das hospitalizações pelo vírus em diversos estados do país. Para quem mora em regiões com alta de SRAG, Portella também recomenda o uso de máscara em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas, especialmente para os grupos de risco. “Além disso, em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é fazer isolamento dentro de casa, mas se não for possível, recomendamos sair usando uma boa máscara, como PFF2 ou N95, para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”, recomenda.

Estados e capitais

Quanto aos casos de SRAG associados ao vírus influenza A, a atualização mostra indícios de interrupção do crescimento no Pará, Ceará e Pernambuco. No entanto, continuam aumentando na maioria dos estados do Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia) e em alguns do Norte (Amapá, Rondônia) e Sudeste (Rio de Janeiro, Espírito Santo) e no Mato Grosso.

Em relação ao VSR, o vírus segue contribuindo para o crescimento de SRAG em crianças menores de 2 anos no Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia), Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe), além do Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal). Por outro lado, o metapneumovírus tem impulsionado o aumento de SRAG em crianças pequenas no Distrito Federal e em Minas Gerais.

Observa-se que 22 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 11: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), Teresina (PI) e Vitória (ES).

Prevalência de casos e óbitos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 45% de rinovírus, 27,8% de influenza A, 14,6% de vírus sincicial respiratório, 9,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19) e 1,4% de influenza B. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 35,9% de influenza A 29,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19), 27,2% de rinovírus, 5,8% de vírus sincicial respiratório e 2,9% de influenza B.

Dados epidemiológicos

Os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento de SRAG em crianças e adolescentes tem sido impulsionado principalmente pelo rinovírus, enquanto entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. O VSR também tem contribuído para o aumento de casos de SRAG em crianças pequenas.

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo a Covid-19 e a influenza A como principais causas. Além disso, a incidência de Covid-19 também é maior em crianças pequenas e idosos, enquanto a de influenza A se concentra principalmente nas crianças de até 4 anos e nos idosos.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

MOBILIZAÇÃO

DIA D: Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa neste sábado (28)

Com mais de 15 milhões de doses já distribuídas, a mobilização será realizada nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste antes do período de maior circulação do vírus

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa no próximo sábado, 28 de março, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, a mobilização prioriza crianças, gestantes e idosos com 60 anos ou mais, grupos mais suscetíveis a formas graves da doença. O Dia D será realizado na mesma data, e a campanha segue até 30 de maio, com vacinação gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Para ampliar o alcance da ação, o Governo do Brasil enviará, até quinta-feira (26), 10 milhões de mensagens institucionais por aplicativos de comunicação. A iniciativa busca reforçar a divulgação de informações oficiais, ampliar a confiança nos canais institucionais e incentivar a vacinação

Até agora, o Ministério da Saúde distribuiu 15,7 milhões de doses da vacina contra a influenza. A orientação é que estados e municípios intensifiquem as estratégias já no primeiro mês da campanha, com ações de busca ativa para o alcance imediato dos públicos prioritários. Na Região Norte, a campanha será realizada no segundo semestre, em função da sazonalidade da doença.

A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. Para se vacinar, basta fazer parte do público recomendado e procurar a unidade de saúde mais próxima antes do período de maior circulação do vírus.

Quem deve se vacinar?

A vacina influenza trivalente integra o Calendário Nacional de Vacinação e é recomendada para crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), idosos com 60 anos ou mais e gestantes.

Além desses públicos, a imunização é ofertada como estratégia especial para outros grupos prioritários. Para crianças de 6 meses a 8 anos, o esquema vacinal varia conforme o histórico: aquelas já vacinadas anteriormente recebem uma dose; as não vacinadas devem receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas.

No caso da população indígena a partir de 6 meses de idade, seguem as mesmas orientações de faixa etária e histórico vacinal. Crianças e pessoas com comorbidades até 8 anos que ainda não foram vacinadas também devem receber duas doses.

A proteção contra a influenza é realizada anualmente para acompanhar as novas cepas do vírus em circulação. A cada campanha, o Ministério da Saúde disponibiliza vacinas atualizadas, reforçando a importância da imunização periódica para assegurar uma proteção eficaz.

A aplicação pode ser realizada de forma simultânea a outras vacinas do Calendário Nacional, como a da Covid-19.

Cenário epidemiológico

Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.

Idosos, crianças menores de 6 anos, gestantes e pessoas com comorbidades apresentam maior risco de complicações, internações e óbito. Priorizar esse público é fundamental para evitar casos graves e óbitos por influenza.

Marcella Mota
Ministério da Saúde

Publicado em 25/03/2026 13h08

Fiocruz lidera nas Américas estudo global da OMS sobre oxigênio medicinal

Publicado em fevereiro na revista científica The Lancet Global Health, um estudo prospectivo e observacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) analisou os requisitos do uso de oxigênio medicinal e de suporte respiratório em pacientes hospitalizados com Covid-19 em 23 países de baixa e média renda, correlacionando a infraestrutura disponível com a mortalidade hospitalar. A análise revelou que o acesso ao oxigênio é um marcador crítico de iniquidade em saúde.

Nas Américas, o estudo é conduzido por pesquisadoras da Fiocruz. Sob a liderança da coordenadora do Centro Clínico do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Mônica Cruz, e da vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do INI/Fiocruz, Valdiléa Veloso, o INI/Fiocruz consolidou-se como o centro de maior recrutamento em todo o continente.

Dos mais de 53 mil pacientes triados globalmente em 56 centros, a Fiocruz foi responsável pela triagem de 601 pacientes e inclusão de 166 na coorte definitiva. A coleta de dados contou com a atuação estratégica da equipe de Fisioterapia do Centro Hospitalar do INI/Fiocruz, que esteve na linha de frente do suporte respiratório, reforçando a capacidade da Fiocruz em mobilizar recursos humanos e tecnológicos de ponta durante a crise sanitária mundial.

Para Mônica Cruz, os resultados vão além da resposta à pandemia. “Este estudo confirmou que o oxigênio não é apenas um insumo hospitalar, mas um marcador estrutural de iniquidades. Ele determina a resiliência de um sistema de saúde”, afirma. Segundo a pesquisadora, as evidências geradas pela Fiocruz e seus parceiros globais subsidiam a resolução da Assembleia Mundial da Saúde de 2023, fornecendo base científica para que governos identifiquem dispositivos prioritários e estabeleçam agendas de pesquisa para futuras emergências globais.

Oxigênio como marcador de iniquidade

O estudo revela uma realidade alarmante: cerca de 60% da população mundial carece de acesso a oxigênio medicinal de qualidade. A análise global demonstrou que a disponibilidade de oxigênio varia drasticamente entre as regiões, impactando diretamente as taxas de sobrevivência. Na região africana, onde a infraestrutura é mais limitada, a mortalidade hospitalar em 30 dias atingiu 37,6%.

Em contrapartida, os dados das Américas — onde a Fiocruz foi referência — destacaram a alta complexidade do atendimento. A região registrou o uso mais frequente de ventilação mecânica invasiva (26,4%) e apresentou a maior densidade de profissionais de saúde, com uma mediana de 110 trabalhadores para cada 100 leitos.

Publicado em 09/02/2026 10:36 Alexandre Magno (INI/Fiocruz)

Comitiva do Iphan visita Fiocruz para discutir candidatura a Patrimônio Mundial

O Castelo Mourisco foi o ponto de partida da visita da delegação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ao campus da Fiocruz em Manguinhos, na zona Norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (21/1), para discutir a candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco proposta pela instituição. O Iphan é o órgão representante do Brasil na esfera de postulações ao título.

Mario Moreira recebe representante do Iphan.

Presidente da Fiocruz, Mario Moreira recebe o diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Schlee (foto: Pedro Paulo Gonçalves)

Composto pelo diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização, Andrey Schlee, pela chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais, Juliana Bezerra, e pelo chefe da Assessoria Internacional do Patrimônio Material, Luiz Eduardo Sarmento, o grupo do Iphan participou de uma reunião com o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Marcos José de Araújo Pinheiro, e a equipe responsável pelo dossiê de candidatura.

“A candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco é a reafirmação do papel histórico da Fiocruz, da sua trajetória enquanto instituição de ciência e tecnologia dedicada à vida. Isso significa muito, não só para nós, mas também para o país, que busca reafirmar a sua posição de liderança justamente nesse campo”, enfatizou Mario Moreira.

Reunião com o Iphan.

O grupo se reuniu nas dependências do Castelo Mourisco da Fiocruz (foto: Pedro Paulo Gonçalves)

O grupo percorreu as dependências do Castelo, onde está parte significativa das coleções biológicas que são testemunho do trabalho excepcional desenvolvido na instituição ao longo de seus 125 anos. Na sequência, fez um recorrido pelo campus de Manguinhos, acessando edificações que integram o Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos (Nahm), como a Cavalariça, o Pombal e o Pavilhão Henrique de Aragão, bem como construções emblemáticas para a história recente da saúde, como o Hospital da Covid-19, construído durante a pandemia no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

“Essa visita técnica faz parte da definição de estratégia que adotaremos para a próxima fase. Temos uma grande expectativa em relação ao sucesso dessa candidatura. Não há como pensar na história da ciência e da saúde sem pensar na Fiocruz, principalmente no cenário brasileiro e latino-americano”, afirmou o diretor da COC/Fiocruz, Marcos José.

Reunião com o Iphan.

A delegação do Iphan segue uma agenda de reuniões na Fiocruz até esta quinta-feira (22/1) (foto: Pedro Paulo Gonçalves)

Diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Schlee destacou um amadurecimento da candidatura. “A impressão que nós temos é que a Fundação vem se preparando há muito tempo, seja com políticas ou com equipes, na construção de um dossiê muito denso, algo muito importante para um futuro reconhecimento”, afirmou.

A delegação do Iphan segue uma agenda de reuniões na Fiocruz até esta quinta-feira (22/1).

Fundação Oswaldo Cruz: Ciência, Saúde e Cultura em Manguinhos

A candidatura apresentada pela Fiocruz à Unesco destaca a atividade desenvolvida na instituição entre 1900 e 1960 como um fato único e relevante para a história da humanidade: o primeiro patrimônio da ciência e da saúde pública com base na pesquisa científica, no desenvolvimento e produção de vacinas, e consequente controle e/ou erradicação de doenças endêmicas e epidêmicas.

Em fevereiro de 2024, a Fiocruz passou a integrar a lista indicativa de locais que podem se tornar Patrimônio Mundial Cultural, Natural e Misto, etapa primordial e obrigatória para qualquer bem iniciar um processo de reconhecimento. No momento, a equipe responsável pela candidatura se dedica à elaboração do dossiê que será entregue à Unesco em 2027.

Patrimônio Cultural da Saúde: tipologia inédita na lista da Unesco

A candidatura é singular na medida em que se propõe a preencher uma lacuna de reconhecimentos pela Unesco, relativa ao Patrimônio Cultural da Saúde, definido como um conjunto de bens materiais e simbólicos socialmente construídos, que expressam o processo da saúde individual e coletiva nas suas dimensões científica, histórica e cultural.  

Publicado em 22/01/2026 11:54 Ana Leticia Ribeiro (COC/Fiocruz)

InfoGripe: casos de influenza A aumentam no Sudeste e avançam para a Bahia

Divulgada nesta quinta-feira (6/11), a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz chama atenção para a manutenção do aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza A em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O número de casos graves pelo vírus começa a apresentar início de aumento também na Bahia.

O atual cenário alerta que a Covid-19 segue em tendência de crescimento em alguns estados. As notificações dos casos graves do vírus continuam aumentando no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, porém ainda em níveis baixos de incidência. No Espírito Santo, os casos de SRAG nos idosos associados à Covid-19 estão estáveis, mas ainda em níveis moderados de incidência.

A análise é referente à Semana epidemiológica 44, de 26 de outubro a 1º de novembro.  O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, ressalta que em relação às crianças pequenas o estudo verificou em Sergipe uma alta atípica, para esta época do ano, de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças pequenas. 

O Boletim sublinha que três estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco e alto risco, com tendência de crescimento: Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins. No Mato Grosso do Sul e na Paraíba o aumento de SRAG tem se concentrado nas crianças pequenas e tem sido impulsionado em grande parte pelo rinovírus.

Em Tocantins o número de casos de SRAG tem aumentado principalmente na faixa etária a partir dos 50 anos. Ainda não há dados laboratoriais suficientes no estado para determinar o vírus responsável pelo crescimento. Contudo, é possível que esse aumento esteja sendo impulsionado pela influenza A, devido à faixa etária mais afetada, e a proximidade do estado com Goiás e o Distrito Federal, que apresentaram uma alta recente de casos graves pelo vírus.

“Continuamos recomendando ações de etiqueta respiratória, como cobrir a boca com o braço ao tossir ou espirrar, fazer isolamento dentro de casa ou usar uma boa máscara em locais públicos em casos de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado. E, por último e não menos importante, manter a vacinação contra a influenza e a Covid-19 sempre em dia, especialmente para a população que apresenta maior risco de desenvolver quadros graves ou ir a óbito por esses vírus, como crianças pequenas, idosos e pessoas com alguma comorbidade. E pessoas que possuem maior exposição ao vírus como profissionais da área da saúde”, afirma a pesquisadora. 

Estados e capitais

Em nível nacional, os casos de SRAG apresentam sinal de estabilidade nas tendências de longo e de curto prazo. Três das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 44: Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins. No Espírito Santo, os casos de SRAG entre os idosos associados à Covid-19 estão estáveis, mas continuam em um patamar considerado moderado para o estado. Sobre o VSR, apenas Sergipe apresenta uma alta recente de casos graves do vírus em crianças pequenas.

O estudo verificou que 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 44: Florianópolis (SC), João Pessoa (PB) e Palmas (TO).

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico 2025 já foram notificados 204.086 casos de SRAG, sendo 107.393 (52,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 74.297 (36,4%) negativos e ao menos 9.174 (4,5%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,2% de influenza A, 1,2% de influenza B, 40,1% de vírus sincicial respiratório, 28,2% de rinovírus e 8,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 24,8% de influenza A, 1,3% de influenza B, 6,4% de vírus sincicial respiratório, 37,8% de rinovírus, e 14,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Óbitos  

Referente aos óbitos de SRAG em 2025, já foram registrados 12.151 óbitos de SRAG, sendo 6.216 (51,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 4.804 (39,5%) negativos e ao menos 194 (1,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 49,4% de influenza A, 1,8% de influenza B, 11,6% de vírus sincicial respiratório, 14,4% de rinovírus e 23,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas a prevalência entre os óbitos positivos foi de 24,7% de influenza A, 2% de influenza B, 3,5% de vírus sincicial respiratório, 28,8% de rinovírus e 39,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Publicado em 06/11/2025 12:08 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

Casos de síndrome respiratória grave caem no país: Amazonas ainda têm alta de registros em crianças pequenas

Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A estão em queda no país. O Amazonas é o único estado ainda com aumento de notificações entre crianças de até 2 anos, conforme boletim semanal  InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado nesta quinta-feira (21).

Neste ano, já foram notificados 159.663 casos, sendo que em 53,4% foram detectados a presença de vírus respiratório.

Entre os casos positivos, 45,5% foram provocados pelo vírus sincicial, seguido por influenza A (25%). Nas quatro últimas semanas, a prevalência dois dois vírus permanece.

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Rinovírus e Covid

O estudo alerta, no entanto, para tendência de alta no número de casos de  rinovírus em crianças e adolescentes de 2 a 14 anos no Nordeste e no Centro-Sul. Além disso, foi identificado leve aumento de casos de Covid-19 entre os idosos, a partir de 65 anos, no Amazonas e na Paraíba.

Os estados do Ceará e Rio de Janeiro também apresentam crescimento nas notificações por Covid-19.

A Fiocruz reforça a importância da vacinação em dia contra a Covid-1, principalmente de idosos e pessoas imunocomprometidas, que devem tomar doses de reforço a cada seis meses.

A orientação é que crianças e adolescentes com sintomas de gripe ou resfriado fiquem em casa e evitem ir à escola, para não transmitir o vírus. Se não for possível, o ideal é que usem uma máscara. 

Douglas Corrêa – Repórter da Agência BrasilPublicado em 21/08/2025 – 17:52 Rio de Janeiro