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Entenda o papel da Fiocruz na definição da formulação da vacina contra influenza

Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas. A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. E a Fiocruz desempenha um importante papel na formulação do imunizante.

A mobilização será realizada nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste antes do período de maior circulação do vírus (Foto: Renato Rodrigues)

Mas por que tomar a vacina todo ano?  

Com subtipos capazes de infectar células humanas e/ou animais, o vírus influenza se multiplica fazendo cópias de si mesmo dentro do organismo. Durante esse processo podem ocorrer falhas. Em vez de cópias perfeitas, pequenos erros acontecem e modificam características do vírus, incluindo proteínas de superfície, responsáveis pela “aparência” do vírus para o sistema imunológico. É o que chamamos de mutações. Enquanto umas preocupam pouco, outras requerem muito cuidado e atenção redobrada.

É aí que entram cientistas espalhados pelo mundo, muitos deles do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Como “detetives”, eles se dedicam a investigar vírus influenza que podem estar “disfarçados” e em livre circulação.

No âmbito do IOC, as atividades são conduzidas pelo Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais, referência nacional na análise de vírus respiratórios. O setor é responsável por identificar, caracterizar geneticamente e monitorar a circulação de diferentes variantes do influenza no país.

À frente do laboratório, que também atua como referência brasileira junto à rede internacional de vigilância da Organização Mundial da Saúde (OMS), está a pesquisadora Marilda Siqueira. Ela e sua equipe monitoram quais “versões” do vírus estão circulando no país.

“Em um grande esforço conjunto com o Ministério da Saúde, o Instituto Evandro Chagas e o Instituto Adolfo Lutz, nós produzimos relatórios que subsidiam recomendações da OMS sobre a composição da vacina para os hemisférios Norte e Sul, a partir de análises virológicas e genômicas de centenas de amostras. No Brasil, essas diretrizes orientam o Ministério na definição da estratégia de imunização e na encomenda das doses”, explica Siqueira.  

A mobilização liderada pelo Ministério da Saúde em favor da campanha nacional de vacinação contra a influenza prioriza grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades. A campanha segue até 30 de maio, com vacinação gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS)

Ao conectar pesquisa laboratorial, vigilância epidemiológica e cooperação global, o IOC consolida sua posição como um dos principais pilares da resposta brasileira às doenças respiratórias. Esta é a base essencial para a atualização anual da vacina e para a resposta oportuna a cenários epidemiológicos em constante transformação.

MOBILIZAÇÃO

DIA D: Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa neste sábado (28)

Com mais de 15 milhões de doses já distribuídas, a mobilização será realizada nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste antes do período de maior circulação do vírus

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa no próximo sábado, 28 de março, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, a mobilização prioriza crianças, gestantes e idosos com 60 anos ou mais, grupos mais suscetíveis a formas graves da doença. O Dia D será realizado na mesma data, e a campanha segue até 30 de maio, com vacinação gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Para ampliar o alcance da ação, o Governo do Brasil enviará, até quinta-feira (26), 10 milhões de mensagens institucionais por aplicativos de comunicação. A iniciativa busca reforçar a divulgação de informações oficiais, ampliar a confiança nos canais institucionais e incentivar a vacinação

Até agora, o Ministério da Saúde distribuiu 15,7 milhões de doses da vacina contra a influenza. A orientação é que estados e municípios intensifiquem as estratégias já no primeiro mês da campanha, com ações de busca ativa para o alcance imediato dos públicos prioritários. Na Região Norte, a campanha será realizada no segundo semestre, em função da sazonalidade da doença.

A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. Para se vacinar, basta fazer parte do público recomendado e procurar a unidade de saúde mais próxima antes do período de maior circulação do vírus.

Quem deve se vacinar?

A vacina influenza trivalente integra o Calendário Nacional de Vacinação e é recomendada para crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), idosos com 60 anos ou mais e gestantes.

Além desses públicos, a imunização é ofertada como estratégia especial para outros grupos prioritários. Para crianças de 6 meses a 8 anos, o esquema vacinal varia conforme o histórico: aquelas já vacinadas anteriormente recebem uma dose; as não vacinadas devem receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas.

No caso da população indígena a partir de 6 meses de idade, seguem as mesmas orientações de faixa etária e histórico vacinal. Crianças e pessoas com comorbidades até 8 anos que ainda não foram vacinadas também devem receber duas doses.

A proteção contra a influenza é realizada anualmente para acompanhar as novas cepas do vírus em circulação. A cada campanha, o Ministério da Saúde disponibiliza vacinas atualizadas, reforçando a importância da imunização periódica para assegurar uma proteção eficaz.

A aplicação pode ser realizada de forma simultânea a outras vacinas do Calendário Nacional, como a da Covid-19.

Cenário epidemiológico

Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.

Idosos, crianças menores de 6 anos, gestantes e pessoas com comorbidades apresentam maior risco de complicações, internações e óbito. Priorizar esse público é fundamental para evitar casos graves e óbitos por influenza.

Marcella Mota
Ministério da Saúde

Publicado em 25/03/2026 13h08