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InfoGripe: número de casos de influenza A segue aumentando no Norte, Sudeste e Nordeste

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (26/3), sinaliza, a médio e longo prazos, aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Este cenário tem sido impulsionado pelo incremento das hospitalizações por influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR). A análise mostra que todas as unidades da Federação (UF) apresentam sinal de crescimento do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 11, período de 15 a 21 de março.

Entre as UF, 22 estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas): Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. O estudo destaca que o rinovírus tem impulsionado o aumento dos casos de SRAG em grande parte desses estados, especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.

Em nível nacional, o cenário atual sugere que a situação aponta sinal de aumento nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Em 2026 já foram notificados 24.281 casos de SRAG, sendo 9.443 (38,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 9.951 (41%) negativos e cerca de 3.085 (12,7%) aguardando resultado laboratorial.

A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, chama atenção que é essencial que as pessoas de maior risco, como idosos, imunocomprometidos e crianças, tomem a vacina da influenza assim que ela chegar aos postos de saúde, para frear o crescimento acelerado das hospitalizações pelo vírus em diversos estados do país. Para quem mora em regiões com alta de SRAG, Portella também recomenda o uso de máscara em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas, especialmente para os grupos de risco. “Além disso, em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é fazer isolamento dentro de casa, mas se não for possível, recomendamos sair usando uma boa máscara, como PFF2 ou N95, para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”, recomenda.

Estados e capitais

Quanto aos casos de SRAG associados ao vírus influenza A, a atualização mostra indícios de interrupção do crescimento no Pará, Ceará e Pernambuco. No entanto, continuam aumentando na maioria dos estados do Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia) e em alguns do Norte (Amapá, Rondônia) e Sudeste (Rio de Janeiro, Espírito Santo) e no Mato Grosso.

Em relação ao VSR, o vírus segue contribuindo para o crescimento de SRAG em crianças menores de 2 anos no Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia), Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe), além do Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal). Por outro lado, o metapneumovírus tem impulsionado o aumento de SRAG em crianças pequenas no Distrito Federal e em Minas Gerais.

Observa-se que 22 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 11: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), Teresina (PI) e Vitória (ES).

Prevalência de casos e óbitos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 45% de rinovírus, 27,8% de influenza A, 14,6% de vírus sincicial respiratório, 9,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19) e 1,4% de influenza B. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 35,9% de influenza A 29,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19), 27,2% de rinovírus, 5,8% de vírus sincicial respiratório e 2,9% de influenza B.

Dados epidemiológicos

Os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento de SRAG em crianças e adolescentes tem sido impulsionado principalmente pelo rinovírus, enquanto entre jovens, adultos e idosos a principal causa tem sido a influenza A. O VSR também tem contribuído para o aumento de casos de SRAG em crianças pequenas.

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo a Covid-19 e a influenza A como principais causas. Além disso, a incidência de Covid-19 também é maior em crianças pequenas e idosos, enquanto a de influenza A se concentra principalmente nas crianças de até 4 anos e nos idosos.

O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

MOBILIZAÇÃO

DIA D: Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa neste sábado (28)

Com mais de 15 milhões de doses já distribuídas, a mobilização será realizada nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste antes do período de maior circulação do vírus

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa no próximo sábado, 28 de março, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, a mobilização prioriza crianças, gestantes e idosos com 60 anos ou mais, grupos mais suscetíveis a formas graves da doença. O Dia D será realizado na mesma data, e a campanha segue até 30 de maio, com vacinação gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Para ampliar o alcance da ação, o Governo do Brasil enviará, até quinta-feira (26), 10 milhões de mensagens institucionais por aplicativos de comunicação. A iniciativa busca reforçar a divulgação de informações oficiais, ampliar a confiança nos canais institucionais e incentivar a vacinação

Até agora, o Ministério da Saúde distribuiu 15,7 milhões de doses da vacina contra a influenza. A orientação é que estados e municípios intensifiquem as estratégias já no primeiro mês da campanha, com ações de busca ativa para o alcance imediato dos públicos prioritários. Na Região Norte, a campanha será realizada no segundo semestre, em função da sazonalidade da doença.

A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. Para se vacinar, basta fazer parte do público recomendado e procurar a unidade de saúde mais próxima antes do período de maior circulação do vírus.

Quem deve se vacinar?

A vacina influenza trivalente integra o Calendário Nacional de Vacinação e é recomendada para crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), idosos com 60 anos ou mais e gestantes.

Além desses públicos, a imunização é ofertada como estratégia especial para outros grupos prioritários. Para crianças de 6 meses a 8 anos, o esquema vacinal varia conforme o histórico: aquelas já vacinadas anteriormente recebem uma dose; as não vacinadas devem receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas.

No caso da população indígena a partir de 6 meses de idade, seguem as mesmas orientações de faixa etária e histórico vacinal. Crianças e pessoas com comorbidades até 8 anos que ainda não foram vacinadas também devem receber duas doses.

A proteção contra a influenza é realizada anualmente para acompanhar as novas cepas do vírus em circulação. A cada campanha, o Ministério da Saúde disponibiliza vacinas atualizadas, reforçando a importância da imunização periódica para assegurar uma proteção eficaz.

A aplicação pode ser realizada de forma simultânea a outras vacinas do Calendário Nacional, como a da Covid-19.

Cenário epidemiológico

Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.

Idosos, crianças menores de 6 anos, gestantes e pessoas com comorbidades apresentam maior risco de complicações, internações e óbito. Priorizar esse público é fundamental para evitar casos graves e óbitos por influenza.

Marcella Mota
Ministério da Saúde

Publicado em 25/03/2026 13h08

Fiocruz lidera nas Américas estudo global da OMS sobre oxigênio medicinal

Publicado em fevereiro na revista científica The Lancet Global Health, um estudo prospectivo e observacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) analisou os requisitos do uso de oxigênio medicinal e de suporte respiratório em pacientes hospitalizados com Covid-19 em 23 países de baixa e média renda, correlacionando a infraestrutura disponível com a mortalidade hospitalar. A análise revelou que o acesso ao oxigênio é um marcador crítico de iniquidade em saúde.

Nas Américas, o estudo é conduzido por pesquisadoras da Fiocruz. Sob a liderança da coordenadora do Centro Clínico do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Mônica Cruz, e da vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do INI/Fiocruz, Valdiléa Veloso, o INI/Fiocruz consolidou-se como o centro de maior recrutamento em todo o continente.

Dos mais de 53 mil pacientes triados globalmente em 56 centros, a Fiocruz foi responsável pela triagem de 601 pacientes e inclusão de 166 na coorte definitiva. A coleta de dados contou com a atuação estratégica da equipe de Fisioterapia do Centro Hospitalar do INI/Fiocruz, que esteve na linha de frente do suporte respiratório, reforçando a capacidade da Fiocruz em mobilizar recursos humanos e tecnológicos de ponta durante a crise sanitária mundial.

Para Mônica Cruz, os resultados vão além da resposta à pandemia. “Este estudo confirmou que o oxigênio não é apenas um insumo hospitalar, mas um marcador estrutural de iniquidades. Ele determina a resiliência de um sistema de saúde”, afirma. Segundo a pesquisadora, as evidências geradas pela Fiocruz e seus parceiros globais subsidiam a resolução da Assembleia Mundial da Saúde de 2023, fornecendo base científica para que governos identifiquem dispositivos prioritários e estabeleçam agendas de pesquisa para futuras emergências globais.

Oxigênio como marcador de iniquidade

O estudo revela uma realidade alarmante: cerca de 60% da população mundial carece de acesso a oxigênio medicinal de qualidade. A análise global demonstrou que a disponibilidade de oxigênio varia drasticamente entre as regiões, impactando diretamente as taxas de sobrevivência. Na região africana, onde a infraestrutura é mais limitada, a mortalidade hospitalar em 30 dias atingiu 37,6%.

Em contrapartida, os dados das Américas — onde a Fiocruz foi referência — destacaram a alta complexidade do atendimento. A região registrou o uso mais frequente de ventilação mecânica invasiva (26,4%) e apresentou a maior densidade de profissionais de saúde, com uma mediana de 110 trabalhadores para cada 100 leitos.

Publicado em 09/02/2026 10:36 Alexandre Magno (INI/Fiocruz)

Comitiva do Iphan visita Fiocruz para discutir candidatura a Patrimônio Mundial

O Castelo Mourisco foi o ponto de partida da visita da delegação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ao campus da Fiocruz em Manguinhos, na zona Norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (21/1), para discutir a candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco proposta pela instituição. O Iphan é o órgão representante do Brasil na esfera de postulações ao título.

Mario Moreira recebe representante do Iphan.

Presidente da Fiocruz, Mario Moreira recebe o diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Schlee (foto: Pedro Paulo Gonçalves)

Composto pelo diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização, Andrey Schlee, pela chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais, Juliana Bezerra, e pelo chefe da Assessoria Internacional do Patrimônio Material, Luiz Eduardo Sarmento, o grupo do Iphan participou de uma reunião com o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Marcos José de Araújo Pinheiro, e a equipe responsável pelo dossiê de candidatura.

“A candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco é a reafirmação do papel histórico da Fiocruz, da sua trajetória enquanto instituição de ciência e tecnologia dedicada à vida. Isso significa muito, não só para nós, mas também para o país, que busca reafirmar a sua posição de liderança justamente nesse campo”, enfatizou Mario Moreira.

Reunião com o Iphan.

O grupo se reuniu nas dependências do Castelo Mourisco da Fiocruz (foto: Pedro Paulo Gonçalves)

O grupo percorreu as dependências do Castelo, onde está parte significativa das coleções biológicas que são testemunho do trabalho excepcional desenvolvido na instituição ao longo de seus 125 anos. Na sequência, fez um recorrido pelo campus de Manguinhos, acessando edificações que integram o Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos (Nahm), como a Cavalariça, o Pombal e o Pavilhão Henrique de Aragão, bem como construções emblemáticas para a história recente da saúde, como o Hospital da Covid-19, construído durante a pandemia no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

“Essa visita técnica faz parte da definição de estratégia que adotaremos para a próxima fase. Temos uma grande expectativa em relação ao sucesso dessa candidatura. Não há como pensar na história da ciência e da saúde sem pensar na Fiocruz, principalmente no cenário brasileiro e latino-americano”, afirmou o diretor da COC/Fiocruz, Marcos José.

Reunião com o Iphan.

A delegação do Iphan segue uma agenda de reuniões na Fiocruz até esta quinta-feira (22/1) (foto: Pedro Paulo Gonçalves)

Diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Schlee destacou um amadurecimento da candidatura. “A impressão que nós temos é que a Fundação vem se preparando há muito tempo, seja com políticas ou com equipes, na construção de um dossiê muito denso, algo muito importante para um futuro reconhecimento”, afirmou.

A delegação do Iphan segue uma agenda de reuniões na Fiocruz até esta quinta-feira (22/1).

Fundação Oswaldo Cruz: Ciência, Saúde e Cultura em Manguinhos

A candidatura apresentada pela Fiocruz à Unesco destaca a atividade desenvolvida na instituição entre 1900 e 1960 como um fato único e relevante para a história da humanidade: o primeiro patrimônio da ciência e da saúde pública com base na pesquisa científica, no desenvolvimento e produção de vacinas, e consequente controle e/ou erradicação de doenças endêmicas e epidêmicas.

Em fevereiro de 2024, a Fiocruz passou a integrar a lista indicativa de locais que podem se tornar Patrimônio Mundial Cultural, Natural e Misto, etapa primordial e obrigatória para qualquer bem iniciar um processo de reconhecimento. No momento, a equipe responsável pela candidatura se dedica à elaboração do dossiê que será entregue à Unesco em 2027.

Patrimônio Cultural da Saúde: tipologia inédita na lista da Unesco

A candidatura é singular na medida em que se propõe a preencher uma lacuna de reconhecimentos pela Unesco, relativa ao Patrimônio Cultural da Saúde, definido como um conjunto de bens materiais e simbólicos socialmente construídos, que expressam o processo da saúde individual e coletiva nas suas dimensões científica, histórica e cultural.  

Publicado em 22/01/2026 11:54 Ana Leticia Ribeiro (COC/Fiocruz)

InfoGripe: casos de influenza A aumentam no Sudeste e avançam para a Bahia

Divulgada nesta quinta-feira (6/11), a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz chama atenção para a manutenção do aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza A em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O número de casos graves pelo vírus começa a apresentar início de aumento também na Bahia.

O atual cenário alerta que a Covid-19 segue em tendência de crescimento em alguns estados. As notificações dos casos graves do vírus continuam aumentando no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, porém ainda em níveis baixos de incidência. No Espírito Santo, os casos de SRAG nos idosos associados à Covid-19 estão estáveis, mas ainda em níveis moderados de incidência.

A análise é referente à Semana epidemiológica 44, de 26 de outubro a 1º de novembro.  O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, ressalta que em relação às crianças pequenas o estudo verificou em Sergipe uma alta atípica, para esta época do ano, de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças pequenas. 

O Boletim sublinha que três estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco e alto risco, com tendência de crescimento: Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins. No Mato Grosso do Sul e na Paraíba o aumento de SRAG tem se concentrado nas crianças pequenas e tem sido impulsionado em grande parte pelo rinovírus.

Em Tocantins o número de casos de SRAG tem aumentado principalmente na faixa etária a partir dos 50 anos. Ainda não há dados laboratoriais suficientes no estado para determinar o vírus responsável pelo crescimento. Contudo, é possível que esse aumento esteja sendo impulsionado pela influenza A, devido à faixa etária mais afetada, e a proximidade do estado com Goiás e o Distrito Federal, que apresentaram uma alta recente de casos graves pelo vírus.

“Continuamos recomendando ações de etiqueta respiratória, como cobrir a boca com o braço ao tossir ou espirrar, fazer isolamento dentro de casa ou usar uma boa máscara em locais públicos em casos de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado. E, por último e não menos importante, manter a vacinação contra a influenza e a Covid-19 sempre em dia, especialmente para a população que apresenta maior risco de desenvolver quadros graves ou ir a óbito por esses vírus, como crianças pequenas, idosos e pessoas com alguma comorbidade. E pessoas que possuem maior exposição ao vírus como profissionais da área da saúde”, afirma a pesquisadora. 

Estados e capitais

Em nível nacional, os casos de SRAG apresentam sinal de estabilidade nas tendências de longo e de curto prazo. Três das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 44: Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins. No Espírito Santo, os casos de SRAG entre os idosos associados à Covid-19 estão estáveis, mas continuam em um patamar considerado moderado para o estado. Sobre o VSR, apenas Sergipe apresenta uma alta recente de casos graves do vírus em crianças pequenas.

O estudo verificou que 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 44: Florianópolis (SC), João Pessoa (PB) e Palmas (TO).

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico 2025 já foram notificados 204.086 casos de SRAG, sendo 107.393 (52,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 74.297 (36,4%) negativos e ao menos 9.174 (4,5%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,2% de influenza A, 1,2% de influenza B, 40,1% de vírus sincicial respiratório, 28,2% de rinovírus e 8,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 24,8% de influenza A, 1,3% de influenza B, 6,4% de vírus sincicial respiratório, 37,8% de rinovírus, e 14,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Óbitos  

Referente aos óbitos de SRAG em 2025, já foram registrados 12.151 óbitos de SRAG, sendo 6.216 (51,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 4.804 (39,5%) negativos e ao menos 194 (1,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 49,4% de influenza A, 1,8% de influenza B, 11,6% de vírus sincicial respiratório, 14,4% de rinovírus e 23,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas a prevalência entre os óbitos positivos foi de 24,7% de influenza A, 2% de influenza B, 3,5% de vírus sincicial respiratório, 28,8% de rinovírus e 39,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Publicado em 06/11/2025 12:08 Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)

Casos de síndrome respiratória grave caem no país: Amazonas ainda têm alta de registros em crianças pequenas

Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A estão em queda no país. O Amazonas é o único estado ainda com aumento de notificações entre crianças de até 2 anos, conforme boletim semanal  InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado nesta quinta-feira (21).

Neste ano, já foram notificados 159.663 casos, sendo que em 53,4% foram detectados a presença de vírus respiratório.

Entre os casos positivos, 45,5% foram provocados pelo vírus sincicial, seguido por influenza A (25%). Nas quatro últimas semanas, a prevalência dois dois vírus permanece.

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Rinovírus e Covid

O estudo alerta, no entanto, para tendência de alta no número de casos de  rinovírus em crianças e adolescentes de 2 a 14 anos no Nordeste e no Centro-Sul. Além disso, foi identificado leve aumento de casos de Covid-19 entre os idosos, a partir de 65 anos, no Amazonas e na Paraíba.

Os estados do Ceará e Rio de Janeiro também apresentam crescimento nas notificações por Covid-19.

A Fiocruz reforça a importância da vacinação em dia contra a Covid-1, principalmente de idosos e pessoas imunocomprometidas, que devem tomar doses de reforço a cada seis meses.

A orientação é que crianças e adolescentes com sintomas de gripe ou resfriado fiquem em casa e evitem ir à escola, para não transmitir o vírus. Se não for possível, o ideal é que usem uma máscara. 

Douglas Corrêa – Repórter da Agência BrasilPublicado em 21/08/2025 – 17:52 Rio de Janeiro