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Fiocruz chega na COP30 após atividades preparatórias no rio Tapajós

A Fiocruz desembarca nesta segunda-feira (10/11) na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) após oito dias de atividades preparatórias no Pará. Em parceria com o Projeto Saúde e Alegria (PSA) e a Samaúma, representantes da instituição estiveram a bordo da expedição fluvial Navegando contra o fim do mundo, que avançou ao longo do rio Tapajós, entre as cidades de Santarém e Belém, rumo à COP30, que ocorre entre os dias 10 e 21 de novembro. Com cerca de 100 pessoas a bordo, a flotilha em direção a Belém reuniu lideranças comunitárias, artistas, profissionais de imprensa e cientistas. A navegação ocorreu durante três dias, batizados de Corredor(rios) de Tecnologias Sociais do Baixo Tapajós, que além de contarem com mesas de diálogo na embarcação, incluíram paradas em comunidades ribeirinhas do Baixo Tapajós. Como parte das atividades da Conferência, a Fiocruz reforça seu compromisso de fortalecer a saúde na agenda climática com a Carta Aberta com contribuições e 11 recomendações para a COP30. Evento é realizado pela primeira vez na Amazônia e no Brasil e vai reunir mais de 160 países. Confira na AFN o Especial Fiocruz na COP30

Os participantes da embarcação puderam conhecer um circuito de tecnologias sociais em comunidades ribeirinhas da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns. Com base em roteiros construídos pela Fiocruz e o Projeto Saúde e Alegria, foram vistas uma série de iniciativas ligadas à educação, à cultura, à produção de alimentos e outras áreas que influenciam a saúde integral. Inovações que nasceram nos territórios e que impactam positivamente na determinação social da saúde e no bem-viver. Neste final de semana (8 e 9/11), equipes da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), do Canal Saúde e da Revista Radis acompanharam e documentaram o circuito.  

“É impressionante o que a gente observa aqui: um conjunto de ações extremamente organizadas nas comunidades da região, que acaba repercutindo enormemente na saúde.  A humanidade precisa saber que a Amazônia é sustentada a partir desses processos nos territórios”, afirmou o coordenador de Saúde e Ambiente da VPAAPS/Fiocruz, Guilherme Franco Netto, participante da expedição. A flotilha reuniu nomes como o cientista Antonio Nobre (referência em estudos sobre os rios voadores), o ex-jogador de futebol Raí Oliveira e a jornalista e escritora Eliane Brum.

Coordenador-geral e fundador do Projeto Saúde e Alegria, Eugênio Scannavino Netto completou: “a saúde do planeta depende da saúde da Amazônia. Os povos da floresta são os guardiões desse bioma. Portanto, se não há saúde para a população que vive na região, não há saúde para a humanidade”.

Respostas inovadoras e comunitárias

Constituído no contexto da COP30, a intenção do Corredor(rios) de Tecnologias Sociais do Baixo Tapajós foi, primeiramente, reconhecer e valorizar as experiências territoriais amazônicas. E fazer delas uma vitrine de inovações bem-sucedidas, capazes de promover a mudança socioambiental e inspirar ações e políticas públicas não só no Brasil, mas no mundo todo.

“A região do Baixo Tapajós está situada em uma área de fronteira do agronegócio, com alto índice de desmatamento e atividades de garimpo. Mas queremos mostrar que onde há grandes problemas também há grandes soluções, construídas a muitas mãos e com o protagonismo das comunidades”, destacou Eugênio Scannavino Netto.

Participantes da expedição visitam Unidade Básica de Saúde (UBS) na comunidade de Anã (foto: Divulgação)

É o caso, por exemplo, dos microssistemas de abastecimento que levaram água potável para comunidades que não tinham acesso a saneamento, reduzindo drasticamente o adoecimento e os óbitos relacionados a diarreias e outras doenças intestinais. Ou é o caso dos viveiros de mudas de plantas nativas e alimentícias, que por meio de gestões coletivas têm permitido o reflorestamento dos territórios ao mesmo tempo em que garante a segurança alimentar, o conforto térmico e a qualidade do ambiente.

Outro exemplo concreto é a Unidade Básica de Saúde (UBS) da Floresta, que abriu suas portas na comunidade de Anã, na Resex Tapajós-Arapiuns, no dia 25 de outubro, em uma cerimônia que teve a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e foi acompanhada pela Fiocruz, por meio da VPAAPS e do Instituto Leônidas & Maria Deane (Fiocruz Amazônia). Adaptada à realidade local, a UBS recebeu dezenas de equipamentos para a Atenção Primária, é alimentada por energia solar e internet por satélite, possibilitando a conservação de vacinas em geladeiras e o atendimento por telemedicina. Uma clara demonstração de que as tecnologias sociais nascem como respostas integradas e desenvolvidas em parceria entre comunidades, pesquisadores, instituições públicas e não governamentais.

Saúde na agenda climática global 

Em dias intensos de trocas, aprendizados e articulações com o projeto Saúde e Alegria e as comunidades ribeirinhas do Tapajós, a Fiocruz esteve em diversas atividades na região para ressaltar a centralidade da saúde na agenda climática global. Ainda no dia 2 de novembro, o coordenador de Saúde e Ambiente da VPAAPS/Fiocruz, Guilherme Franco Netto, fez parte do painel A emergência da saúde diante do colapso do clima e da natureza, que compôs a programação da expedição Navegando contra o fim do mundo. Representando a Fiocruz, Guilherme reforçou o papel do Brasil nesse debate e o protagonismo das populações da Amazônia para o enfrentamento das crises sanitária e socioambiental.

“O aquecimento global e as mudanças climáticas têm uma repercussão importante na saúde. E a Amazônia tem um potencial extraordinário de desenvolver tecnologias sociais genuínas, a partir dos territórios, justamente para assegurar que as comunidades tenham qualidade de vida e bem-viver”, afirmou o pesquisador. 

Coordenador de Saúde e Ambiente da VPAAPS/Fiocruz, Guilherme Franco Netto fez parte do painel ‘A emergência da saúde diante do colapso do clima e da natureza’ (foto: Divulgação)

Guilherme destacou que, pela primeira vez em quase três décadas de negociações climáticas, a saúde deixou de ocupar uma posição periférica no encontro. Ele lembrou que, há dois anos, a COP nos Emirados Árabes criou o primeiro Dia da Saúde, o que se repetirá nesta COP30. Em sua fala, ele também pontuou que o Brasil tem um histórico importante de políticas públicas de saúde. “Do ponto de vista estratégico, não há tema da saúde no país que não esteja pautado pelo Sistema Único de Saúde [SUS]. A questão é o que fazer, como fazer e concluir essas tarefas da melhor maneira possível”, reforçou. Disse ainda que não há como planejar a saúde hoje sem pensar na mudança do clima.

Para o coordenador, o país enfrenta um desafio marcado por desigualdades sociais, vulnerabilidades ambientais e um modelo econômico que historicamente não priorizou direitos humanos e bem-estar, e que essa realidade é agravada pelo aumento dos eventos extremos, como as enchentes históricas no Rio Grande do Sul, as queimadas intensas no Centro-Oeste e a seca recorde na Amazônia.

“Esses fenômenos são cada vez mais recorrentes, frequentes e intensos. Associados a isso, um quadro sanitário internacional muito preocupante, principalmente a partir do que a gente viveu com a Covid-19, e que revelou como a destruição dos ecossistemas pode ser maléfica para a humanidade e para o planeta”, concluiu.

Publicado em 10/11/2025 11:38 Suzane Durães e Bernardo Câmara (VPAAPS/Fiocruz)

Fiocruz e bioMérieux inauguram Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Diagnósticos

A Fiocruz e a bioMérieux deram um passo estratégico para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), com a ampliação da capacidade nacional de produção de insumos e kits de diagnósticos. A bioMérieux formaliza, nesta segunda-feira (10/11), a cessão de uma planta produtiva localizada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (RJ), que passará a integrar a estrutura da Fiocruz como um novo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Diagnósticos. O espaço será dedicado à produção e à inovação em tecnologias diagnósticas voltadas à saúde pública. A assinatura da cessão ocorre no campus Manguinhos da Fiocruz seguida de visita ao novo campus em Jacarepaguá. 

O Memorando de Entendimento (MdE) entre a bioMérieux e a Fiocruz foi assinado em junho de 2025, prevendo a cessão do espaço por um período inicial de dez anos e estabelecendo as bases para cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Agora, além da cessão do espaço, as duas instituições centenárias inauguram um centro no local dedicado à pesquisa e inovação na área de diagnósticos, dando continuidade à visão do Dr. Alain Mérieux para o projeto. As primeiras operações da Fiocruz no local estão previstas para março de 2026, marcando o início de uma nova fase de crescimento e modernização na área de diagnósticos da instituição. 

“Estes acordos consolidam a histórica parceria entre o Brasil e a França, através do propósito comum da Fiocruz e bioMérieux de valorizar a ciência, a tecnologia e a pesquisa em prol da saúde pública”, afirma o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “Esse é um passo estratégico para ampliar a capacidade nacional de produção e inovação em diagnósticos, gerando benefícios à população ofertando ferramentas diagnósticas precisas, tempestivas, sustentáveis, acompanhando o avanço tecnológico em favor do enfrentamento de emergências sanitárias”.

A cessão da planta foi proposta pela bioMérieux, que decidiu redefinir seu modelo de negócio no país, mas manifestou o desejo de manter o compromisso histórico da família Mérieux com a saúde global e com o sistema público brasileiro. A relação entre a Fiocruz e a família Mérieux remonta aos anos 1970, quando o Dr. Alain Mérieux apoiou o Brasil no enfrentamento da epidemia de meningite, contribuindo para o desenvolvimento da capacidade nacional de produção de vacinas e diagnósticos. Desde então, o diálogo entre as instituições se manteve constante, sempre guiado por um propósito comum: fortalecer a ciência e a tecnologia em prol da saúde pública.

Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Diagnósticos 

Mais do que a incorporação de um novo espaço físico, o campus representa uma expansão da capacidade produtiva do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), com atualização tecnológica, automação de processos, inclusão de novos projetos de desenvolvimento e transferência de tecnologia. A iniciativa permitirá reduzir o tempo de produção, fortalecer a autonomia nacional em diagnósticos e ampliar a resposta do Brasil diante de emergências sanitárias. 

O novo campus abrigará inicialmente a produção da linha de testes rápidos, desde o corte até o processamento final e montagem dos produtos, além de áreas dedicadas ao controle de qualidade, testes de estabilidade de produtos, produção de painéis utilizados em programas de Avaliação Externa da Qualidade. Também está prevista a implantação de novos projetos de desenvolvimento tecnológico e transferência de tecnologia. 

Para a diretora de Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, a incorporação dessa planta produtiva é estratégica para o fortalecimento da instituição. “O novo campus permitirá ampliar nossa capacidade de entrega de diagnósticos de qualidade ao SUS e modernizar processos produtivos. Essa expansão é fundamental para acelerar o desenvolvimento de novos produtos e consolidar Bio-Manguinhos como referência em produção e inovação tecnológica também na área de diagnósticos”, destacou. 

Bio-Manguinhos/Fiocruz

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) é a unidade da Fiocruz responsável pela pesquisa, desenvolvimento e produção de vacinas, kits para diagnóstico, biofármacos e terapias avançadas destinados prioritariamente ao SUS. Referência nacional e internacional em biotecnologia e inovação, Bio-Manguinhos atua para fortalecer a autonomia tecnológica do Brasil e garantir o acesso da população a produtos estratégicos para a saúde pública.

bioMérieux

Líder mundial no campo do diagnóstico in vitro desde 1963, a bioMérieux está presente em 45 países e atende a mais de 160 países com o apoio de uma ampla rede de distribuidores. Em 2024, o faturamento atingiu € 4 bilhões, com mais de 93% das vendas fora da França.

A bioMérieux fornece soluções de diagnóstico (sistemas, reagentes, softwares e serviços) que determinam a origem de doenças e contaminações para melhorar a saúde do paciente e garantir a segurança do consumidor. Seus produtos são utilizados principalmente para o diagnóstico de doenças infecciosas. Também são utilizados para a detecção de microrganismos em alimentos, produtos farmacêuticos e cosméticos. 

Publicado em 10/11/2025 10:44 Bio-Manguinhos/Fiocruz

Dois lotes da vacina Excell 10 pode ter matado quase 200 animais: Mapa apreendeu lotes suspeitos da vacina produzida pela Dechra Brasil

Reações adversas possivelmente relacionadas ao uso da vacina Excell 10, contra clostridiose, podem ter resultado na morte de quase 200 animais, o que levou o ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a retirar de circulação os lotes 016/2024 e 018/2024 da vacina produzida pelo laboratório Dechra Brasil Produtos Veterinários.

Segundo o Mapa, até o momento foram registrado óbitos de 194 ovinos, 4 caprinos e 1 bovino.

A notificação informando sobre a situação foi dada pela Agência de Defesa Agropecuária do estado do Piauí no dia 12 de agosto. O Mapa então analisou o caso e, em 13 de agosto, iniciou a fiscalização, após solicitar à empresa relatórios sobre a vacina.

Na sequência, foi feita uma fiscalização, dia 14 em Londrina, do laboratório fabricante do produto; e, no dia seguinte, foi emitida ordem de apreensão cautelar das frações dos lotes (016/2024 e 018/2024) da vacina EXCELL 10 na distribuidora que comercializou as unidades da vacina.

Foi solicitado também que o fabricante apresentasse o painel de distribuição da vacina em todo país. O laboratório Dechra Brasil, então, comunicou, no dia 15, distribuidores e lojistas para interromperem a venda dos lotes suspeitos.

A apreensão dos lotes na distribuidora localizada em Teresina (PI) foi iniciada no dia 18. Amostras foram coletadas para análise fiscal em laboratório da rede oficial.

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, o Mapa já está atuando “de forma coordenada e integrada com os órgãos estaduais de defesa sanitária para confirmar a causa dos óbitos dos animais e adotar todas as medidas necessárias para proteção da produção pecuária”.

“Ações de fiscalização e investigação seguem em andamento, por meio de inspeções no estabelecimento fabricante/proprietário, e realização de testes em amostras dos lotes da vacina e dos animais que vieram a óbito. A estimativa inicial de conclusão do processo de investigação é de 60 dias”, informou o ministério.

De acordo com o Mapa, a clostridiose é uma doença fatal causada por toxinas de bactérias do gênero Clostridium spp. Entre os sintomas associados a ela estão inchaço muscular, manqueira, incoordenação motora e, em casos graves, rigidez muscular, tremores, trismo, opistótono (arqueamento do corpo com cabeça para trás) e convulsões.

O ministério ressalta que a vacinação continua sendo considerada uma estratégia eficaz no combate à clostridiose.

Por meio de nota, a Dechra Brasil Produtos Veterinários disse ter ciência de relatos de reações adversas em caprinos, ovinos e bovinos após a aplicação da Exell 10.

“Estamos investigando a situação junto com o Mapa. Como precaução suspendemos as vendas e recolhemos os lotes 016/24 e 018/24”, informou o laboratório, que abriu dois canais para relatos de reações adversas relacionadas à Excell 10: o 0800 400 7997 ou (43) 991351168.

Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil Publicado em 22/08/2025 – 10:41 Brasília