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InfoGripe: cinco estados têm incidência de SRAG em nível de alerta e tendência de aumento

Divulgada nesta quinta-feira (10/9), a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que, no cenário nacional, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresenta sinal de estabilização ou oscilação nas tendências de longo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Cinco estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 35: Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 35, período de 30 de agosto a 5 de setembro.

A análise aponta ainda para manutenção do sinal de aumento do número de casos de SRAG nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, impulsionado principalmente pelo rinovírus, e diminuição ou estabilização das ocorrências de SRAG nas demais faixas etárias. Segundo os pesquisadores do InfoGripe, a estabilização dos os casos de SRAG nas crianças pequenas também se deve à contraposição entre a queda dos casos graves por VSR e ao aumento das ocorrências graves por rinovírus. A queda dos casos de SRAG nas demais faixas etárias é atribuída especialmente à diminuição das hospitalizações por influenza.

Estados e capitais

O aumento do número de casos de SRAG em Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro concentra-se principalmente nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos e está associado principalmente ao rinovírus. No Mato Grosso, o aumento ocorre entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos e idosos a partir dos 65 anos, possivelmente associado à influenza B.

No Rio de Janeiro, o metapneumovírus também tem contribuído, em menor escala, para o aumento de SRAG nas crianças e adolescentes. A atualização aponta ainda que três estados também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. São eles Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.

Em Roraima, há sinal de interrupção do crescimento dos casos de SRAG por VSR, embora os casos ainda permaneçam em patamar elevado. Na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os casos de SRAG por VSR continuam em queda, mas permanecem levemente elevados para esta época do ano. Nos demais estados, o período de sazonalidade do VSR já se encerrou.  Já os casos de SRAG por influenza B continuam aumentando na Bahia, Mato Grosso e Ceará.

O InfoGripe aponta também um início ou manutenção do aumento das hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, em alguns estados das regiões Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo) e Nordeste (Bahia, Paraíba, Alagoas e Sergipe), além de Roraima. Foi observado, ainda, aumento de casos de SRAG por rinovírus em diversos estados do país: Acre, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em relação à Covid-19 nos estados, há um leve aumento dos casos graves em Roraima. Nas demais UFs, as ocorrências de SRAG por Covid-19 estão em um patamar baixo de incidência.

Duas das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 35. São as cidades de Aracaju e Florianópolis. Em Aracaju o aumento de SRAG se concentra principalmente nas crianças e adolescentes de até 14 anos e, em Florianópolis, nas crianças menores de 2 anos. O InfoGripe aponta ainda que três capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Boa Vista, Cuiabá e Porto Alegre.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,2% de influenza A, 6,6% de influenza B, 27,1% de vírus sincicial respiratório, 48,4% de rinovírus e 2,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 12,7% de influenza A, 16,3% de influenza B, 21,7% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 147.868 casos de SRAG, sendo 79.761 (53,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 52.327 (35,4%) negativos, e ao menos 7.349 (5%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,2% de influenza A, 5,5% de influenza B, 41,4% de vírus sincicial respiratório, 31% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid 19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 3,2% de influenza A, 6,6% de influenza B, 27,1% de vírus sincicial respiratório, 48,4% de rinovírus e 2,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade ocorre o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. O estudo mostra que a incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Em relação aos óbitos de SRAG em 2026, já foram registrados 6.512 óbitos de SRAG, sendo 3.046 (46,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 2.828 (43,4%) negativos, e cerca de (1,7%) aguardando resultado laboratorial.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de “conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão”.

Publicado em 10/09/2026 12:05

Olho seco: uso excessivo de telas entre crianças reduz ato de piscar

Alerta é feito por oftalmologista durante congresso em Salvador

O uso excessivo de celulares e tablets entre crianças e adolescentes pode reduzir a frequência de um hábito simples e involuntário, o de piscar, levando a casos popularmente conhecidos como olho seco, cada vez mais frequentes em consultório de oftalmologia pediátrica. 

A condição é caracterizada pela falta de lubrificação adequada na superfície ocular, decorrente de produção insuficiente de lágrimas ou de sua evaporação excessiva. Os sintomas incluem sensação de areia nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão e visão embaçada. 

A oftalmologista Ana Paula Silverio explica que, ao permanecermos muitas vezes por horas na frente do celular ou do tablet, telas posicionadas muito próximas ao rosto e aos olhos, a frequência do piscar diminui, levando à evaporação das lágrimas e à sensação de secura ocular. 

“As mães trazem a criança ou o adolescente com essa queixa, que começou a piscar mais, além de uma sensação de desconforto”, explicou, ao participar de debate durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que está sendo realizado em Salvador até o próximo sábado (12).

Para Ana Paula, o risco é ainda maior entre adolescentes, que passam boa parte do tempo de tela em frente a celulares, a menor das telas e a que mais tem potencial para prejudicar a visão. Outro agravante: o uso do celular, entre adolescentes, geralmente ocorre dentro do quarto, com pouca ou nenhuma iluminação. 

“Os adolescentes passam muito mais tempo no celular. Nas escolas, eles já fazem a maior parte dos estudos no tablet ou no computador. Voltam para casa e usam o celular no horário recreativo. A gente ainda vê os pequenos brincando, mas com os adolescentes é mais difícil. Os pais já chegam falando: ‘Doutora, fala pra ele que não pode usar o celular assim’”, contou.

“A gente vive essa era. Só se a gente mandar uma criança ou adolescente pra Marte, pra que ele não tenha contato com o celular. Mas temos sim que tentar diminuir o tempo de uso”, reforçou a oftalmologista, citando o número máximo de duas horas diárias de telas, conforme recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria para crianças acima de 6 anos e para adolescentes. 

Paula Laboissière* – Enviada especial Publicado em 10/09/2026 – 11:23 Salvador

Anvisa aprova novas indicações para remédio que trata câncer de mama

Medicamento é usado em pacientes adultos com tipo triplo-negativo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas indicações terapêuticas para o medicamento Trodelvy (sacituzumabe govitecana), usado no tratamento de pacientes adultos com câncer de mama triplo-negativo (CMTN).

Duas novas indicações foram aprovadas: 

  • em combinação com pembrolizumabe para o tratamento de primeira linha de pacientes adultos com CMTN irressecável (que não pode ser removido por cirurgia), localmente avançado ou metastático cujos tumores expressem PD-L1 (proteína encontrada na superfície de algumas células cancerígenas que faz com que o sistema imunológico não ataque o tumor); 
  • como monoterapia para o tratamento de primeira linha de pacientes adultos com CMTN irressecável, localmente avançado ou metastático que não sejam candidatos ao tratamento com inibidores de PD-1 ou PD-L1.

De acordo com a Anvisa, o câncer de mama triplo-negativo representa um subtipo agressivo da doença, associado a pior prognóstico e limitado número de opções terapêuticas. Pacientes com doença localmente avançada irressecável ou metastática frequentemente apresentam rápida progressão clínica e elevada mortalidade.

“Nesse contexto, há necessidade de tratamentos mais eficazes nas fases iniciais da terapêutica”, destacou a agência.

O sacituzumabe govitecana é um conjugado anticorpo-fármaco que age ligando-se especificamente à proteína Trop-2 na superfície das células cancerígenas para liberar uma medicação quimioterápica diretamente nelas. 

O registro foi publicado no Diário Oficial da União da última terça-feira (8).

*Com informações da Anvisa

Da Agência Brasil* Publicado em 10/09/2026 – 11:20 Brasília

Prevenção ao suicídio: profissionais de saúde destacam riscos com bets

Especialistas defendem que tema deve ser tratado sem tabus

Diante do sofrimento psíquico provocado em pacientes que relatam dependência em apostas virtuais (as bets), profissionais de saúde mental defendem ações urgentes diante do momento preocupante. 

Nesta quinta-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, especialistas afirmam que é necessário conversar abertamente sobre o tema durante os tratamentos. Para profissionais ouvidos pela Agência Brasil, há sinais de risco que devem deixar pacientes, familiares e amigos atentos.

Esses sinais incluem desesperança, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool ou mudanças importantes de comportamento. Falas relacionadas à morte ou a não querer mais viver devem ser motivo de atenção e procura de ajuda. 

“A ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes”, afirma a psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno de controle de impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ela lembra que os pacientes, quando buscam ajuda por causa da ludopatia (condição médica caracterizada pelo desejo incontrolável de continuar jogando.), na maioria das vezes já chegam com o humor deprimido. “Estão extremamente ansiosos em virtude dos prejuízos que têm por causa dos jogos. Há quem tenha pensamentos de morte e, no caso, os mais graves já com a ideação suicida em virtude dos prejuízos financeiros que têm”, explica.

“Recompensa” perigosa

O neurocirurgião Orlando Maia, que atua no Rio de Janeiro (RJ), explica que o mecanismo de dependência envolve condições orgânicas. Isso porque quando uma pessoa aposta, o cérebro pode liberar dopamina, diante da expectativa de ganhar, que seria uma recompensa. 

Essa situação gera influência sobre regiões envolvidas no controle das decisões e do comportamento. O cérebro ficaria, então, estimulado por esse reforço intermitente. 

“O sistema de recompensa pode começar a falar mais alto do que os mecanismos de controle das decisões”, diz o médico que trabalha no Hospital Quali Ipanema

O especialista alerta que a ideia suicida ocorre nos aprofundamentos de quadros depressivos e que levam a uma “frustração contínua”. Por isso, ele considera fundamental que, durante as campanhas por cuidados com a saúde mental, no “Setembro Amarelo”, se repita o papel do cuidado, inclusive a serviços como o Centro de Valorização da Vida (CVV). 

“Os mecanismos de tratamento desse ato de estímulo contínuo das apostas e das frustrações envolvem um processo”. Esse processo faria parte de estratégias de diferentes campos de saberes, como a medicina, a psicologia, e a atividade física. “Envolve uma série de situações associadas para o processo de melhora contínua da saída desse quadro”.

Ajuda 

O neurocirurgião Orlando Maia afirma que a pessoa com essa dependência tem a sensação de que a aposta faz parte do dia a dia. Ele explica que, muitas vezes, as pessoas não reconhecem o problema por si mesmas. “Precisam de pessoas da família ou de amigos que possam ajudar”.

Os familiares testemunham o adoecimento e também o endividamento em cascata: pessoas que perdem tudo e passam a ter agravamento de sintomas como depressão, ansiedade e ação suicida. “São transtornos ligados à saúde mental que aumentam muito em consequência disso. É algo que realmente nos preocupa”, diz a psiquiatra Kátia Branco.

Socorro

A psicóloga Claudia Feres, que atua em Centro de Apoio Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, recomenda que pacientes dependentes e suas famílias procurem ajuda profissional o quanto antes. “Eu trabalho em Caps. Chegam para nós pessoas que tiveram pensamentos e fizeram, por exemplo, tentativa de autoextermínio. É um pedido de socorro desesperado, como se falasse que precisa se ausentar da vida naquele momento”.

Para ela, não significa que quer morrer, mas está perdida naquele momento. “A  gente faz o acolhimento e pede para trazer a família junto. Pensar em estratégias que façam sentido para todos”. 

A especialista entende que é necessário compreender que o problema é muito maior do que a questão de um indivíduo e do celular dele. ”A solução tem que ser no âmbito coletivo também”. 

O caminho do risco

A psiquiatra Giovanna Quinet, que trabalha no Rio de Janeiro, destaca que não se pode dizer que apostar vai necessariamente causar depressão ou que toda pessoa que aposta terá pensamentos suicidas. 

“O problema está principalmente quando o jogo deixa de ser uma atividade eventual e passa a ocupar espaço central na vida da pessoa, com perda de controle e consequências negativas”, afirma a profissional que atua na Clínica Revitalis, na cidade do Rio

O problema, segundo os especialistas, é que as apostas online trazem uma característica nova: elas estão no bolso da pessoa, disponíveis praticamente 24 horas por dia. “Existe uma exposição muito grande, inclusive associada ao esporte, à publicidade e às redes sociais”, alerta.

Essa circunstância facilitaria a normalização do comportamento e também dificultaria que a pessoa perceba quando ultrapassou o limite entre uma atividade recreativa e um comportamento problemático. Um ciclo que precisa ser observado é que a pessoa começa apostando em busca de entretenimento ou até de uma possibilidade de ganho. 

“Em determinado momento, pode começar a perder mais dinheiro, aumentar as apostas na tentativa de recuperar o que perdeu e esconder da família o tamanho do problema”, afirma Giovanna Quinet. Seguem dívidas, conflitos familiares, prejuízo no trabalho, insônia, ansiedade, culpa, vergonha e isolamento.

“Esse estado de desesperança pode estar associado à depressão e aumentar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas”, diz a especialista. Para os estudiosos, é necessário não esperar que a pessoa chegue ao fundo do poço para procurar ajuda.

Os profissionais entendem que o tratamento psiquiátrico e o uso de medicação podem ser necessários. “Perguntar não significa induzir o suicídio. Pelo contrário, pode abrir uma oportunidade para que aquela pessoa fale sobre algo que estava vivendo em silêncio”, acrescenta a psiquiatra. 

Para os pesquisadores, falar de prevenção ao suicídio é tratar de tudo o que pode levar uma pessoa a um estado de sofrimento e desesperança. “Hoje, precisamos olhar com atenção para o jogo problemático, porque as consequências podem ultrapassar muito a questão financeira”.

“Atuação coordenada”

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) considera muito importante reconhecer a importância do debate sobre a prevenção ao jogo problemático e à proteção das pessoas em situação de vulnerabilidade. 

A entidade pondera que, desde o início do mercado federal regulado, em janeiro de 2025, as empresas autorizadas passaram a operar sob um conjunto de regras e controles específicos de proteção ao consumidor e jogo responsável.

“A entidade entende que o jogo problemático é uma questão séria e seu enfrentamento exige atuação coordenada entre poder público, reguladores, empresas, entidades e sociedade”.

Em relação à publicidade, o setor ressalta que, com a regulamentação, as ações de comunicação passaram a estar submetidas a regras específicas e rigorosas.

Serviços

Os profissionais indicam que, se houver risco de suicídio, essa pessoa não deve ficar sozinha. 

O atendimento de urgência ou Samu atende pelo telefone 192. 

Para quem está em sofrimento emocional e precisa conversar, o CVV oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Rede de atenção Psicossocial do SUS – Saiba onde encontrar um Caps

Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil Publicado em 10/09/2026 – 08:28 Brasília

Brasil tem quase 38 mil pessoas à espera de transplante de córnea

Em apenas seis meses foi registrado aumento de 15%, diz CBO

Atualmente, 37.719 pessoas aguardam na fila para transplantes de córnea em todo o país. Em dezembro de 2025, eram 32.639 pacientes – um aumento de 15% em apenas seis meses. Os números são do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). 

Apesar da alta demanda, a entidade destaca que nunca foram realizados tantos procedimentos desse tipo no Brasil. No ano passado, foram 17.790 cirurgias que ajudaram a recuperar a visão, um marco classificado pelo conselho como histórico.

“No entanto, o sistema nacional enfrenta um paradoxo: mesmo operando próximo à autossuficiência teórica para o fluxo anual, a lista de espera ativa continua se expandindo devido ao ritmo rápido de novas indicações médicas”, alertou a entidade. 

Como consequência do passivo acumulado ao longo dos anos, uma pessoa que aguarda por um transplante de córnea no Brasil leva, em média, 370 dias para realizar a cirurgia – tempo mais que duas vezes superior ao registrado há 10 anos, quando a demora era de 174 dias. 

Desafios 

Para o CBO, o cenário tem origem em múltiplos fatores, incluindo a falta de reajustes nos valores pagos pelos procedimentos e o impacto da pandemia de covid-19, que causou uma espécie de represamento de pacientes, sobretudo no período de 2020 a 2023.

Os especialistas apontam ainda a necessidade de contornar o problema de manutenção enfrentado por bancos de olhos em todo o país frente aos custos dos insumos, cotados em dólar.

Outro ponto identificado é o incremento de exigências nas fases de produção e processamento da córnea, como a necessidade de gestão de qualidade. 

“Essas causas alinhadas geram uma fatura que não fecha para o banco de olhos, que recebe a mesma coisa que há uma década, quando não existiam tantos requerimentos na legislação”, reforçou o conselho. 

Estados 

Consolidado como o maior exemplo de agilidade no país, o Ceará realizou 1.371 transplantes em 2025. Embora tenha registrado 1.639 novos ingressos ao longo do ano, a alta rotatividade do sistema permitiu que o estado encerrasse dezembro com apenas 93 pacientes ativos na lista de espera. 

O Mato Grosso também se destaca pela gestão da fila, com apenas 37 pacientes a espera do transplante.

No extremo oposto, o Rio de Janeiro realizou apenas 653 transplantes em 2025, enquanto recebeu 1.720 novos ingressos na fila no mesmo período. Esse desequilíbrio fez com que a lista acumulada fluminense fechasse dezembro de 2025 com 4.760 pessoas ativas.

Outros estados populosos também registram filas expressivas, como São Paulo, que concentra a maior fila absoluta, com 7.505 pacientes ativos em dezembro, e Minas Gerais, com 4.532 ativos. Ambos, entretanto, mantêm uma relação fila/transplante mais equilibrada em comparação ao caso fluminense. 

Os estados do Amapá e de Roraima não registraram a realização de nenhum transplante de córnea em 2025.

Boa avaliação 

Apesar dos volumes, especialistas do CBO ressaltam que o Brasil, em termos gerais, permanece bem avaliado em nível internacional, com um desempenho compatível com Canadá, Austrália e alguns países da Europa. 

Na América Latina, o Brasil aparece como grande destaque, bem à frente de Argentina, Chile, Colômbia e México.

Perfil dos pacientes 

Dentre os candidatos à espera para fazer um transplante de córnea, as mulheres são maioria (56% dos pacientes). 

No que se refere à idade, pessoas com 65 anos ou mais representam quase metade da fila (47%), reflexo, segundo o CBO, do envelhecimento da população e do aumento das doenças degenerativas da córnea.

Um dos pontos que chama atenção, de acordo com o conselho, é a fila infantojuvenil – atualmente, o Brasil registra um acumulado de 753 crianças e adolescentes ativos na lista de espera para transplante de córnea, em comparação a 616 pacientes registrados em dezembro de 2025.

Histórico

Os dados indicam que 2020 foi um ano decisivo para a formação do cenário atual, por conta das medidas sanitárias que suspenderam cirurgias eletivas, entre elas os transplantes de córnea, para manter liberados leitos para atender os casos de covid-19. 

Naquele ano, foram realizados 7.349 transplantes de córnea, pouco menos do que a metade produzida no ano anterior (14.942).

Apesar do impacto inicial da pandemia, o total de transplantes de córnea saltou para 12.869 em 2021, escalando para 14.082 em 2022, para 16.028 em 2023, para 17.108 em 2024 e finalmente alcançando o patamar recorde de 17.790 cirurgias em 2025.

Congresso 

O panorama de transplantes de córnea no Brasil está entre os temas debatidos ao longo do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que acontece até o próximo sábado (12) em Salvador. 

*A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)

Paula Laboissière – Enviada especial* Publicado em 09/09/2026 – 11:04 Salvador

Anvisa amplia indicação de vacina contra meningite 

O público-alvo passa a incluir bebês a partir de seis semanas de vida

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da indicação da vacina MenQuadfi para crianças a partir de 6 semanas de idade. A decisão permite que o imunizante seja usado tanto em adultos quanto em crianças para a prevenção da doença meningocócica invasiva causada pelos sorogrupos A, C, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis.

A MenQuadfi é uma vacina meningocócica conjugada administrada por via intramuscular e já era utilizada em outras faixas etárias.

Com a autorização, o público-alvo passa a incluir bebês a partir de seis semanas de vida, um dos grupos mais vulneráveis às formas graves da doença.

Segundo a Anvisa, a ampliação da indicação foi baseada em estudos clínicos que avaliaram a segurança da vacina em cerca de 6 mil bebês com idade entre 6 semanas e menos de 12 meses, que receberam pelo menos uma dose do imunizante em diferentes esquemas vacinais. 

Também foram analisados dados de pouco mais de 5 mil crianças que receberam dose de reforço a partir dos 12 meses de idade.

De acordo com a agência, os resultados demonstraram perfil de segurança compatível com o esperado para vacinas meningocócicas conjugadas, sem o surgimento de novas preocupações relevantes relacionadas à segurança do produto.

Doença grave

A Neisseria meningitidis é uma bactéria que atinge o sistema respiratório superior humano e pode ser transmitida por gotículas de secreção. Embora muitas pessoas sejam portadoras assintomáticas, em alguns casos o microrganismo consegue invadir a corrente sanguínea e provocar a doença meningocócica invasiva.

A infecção é considerada grave, tem rápida evolução e pode levar à morte mesmo quando tratada adequadamente. Segundo informações da Anvisa, a letalidade da doença gira em torno de 10% e até 20% dos sobreviventes podem desenvolver sequelas permanentes e incapacitantes.

Bebês e crianças pequenas, especialmente durante o primeiro ano de vida, estão entre os grupos com maior risco de desenvolver complicações graves.

Novo medicamento

A Anvisa aprovou também o registro do medicamento Voraxaze (glucarpidase), indicado para reduzir concentrações tóxicas de metotrexato em pacientes com insuficiência renal aguda ou com atraso na eliminação da substância pelo organismo.

O uso do medicamento foi autorizado para adultos e crianças com mais de 28 dias de vida.

O metotrexato é um imunossupressor usado em altas doses no tratamento de alguns tipos de câncer. Em situações de insuficiência renal ou eliminação retardada do medicamento, pode ocorrer acúmulo da substância no organismo, aumentando o risco de toxicidade grave.

Segundo a agência reguladora, o glucarpidase é uma enzima recombinante capaz de quebrar o metotrexato e reduzir rapidamente sua concentração no sangue, independentemente da função dos rins.

Com esse mecanismo, o medicamento permite a eliminação da substância por uma via alternativa à renal, representando uma opção terapêutica para pacientes que apresentam níveis tóxicos do quimioterápico.

Brasília Publicado em 09/09/2026 – 09:54 Brasília

Taxa média de recusa de doação de órgãos pelos familiares é 45%

Comunicação adequada e humanizada pode mudar essa realidade

O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. 

Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.  

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke. 

Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.  

O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. 

De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.  

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou. 

Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.  

“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou. 

De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas,  administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).  

Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). 

Transplantes no Brasil  

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.

Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil Publicado em 08/09/2026 – 07:28 São Paulo

Fiocruz recebe autorização para testes clínicos da primeira vacina RNAm brasileira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização para o início dos estudos clínicos da vacina de RNA mensageiro (RNAm) contra Covid-19 da Fiocruz, a primeira produzida com esta tecnologia no país. A vacina foi totalmente desenvolvida na plataforma RNAm da Fiocruz, cuja planta piloto também é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação (BPF). A Fiocruz é o primeiro parceiro do Programa Global de Transferência de Tecnologia de RNAm da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da iniciativa do Fundo de Patentes de Medicamentos (MPP, na sigla em inglês) a ter um produto aprovado para realização de estudos clínicos.

Vacinas.

(foto: Bernardo Portella)

“A consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma base para o desenvolvimento de novos produtos voltados a diferentes desafios do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Antes do envio para aprovação do estudo pela Anvisa, a vacina do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) passou pelo estágio pré-clínico, que mostrou eficácia na proteção contra a doença. Também foram realizados estudos toxicológicos e de escalonamento. O recrutamento dos participantes para a Fase 1 do estudo clínico está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027. Até lá, o estudo ainda deverá ser aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa.

O estudo clínico, que acaba de receber aval pela Anvisa, vai avaliar o uso do imunizante de Bio-Manguinhos/Fiocruz como dose de reforço, como consta atualmente no calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI). A atuação ativa da Anvisa foi fundamental para o alcance deste marco, que se insere dentro de um contexto de uma série de avanços na regulamentação da pesquisa clínica no Brasil. “Ter um estudo clínico desse porte, com tecnologia inovadora e feito por uma instituição pública, é uma demonstração concreta do compromisso do Brasil com a proteção à saúde e com o desenvolvimento da ciência”, ressalta o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle. Agora na primeira fase, são testadas a segurança e a imunogenicidade do reforço vacinal. O acompanhamento dos participantes acontece durante um ano.

“A plataforma de RNA mensageiro representa a capacidade do Brasil de gerar conhecimento, desenvolver tecnologias estratégicas e responder com maior rapidez aos desafios da saúde pública. Nosso compromisso é transformar ciência em acesso, fortalecendo o SUS e nos preparando para os desafios do futuro”, afirma a diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Rosane Cuber.

Plataforma.

(foto: André Rocha)

Plataforma RNAm da Fiocruz

A escolha da Covid-19 como primeiro alvo para o desenvolvimento de produtos na plataforma de RNAm de Bio-Manguinhos/Fiocruz se deu por ser um imunizante largamente utilizado durante a pandemia. Nesse sentido, os pesquisadores já sabiam que a tecnologia funcionava para a doença. “O potencial é enorme. Teremos a primeira vacina para Covid-19, mas já estamos com estudos em andamento para outras, contra leishmaniose e tuberculose, por exemplo, e sabemos que é possível produzir terapias voltadas a doenças como o câncer”, explica a líder do projeto RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Patrícia Neves.

Desde 2021, Bio-Manguinhos/Fiocruz é reconhecido pela OMS como centro de referência em vacinas de RNAm na América Latina. No último ano, a instituição fez o depósito de pedido da patente de sua plataforma RNAm. A vantagem desta tecnologia é ser facilmente adaptável, uma mesma base é utilizada e o que se modifica são as instruções a serem enviadas ao sistema imunológico, seja para vacinas ou terapias. Segundo Neves, “isso possibilita o desenvolvimento e a produção nacional de produtos de saúde inovadores em menor tempo e a custos reduzidos e, consequentemente, amplia o acesso da população brasileira a imunizantes de última geração”.

Infográfico.

O projeto de RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz integra o Programa para Ampliação e Modernizaçao de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS) e conta com um aporte R$ 77 milhões do Ministério da Saúde (MS). Os recursos têm sido investidos para a consolidação da plataforma, desenvolvimento do portfolio de produtos de interesse do SUS, apoio à realização do estudo clínico da vacina e construção de capacidades produtivas e inovadoras em países do Sul Global. Também contou com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Organização Pan-Americanda da Saúde (Opas), parcerias estratégicas para tornar a plataforma um ativo de saúde global. Na AFN Mais notícias AFN segue orientações sobre conteúdos digitais disponíveis no período eleitoral

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Endereço:
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Publicado em 02/09/2026 09:00

Pesquisadores divulgam nota técnica sobre cigarros eletrônicos e desinformação

Pesquisadores da Fiocruz produziram uma nota técnica com dados sobre a circulação de vídeos desinformativos sobre os cigarros eletrônicos no YouTube. Os conteúdos produzidos em canais brasileiros negam evidências científicas sobre os riscos da nicotina e desacreditam autoridades sanitárias. De acordo com os pesquisadores, o formato opinativo dos vídeos é uma estratégia para burlar as leis que proíbem a publicidade do tabaco na internet brasileira desde 2000.

Estudo indica a urgência de ajuste à legislação brasileira, que proíbe a publicidade do tabaco na internet desde 2000 e a venda de vape desde 2009 (Foto: Freepik)

Os cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde 2009. Eles causam dependência e provocam a doença denominada evali, causadora de lesões no pulmão. Pessoas entre 15 e 24 anos somam cerca de 70% dos usuários desses dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil.

O vape desafia três décadas de conquistas de políticas públicas contra o tabaco, por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). A nota técnica, produzida pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), indica que, entre 2023 e 2024, houve um aumento no número de fumantes no Brasil, passando de 9,3% para 11,6% de adultos fumantes no país. O enfrentamento das doenças causadas pelo tabagismo representa um custo anual de R$ 153 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Os cinco canais identificados na nota acumularam mais de 6 milhões de visualizações e somam 400 mil pessoas inscritas. Os conteúdos são recomendados pelo YouTube em buscas sobre os cigarros eletrônicos. Eles ensinam como usar o produto, avaliam os modelos, oferecem cupons de desconto e links para adquirir o vape, além de trazer entrevistas com especialistas defensores do cigarro eletrônico.

A nota identificou que o YouTube apresenta uma autorregulação frágil, ao desconsiderar leis como o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Anti Fumo e o Eca Digital. A plataforma não menciona, em sua seção de publicidade, a proibição legal de propaganda de tabaco e cigarros eletrônicos no Brasil; e a sinalização de conteúdo restrito a maiores de 18 anos foi aplicada de forma esporádica.

O estudo técnico defende uma articulação intersetorial entre Estado e sociedade civil para propor soluções para ampliar a segurança dos brasileiros no YouTube, diante do avanço da desinformação sobre tabaco e da promoção dos cigarros eletrônicos.

Recomendações

Celebrar um acordo de cooperação com o YouTube, destinado a oferecer maior segurança aos cidadãos brasileiros no que se refere à proibição da publicidade do tabaco nos canais brasileiros. Nesse contexto, sugere-se uma parceria entre atores da comunicação pública, influenciadores digitais e o YouTube para promover, gratuitamente, conteúdos informativos sobre o risco dos cigarros eletrônicos.

Sugere-se, com base no Decreto n.º 12.975/2026, que os provedores de aplicações de internet tenham transparência sobre estratégias usadas para a avaliação de riscos, moderação, recomendação e monetização sobre os temas relativos ao tabaco nas plataformas. Tais medidas são relevantes no contexto do ECA Digital, pois atuam como medidas preventivas para evitar a iniciação de jovens e adolescentes no uso de dispositivos eletrônicos para fumar.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de “conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão”

Publicado em 26/08/2026 15:30

Desastres hidrológicos expõem desigualdades em saúde no BrasilDesastres hidrológicos expõem desigualdades em saúde no Brasil

Enchentes, inundações e enxurradas já atingiram milhares de pessoas no Brasil, deixando perdas materiais, danos à infraestrutura e mortes. Um estudo que analisou desastres hidrológicos registrados no país entre 2000 e 2023, a partir de índices inéditos, mostra que as perdas humanas e os prejuízos à infraestrutura de saúde não se distribuem de forma uniforme no país, e seus impactos atingem com mais intensidade a Região Norte.

O estudo, desenvolvido por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), se debruçou em avaliar os prejuízos imediatos causados por desastres hidrológicos no Brasil, tendo como foco as perdas humanas e danos à infraestrutura de saúde. Realizada em parceria com pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Federal do Alagoas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da London School of Hygiene and Tropical Medicine, a pesquisa desenvolveu três indicadores para medir esses impactos.

Um deles é o Índice de Perdas Humanas (Human Loss Index – HLI), composto por informações sobre mortes, feridos, enfermos, desabrigados, desalojados e desaparecidos. Há ainda o Índice de Perdas na Infraestrutura de Saúde (Health Infrastructure Loss Index – HII), que considera a quantidade de unidades de saúde danificadas ou destruídas, o valor monetário dos danos materiais às instalações de saúde pública e prejuízos associados à assistência médica, à saúde pública e ao atendimento médico de emergência. E o Índice Geral de Severidade (General Severity Index – GSI), que combina os dois anteriores.

A partir de dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), os pesquisadores analisaram a frequência, intensidade e distribuição desses eventos ao longo do tempo e do território brasileiro. Embora muitas vezes tratados como “naturais”, esses desastres resultam da combinação entre mudanças climáticas, vulnerabilidades socioeconômicas, ação humana e ausência ou inadequação de políticas públicas, atingindo com maior intensidade populações já vulnerabilizadas e regiões com menor capacidade de resposta.

De acordo com a pesquisadora líder do estudo, Gisele Paixão Pereira, as perdas humanas apresentam maior distribuição no território brasileiro, mas no que tange a infraestrutura de saúde, a análise indicou uma maior concentração dos impactos na Região Norte.

“Do ponto de vista territorial, os municípios da região amazônica, especialmente Japurá e Atalaia do Norte, registraram os maiores índices combinados de perdas. Esses resultados refletem vulnerabilidades associadas ao isolamento geográfico, à fragilidade da infraestrutura local e às desigualdades socioeconômicas”, explica.

Ainda segundo a pesquisadora, o impacto dos desastres hidrológicos na Região Norte também está associado à presença de populações indígenas, que costumam ser mais vulnerabilizadas historicamente aos impactos dos eventos climáticos extremos. O mesmo ocorre com populações ribeirinhas e moradores de municípios isolados.

“No Norte, os impactos são agravados pela fragilidade das unidades de saúde, marcada por deficiências estruturais, ausência de protocolos de emergência e escassez de recursos humanos e materiais, o que frequentemente leva à interrupção dos serviços durante eventos extremos”, pontua.

Os territórios refletidos nos impactos

Em nível nacional, os resultados sugerem que a ocorrência de desastres afetou principalmente áreas residenciais, em vez de instalações de saúde pública. E, ao longo dos anos, as perdas humanas variaram menos, com alguns picos em 2006, 2011, 2015 e 2019. Já os danos à infraestrutura de saúde, ocorreram com menor frequência, com valores máximos em 2012, 2019 e 2023. Nesses casos, a capacidade de atendimento em momentos críticos foi comprometida.

Os municípios pequenos, isolados e socialmente vulnerabilizados são os que mais sofreram com os impactos de desastres hidrológicos no Brasil, locais onde as unidades de saúde operam com fragilidades estruturais, escassez de profissionais e limitações de recursos. Os maiores níveis de severidade foram identificados em municípios do Amazonas, com destaque para Japurá, que registrou o maior Índice Geral de Severidade, seguido por Careiro da Várzea e Atalaia do Norte, todos no estado do Amazonas.

Além deles, os autores identificaram municípios severamente afetados em diferentes regiões do país. No Nordeste, inundações têm se tornado uma ameaça crescente, agravada por vulnerabilidades sociais e deficiências estruturais. No Sul e Sudeste, a maior renda média não elimina fragilidades na infraestrutura urbana e na gestão de riscos. Esse resultado evidencia que os impactos dos desastres hidrológicos não se restringem à Amazônia, alcançando também regiões com perfis socioeconômicos e capacidades institucionais distintas.

“Os desastres hidrológicos no Brasil são fortemente influenciados por desigualdades sociais, planejamento urbano deficiente e políticas preventivas frágeis. As perdas humanas e de infraestrutura de saúde afetam desproporcionalmente as populações vulnerabilizadas, agravando as desigualdades pré-existentes”, observa Gisele.

Diante do aumento da frequência e intensidade dos eventos extremos associados às mudanças climáticas, Gisele e os demais autores defendem estratégias integradas que combinem adaptação climática, redução da pobreza e das desigualdades sociais e regionais, bem como o fortalecimento da infraestrutura pública urbana e de saúde. Ela também destaca que as iniciativas internacionais, como o acordo global adotado pelas Nações Unidas, o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), frisam a importância da redução da mortalidade, quantidade de pessoas afetadas e perdas econômicas nas consequências de desastres. Para isso, Gisele destaca a importância de haver monitoramento e relatos dos impactos de eventos extremos. Uma das maneiras de realizar isso é tendo os índices desenvolvidos como ferramenta.

“A construção desses indicadores pode funcionar como uma ferramenta estratégica para a governança do risco de desastres, apoiando gestores na identificação de áreas mais vulneráveis, na priorização de investimentos preventivos e no planejamento de ações de resposta, recuperação e reconstrução”, enfatiza Gisele. Os resultados do estudo apontam que cidades mais preparadas e menos vulnerabilizadas socialmente tendem a sofrer menos perdas diante de eventos climáticos extremos.

Enchentes, inundações e enxurradas já atingiram milhares de pessoas no Brasil, deixando perdas materiais, danos à infraestrutura e mortes. Um estudo que analisou desastres hidrológicos registrados no país entre 2000 e 2023, a partir de índices inéditos, mostra que as perdas humanas e os prejuízos à infraestrutura de saúde não se distribuem de forma uniforme no país, e seus impactos atingem com mais intensidade a Região Norte.

O estudo, desenvolvido por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), se debruçou em avaliar os prejuízos imediatos causados por desastres hidrológicos no Brasil, tendo como foco as perdas humanas e danos à infraestrutura de saúde. Realizada em parceria com pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Federal do Alagoas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da London School of Hygiene and Tropical Medicine, a pesquisa desenvolveu três indicadores para medir esses impactos.

Um deles é o Índice de Perdas Humanas (Human Loss Index – HLI), composto por informações sobre mortes, feridos, enfermos, desabrigados, desalojados e desaparecidos. Há ainda o Índice de Perdas na Infraestrutura de Saúde (Health Infrastructure Loss Index – HII), que considera a quantidade de unidades de saúde danificadas ou destruídas, o valor monetário dos danos materiais às instalações de saúde pública e prejuízos associados à assistência médica, à saúde pública e ao atendimento médico de emergência. E o Índice Geral de Severidade (General Severity Index – GSI), que combina os dois anteriores.

A partir de dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), os pesquisadores analisaram a frequência, intensidade e distribuição desses eventos ao longo do tempo e do território brasileiro. Embora muitas vezes tratados como “naturais”, esses desastres resultam da combinação entre mudanças climáticas, vulnerabilidades socioeconômicas, ação humana e ausência ou inadequação de políticas públicas, atingindo com maior intensidade populações já vulnerabilizadas e regiões com menor capacidade de resposta.

De acordo com a pesquisadora líder do estudo, Gisele Paixão Pereira, as perdas humanas apresentam maior distribuição no território brasileiro, mas no que tange a infraestrutura de saúde, a análise indicou uma maior concentração dos impactos na Região Norte.

“Do ponto de vista territorial, os municípios da região amazônica, especialmente Japurá e Atalaia do Norte, registraram os maiores índices combinados de perdas. Esses resultados refletem vulnerabilidades associadas ao isolamento geográfico, à fragilidade da infraestrutura local e às desigualdades socioeconômicas”, explica.

Ainda segundo a pesquisadora, o impacto dos desastres hidrológicos na Região Norte também está associado à presença de populações indígenas, que costumam ser mais vulnerabilizadas historicamente aos impactos dos eventos climáticos extremos. O mesmo ocorre com populações ribeirinhas e moradores de municípios isolados.

“No Norte, os impactos são agravados pela fragilidade das unidades de saúde, marcada por deficiências estruturais, ausência de protocolos de emergência e escassez de recursos humanos e materiais, o que frequentemente leva à interrupção dos serviços durante eventos extremos”, pontua.

Os territórios refletidos nos impactos

Em nível nacional, os resultados sugerem que a ocorrência de desastres afetou principalmente áreas residenciais, em vez de instalações de saúde pública. E, ao longo dos anos, as perdas humanas variaram menos, com alguns picos em 2006, 2011, 2015 e 2019. Já os danos à infraestrutura de saúde, ocorreram com menor frequência, com valores máximos em 2012, 2019 e 2023. Nesses casos, a capacidade de atendimento em momentos críticos foi comprometida.

Os municípios pequenos, isolados e socialmente vulnerabilizados são os que mais sofreram com os impactos de desastres hidrológicos no Brasil, locais onde as unidades de saúde operam com fragilidades estruturais, escassez de profissionais e limitações de recursos. Os maiores níveis de severidade foram identificados em municípios do Amazonas, com destaque para Japurá, que registrou o maior Índice Geral de Severidade, seguido por Careiro da Várzea e Atalaia do Norte, todos no estado do Amazonas.

Além deles, os autores identificaram municípios severamente afetados em diferentes regiões do país. No Nordeste, inundações têm se tornado uma ameaça crescente, agravada por vulnerabilidades sociais e deficiências estruturais. No Sul e Sudeste, a maior renda média não elimina fragilidades na infraestrutura urbana e na gestão de riscos. Esse resultado evidencia que os impactos dos desastres hidrológicos não se restringem à Amazônia, alcançando também regiões com perfis socioeconômicos e capacidades institucionais distintas.

“Os desastres hidrológicos no Brasil são fortemente influenciados por desigualdades sociais, planejamento urbano deficiente e políticas preventivas frágeis. As perdas humanas e de infraestrutura de saúde afetam desproporcionalmente as populações vulnerabilizadas, agravando as desigualdades pré-existentes”, observa Gisele.

Diante do aumento da frequência e intensidade dos eventos extremos associados às mudanças climáticas, Gisele e os demais autores defendem estratégias integradas que combinem adaptação climática, redução da pobreza e das desigualdades sociais e regionais, bem como o fortalecimento da infraestrutura pública urbana e de saúde. Ela também destaca que as iniciativas internacionais, como o acordo global adotado pelas Nações Unidas, o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), frisam a importância da redução da mortalidade, quantidade de pessoas afetadas e perdas econômicas nas consequências de desastres. Para isso, Gisele destaca a importância de haver monitoramento e relatos dos impactos de eventos extremos. Uma das maneiras de realizar isso é tendo os índices desenvolvidos como ferramenta.

“A construção desses indicadores pode funcionar como uma ferramenta estratégica para a governança do risco de desastres, apoiando gestores na identificação de áreas mais vulneráveis, na priorização de investimentos preventivos e no planejamento de ações de resposta, recuperação e reconstrução”, enfatiza Gisele. Os resultados do estudo apontam que cidades mais preparadas e menos vulnerabilizadas socialmente tendem a sofrer menos perdas diante de eventos climáticos extremos.

Publicado em 25/06/2026 15:27 Lívia Oliveira (Cidacs/Fiocruz Bahia)